Sobre o que vem e o que vai

Não tente entender. Sinta e deixe acontecer. O que é verdadeiro cria raízes e não vai embora. O que tem que acontecer, acontece no tempo certo.
Se não for para ser, simplesmente aceite e deixe ir. Não existe acaso nos encontros da vida, as pessoas aparecem quando é necessário contribuir de alguma maneira.  E quando não for mais o momento de tê-las conosco, elas partirão, de uma forma ou de outra.
Não espere nada de ninguém, nem de nada. Não deixe seu ego chegar a tal ponto em que você espere que as pessoas ajam, pensem e reajam da mesma forma que você. O que a gente dá é gratuito e é preciso aprender a respeitar o tempo e a situação dos outros.
Não reme contra a maré, não gaste sua energia nadando contra a correnteza.  Apenas aproveite a oportunidade para  guardar todo esse amor em um cantinho do coração, como uma linda lembrança do quanto você ainda é capaz de usá-lo.

O que é para ser, cedo ou tarde, acontece.
Todos os nossos medos, angústias e frustrações estão, de alguma forma, relacionados ao que vivemos no passado ou ao que esperamos do futuro. A gente teme o que poderá acontecer e, se você pensar bem, o que está acontecendo agora, neste exato momento em que você lê este texto, não é tão ruim assim. É a mente quem cria expectativas, é ela quem espera e articula uma infinidade de cenários dentro de você. É a sua mente quem sofre.
Corte esse paradigma dentro da sua cabeça, desfoque todos os pensamentos e sentimentos ruins, e tudo fluirá com muito mais naturalidade.
Não é o coração que dói, é a mente que trabalha demais.

PS: Aconselho a leitura do livro “O poder do agora”, de Echkhart Tolle. Tá, é meio “auto-ajuda”, se quiser classificar assim, mas abre um pedacinho da sua cabeça que sempre esteve adormecida: o foco.  
PS2: O texto acima foi escrito por mim, publicado no Facebook e readaptado para o Samba. 🙂

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Caminhos

Em todas as vezes em que você veio, eu te estendi a minha mão. Mesmo quando você não olhou para trás. E você voltou com sede, porque alguma coisa em mim te faz falta, você sabe que sempre volta. E eu estendi novamente a mão, o corpo, o coração, até que te entregasse aquela parte exposta, cheia de feridas, medos e inseguranças. 
Mais uma vez você se vai sem olhar pra trás, sem se dar conta de todas as palavras jogadas ao vento, sem se dar conta de todos os sentimentos estilhaçados pelo chão. Dessa vez você soltou minha mão e se foi. E eu parei por alguns instantes para te ver caminhar em passos largos na direção oposta, sem sequer voltar os olhos ao que deixou. Que eu fui para você talvez um nada, é o que mais gritou enquanto você partia. Um eco vazio. Engoli seco esse tudo, tão cheio de nada, um coração inteiro atravessando a garganta. Pois que agora eu comecei a caminhar, e não quero olhar pra trás. Ainda te dá tempo, não sei ao certo quanto, de me alcançar na outra direção. Só não espere que te estenda a mão depois que encontrar o meu caminho de volta. Volta. Enquanto ainda estamos na mesma estrada.

Que seja puro

Muitas vezes me cobram um texto aqui, outro ali, me chamam para escrever em lugares diferentes e, principalmente, reclamam dos meus exílios literários. Eu sei que já tenho um “público” fiel, e não tenho a menor modéstia para fingir que não, muito pelo contrário, meu lado leonino é apaixonado por ele. Mas o que vocês, queridos, têm que entender é que se não existem textos frequentes é porque existe paz. Às vezes é só falta de inspiração mesmo, mas quase sempre é paz.
Porque não só escrevo de cabeça quente, mas de sangue quente, de coração fervilhando. Porque o que eu transformo em palavras é praticamento um fluido da minha alma, escarrado aqui. E quando há paz, há silêncio. As palavras ecoam dentro de mim, mas não fazem tanta questão de sair. Pois é, sou regida por esse turbilhão gramatical, ele manda em mim. Quando se sente suficiente, ele quer sair. Quando não quer, não sai. E permanece aqui, no meu mais bonito arquivo: a minha cabeça.
A poesia só vem da dor, ou do amor dolorido; a intensidade jorra da loucura, não da serenidade.
Tenho aprendido muito sobre mim aqui de volta. Ou melhor, tenho reaprendido, resgatado, reabsorvido. Mas não pense que tenho me encontrado, isso não. Tenho me descoberto, pois me encontrar me limitaria demais e eu não sei viver com paredes. Não quero me encontrar, preciso de horizontes. Já dizia Oscar Wilde, “only the shallow know themselves”.
Talvez o que eu tenha vindo procurar, isso sim, eu já tenha encontrado. Ou esteja encontrando neste exato momento, consciente ou inconscientemente. Acredito na correnteza da vida e sei que um dia, quando olhar para esta fase da minha vida, entenderei perfeitamente e saberei onde todas as pontas se encaixaram.
Entendam que tenho aprendido a cuidar de mim, a separar o joio do trigo, a deixar ir o que não é meu e deixar vir o que tem que vir. Tenho feito projetos, tenho planejado o presente, o futuro, tenho vivido menos de passado. Tenho recebido provas imensuráveis de amor e desamor. Tenho testado meus medos e minhas inseguranças. E tenho aceitado, principalmente, exatamente tudo do jeito que é. Deixa o rio correr seu rumo e desembocar no mar. Deixa o mar ter maré baixa e maré cheia. Deixa a vida acontecer.
Como eu disse, estou em paz.
Enquanto isso, é noite. Deito na areia da praia esperando a maré subir. Que me lave a alma. E peço a um céu cheio de estrelas que me purifique o coração. Que me decante de todos os sentimentos que não me pertencem e me purifique o coração.