Sonho proibido

Estava tendo um sonho proibido. Tão proibido que a vizinha de baixo começou a gritar “Polícia” três vezes em espanhol. O grito fez parte do sonho por alguns segundos, depois cumpriu seu papel e me acordou. Policiando os sonhos proibidos.

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A vida, por Emília

Eu tinha talvez uns nove anos de idade quando minha tia chegou com uma caixa de papelão enorme e disse:
– Toma. Eu sei que você é a única que gosta de ler…
E quando eu abri, a caixa tinha a coleção completa do Monteiro Lobato, em capa dura. “Reinações de Narizinho”, “Memórias de Emília e Peter Pan”, “A chave do tamanho” e mais um monte. Foram boa companhia por muito tempo.
E morro de remorso quando penso que não tenho mais coisas como essas, que fizeram parte da minha infância. Queria ter guardado meus bonecos do Cascatinha e do Fofão. Seriam ícones hoje. Queria ter guardado essa coleção e a minha caixa de gibis de capa dura da Mônica. A minha bebezinho, que teve história pra contar... O que me conforma é que sei que todos os meus livros sempre foram doados pela minha mãe para instituições de caridade. E não há nada de mais perfeito nesse mundo do que passar magia de mão em mão.
Deixo aqui um trecho de “Memórias de Emília”, que achei no blog da Rah.

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“– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais […] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre. – E depois que morre?, perguntou o Visconde. – Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”

Cidade maravilhosa

Vocês sabem que se me der um louco eu faço dois, né. Pois então. Ontem à noite saí da academia (ainda estava claro), depois de uma aula de pilates e outra de spinning. Andava com a minha amiga na avenida da faculdade quando nos aproximamos desse casal perdido no meio da rua. Uma mulher de uns cinquenta e poucos anos e um senhorzinho muito fofo. Vira a mulher pra gente e diz alguma coisa sobre tennis. A gente achou que eles queriam jogar tênis, mas aí eles começaram a falar os dois ao mesmo tempo e eu ouvi um “pelota” no meio. Soltei meu portunhol e perguntei se eles falavam espanhol. A mulher se empolgou toda e perguntou se eu era espanhola, eu disse que não, que era Brasileira. Descobri que eles queriam era jogar squash, que é na academia. Dei as instruções enquanto o senhorzinho tentava persistentemente falar comigo em espanhol. Quando dei brecha ele me perguntou de onde eu era e eu disse São Paulo. Aí ele desembestou a falar que já tinha ido pro Rio, pra São Paulo, pra Curitiba e pra Foz do Iguaçu, que amava o Brasil e tralalá.
E quando eu me dei conta estavamos eu e ele cantando “Cidade maravilhosa” bem alto, com os braços abertos e espalhafatosos no meio da avenida. Só percebi o mico quando a mulher começou a puxar o pai e dizer  “gracias, gracias, gracias”. E ele foi embora de costas, cantando com os braços abertos e eu também, nos separando minuto a minuto. Cena de filme. Minha amiga polonesa tava sentada no ponto de ônibus se matando de rir.

Ô dificuldade…

Como é difícil expressar uma opinião num blog sem receber trocentos neguinhos mal educados falando a respeito.
O povo joga “Sandy” nos motores de busca e cai aqui matando. Gente, vai escrever pro fã clube, me deixa aqui com o meu barraco. Blog é uma expressão pessoal, não é casa da mãe Joana. É público até onde eu quiser que seja. A casa é minha, quem manda aqui sou eu. Caramba… será que é tão difícil criticar com educação nos dias de hoje?

Descabimento perfeito

Depois de uma briguinha descabida e um monte de palavras puramente hormonais, nada melhor do que terminar a noite dormindo de conchinha.
E ainda acordar com  uma mensagem no celular “i´m so lucky to have you in my life, i love you so much”. É um descabimento tão descabido que chega a ser perfeito.

E pra quem tem cobertor de orelha, experimente um pouco de Paolo Nutini. É viciante.

Em tempos de crise…

Todo mundo sabe que a Inglaterra está passando por uma crise brava desde o ano passado. Muita coisa mudou por aqui. O índice de desemprego atualmente é monstruoso, a inflação continua e tudo parece ainda não ter voltado ao normal.
Em uma fase como essa, Brasileiro sempre tem que dar o seu “jeitinho”. Afinal, quem melhor do que a gente para ensinar esse bando de “desenvolvido” como enfrentar uma crise?
Desde que eu saí do Hotel a situação em casa não tem sido lá muito fácil. E eu percebi que aos poucos estou me tornando uma vegetariana quase que por determinação financeira. Carne aqui é cara, como em qualquer outro lugar do mundo. Algumas coisas podem ser baratas, mas considere um país onde a beringela, umazinha só, custa uma libra. Não dá pra sair gastando as douradinhas assim do nada.
Então eu tenho encontrado alternativas entre proteína vegetal e a famosa combinação de aminoácidos: arroz e feijão. Ou arroz e ervilha, ou arroz e lentilha. Sementes e oleaginosas também. Minha despensa agora tem broto de alfafa, quinua, grãos, cereais, soja e sementes. E no freezer apenas uns fishcakes para o marido, um filé ou outro de peixe, e o que a gente encontrar de razoavelmente barato. Filé de peru por exemplo. Mais barato que frango.
Ultimamente minhas visitas ao supermercado se concentram na sessão “reduced”. E não, não me sinto pobre por isso não. Afinal de contas, o que está em liquidação é o que teoricamente irá vencer no dia ou no dia seguinte. Se eu puder cozinhá-lo até o dia seguinte, ótimo. Ou congelo e pago mais do que 70% a menos.
Aqui na Inglaterra tem uma coisa muito engraçada que é a data de validade em frutas e legumes. Ora, desde que me conheço por gente uma fruta só estraga quando estraga. Não tem data pra expirar. E ainda se ficar ruinzinha de um lado, a gente corta fora e come o outro lado. Nunca na minha vida vi data de validade em maçã, banana, uva. Por isso tenho economizado muito com frutas essas semanas. Compro as da sessão “reduced”, que aparentemente estão perfeitas, e consumo até elas me contarem quando não prestam mais. Por exemplo, outro dia comprei uma caixa de uvas reduzida de duas libras pra cinquenta centavos. Porque a data dizia que venceria naquele dia. Os cachos duraram mais de uma semana na minha geladeira, por cinquenta centavos! E nessa onda tenho consumido muito mais frutas!
E também tenho dado mais atenção aos produtos de estação, o que diminui o meu “carbon footprint”, ou seja, a minha participação na poluição do mundo, já que o que não é da estação é importado e vem pra cá através de avião ou navio.
Todos os supermercados tem uma linha mais barata pra tudo, inclusive carnes, peixes e frango. Mas eu sou ecochata demais. Se tiver que comprar ovos de frangos que vivem engaiolados, eu prefiro não comprar. Se for pra comprar carne desses frangos, cheios de hormônio e sem espaço nem pra abrirem as asinhas, não compro. Dou preferência ao que é orgânico ou ecologicamente correto. Por isso prefiro usar as alternativas vegetais no momento.
Eu não conseguiria ser vegetariana pra sempre, porque amo um peixe e -principalmente – um bom churrasco. Mas carnes não são as únicas fontes de proteína.
Outra coisa que a gente fez foi cortar o telefone de casa e pegar um celular em pós pago, só um deles. A gente usa os meus minutos inclusos para ligar pra quem quer que seja no Reino Unido e não paga mais a assinatura e o monte de abobrinha que vem com uma conta da BT (que quis me cobrar 500 libras da última vez). O David continua com o pré pago e não gasta quase nada, já que usa o meu pra telefonar e eu ligo do meu pra ele sempre, porque é de graça. Internet agora só com o dongle, que é no esquema TopUp (se bem que ainda acho que vale a pena o pacote básico da Sky – se não usar o telefone!)
Também comprei um chip (sim card) na 99p Shop por – óbvio, 99 centavos – da TalkTalk. Acho que chama TalkTalk World, é um plano que dá ligações mais baratas internacionais, eu não tenho gastado quase nada com ligações pro Brasil! Faz um mês que eu tenho e ainda tô no crédito de 10 pounds, ligando pra minha mãe todos os dias!! É absurdamente barato.
Bom, ficam aí as dicas pra quem está morando na Europa e enfrentando essa crise, que dizem melhorar no ano que vem. Aí a gente comemora com um filé mignon!

Muita gente me fala “ah, eu tirei o passaporte italiano, tô pensando em ir pra Europa passar um tempo”. Gente, se não tiver que vir, não venha. Pelo menos por enquanto. A situação aqui não tá nem um pouco mais fácil do que no Brasil, conheço gente em vários países europeus que não encontram emprego há meses. Se não falar a língua fluentemente então, fique onde está. Não há vagas. Os poloneses pegaram todas as vagas em que não é preciso o uso do idioma, então, don´t bother. Tirem da cabeça essa idéia de vir pra Europa fazer dinheiro porque as coisas não são bem por aí. O custo de vida aqui é alto, e você provavelmente não vai conseguir juntar muita grana se vier para um sub-emprego. Sabe aquela estória do “melhor um passarinho na mão do que dois voando”? Fiquem no Brasil, pelo menos por enquanto. Conselho de amiga.

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Amiga, joga fora o blush rosa!

Antes que eu receba uma chuva de comentários mal educados, que fique bem claro que eu não tenho nada contra a Sandy. Muito pelo contrário, já cheguei a comprar um cd quando eu era mais nova e adorava o programa Sandy & Junior, que lançou Paulinho Vilhena, Fernanda Paes Leme, Juliana Knust, Grazi Schmitt e mais um monte de gente.
Mas, cara, será que ela se olha no espelho e não se cansa???  Porque eu me canso. Toda vez que vejo uma foto da mocinha na internet ela tá sempre com a mesma cara, o mesmo blush!!!! E por aí vai, o mesmo corte de cabelo, a cor que só muda o tom, a mesma maquiagem, as mesmas roupas. Às vezes eu tenho vontade de puxá-la do computador, dar uma chacoalhada e dizer “vem cá, amiga, vamos fazer uma makeover”.
A Sandy é a perfeita menininha sem atitude. Cresceu e continuou sem graça, sem sal. Não que ela seja vazia, afinal não a conheço, mas ela é do tipo de mulher que cansa. Cansa a beleza. Linda, e sem graça.
Cantou Maria-Chiquinha, cresceu sob os holofotes e o monstro da virgindade, se separou do irmão em busca de uma suposta carreira solo, agora casou. Vira mulher, Sandy, por favor – chega dessa menininha de bochechas rosadas!!! Não precisa ser uma Pink, mas um pouquinho mais de atitude não faz mal à ninguém.
Dá vontade de comprar um gift card no Toni & Guy, um babyliss, umas roupinhas mais descoladas e – principalmente – um blush marrom.
Esta é a foto mais recente dela, diz se não é igualzinha àquela de dez anos atrás?

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Queridos, seguinte. Primeiro, se for pra ser mal educado nem perca seu tempo em escrever um comentário porque ele terá que ser aprovado por mim antes de ser publicado. E se eu julgar ofensivo ou mal educado eu é que não vou perder meu tempo aceitando, ou seja, ninguém vai ler o que você comentou. De qualquer forma se a sua opinião for diferente da minha, mas o comentário for razoável, será aprovado como aprovei outros. Mas não venha através de motores de busca, jogando “Sandy” no google e caindo aqui de paraquedas com um monte de pedra na mão porque esse blog não é sobre a Sandy. E eu me dou o total direito de expressar todas as minhas opiniões aqui, afinal de conta esse barraco é meu. Se quiser babar o ovo de seja lá quem for, monte um blog pra você: é facinho, facinho. E pense antes de comentar, tá! Beijinhos!

Fala sério se eu não mereço um prêmio!

Acordei e tomei um Activia Low Fat de morango, tentando ignorar as coisas obcenas que o leite e o achocolatado me diziam…
Há umas duas horas comi um bowl de melão, blueberries e damascos frescos, sem me sucumbir à torradeira que gritava escandalosamente por uma fatia de pão.
E agora faço meu devido almoço, com broto de alfafa. Broto de que??? Alfafa, tipo comida de cavalo, saca? Super rico em proteína!
Quero ver quantas horas isso tudo vai durar, de TPM e com um pote de clotted cream e uma barra gigante de chocolate suíço na geladeira… Eles anseiam para a minha famosa sobremesa, que dizem ter gosto de (cof-cof) nutella.. Ai. Ai.