Anna, eu resolvi te deixar ir

Anna,

Eu resolvi te deixar ir. A mágoa já passou, as feridas estão cicatrizando levamente de fora pra dentro, porque dentro ainda me dóem. Não posso colocar toda a culpa de um amor impossível em você. Não posso esperar que seja tão emoção quanto eu, que tenha menos razão nesse jogo sem fim onde a razão é a única coisa que faz sentido. Você nunca quis me machucar e eu sei disso. E sei também do tanto que me amou, não precisa dizer com os lábios o que teus olhos me disseram um dia. Hoje eu consigo olhar para trás e ver o quanto você procurou o meu bem, e se um dia me fez algum mal, foi apenas por ter se envolvido mais do que podia.
Não dava mais para insistir, eu sei, Anna. Por maior que seja o amor, nem sempre é possível tocá-lo. Por isso estou aqui hoje, na beira norte do rio, curvando meu corpo sobre a ilhazinha onde a gente se escondeu por tantos dias. Revivendo de novo os cheiros e sons que me lembram o gosto da tua pele, o calor do teu beijo em mim. Me perguntando se um dia a vida cruzará nossos caminhos mais uma vez.
Fiz um barquinho de papel pra você, Anna. Ele é você. E quando eu te soltar por esse rio, quero que navegue tranquila. Embrulhei nele todo o amor que senti por você um dia – e ainda sinto – pra que de algum jeito, quando sentir que a vida te machuca um pouco, possa lembrar-te do quanto alguém te amou um dia. Não guardo mágoa nenhuma, menina. Só te quero bem e feliz. E também quero ficar bem e feliz. Você disse que tudo isso era melhor pra todo mundo e hoje eu entendo o quanto isso foi importante para mim. Cara, como eu te amei. Como eu pensei em você por cada dia desses três anos e meio, mesmo quando nos separamos daquela outra vez.
Eu sinto tanta falta tua. Sinto falta desse monte de coisa bonita que vinha com esse “nós” improvável. Do nosso amor, da nossa história, de você me dizendo que não queria parar. E hoje, olha pra gente, Anna. Você me pedindo para desistir e eu desistindo. Você me pedindo para esquecer tudo e eu esquecendo.

Vai barquinho. Leva contigo todo esse amor absurdo e impossível que tenho por ti. Segue teu rumo, encontra o que procura. Seja feliz, muito feliz, ainda que não seja eu o motivo da tua felicidade. Tente lembrar-se de mim de vez em quando e de todas as horas lindas que dividimos. Tenta me esquecer devagar. E aprenda a seguir teu coração nesse meio tempo de vida em que estivermos separados.
Se nos veremos novamente? Não sei, Anna. Não sei ao menos se nos falaremos mais alguma vez. Mas as portas estão abertas, você sabe e sempre soube. As portas estão sempre abertas pra você. Te cuida bem, tá? Quem sabe um dia a gente senta numa mesa de bar, sem medos e sem corações, e bebe um amor impossível.
Deixei de tentar entender, estou apenas entregando meu amor por você, um barquinho, ao mundo. Que a vida cuide das nossas estradas, do nosso futuro. Que você consiga se encontrar na tua estrada e eu na minha. Que nós dois sejamos apenas amor, sem ressentimentos. Sem drama. Sem mágoa.

Vai, barquinho, vai, segue tua correnteza. Eu sigo meu caminho de volta com todo um nó na garganta e a esperança de que o tempo cura todos os corações. E se um dia nossos caminhos se cruzarem de novo, a vida se encarregará de encaixar as peças. O que tiver que voltar, volta um dia, mas não nos preocupemos com isso agora. Vai, barquinho. Apenas vá. Eu vou também. Te cuida, Anna. Te amo imensamente.

 

 

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Anna, eu resolvi parar

Anna,

Eu resolvi parar. Não consigo mais continuar assim, como se tudo estivesse bem, como se existisse algum tipo de amizade, como se eu não passasse por uma crise de abstinência dessa droga pesada que é o teu carinho. Ainda me dói uma dor estranha, leve mágoa de um amor rejeitado, um gosto amargo do teu beijo na minha boca. Arrancou de mim a agulha e agora eu não sei o que fazer sem doses intravenosas suas.
Meus dias são longos e eu vou vivendo. Levantando todo dia de manhã com você na cabeça e essa sua vidinha perfeita gritada aos sete mares. O gosto amargo na minha boca mais uma vez. Por você não ter tentado, não ter encarado, por ter desistido de um dia para o outro. Por você ter me trocado por uma versãozinha inacabada e fácil de mim. Ele é novo, eu sei, tem uma cabeça bacana e é interessantíssimo, como todo mundo no começo. Mas isso passa, e eu sei, menina, que um dia você vai me olhar de novo e pensar em tudo o que poderia ter sido e não foi. Foi. Uma escolha tua.  Decidida, seca, dura como um soco no meu estômago. Não quero mais. E ainda acho que a pior coisa do mundo é ouvir de alguém que você gosta um “seja feliz, segue a tua vida”. Um murro no peito, um aperto no coração. Porque eu sei melhor do que você que posso ser feliz a hora que eu quiser, mas eu quero ser feliz contigo perto.
Me pergunto se ainda pensa em mim de vez em quando, se ainda me deseja, se tudo isso não passa de uma mera tentativa de matar um amor que não pode ser. Será que já passei na sua vida? Será que três anos assim são varridos pra debaixo de um tapete no fundo da memória? Será que isso que me dói não dói mesmo em ti, nem um pouquinho? A sua vida perfeita. O meu mundo errado.
Você está me ensinando a olhar em volta. A amar o mundo sem você por perto. Eu já passei por isso uma vez, deveria ser fácil, mas não é. Porque eu me permiti te amar sem ter medo de entregar meu coração. E esse é o único arrependimento que eu tenho. Você não sabe o que fazer com o meu amor.
E o que eu queria te dizer nesta carta, mais uma vez não consegui.
Que estou andando, que estou esquecendo seu sorriso, o calor debaixo do edredom. Que estou  esquecendo como brilham os teus olhos e o o som da tua voz . Que estou esquecendo o quanto de amor eu ainda guardo por ti. É, eu tô tocando a vida. Um pouco mais humano, um pouco mais forte. Só não te esqueça que dores assim encouraçam um ser humano e talvez um dia seja tarde demais. Estou apenas seguindo uma escolha tua.

Matar um amor é a forma mais dolorosa de acabar com um.

 

“Anna,
You come and ask me, girl,
To set you free, girl,
You say he loves you more than me,
So I will set you free,
Go with him.”

 

O que eu quero em 2012

Não quero nenhuma resolução de ano novo desta vez. Chega de repetir itens de uma eterna e infinita lista que eu nunca cumpro. Chega de hipocrisia e de apologia à esse modo de pensar mesquinho, onde a gente só faz o que deveria fazer o ano inteiro, nos últimos dias dele. O que eu quero para este ano é me tornar mais humana.
Que em 2012 eu aprenda a lidar melhor com o apego. Não vou esperar que eu me desapegue de tudo como em um milagre budista, mas que eu aprenda a rever meu comportamento e saiba lidar melhor com o significado – principalmente das pessoas – pra mim. Que eu aprenda a não esperar nada dos outros. Mesmo. Que definitivamente eu deixe de lado essa minha mente adolescente corrompida por contos de fadas e entenda que ninguém pode dar além do que quer. Ou do que pode.
Que eu aprenda a aceitar as pessoas como elas são e nunca espere nada de volta. Que eu enxergue todas elas com suas mochilas cheias de vida, dores, corações quebrados, esperanças frustradas, e que entenda que nem sempre é possível ir além do que se deseja. Que eu entenda que pessoas não mudam, mas podem tentar. Que nem sempre o que foi, é e será. Que eu aprenda a viver menos de passado e consiga virar minhas páginas sem temer o branco. Que eu entenda que todo mundo sofre, todo mundo ama, e tudo é um constante aprendizado. Que eu aprenda principalmente a deixar de querer entender o por que de tudo, como uma criança mimada de cinco anos de idade. Pensar não resolve, só machuca.
Que eu entenda que a vida não tem sentido se não houver amor, e que amor não se cobra, não se pede de volta. E que se um dia alguém não me oferecer amor de volta, que eu me lembre da velha mochila. Cada um sabe o que traz no coração, às vezes as pessoas simplesmente não sabem o que fazer com o amor.
Que eu deixe de me importar com quem não se importa comigo, com quem não faz questão de ser parte presente na minha vida e saiba guardar os momentos bons no passado, trancados à chave, e não relute querendo trazê-los à vida no presente. Que eu aprenda a olhar tudo o que tenho comigo com olhos de gratidão. E que eu curta muito tudo o que eu tenho.
Que eu aprenda, acima de tudo, a viver o hoje, a curtir o agora, a guardar o ontem e não pensar no amanhã.

E que, ainda que me desapegue, deixe de entender, não me importe tanto, não espere nada, que eu nunca perca a minha essência. Que eu nunca deixe o sangue parar de correr quente no meu pulso. Que eu nunca perca a fé no ser humano e na vida, pois essa é a maior fé que eu tenho. Que eu nunca desista de amar mais e mais a cada dia, ainda que meu coração se quebre. Que eu nunca sufoque a minha intensidade para agradar aos outros. Que eu nunca seja desleal com os meus sentimentos, ainda que precise matar alguns. Que eu nunca deixe de transpirar a verdade por mim mesma, que eu nunca deixe de acreditar que a cada dia nasce uma oportunidade de sermos felizes, mas acima de tudo, uma oportunidade de sermos nós mesmos. Melhores e lapidados.

É por você que sou aqui

Você chega de mansinho com os braços abertos e me aperta contra o seu peito entrelaçando meu mundo, fechando a minha vida dentro de um sorriso manso. E é nessa hora, quando meu coração encosta o teu, que um buraco preenche, ainda que quase à superfície, mas é nessa hora que meu mundo vira agora e nada além da tua respiração na curva do meu pescoço deveria importar. É por você que sou aqui.
E é você quem enxuga as minhas lágrimas, me puxa para o seu colo e diz enquanto divide meu cabelo com os dedos que todas as dores do mundo em mim vão passar. Nos teus olhos cinzas, um leve reflexo meu mora dentro há quase dez anos. E um flashback de vida em pequenos frames engole meu choro e eu te amo tanto. Tanto. Meu amor real, meu amor sempre presente, minha história mais bonita. É só por você que sou aqui.
Congela a gente assim nos seus braços desajeitados, congela meu sorriso mais inteiro, meu mundo desse lado de cá, dentro dos seus olhos de esquilo. É por você que sou aqui. E só isso deveria calar todas as minhas angústias.

Ah, se eu te contasse

Ah, se eu te contasse que consigo ver todos esses seus sonhos de madrugada, se eu te dissesse que o cheiro dele ainda está na sua roupa, que as palavras dele ainda sussurram no seu ouvido, você acreditaria em mim? E se eu te contasse que ele pensa em você antes de dormir, e que já o vi fechar os olhos durante um beijo e relembrar teus lábios? Eu sei de tudo isso, mas eu não posso responder a esse monte de pergunta que você tenta acorrentar todas as manhãs dentro do travesseiro. Por que tão tarde, por que tão cedo, por que a pessoa certa na hora errada, por que a pessoa errada na hora errada? Não existem respostas, não há o que entender. Você é quem espera demais dos outros e inventa enredos nessa cabeça torta, cheia de vazios. Deixa as coisas do jeito que estão. Existem amores que foram feitos pra não acontecer, pra serem colocados em uma caixinha e trancados junto com todas essas palavras ferozes que teu peito cospe.
Te acalma, corações partidos sempre dóem. E entende, de uma vez por todas, que nem sempre é falta de amor, nem sempre existe culpado. Agora vá, levante. Engole esse choro, enxuga essas lágrimas e caminha pra frente. Sempre existirão outras esquinas, outros corações. E se isso for pra ser só história, que você aprenda a não ter medo de ponto final.

Você tinha razão

Você tinha razão.
Quando segura a minha mão e olha dentro de mim sem dizer nada e me diz tudo.
Que eu sou o mundo para você.

Você tinha razão.
Do quanto se importa, do quanto me cuida.
Quando conta as sardas do meu rosto com a ponta do nariz e me beija sorrindo.

Você tinha razão.
Quando no fim do dia me abre um coração inteiro em um abraço apertado.
Quando faz qualquer coisa para o meu dia terminar bem.
Quando se importa de verdade com o que eu estou sentindo, com cada lágrima corrida, com cada angústia estancada.

Não me faz mal.
Faz questão de fazer bem.

Você tinha razão.

E agora eu vejo o quanto de tempo perdi tirando água de um barco que não se move.
Rema pra frente. Não se entrega mais sem retorno.
Amores de verdade são para muito poucos. E você é dona de um dos mais bonitos.
Não perde, re-foca, re-ama, esquece.

 

A gente só reconhece o tamanho de um amor quando não é amado. Você tinha razão.

Meio-amor

Não que ela fosse a última bolacha do pacote, não se engane. Estava cheio de meninas em volta querendo absolutamente tudo que ela também quer. Sexo constante com um pouco de amorzinho. Era bonita, charmosa, tinha um sorriso que valia por dois. Mas não parava trânsito nenhum. O problema, meu amigo, é que ela era daquelas que quando a gente encosta dá choque de 220v. Não sei te explicar. Ela me liga, ela me desliga, ela faz uma carga elétrica correr pelo meu corpo que eu talvez nunca tenha sentido igual. Ela é furacão.
O problema dos furacões é que são indomáveis. Passam, derrubam a sua vida inteira e te levam junto, só eles sabem pra onde. Ou melhor, não sabem nada. Esse tipo de gente-furacão não sabe de onde veio, nem pra onde vai. Só tem uma certeza: desarrumar sua vida e levar seus sentidos junto. Ela era isso pra mim. Surgiu do nada, foi embora do nada, e nas épocas de tempestade volta ainda mais forte. Sempre volta. Porque sempre vai.
Sei lá que tipo de poder é esse, sabe, de mexer lá dentro de mim. De fazer corpo, coração e cabeça se desmancharem com duas palavras clichês e
meia dúzia de orgasmos. Putes grila, eu não controlo mais. Eu perdi completamente o controle do barco e me entreguei muito mais do que devia. Você sabe, me protejo até me apaixonar, depois disso, eu perco a consciência. E foi assim, é assim que acontece há três anos. Ela indo, vindo, indo, vindo, levando tudo o que eu tenho de bom e me alimentando de migalhas de um semi-amor escondido em desejo sexual. Talvez seja só isso mesmo, pele. Embora ela faça questão de me confundir com a certeza de meias palavras não ditas de que me ama. Ela não diz. Mas também não nega. É do tipo formada, escolada, gata de rua. Arisca. Me enrola, me prende, me segura, porque sabe que eu gosto dela pra caralho. Me alimenta de migalhas de meio-amor.
E eu ia te contar que ela foi embora mais uma vez. Disse que me gosta, mas pra eu seguir minha vida. Pra tocar o barco e ficar com quem me ama. Que ela me faz mal, que ela me prende. E não quer me magoar, porque me gosta. Pois é, a sutileza dos maiores foras da humanidade. Te gosto, tenho um carinho por você, mas amar que é bom, porcaria nenhuma. Ninguém vive de carinho. E eu amo. Ou acho que amo. Ou talvez esteja apenas em um transe alucinógeno de vício em adrenalina. Tipo caçador de tempestade.
A verdade é que eu nunca vou saber o que a prende em mim. Não sei porque ainda não foi por completo, me apagou dos contatos, cortou relacionamento comigo. O que a prende em mim é um mistério escondido embaixo da asa de um amor impossível.
O que me machuca é o jeito que me confunde, sabe. E talvez seja essa confusão que me prenda tanto. Esse não-te-amo-mas-não-te-deixo. E vou te dizer, dói. Doeu ouvir algumas coisas que eu não esperava. Mas um dia passa, ah, a gente sabe que um dia vira passado, a gente olha pra trás e não se conforma. Que seja. Não me contento com raspas e migalhas de semi-amor.
Eu não sei mais o que te dizer, cara. Só sei que estou quase bem, quase curado, quase pronto pra outra. Outra. Eu queria que tudo isso passasse, tenho visto que ela muitas vezes ela me faz muito mais mal do que bem. E já me fez tanto bem um dia. Mas não é mais assim e eu tenho que entender que as pessoas mudam, as situações se renovam, o amor degrada. Não sei. Talvez ela volte um dia, mas cheguei ao ponto de me questionar por que estou fazendo isso comigo. Por que estou deixando alguém fazer tão pouco caso de mim. Por que estou deixando quebrar meu coração, assoprar e pedir desculpa. Talvez um dia eu canse, talvez um dia ela não seja mais furacão. Um dia ainda conseguirei olhá-la como chuva de inverno, daquelas geladas, daquelas que a gente diz não, não vou enfrentar, mesmo de guarda-chuva.
Um brinde ao amor próprio, meu amigo. Um brinde à tudo que não nos trava o sorriso. E que venha a maré boa, a bonança, os amores cheios.

Sobre coelhos, vacas e galinhas

– Babe, como as pessoas têm coragem de comer coelho? Olha a Pinga, por exemplo. Ela sabe tudo o que tá fazendo, tem uma personalidade incrível. Ela se lembra de coisas que fez semana passada, de pequenas descobertas, ela pede carinho, colo, geeeeente, como as pessoas têm coragem?
– Ah, mas os coelhos comíveis são criados pra isso.
– Mas isso não impede que eles tenham a personalidade da Pinga. Eu nunca comi coelho e sou capaz de bater em alguém que coma, hoje em dia………….. Babe, acho que se eu tivesse um peixe, uma galinha, um porco e uma vaca, eu virava vegetariana enlouquecida, sabia…

A expressão dele mudou para “muito séria”:

– Milena. A gente não vai ter uma vaca.

 

HAHAHAHA acho tão lindo o jeito que ele me conhece. Felícia quer galinha, porco e peixe. A vaca pode esperar hihihi.