Ai, vício. Ai, Caio.

– Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
– Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
– Vou te escrever carta e não te mandar.
– Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
– Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
– Vou ver Saturno e me lembrar de você.
– Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
– O tempo não existe.
– O tempo existe, sim, e devora.
– Vou procurar teu cheiro no corpo de outra mulher. Sem encontrar, porque terei esquecido. Alfazema?
– Alecrim. Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
– E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.

(Silêncio)

– Mas não seria natural.
– Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
– Natural é encontrar. Natural é perder.
– Linhas paralelas se encontram no infinito.
– O infinito não acaba. O infinito é nunca.
– Ou sempre.

(Silêncio)

– Tudo isso é muito abstrato. Está tocando “Kiss, kiss, kiss”. Por que você não me convida para dormirmos juntos.
– Você quer dormir comigo?
– Não.
– Porque não é preciso?
– Porque não é preciso.

(Silêncio)

– Me beija.
– Te beijo.

“O dia que Júpiter encontrou Saturno”, Caio Fernando Abreu.

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Qual é a sua verdade?

A Iódice tá com uma promoção super bacana!
Vai, vai! Se cadastra, pode ser gente morando no exterior!!! Vai que você pode!

A IÓDICE DENIM lança um concurso cultural. O objetivo é encontrar e divulgar histórias e atitudes reais de pessoas como você, que desejam mostrar sua verdade ao mundo.

Faça seu cadastro até o dia 31/12 e conte para a gente qual é a sua verdade.

Vale de tudo para deixar sua história ainda mais original: você poderá acrescentar fotos e vídeos para ilustrar seu texto que, após avaliação da equipe, ficará exposto no hotsite durante toda a campanha para visualização de todos.

Se você for o autor da história mais criativa, poderá ser convidado a integrar a Campanha Inverno 2010 em um anúncio, além de ganhar um guarda-roupa repleto de looks IÓDICE DENIM.

Melancolia de fim de tarde

eu: ai hoje tô tão esquisitinha….

verônica: aaaah

eu: acho q é porque a abigail comeu a dona joana….

verônica : quem é abigail e dona joana?

eu: abigail é a nova aranha da janela e a dona joana era a joaninha amarela… tadinha, tá lá estirada…

verônica: hahahahahahahahaha você é única…

eu: mas é, mó dó… vou tirar foto…

verônica: que foto o que!!! do bicho morto?

eu: é… tem que respeitar a alma, né?

verônica: é….

Os mais felizes…

Nessa época do ano eu sempre compro comida para os esquilos e pássaros começarem a se preparar pro inverno. O mais comum que eu compro é uma rede com bolas de gordura e sementes, e bolas de amendoins. A de gordura é para os pássaros, os amendoins também deveriam ser, mas Chip e Dale fazem a festa.
Não sei se são os mesmos vindo ou se são herdeiros do Chip e do Dale. Só sei que pendurei o trequinho na árvore do jardim e hoje está estatelado no chão. Só sobraram as bolas de gordura. Três esquilos faziam a festa hoje de manhã, catando os amendoins e enterrando pelo jardim.
Enfim, até filmei. Vou passar o videozinho pro Youtube e colocar aqui pra vocês verem os esquilos mais felizes do mundo.

100856073_a19f282b6aFoto ilustrativa

E chove em mim todos os dias

Nem tudo pelo que me apaixono eu conheço por inteiro. Me dá uma ânsia taurina de devorar o que me prende logo no começo. Não consigo comer pelas beiradas, não sei esperar esfriar. Gosto de coisas assim, quentes, que deixam em mim um rastro físico de lucidez ou devaneio, alguma coisa que me chacoalhe, que queime a língua pra lembrar-me depois. Lembrar-me o quanto foi bom. É como o triplo do molho de pimenta que você acha que pode aguentar, such a sweet pain. Arde por dentro, dá vontade de desistir, de cuspir fora, mas é tão bom. Tão bom. E quando passa, a única coisa que fica é a vontade de querer mais.
Ultimamente eu tenho me apaixonado por tudo. Das joaninhas que ficam na minha janela a Caio Fernando Abreu. De Paolo Nutini aos contos de Mario de Andrade. Nem que eu tenha já usado de cabo a rabo, de trás pra frente, me apaixono tudo de novo.

“(…) but I’m starting to think that’s a common problem with writers, that they have a dangerous excess of love that they give away (…)”
ZACH VANDEZANDE

Gosto que seja assim, que sobre um pouco de magia, de estória pra contar. Que seria de mim sem estórias pra contar? Preciso de uma porta fechada, uma caixa empoeirada, um sótão, um porão perdido, um túnel descoberto que leve a algum lugar. Uma vez quis comprar uma casa só porque havia um túnel recentemente descoberto por baixo da lareira, que era por onde o padre que morou no lugar se dirigia à igreja da vila. Quero túneis, escadas íngremes, vultos. Não, não me deixe só com o que é tangível, a rotina me mata. Quero o que não vejo, o que não toco, o que ainda está pra ser descoberto. Por isso tento ao máximo não devorar tudo de uma vez. Tento guardar uns filmes de Almodóvar para ver depois, uns livros de Quintana.
Tenho devorado Caio Fernando. É tão difícil me conter quando me apaixono desse jeito. Devoro, não consigo parar. Culpo a dopamina, será que ela também é produzida assim? Eu culpo sem dó, anda tão difícil de desgarrar quanto os outros vícios. Não consigo comer Caio Fernando pelas beiradas.
Espero por um livro. Qualquer um do Caio. Não gosto muito de ler virtualmente, gosto do cheiro do livro, da tinta de impressão, das folhas que amarelam com o tempo. Gosto de levá-lo comigo, como quem leva um segredo. Preciso do livro tangível, mas só o livro, porque o que há por dentro dele é o baú empoeirado.

“Tenho um amor fresco e com gosto de chuva e raios e urgências. Tenho um amor que me veio pronto, assim, água que caiu de repente, nuvem que não passa. Me escorrem desejos pelo rosto, pelo corpo.
Um amor susto. Um amor raio trovão fazendo barulho. Me bagunça. E chove em mim todos os dias.

CAIO FERNANDO ABREU


Amar+nunca+%C3%A9+demais+(17)


Quem quiser devorar um pouco de Caio, Fernando, Oscar, Drummond, Clarice, aconselho este link aqui. Mas não se esqueça de que impresso é muito melhor…

Piadinhas internas

Depois de uma semana de papos muito loucos com as minhas amadas amigas no Brasil, surgiram pensamentos filosóficos altamente elaborados por simples falta de vergonha na cara. São eles:

– Depois de “Jesus, me abana” e “Jesus, me chicoteia”, considero oficialmente lançado o “Jesus, me pendura”. Huhauhauhau não consigo parar de rir ainda. Pérola de Maria Cristina.
– “Quando a vida te dá uma SUPER INTERESSANTE, não dá pra se contentar com uma CAPRICHO.”

Nova York

Cara, eu ando tendo uns sonhos estranhos. Não tão bizarros, mas muito loucos. Outro dia sonhei que estava sendo perseguida por cangurus (meu, eu nunca nem vi um canguru na vida!!). Eram vários, eles queriam me dar porrada.
Essa noite sonhei que estava indo de carro pra Nova York (é, de carro). E que tinha que passar num lugar pra pegar a Xuxa (??????). Ela entrava no meu banco de passageiro e eu  morrendo de medo de alguém descobrir que minha carteira de motorista estava vencida. Fomos até Nova York cantando “e todos dançam pega, estica e puxaaaaa, e viva a festa da Xuxa”. Como se não bastasse, almoçamos sanduíche de atum no carro.

O dia em que ele disse sim

por milena castino

“Fazia tempo que ela falava em códigos e ele fingia não entender. Talvez não quisesse ou apenas não estivesse preparado, mas ainda assim gostava tanto dela que tudo aquilo até parecia fazer algum sentido.
Ela dizia que se davam tão bem, quase nunca brigavam por coisas banais, ela trabalhava, ele também. Por que não?
Ela morava com os pais, ele dividia um apartamento com três amigos. Considerava a vida de pizza fria, video game e cerveja no café da manhã uma prova de virilidade. Mas ele bem que gostava o suficiente dela e talvez até quisesse mudar. (…)”

Continue lendo na Mundo Mundano.
(Já foi postado aqui também)

midiakit