Brasil, pra mim

Ser Brasileira pra mim é uma benção. Acredito que Deus tenha escolhido a dedo os abençoados a nascerem nesse pedaço do mundo, um mundo novo, de pouca história e lindas estórias. Ser Brasileira, pra mim é o que há de mais sagrado no meu sangue.
Sei que você pode estar lendo isso agora e pensando na infinidade de coisas ruins que acontecem na nossa terra, desde o minuto em que Cabral colocou seus olhinhos vorazes sobre ela. Sei de tudo, sei de toda a corrupção de todos os governos, de toda a ignorância de um povo, de toda a falta de civilidade, de toda a picaretagem. Sim, eu sei de tudo. E sempre soube. E a bem da verdade, pensei muito em me rebelar quando era adolescente e fazer passeatas contra o Collor e a poluição visual, me mudar pra um país mais evoluído. Mas tudo isso não passou de uma passeata contra o aumento da mensalidade da minha faculdade e um intercâmbio de férias na Europa.
Ok, eu tenho uma situação um pouco mais privilegiada do que a maioria do nosso povo e pude fazer um pouco mais da minha vida. Mas meus avós não tinham nada, e tudo o que tive a vida inteira foi custo de muito suor. Sou bisneta de italianos colonos, como uma grande parte de São Paulo. Sou Paulista, cresci no asfalto, andei de carro e ônibus a vida toda, respirei “ar regular” desde criança.
Sou de um país cheio de defeitos, cheio de desigualdades e coisas feias, mas não vim aqui pra falar disso. Vim aqui pra abrir seus olhos, você que mora aí e reclama todos os dias. Você, Brasileiro, que não quer nem ouvir sobre as coisas boas que existem ao seu redor.
Por obra do destino eu fui “exilada” por mim mesma. Fui colocada no outro canto do mundo pra dar espaço a um amor que eu só podia ter aqui, na Europa. E um ano e meio sem colocar meus pés no Brasil me tornaram uma pessoa muito pior. Uma pessoa cheia de medos, de dúvidas, sem vida. Eu vivi uma vida aqui, até então, que eu relutava pra enfrentar. Comecei uma vida do zero, como se tivesse nascido de novo e essa vida não foi nem um pouco fácil. Faltava uma parte de mim, faltava uma família inteira, uma penca de amigos e uma alma que só existia num lugar do mundo.
Vou te contar uma coisa… eu moro no interior da Inglaterra. Uma cidade quase sem crimes, com algumas coisas interessantes pra se fazer, com gente do mundo todo. Estou a meia hora de Londres e todo seu agito. Tenho amigos do mundo todo aqui, uma casa alugada, um emprego, um marido nacional. Pode parecer a vida perfeita, aquela que muita gente sonhou, mas é aí que mora a questão. Você se adapta? Adaptação é um processo muito fácil quando se tem dia pra voltar pra casa. Quando não se tem, a estória é bem diferente.
A Inglaterra pode parecer um sonho, o povo é muito cordial e receptivo, mas sempre falta alguma coisa. Eu sempre tenho a sensação de morar em um país fantasma. É porque aqui, minha gente, falta alma.
Falta a alegria que o Brasileiro tem desde que nasce, falta a ginga, o jogo na cintura pra lidar com os repentes da vida, falta o lado positivo, o otimismo, o sacudir a poeira e dar a volta por cima. Falta um olhar que diz tudo e um sorriso que abre portas, falta alguém respondendo o seu bom dia mesmo sem nunca ter te visto na vida. Falta alguém pra te dizer do nada “vá com Deus”. Falta um Deus. Falta uma religião, faltam crenças, faltam bençãos. Falta vida, falta alma.
Todos os dias da minha vida aqui eu tento me lembrar de que sou Brasileira. De que nasci com um sorriso pra quem quiser recebê-lo. De que nasci com otimismo e com vontade de vencer na vida e mudar o mundo. Nasci num país onde o tempo passa mais devagar, onde as pessoas dançam e cantam, onde as crises passam e mudam.
Eu sou Brasileira do dedinho do pé ao fio de cabelo, e muitas vezes queria ser a típica Brasileira ao invés das sardinhas no rosto branco. Queria que as pessoas não me dissessem que jamais imaginariam que sou do Brasil. Queria transbordar toda essa magia que só a gente tem.
O mundo tem muitos defeitos. Todos os países tem seus problemas, e os daqui são tão grandes quanto os daí. Mas a gente continua vivendo… o Brasileiro continua empurrando a carroça e fazendo a vida acontecer. Sem extremismos, num país abençoado com inverno e verão decentes, com um dia que nunca escurece antes das cinco e meia da tarde. Com temperaturas amenas, chuvas que trazem aquele cheiro de terra molhada.
Sabe um fim de tarde, desses de sentar na grama e ver o sol se por? Aqui se você tiver sorte, conseguirá fazer isso por duas semanas no ano. Sabe uma noite enluarada, com seus amigos ao relento? Sabe as árvores sempre ricas, o verde sempre verde, os pássaros na sua janela? Sabe o cachorro da vizinha latindo, o galo cantando, as crianças fazendo barulho e brincanco na rua? Sabe o barulho, de gente viva? Aqui não tem. Eu dou graças a Deus quando ouço um cachorro latindo, pra quebrar o silêncio do dia.
O cheiro de pão quentinho saindo na padaria, a música do caminhão de gás que você odeia, aquele cheirinho de alho e cebola refogando todo santo dia… A felicidade de ir pra praia a hora que der na telha, as pessoas andando de bicicleta, correndo no calçadão, a benção de um dia de sol quase todos os dias do ano. Um sol que esquenta.
O porteiro que sabe a sua vida inteira, o vizinho que vem te ver quando você tá doente, o médico que te conhece desde pequeno, a sua avó que faz aquele bolo de fubá à tarde e anota as receitas nos programas femininos da tarde. Aquele bolo que perfuma a casa toda. As novelas que todo mundo assiste, o santo futebol de quarta feria. O cafézinho, de todas as horas, de todos os lugares… “a senhora aceita um café?” Quanta Brasilidade tem nessa pergunta, meu Deus! O nosso café incomparável, a generosidade do nosso povo, o papo que vem do nada e dura horas com alguém que você nunca viu antes. As praças, os parques. O parque com ciclovia, quadra de futebol, de tênis. As quadras públicas para as nossas crianças terem o que fazer. O Bem-te-vi, o sabiá, o papagaio do vizinho…
É tanta Brasilidade que faz a nossa alma reviver. É tanta coisa pra se fazer no mesmo espaço de 24 horas… é um tempo mais útil, que passa mais devagar. É um povo que te acolhe e que ama a vida. É um povo que luta, que dá e recebe. São almas. Almas ensinadas a viver. Por isso que digo que Deus nos escolheu a dedo.
Nós sabemos aproveitar a vida, sabemos o valor de cada dia. Sabemos o quanto é importante a família e a amizade, o quanto vale o contato com o próximo. Sabemos que as dificuldades estão aí para serem superadas, e não há nada que desanime o nosso samba. Porque a vida tá aí, pra quem quiser viver. E ela passa rápido demais para sermos melancólicos e desacreditados. Passa rápido demais para vivermos sem crença e sem amor. Pra vivermos sem alma.
O Brasil é um país com alma. E é essa alma que eu nunca, nunca hei de renegar na minha vida. Porque o dia em que eu fizer o que muitos brasileiros fazem por aqui, “esquecer o Brasil”, eu estarei morta e longe da minha essência que me faz ser quem eu sou. Quem eu nasci pra ser. Uma Brasileira, com muito orgulho e muito amor.

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De volta

Cheguei na Inglaterra ontem. Foram 22 dias maravilhosos no Brasil que passaram muito, mas muito rápido. Suficientes para eu fazer todo o meu check up médico, rever meus amigos, família e – principalmente – passar muito tempo com a minha mãezinha, minha irmã e meu cachorro lindo.
É muito difícil deixar o Brasil, desapegar, soltar a raíz. Eu sei que a minha vida agora é aqui e essa viagem me encheu de energia, de alma, de Brasilidade. Me fez resgatar uma Milena meio esquecida dentro de mim… Tanto que assim que eu cheguei, husbandinho disse que eu estava diferente, tinha “outra luz”. Essa outra luz é o que a minha nacionalidade grita… e não adianta, posso morar fora, posso fazer minha vida toda aqui, mas me nego a esquecer o Brasil, como muita gente faz.
Mas eu voltei de alma lavada, mesmo não tendo tido tempo pra praia… e o mar, foram só os pézinhos. Voltei com a cabeça mais aberta, o coração maior, menos angustiado… um maridinho me esperando cheio de amor e uma vida nova inteirinha pela frente.
Eu olho pra trás e vejo que tudo o que consegui hoje foi fruto do que eu quis pra mim, então que eu me queira coisas muito melhores! Que eu desenhe meu destino, do jeito que desenhei até aqui!!!! E o resto, o UNIVERSO conspira a favor.

Vou fazer um post em breve sobre o que sinto sobre a Brasilidade, sobre o que o Brasil é e o que o nosso povo transmite. Preciso dizer que quem é Brasileiro é abençoado, e nosso país é a coisa mais rica de alma que existe nesse mundo. Pode ter todos os defeitos, mas qual país que não tem?
Bom, volto pro Hotel amanhã, mas são só mais três semanas e me livrarei desse fardo, finalmente!
Por enquanto estou desfazendo minhas malas, ao som do cd da Roberta Sá. Quem gosta de um bom sambinha TEM QUE TER!!!!

Amor moderno

“Era um amor desses de livro, sabe? Daqueles que comecam cheios de defeitos, que enfrentam mil tempestades, que perduram e duram. E que sao tao constantes e ferozes como a agua que fura a pedra,  e tao quente como a lava que nao seca no mar. Era daqueles amores de novela, com gente dizendo que nao daria certo, com todos os contras cabiveis e por se caber, com os medos, os panicos, os naos. Era desses amores de filme agua com acucar, que te faz chorar e querer alguem pra amar naquele instante, naquele momento unico, como se o mundo acabasse ali… na pureza do que se sentia.
E eu digo era no passado pra deixar a prosa mais bonita, porque o que ha de vir ainda eh presente por demais  e ha de dar um bom futuro.
Eles se conheceram numa vida moderna, dessas que eu nao entendo muito bem nao. Sei que tinha a ver com computador, aquele bicho que parece televisao e fala e, sabe-se la como, com os outros lados do mundo. Mas se telefone que eh telefone se fala por um fio, porque nao ha de se falar atraves de uma tela, nao eh mesmo?
Nao sei bem como que tudo comecou, mas soube que ele morava la longe, la na Europa, onde Judas perdeu as botas. E ela aqui, nessa imensidao sem fim de concreto, com um coracao tao cheio de esperanca. Sei que eles se falaram pelo tal do computador por muito tempo, e houve telefone tambem, mas demoraram um bocado de tempo pra se ver frente a frente.
Foi o que aconteceu de mais bonito, porque o mundo todo foi contra, assim como Romeu e Julieta sabe? Mas ela dizia que havia de ser pra valer e que seu coracao batia num passo que nunca tinha batido antes, e que era como se as estrelas dissessem que ela tinha que seguir em frente. Essa menina nunca foi de deixar leite fervendo em fogo brando, nao! Dizia que preferia se arrepender de tentar do que de nao ter tentado. Ela foi e pagou pra ver. Viajou la pra longe pra conhecer o tal do estrangeiro do computador e, quando voltou, seus olhos se “alumiavam” mais que vaga lume depois de chuva. E seu sorriso, ai, seu sorriso era desses longos e varridos que refletiam qualquer clareza em volta.
E disse que era de verdade, vo, nao era de mentira nao. Era de verdade aquela maluquice toda que nem ela entendia, mas que duas semanas com ele foram como nos contos de fadas que eu contava pra ela.
E o tempo passou tanto que nem me lembro mais de quanta gente que tinha medo e preocupacao por ela. O moco veio pra ca e a familia toda que se encantou com ele.  E passou mais tempo ainda, nao que nao tenha tido mais pedras pra tirar do caminho. Mas como eu disse, era dessas aguas que furam as pedras…
E um dia eles casaram, no dia mais lindo, com o ceu mais lindo, o sol mais brilhante, e os sorrisos mais verdadeiros. E ela escolheu escolher uma vida, que nem sabia como seria, mas arriscou a sorte. E eles que, em seis anos, tinham ficado juntos coisa de no maximo seis meses corridos, depois de casados ficaram ano e meio, sem se separar um diazinho sequer.
E ela resolveu voltar pra ca porque a saudade daqui sufocava, soh que ele nao pode vir. Foram soh tres semaninhas de nada, mas o suficiente pra ela olhar uma foto dele no tal do computador por mais de dez minutos e dizer… “meus olhinhos de esquilo… a vida deu pedras, a gente construiu o mais bonito dos castelos”. 

E a estoria ainda nem que terminou e, Deus ha de querer que nao termine nem nessa vida. Porque ela ainda quer um dia chegar na minha idade. Ainda quer assar biscoitos, sentar na cadeira de balanco na frente da lareira com ele, e contar pra varios olhinhos brilhantes uma linda estoria de amor…. desses de livro.”

De molho

A gripe ta passando e nao era suina. Era so uma bela virose que ta dando em SP. Eu que moro um ano e meio na Europa, pego inverno do cao, e fico gripada no Brasil!!!! Nao peguei uma gripinha sequer na Inglaterra.. tambem, com esse tempo seco e essa poluicao nao ha pulmao que aguente.
O ruim foi que perdi uns quatro bons dias de cama aqui… sem poder sair, sem ir na praia, ver meus amigos… nada. Agora vou ter que me acabar essa semana porque eh a ultima semaninha em terras de Cabral!
Mas dessa vez planejo voltar logo, mesmo porque vou ter uma priminha em Novembro!!!!! Meu primo vai ser pai, ele eh casado com uma das minhas melhores amigas, e a nenem ta a caminho!! Ateh chorei de emocao!!!!!!! Mesmo sabendo que eles querem colocar o nome da menininha de Chloe, que sempre foi o nome que quis pra minha filha… mas agora vou ter que arrumar outro nome de menina, porque duas Chloes na mesma familia nao da, neh!!

Gripe bovina

E a vaquinha da minha irma que pegou uma gripe daquelas no trabalho, e eu que me ferro. Comecei com uma dorzinha de garganta hoje e – parece – que se eu piorar amanha vou ter que ir ao Hospital Emilio Ribas pra fazer teste de gripe suina. Tudo porque cheguei ha dez dias. Entendo o motivo e tal, mas virar estatistica e ser monitorada era tudo o que eu nao queria…

Tem uma onda forte de gripe em SP no momento, e soh porque eu cruzei o aeroporto, me fu… rezem pra eu estar bem amanha!

Brasil corrido

Meeeeu, faz uma semana que eu cheguei em Sampa e nem dei o ar da graca aqui!!!!

Pois eh, tem sido maravilhoso, mas muito corrido. Cheguei no dia do meu aniversario de 29 aninhos, as 5:30 da manha. Amassei o Billy ateh nao poder mais, dormi um tiquinho na minha caminha de solteira, no meu quarto azul de adolescente e depois em joguei num samba de raiz num barzinho da Vila. Maravilhoso! Aniversario, amigos, samba, Brasil!!!! Tudo o que pedi a Deus.
Essa semana abusei de mamae, aproveitei pra fazer um mega ultra check up (e ta tudo bem, gracas a Deus). Fim de semana foi o casamento da minha prima na praia e foi o casamento mais lindo de todos. Peh na areia, todo mundo de branco, gente bonita e famosa, um porrezinho de Veuve Clicquot – que seeeeeempre vale a pena. Alem disso eu conheci a minha mais nova prima…. a Galisteu!!!!!! E ela eh uma fofa!!
A festa foi incrivel, mas a passadinha na praia foi de dez minutos. Deitei um pouco na areia, mas o mar tava bravo demais pra entrar. To me perguntando se vai dar tempo de ir pra praia, ja que meus outros dois finais de semana estao comprometidos com mais dois casamentos!!!!!!

Mas enfim, postarei mais em breve e colocarei algumas fotos. Por enquanto, mais uma vez…. VOU SER FELIZ E JA VOLTO!!!!!!

Brasil, aqui vou eu!!!!

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E hoje é meu primeiro dia de 3 semanas de férias! Domingo é meu aniversário de 29 anos e eu vou comemorar colocando meus pézinhos em terras de Cabral!
Não vejo a hora de chegar e aproveitar tudo o que senti falta neste 1 ano e meio!!!!
Só tô com receio de sentir muito mais falta do David do que tô imaginando e acabar não curtindo tanto! Mas, 3 semanas passam rápido e logo, logo estaremos juntos de novo!!!!

Ahhhh, meu celular novo chegou e eu tô apaixonada por ele. É um Sony Ericson T700 red & gold, joga no google! O motivo principal de eu ter escolhido esse é porque vinha com um free gift da Benefit. Ai, como é fácil agradar mulher….