Colo

Queria te colocar no colo hoje.
Passar a mão pelo seu cabelo, correr o dedo indicador nas bordas do teu rosto, como quem desenha o amor no ar. Queria te contar umas histórias, coisas simples, como o quanto você me faz bem. Te mostraria  umas coisas, te faria rir das minhas tolices, colocaria  uma música boa pra gente dançar no escuro. Poderia ler pra você um desses contos bonitos, que enfeitam o dia pelas palavras de alguém. Te traria café na cama e contaria quantos beijos cabem entre a tua boca e o teu pescoço.
Queria te colocar no colo hoje e, se preferir, não digo nada. Se quiser minhas palavras, aqui estão. Se quiser que te escute, fale. Se quiser somente meu silêncio, te dou. Tudo o que eu tenho, hoje é seu. 
Fica bem, menino, entenda que existe gente nesse mundo que faria de tudo pelo teu sorriso.

Me deixa te fazer bem.

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Carência

Um certo tipo de carência. Uma vontade de me deitar no sofá por longas horas enquanto assisto a uma maratona de um seriado qualquer. Uma necessidade de calor de corpo, em cima de mim, na minha frente, onde quer que seja.
Queria chegar em casa toda tarde e ter alguém esperando como se não me visse há um ano. Queria respirar seu ar, sentir seu cheiro, cuidar. Preciso desse amor incondicional como fonte de vida, pois meu coração está mal acostumado. Ou bem acostumado. Preciso um amigo pra vida toda, um companheiro pro que der e vier, a minha cara metade.

Preciso de uma lambida. Estou carente de cachorro.

Brasil, mostra a tua cara

No dia 15 de novembro de 1989, o Brasil votou pela primeira vez para presidente da República após o fim da ditadura. Eu tinha 9 anos e a única coisa política que me lembro dessa década é que um dia o pão custava uma coisa, no outro custava outra. Um dia era um tipo de moeda, no outro era outra. E eu me atrapalhava demais com tudo isso, mas não passava de uma pequena alteração no meu planejamento mensal de compra de figurinhas.
Mas pro Brasil, pra geração X, baby boomers e todas as outras, isso era muito mais. Foi no mesmo ano da queda do muro de Berlim, onde tantos ideais voavam soltos. Foi o fim dos extremos, o começo do que se achava ser muito melhor.
Em 1982 apareceu um candidato analfabeto, do interior de Pernambuco, metalúrgico sindicalista. Ele concorreu ao cargo de Governador de São Paulo. Desde então, Luís Inácio Lula da Silva foi um lutador. Um “Che” Brasileiro, alguém que tinha ideais muito claros de socialismo, alguém que acreditava na democracia, na igualdade social e em uma nação como um todo.
No dia 15 de Novembro de 1989, o Brasil votou pela primeira vez para presidente da República, depois da ditadura. E os candidatos eram Lula e Fernando Collor de Mello. Collor ganhou uma eleição, até hoje considerada “favorável”, com inúmeros pontos que levaram à sua vitória.
Em 1992, Lula e  PT foram um dos principais responsáveis pelas investigações da CPI que revelou uma série de denúncias de corrupção, e levou Collor a sofrer o impeachment e ser destituído da Presidência da República. Sim, foi nessa época que os jovens de 1992 foram pras ruas. Podem até dizer que isso não interferiu em nada o processo, mas os jovens fizeram barulho. Quem não se lembra de Lindberg Farias? A comoção popular, as passeatas dos caras-pintadas, foi muito menos invasiva do que as que aconteciam durante a ditadura, mas olha, a gente fez alguma coisa. A minha geração se mexeu, se indignou. Os jovens de 1992 preferiram levantar a bunda da cadeira e não se conformar.
Collor renunciou ao cargo, Lula e o PT continuaram na oposição e se tornam críticos do plano econômico assumido por Itamar Franco, substituto de Collor, o Plano Real, que é este que você conhece. Pois é, eu o vi nascer e me lembro muito bem de quando a nossa moeda foi equiparada ao Dólar.
Lula sempre foi um personagem consistente na História do nosso país, e desde que começou a se eleger à Presidência, deixou muito claro seu lado radical comunista e todos os ideais marxistas.
Vinte anos depois, Lula se tornou presidente do Brasil, sendo reeleito e comandando um mandato de oito anos. Mas muita coisa mudou de lá pra cá, não espere mais esse Lula sindicalista, comunista, cheio de ideais políticos e lógica, não espere mais um “Che” consistente.
Hoje – acredite – Lula e Collor são aliados políticos pra as novas eleições. Lula disse à Folha de São Paulo, “Minha relação com o Collor é a de um presidente com um senador da base (…) Não tenho razão para carregar mágoa ou ressentimento. Quando o cidadão tem mágoa, só ele sofre. Quando se chega à Presidência, a responsabilidade nas suas costas é de tal envergadura que você não tem o direito de ser pequeno”. Ser pequeno, Lula? Desde quando ter consistência política é ser pequeno?
A minha intenção aqui é apresentar pra você, jovem de hoje, quem foi o nosso Presidente, e que tipo de caráter ele costumava ter.
O que me indigna é a falta de ideais políticos de hoje em dia. Cadê toda aquela lorota revolucionária, cadê toda a constância? O Brasil não é só um dos países mais corruptos do mundo, é também um país que não leva Política a sério, um país sem ideais, mergulhado em hipocrisia. O Brasil é um grande lobby, onde as coisas só acontecem quando convém para alguém. O famoso jeitinho Brasileiro. E sabe por que é assim? Porque a maioria das pessoas se conforma, porque ainda tem gente que senta a bunda na cadeira em dia de eleição pra assistir TV, ou fazer churrasco, porque ainda tem ser humano que anula o voto, que vota em branco! Porque Brasileiro não dá valor aos seus direitos,  Brasileiro faz democracia nas coxas.
Está na hora de nos inconformarmos um pouco mais. Geração Y, não aceite hipocrisia política. Não cruze os braços. Acho inadmissível uma política sem ideais, sem linearidade, sem verdade, sem constância, sem lógica. Lembrem-se disso no dia de eleger o nosso próximo Presidente.  Brasil, mostra a tua cara, por favor.


*** Este é um blog pessoal e eu me dou ao direito de expressar a MINHA opinião em qualquer assunto. Caso a SUA opinião seja diferente da minha e você queira também se manifestar, o faça educadamente: seu comentário está sujeito a aprovação. 😉

Quem sabe a vida é não sonhar

Meia noite e meia de um dia qualquer de verão e, olha,  à noite não faz tanto calor assim. Sozinha na cama, no escuro, no meio do Sudeste da Inglaterra, tantos pensamentos, tantas angústias, coisas boas, coisas ruins, sabe. Já não era o melhor dos dias, já não estava bem emocionalmente – é, eu culpo sim meus hormônios.
Preferi ligar o Ipod pra espantar a solidão, essa solidão de dentro, esse buraco negro no peito. Solidão é tão vazia que preenche tudo. Cássia Eller. Quem sabe ainda sou uma garotinha. Sei lá, cara, tô com trinta anos, sabe. Acabei de completar há pouco tempo. Quem sabe a vida é não sonhar.
Eu não sabia o que estava sentindo. Não compreendo as dores do mundo, não entendo as minhas frustrações. Estar longe do que a gente considera casa, dói. Estar longe de quem a gente ama, dói. Não sei lidar com isso, mas nunca me iludi. Sempre soube que viveria dividida, só achei que fosse passar logo. Dois anos e meio, já. Quem sabe ainda sou uma garotinha.
O que seria dos corações aflitos se não houvesse noite escura? Tristeza é natural, vem lá da gaveta que você não mexe, geralmente porque tem medo de alguma coisa nela. Vem daquela pilha de sentimentos que você não fala, daquela cesta de angústia que você não arruma. E, babe, é saudável. Quanto mais a gente conhece a melancolia, mais aprende a entender o que é alegria. Discernimento.
Agora vaza. Escorre tudo isso e seca de uma vez. Mas seca só por hoje, pois corações secos não são nobres. Mexe nessa gaveta, por mais que não consiga arrumá-la. Jogue tudo no chão, se preciso. Arranque sentimento ruim por sentimento ruim e chore, sei lá, grite. Mas não deixe de enfrentá-la. Um dia passa, um dia fica leve e banal.
Adormeci na gaveta. E às cinco da manhã senti um beijo no canto da boca e um sussuro no ouvido I love you so much.

Eu sou criança, e não conheço a verdade. Eu sou poeta e não aprendi a amar.

* Antes que vocês surtem, não foi uma briga conjugal. David trabalhou de noite essa semana, o que não facilitou nada a minha TPM. Estamos bem.

Flui

Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará.

A questão é toda essa: fluir. Tão difícil deixar fluir. Mas é o que precisa ser feito agora. Virar barquinho, mesmo. Relaxar e observar o caminho, a paisagem, perceber minha respiração sempre tão junta da respiração do meu pequenino. E assim vamos fluindo, juntos. Correnteza leve, por favor. Que não estamos assim muito prontos pra grandes tormentas. Tá tudo bem na verdade. É só uma questão de se encontrar. Porque as vezes eu me perco e fico me procurando, e não me acho. Mas quem sabe assim, deixando que a água vá me levando, não dá certo, né? Deus dará…


– Caio Fernando Abreu

Homens e TPM

Sabe uma TPM filha da puta? Assim. Por que é tão difícil pros homens entenderem o quanto uma TPM bagunça a gente?
Eu tô, neste momento, com a que considero ser a segunda pior TPM da minha vida, simplesmente porque não tenho nunca. Mas eu sou mulher, menstruo, e eventualmente ela virá.
Eu sou muito emocional, sabe. Emotiva nem tanto, mas emocional mesmo. Eu levo muita coisa na razão, sei agir direitinho com a cabeça, mas às vezes o coração foge do controle e leva todos os hormônios junto. E é nessas horas que eu, pelo menos, preciso de todo mundo que me importa.
Me chamam de little drama queen, mas é tão fácil resolver meus dramas. Algumas palavras bastam. E como elas não vem, eu – resolvida que sou – vou e cobro. Eu falo, eu falo pra caralho, eu explico meus sentimentos tim tim por tim tim. E não espero que o outro seja igual, mas espero que considere. Não porque eu tenha Vênus em Gêmeos, mas porque eu sou mulher. Mais ainda, porque eu tô de TPM.
Eu cobro e fico chata. E seria tão mais fácil me dizer meia dúzia de palavras espontâneas, dessas que me diz em qualquer dia que eu não esteja de TPM, sabe? Hoje, mais do que nunca, eu preciso delas. E não, não é uma cobrança. É só um desabafo.

Homens, se esforcem só um pouquinho.

Lembra

Nem é tão difícil assim, você não vem porque não é meu. E preciso me lembrar disso todas as manhãs, logo que acordo.
Grita alto todo dia, cara, grita pra dentro do peito que é pra ver se marca: não é seu.

Me perco

Eu entro num labirinto desses que não sei sair. E é tão lindo que me dá medo, suspeito que tenha plantas carnívoras, pois algumas outras vezes me machuquei quando tentei chegar perto demais.  O problema é que eu sei por onde eu entro nesse labirinto, e eu só conheço a entrada e, olha, eu entro por vontade própria. Tem coisa mais inexplicável do que querer se perder à toa?
Eu sei me perder  jogando migalhas pelo caminho, conhecendo a estrada da volta. Me perder assim é diferente, parece que o chão desparece por trás e eu me afundo, me afundo, e um dia eu acabarei esquecendo a entrada tentando achar a saída.
Quanto mais fundo eu entro nesse labirinto, quanto mais perto eu chego, mais eu me perco de tudo, mais eu me perco de mim.  Agora me ensina a não gostar de um labirinto assim.