Antes de dormir

Eram duas da manhã quando ela abriu a porta de casa. Tirou o casaco e as botas, jogou a bolsa no canto do sofá. Foi até o banheiro e, antes mesmo de tirar a maquiagem, se olhou surpresa no espelho por longos minutos: meu deus, e agora? O sorriso rasgado no canto do lábio não escondia a maquiagem borrada, o cabelo emaranhado, o cheiro de corpos misturado, o cheiro do corpo dele. Enquanto olhava no fundo de sua própria íris, tentava entender o que havia acontecido naquele tempo todo, como se tivesse sido arrancada de uma realidade que não conhecia. Ainda guardava o calor da boca na pele, o sabor doce na língua, a voz sussurrada no ouvido, os orgasmos, os dedos, os medos. E  era invadida por um turbilhão de lembranças recentes, a química, o gosto do beijo, o abraço, aquele olhar, o toque. Não podia se concentrar em memórias assim, era perigoso demais se apaixonar. Que pensasse apenas nas línguas, lambidas, gemidos. Mas como esquecer que pessoas têm sentimentos, como se controlar para não se envolver? Lavou o rosto para tentar acalmar o coração.
Tirou a roupa que ainda guardava o perfume daquela noite louca e deitou-se na cama, nua, como se esperasse o sol nascer para levar embora o que acontecia por dentro, como se somente a escuridão fosse cúmplice dos seus instintos animais. Precisava ser animal, talvez um dia o encontre de novo. Precisava ser racional.
Ajeitou então todos os sentimentos embaralhados, guardou o coração numa caixinha com chave e trancou na gaveta da mesa de cabeceira.
No travesseiro, deixou a mente cheia de perguntas e um fingimento de que nunca mais pensaria nele.

– Pelo menos o coração está trancado, pensou a menina boba, quase que em uma prece.

Anúncios

James Blunt e os franceses

I really want you to really want me
But I really don’t know if you can do that
I know you want to know what’s right
But I know so hard for you to do that
Time’s running out as it often does
And often dictates that you can’t do that
Fate can’t break this feeling inside
That’s burning up through my veins…

Eu morro de rir com a cara do James quando os franceses começam a bater palmas pra uma música tão doída… hahahaha. O cara lá sofrendo, e o povo clapping como se não houvesse amanhã.
Anyway, eu amo James Blunt, eu amo essa música. Amo.