Des-online-zação

Tá, eu sei que isso não combina comigo, muito menos com a minha parte tuiteira. Mas tô tentando, de verdade, por isso alguns tuiteiros têm sentido falta da avalanche de tuítes, por isso o blog tem tido menos posts.
Na verdade era uma coisa que eu queria fazer há algum tempo. E depois de toda a minha crise com o David, chegamos a conclusão de que, sim, eu passo muito tempo conectada e isso não faz bem pro nosso relacionamento.
Ele nunca me pediu isso, sabe o quanto o meu blog e os sites para os quais escrevo são importantes pra mim. Mas o twitter, é, eu posso dar uma maneirada.
Esses dias cheguei em casa e nem liguei o computador, curti um pouco a casa, o marido, as risadas, cozinhei sem checar o twitter enquanto a água fervia… É, acho que a gente tá precisando disso. E a minha viagem pro Brasil cai como uma cereja no topo do bolo.
Óbvio que não vou deixar o blog que, pra mim, é o que tem de mais importante aqui. E não vou sumir do twitter. Só vou dar uma maneirada.
A internet me trouxe muita coisa boa, sim, mas pode desviar um pouco a tua vida. Por isso eu tô tentando me desonlinizar na medida do possível. Infelizmente não posso fazer isso totalmente, afinal de contas, é meu único meio de contato com o Brasil.
Mas agora vai ser assim. Vou desligar e ler um livro, ouvir uma música que não seja no youtube, aproveitar os primeiros raios de sol da primavera. Um pouco mais frequente.


Slow down everyone, you´re moving too fast.
Frames can´t catch you when you´re moving like that.


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Brasil, here I go!

E chegou o dia deste tão esperado post. Meu passaporte tá aqui comigo, lindinho, com um visto de residência permanente no Reino Unido! Chegou na Sábado, pouquinho antes de eu ir pra Londres trabalhar.
Ainda olho pro visto e não acredito. Cara, é isso. A última etapa! Agora eu só tiro a cidadania se quiser, porque o visto é quase a mesma coisa. Eu e o David ficamos encarando aquele selinho no meu passaporte que muda toda a nossa vida, o selinho pelo qual lutamos tanto. Quem acompanha esse blog sabe o quanto foi difícil sempre pra ficarmos juntos.
E com a chegada do visto e do passaporte, uma certeza: Brasil, aí vou eu!! Agora é só comprar a passagem e me aguardem!
Não vejo a hora, depois de 1 ano sem ver ninguém, de abraçar a minha mãe, a minha irmã, amassar meu cachorro, comer mamão, tomar chopp na Vila, mesa de bar com todos os meus amigos, caminhar no Ibirapuera, respirar “ar regular”… Ai, São Paulo, que saudades de você.

E assim, por mais que eu não ame de paixão este país, isso aqui é a minha casa. E algumas semanas longe daqui já me dão saudades. Então, não, eu não vou dizer obrigada, Inglaterra, porque esse país tirou meu couro, minha sanidade e meu dinheiro. Fico com um chuuuupa, Inglaterra, agora eu sou sua. Vai ter que me engolir.
Mas aquela velha história… é primavera, e quando é primavera eu amo isso aqui.

Essas semanas tenho trabalhado alguns dias em Westfield, um shopping incrível em Londres. Tô amando, embora ir de trem todo santo dia e pegar metrô (e ficar em pé depois por mais oito horas) tenha me dado enlouquecidas dores no corpo. Mas a loja de lá é incomparável com a nossa daqui de Reading, os clientes são extremamente fáceis, e eu atendi uns cinco brasileiros (coisa que eu não vejo nunca em Reading). Fora que dá vontade de sair pelo shopping pra fazer compras, porque – olha – deixa até shopping de São Paulo no chinelo.
Sexta e Sábado vou pra lá de novo (é, feriado em varejo não existe). Mas e daí… logo eu vou pro Brasil e eu só consigo é sorrir! =)

Mistura

Quando Pollyanna interpreta versos de Clarice e Caio, num filme de Almodóvar.  Isso sou eu.

O abismo

Eu queria olhar no fundo dos seus olhos, naquele fundo mais fundo onde a gente vê o que tem por dentro e queria dizer que te amo, que te quase amo, qualquer coisa dessas que são mais fortes do que a simplicidade de apenas gostar, e queria segurar teu braço e te chacoalhar e dizer que tudo isso não passa de uma história de amor pra mim, por mais que você não sinta, eu sinto, eu talvez até sinta por nós dois, mas você não diz, não conta o que fui pra você porque talvez eu não tenha sido nada, talvez eu tenha me apaixonado sozinha mesmo como quem pula de um penhasco esperando que o outro venha e o outro não vem, e eu seguro teu braço e grito que me entenda, que tudo o que fiz foi por amor, que todas as burrices do mundo são por amor, um amor que não cresce, não diminui, um amor que fica e que, na verdade, nem sei dizer se é amor mesmo, porque não sei se te amo ou se quase te amo, mas – olha, eu disse – bastaria um gesto seu pra eu ir e dizer, e fazer, mas o fundo dos teus olhos é um desses abismos e eu continuo caindo e caindo e acho que você não me quer mais dentro dele e eu tento me amarrar, me amarrar em qualquer coisa fora do penhasco dos teus olhos, e te chacoalhar para que fale, pra que cuspa qualquer coisa de dentro do teu peito e me deixe cair de vez. Mas não, a vida não é um filme e nem tudo termina como Casablanca.

Somente por mais um dia

Eu deixo a porta encostada, somente por mais um dia. E espero, espero que você venha à noite como nas noites mais lindas de outono. Te espero voltar. Somente por mais um dia. Depois de amanhã eu fecharei a porta com chave e te apagarei da memória, te arrancarei do peito, como quem tira a pele de um peixe. Te puxarei de mim e te trancarei numa gaveta dessas esquecidas em algum lugar. Somente por mais um dia eu deixo a porta encostada. Então, venha.

Sacode, Saturno

Eu não me ligo em Astrologia desde que era adolescente e minha bíblia se resumia à Capricho. Nunca mais li meu horóscopo, nunca mais joguei tarot e nem procurei mais cartomante. Isso ficou lá atrás com os meus quinze anos.
Mas de um tempo pra cá, principalmente nesses últimos dois anos, minha vida se transformou numa montanha russa. É um looping atrás do outro.
E, eu não acredito em acaso, conheci um amigo novo há não muito tempo que entende muito de astrologia. E ele me explicou que o que tá acontecendo comigo é o retorno de Saturno. Pra resumir, Saturno dá uma volta completa no Sol em 29 anos e a nossa vida é cheia de ciclos de 7 anos (isso eu já tinha percebido). O problema é que quando Saturno volta, e isso pode demorar uns três anos na nossa vida, ele chacoalha todas as estruturas, te questiona absolutamente tudo na tua vida. É um você em pé atrás de um vidro com insufilme, analisando você sentado dentro da sala sozinho (se quiser entender mais sobre Saturno leia aqui e aqui).
Enfim, eu comecei a pesquisar e entender que tudo está relacionado. Óbvio que depende da sua crença, mas eu acredito em energia. E o Universo é energia na forma mais pura. Se a Lua pode comandar as marés, porque os outros planetas não poderiam nos influenciar de alguma forma?

Então. Daí achei um mapa astral que tinha feito há dez anos, perdido no meu email. E fui lá reler o que os astros marcaram na minha vida. E, cara, meu mapa astral é quase tão eu quanto Clarice, Caio Fernando, Pollyanna e Almodóvar juntos.
Vou mostrar um pouco pra vocês, já que muitos de vocês me acompanham desde 2001 e me conhecem tão bem.

Sol em Touro – Seu signo solar
Confiável, tranquilo, possui habilidades de lidar com o lado prático da vida. Vive uma forte relação com a terra e a natureza, ou seja com tudo que cresce, frutifica e fertiliza, portanto se caracteriza como próspero e realizador. É afetivo e apegado a todos e a tudo que o cerca (apego é um dos meus fracos). É grande sua necessidade de segurança, tanto no plano material como no afetivo (muito!!!).

Sol na casa 9 – Seu “Eu”
Posição que enfatiza o desejo de planejar coisas novas, ampliando a compreensão do mundo através de viagens, do conhecimento filosófico, da cultura, e de tudo que alimenta a sensação de crescimento pessoal.

Ascendente em Leão
Extrovertido, quer aparecer e brilhar constantemente. Sua vontade é lei. Criativo, generoso, romântico é do tipo “com muito amor para dar”. No entanto, sempre esperam algo em troca, principalmente reconhecimento. (Sempre, sempre, sempre em busca de reconhecimento, seja lá qual for…)

Lua em Sagitário – Como você reage emocionalmente às pessoas e acontecimentos
Você tenta manter o ânimo leve quando está envolvido emocionalmente, buscando sempre de grandeza nas suas relações. A aventura e a liberdade dominam sua alma (muito!!!). Você se sente feliz quando vive estas duas coisas. Abrir novos horizontes, topar desafios e conquistar metas distantes exercem um efeito positivo (eu sou movida a isso).

Vênus em Gêmeos – Como você expressa suas emoções e valores em suas relações pessoais, especialmente no plano amoroso.
Os seus relacionamentos são recheados de uma grande mutabilidade e versatilidade. Tendência a namoros de curta duração e sem muita profundidade. Flertar é seu grande divertimento. Expressa fluentemente seu amor através das palavras.

Vênus na casa 11 – Áreas de sua vida que lhe dão prazer e estimulam sua capacidade de amar
Projetos de vida, sonhos e desejos têm boa chance de realizarem-se nesta posição de Vênus. Muitos amigos do sexo oposto. Os amigos com freqüência se tornam namorados e os namorados, amigos. Capacidade de agrupar e influenciar positivamente os grupos sociais, e vice-versa (nem falo nada desses dois últimos, hahaha).

Marte em Leão – Sua forma de agir de acordo com seus desejos e ambições.
Uma grande auto-estima o predispõe a ser criativo, possivelmente com habilidades artísticas e teatrais. Iniciativas positivas, liderança com traços de autoritarismo e teimosia. Indivíduos com esta colocação são excelentes amantes, porém ciumentos, egoístas e ambiciosos.

Marte na casa 1 – Áreas de sua vida que mais te motivam
O corpo físico é robusto, com uma energia vital invejável. Constantemente em ação, não tolera a atitude de passividade perante a vida. (Disse que eu sou hiperativa, né…) Impulsivo e agressivo. Para as mulheres esta é uma posição que exige o controle da sua agressividade e do papel de mandona senão…

Urano em Escorpião – Sua maneira de expressar sua necessidade de liberdade e individualidade.
Você é bastante intuitivo e cheio de força de vontade. Quando mudanças são necessárias, não tem medo de enfrentá-las e, sendo Urano o planeta da mudança, sua força é ainda maior em Escorpião, que é o signo da morte e ressurgimento. Nesse caso, as pessoas nascidas com Urano em Escorpião contribuem para a destruição de velhas formas, regras, e até civilizações, e contribuem para o surgimento de novas. Não toleram a preguiça e a falta de iniciativa, e tendem a possuir um temperamento explosivo (minha mãe sempre me disse isso hahaha).

Trígono de Vênus e Plutão
Adora as mais criativas experiências que o amor pode oferecer. Controla a sua natureza, até intuitivamente encontrar sinais de um parceiro adequado para expressar sua paixão.

Quadratura de Saturno e Netuno
Algumas vezes você tem um medo injustificado de sua competência profissional e de sua capacidade de ser financeiramente bem sucedido. Você fica muito ansioso quando não pode controlar as situações. E parece não fazer nada para aliviar a ansiedade, como se estivesse com um grande sentimento de culpa.

Daí, depois de tudo isso, descobri uma música do Detonautas (que eu nem gosto), chamada “O retorno de Saturno”. E por mais que fale de amor, dá pra ver o quanto tudo isso mexe com as nossas dúvidas, certezas, frustrações.

Se você tem entre 28 e 30 anos, pode ser que esteja passando por alguma coisa parecida. As minhas amigas da minha idade estão todas assim, terminando casamentos, se jogando em aventuras malucas. Todo mundo perdidinho.
Agora é torcer pra Saturno mostrar logo o que tem que mostrar e continuar a sua jornada. Ainda bem que falta pouquinho mais de 1 mês pros meus trinta!

E óbvio que isso não vai interessar nem metade de vocês, mas quem me conhece, talvez. Ou então fica de post-it pra mim mesma! 😉

O dia em que eu cheguei atrasada no trabalho

Primeiro dia de primavera, céu azul, solzinho e eu fui trabalhar de bicicleta. Logo que saí na rua comecei a ver placas de que a meia-maratona de Reading estava acontecendo. Aqui perto de casa não tem muita coisa acontecendo, mas ano passado, quando eu trabalhava no hotel, me lembro de como o evento era gigantesco já que o ponto de largada e chegada era no estádio, que faz parte do mesmo complexo.
Achei que não ia pegar nada e fui pedalando, feliz, contente, morna e cacheada em direção à loja.
Assim que cheguei na rua mais próxima do shopping, vi o povo correndo, o povo gritando, o povo tirando foto. Achei fofo, desci da bicicleta pra não atropelar os espectadores e continuei à pé. Até tirei foto e liguei pro David toda empolgada.
Empurrei a bike até a esquina e vi que a meia maratona corria pela rua lateral do shopping. Através do monte de perna eu via o rack de trancar a bike lá do outro lado da rua. E agora, José? Nenhum sinal digno de que fosse haver uma brecha entre aquele mar de gente pra eu atravessar a rua. Fui até uma esquina, nada. Fui até a outra, nada. Fiquei presa.
Lembrei de uma galeria que corta caminho por dentro e poderia sair do outro lado do shopping. Larguei a bike num poste e fui tentar a galeria. Cruzei e nada, a maratona também tava lá.
Procurei atalho, caminho alternativo, balão de hélio, nada. Não havia espaço suficiente entre os corredores pra eu simplesmente atravessar. E não havia atalho.
Minha alegria e espírito esportivo já estavam indo pras cucuias. O shopping a dois metros de mim e eu não conseguia chegar nele.
Achei um guardinha desses “guarda-esquina-em-dia-especial” e perguntei:
– Moço, eu tenho que trabalhar, meu. Como é que eu chego no shopping??
– Ah, moça, a meia maratona tá toda em volta do shopping. (Isso eu já tinha sacado…) Você tem duas opções. Ou caminha uns quarenta minutos lá pela Queens Road e entra pelo outro lado da Oxford Road, ou tá vendo aquela ilhazinha no meio da rua?
– Tô.
– Vai até lá e corre com eles na diagonal.
– Oi?????
– … (achei que ele tava me zoando, ou me conhecia e sabia que isso não ia dar certo, sei lá…)
Correr com eles, cara????
Visualiza a cena: eu de calça social, camisa, sapato de salto e bolsa. Liguei pro David pra contar que, finalmente, eu correria uma maratona e não deu tempo nem de pensar e surgiu uma brecha de um metro entre um corredor e outro. Me taquei no meio e corri, cara. Corri de roupa social, sapato e celular na mão, no meio de um monte de neguinho de bermuda, regata e número na frente. Gargalhando. O povo me apontava e ria, eu ria e falava no celular e corria. E quem disse que cruzar na diagonal é fácil? O guardinha, né, que devia estar segurando um saco de pipoca enquanto acompanhava a minha astúcia.
Problema é que como era eu, óbviamente eu perdi a noção da saída mais perto e não consegui cruzar na diagonal a tempo. Ou seja, perdi a oportunidade de cruzar a meia-maratona em cinco metros. A única saída depois dessa era depois de uns cem metros. E lá fui eu, linda, morna e cacheada, cem metros maratona acima só pra chegar na porcaria do outro lado da rua. Quando cheguei na outra calçada, gritei tanto que achei que tinha até ganhado medalha. O povo ria e batia palma pra mim. Cheguei na loja meia hora atrasada, descabelada, suada e com o pé doendo. Mas nunca tinha corrido e gargalhado ao mesmo tempo. Foi impagável. E claro, se tinha que existir uma pessoa no mundo que teria que correr no meio de uma maratona só pra chegar no trabalho, quem seria, né??

A verdade

─ Por onde quer que eu comece?
─ Você é o narrador. Só peço que me diga a verdade.
─ Não sei a verdade.
─ A verdade é o que dói.

Carlos Ruiz Zafón
(via http://lyani.wordpress.com)


(Eu ando muito entre aspas. Aturem-me por alguns instantes, por favor.)