Outono ou Inverno?

Papo de ontem, marido me diz…

– O cara do rádio disse que o Inverno começou hoje…
– Oi??? Nãããããão… é Setembro ainda!
– Pois é, também achei, mas ele disse.
– As folhas mal começaram a cair…
– Mas já tá um frio do caralho…
– Sim, mas as estações duram 3 meses, o Outono acabou de começar!!
– Mas o cara disse, na BBC…
– Não é possível, babe, vamo lá no Google!

No Google: when does winter start? Resposta? 21 de Dezembro.

– Viu???? É Outono ainda! Ufa…
– É… mas Outono aqui é Inverno! Primavera…. é Inverno! Verão…. é Inverno! Aprende isso logo, babe.

(Ah, como eu amo esse país….)

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Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste…

 

Vinícius de Moraes – Para Viver um Grande Amor

Pão alemão

Ele: – Esse pão alemão que você come tem gosto do que?
Eu: – Você não vai gostar.
Ele: – Mas tem gosto de que?
Eu: – De comida de passarinho…

Ele prova e cospe.

– Puta merda, babe, vou te comprar ração de cachorro, que é mais barato!

(Duas semanas depois)

– Babe, comprei o pão alemão pra você com semente de girassol, pra ver se dá um gostinho de passarinho, pelo menos.

Overdose

É como uma droga pesada esse amor seu. Quanto mais você me dá, mais eu quero. E quanto menos me dá, mais eu piro. É a crise de abstinência, aquela parte em que o silêncio dói e ecoam coisas loucas dentro da gente. É quando o coração grita enough, have a little self respect, for God´s sake, e a gente responde foda-se, quero mais é morrer de overdose dessa merda.

Avião de papel

Talvez eu tenha falado demais, talvez eu tenha sentido demais. Mais do que podia, muito mais do que devia. Talvez eu tenha passado dos limites quando gritei aquele dia do outro lado da calçada que achava que te amava. Não é bem assim, ou é, nem eu mesmo sei.
Hoje peguei um pedaço de papel branco, achando que escreveria alguma coisa e enterraria numa gaveta. Palavras para você nunca ler. Preferi fazer um avião de papel. Dobrei com cuidado, coloquei uma música bonita e fui para a janela soltá-lo. Ele deu meia volta e veio na minha direção de novo. Coloquei mais força desta vez, voa, avião de papel. Volte quando quiser, estarei aqui te esperando, quem sabe… sem pressa, sem medo, sem a tal da expectativa. Sem intensidade, talvez.
Joguei o avião de papel para o ar, um pequeno ritual. Teu nome estava lá, você estava lá.

***

Calma, coração, amanhã é apenas outro dia e tudo continuará igual.

Sopra

Sopra devagar a minha nuca. E me leva pra esse mundo woodstockiano, onde o sexo é transcendente, as trips são good e a vida é paz e amor.

Quero amanhecer louca na grama mais verde, gritando take another little piece of my heart now, baby.

Vai

Quando se quer uma coisa, ou coisa nenhuma, melhor mesmo é aprender a não esperar nada.

Estou aprendendo a arte de colocar uma vida toda num rio e observar a correnteza.

Vai, barquinho.
Mas segue aquele caminho ali, ó, senão eu me perco demais.

Cabe-ça

E meu coração vagabundo é tão grande, cabe o mundo todo dentro. Cabe todo mundo dentro. Cabe você, e não deveria caber.