Quiçá

No dia em que te encontrei acabei me perdendo. Meus olhos, cegos em você, ainda não sabiam, mas eu me perdia um pouco a cada piscar seu. Meu peito, esse lugar tão conturbado, perdia todo o ar com todos os clichês que você dizia. Minhas pernas perdiam o controle dos músculos a cada vez que seus dedos tocavam minhas mãos. Você me cegava lentamente com esses teus sorrisos. 

Eu fui perdendo meus parâmetros, em apenas três horas eu perdi todos os meus pré conceitos, medos e verdades absolutas. Eu queria você pra mim é isso era o bastante. Você ali, nós dois, um bar inteiro que só serviu de cenário, aquela nossa mesa que de repente virou um mundo. Eu poderia morar a vida inteira naquele instante.

Já se passaram seis anos desde que eu me perdi em você. E em todo esse tempo, eu ainda não descobri como me encontrar. Somos areia movediça; quanto mais tentamos sair, mais nos afundamos em nós mesmos. 

Eu sei que você também se perdeu em mim em algum lugar dessa estrada torta. Eu sei que você também afunda. A única coisa que eu não sei é que gosto tem seu beijo na chuva ou como é o calor do teu abraço numa tarde de sofá. Com que cores você acorda ou como deve ser bonito passar uma manhã te vendo dormir. Eu não sei como é deitar na areia pra ver as estrelas contigo ou se você chora quando tem crise de gargalhadas. Não sei qual o cheiro da tua camisa ou o gosto do café que você faz. 

Quiçá um dia a gente possa continuar se perdendo um no outro, mas na mesma estrada. Quiçá um dia eu possa olhar lá dentro de você e desatar sem medo esse ‘eu te amo’ da garganta.

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