Avisos delicados

Aconteceram duas coisas estranhas comigo entre hoje e ontem:

* Ontem um mosquito me picou a perna. Quando me dei conta, sangrava de uma marquinha em forma de coração! Achei de uma delicadeza espantosa esse mosquito.

* Hoje fui comentar no blog de uma amiga e a verificação de palavra era “atantan”. Me senti quase que delicadamente ofendida.

Olha isso

Genteeee! Alguém me diz que foto é essa que eu quero me RAS-GAAAAAAAR por dentro????

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APAIXONEI. Tô a fim desse Golden.

Recebi por email, não sei de quem é a foto, tem um link nela.

Passion

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“- Amor, vamos morar lá, vai?
Esquece que tem francês, finge que nem é na França!
Faz de conta que é torre de celular!!”

* foto tirada por mim, de cima do Centre Pompidou. Saudades de Paris e do meu francês decadente…

O meu consumo é consciente, e o seu?

Tinha escrito um post enorme e perdi tudo. Melhor pra vocês, porque meus braços e mãos ainda ardem da aula de pole dance, então esse vai ser mais curtinho. Tô participando da blogagem coletiva dessa semana sobre Consumo Consciente. Quem quiser entrar é só acessar este link: http://cybelemeyer.com.br/falandosobre/?p=637.

real.jpg Consumo Consciente

Eu sou ecopentelha desde criancinha, por isso não poderia ficar de fora de um assunto que é tão importante pra mim. Aos oito anos eu fundei um clubinho de reciclagem entre os meus amiguinhos e fazia papel reciclado em casa no liquidificador da minha mãe (que tinha contrações uterinas quando descobria). Eu tinha até um kit, com tela e tudo!
Aos doze acreditei que a Rio 92 fosse mudar o mundo e entrei para o Greenpeace. No mesmo ano fui presidente do grêmio da escola, da chapa CEDE, criada por mim. Chapa Em Defesa Da Ecologia (dããã). Fiz um projeto monstro de reciclagem na escola, arrecadei quilos e quilos e mostrei não só para os alunos, mas para as coordenadoras e diretora, que era fácil mudar um hábito. Instalamos latas de lixo reciclável e eu era responsável por levá-las ao lixão com o tiozinho que dirigia a perua escolar.
Minha vida toda foi assim, quantas vezes já abri o vidro do carro e briguei com gente jogando lixo na rua. E até hoje, óbvio, eu faço muito pra diminuir meu carbon footprint na Terra. E isso é, de verdade, tão importante pra mim quanto estar saudável e feliz. E não há nada mais in hoje do que ser green. Então vamos às dicas.

1. RECICLE. Parece bobo e ultrapassado, né? Mas apenas 2% do lixo Brasileiro é reciclado!!!! Comece separando plástico, metal, vidro e papel. Lembre-se de lavar os recipientes, coisa suja não é reciclável! Veja o que é ou não reciclável no site Ajuda Brasil (clique no nome). Procure uma instituição ou o responsável por reciclagem na sua cidade, contate subprefeitura, secretaria do meio ambiente, lixão e veja como participar. Em São Paulo também há muitos Postos de Entrega Voluntária (aqueles latões coloridos no meio da rua). Junte tudo e leve você. Eu fazia isso não só em casa, como no trabalho também. Passava de departamento em departamento pegando papel reciclável *sem informações confidenciais, óbvio* e levava tudo para o posto de coleta no meu próprio carro. Uma andorinha pode fazer verão, sim. Só é preciso uma pessoa com boa vontade de disposição.
Be green with style:

lixeiras_seletivas_tokstok1Estas duas opções são da Tok & Stok. A segunda, conhecida por “Recicletes”, custa R$ 126 no site.

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Pra quem mora aqui, a primeira é da Argos, eu tenho em casa. Custa £45. A segunda opção é da IKEA e é só £9,99!!

Não se esqueça de ter uma opção para lixo orgânico, separado dos recicláveis, hein!!

2. REUTILIZE. O problema não é você pegar sacolinha plástica no supermercado e levar pra casa. O problema é o que acontece depois disso, quando você as utiliza para lixo e elas vão parar nos aterros. Sacolas plásticas de mercado são muito leves. Elas voam com facilidade e acabam fugindo do controle. Vai dizer que você nunca viu uma no mar? Embalagens plásticas no mar arruinam a vida marinha, matam milhares de animais todos os anos. E assim que o animal morto apodrece, lá está a sacolinha livre, leve e solta à caça de outra vítima.
A estimativa é de que a cada ano o mundo use e descarte 1 trilhão de sacolas plásticas. Vamos mudar isso com classe, né? Nunca, nunca leve embalagens plásticas à praia, nem salgadinho, por favor!!!!! Ou guarde tudo na sua sacolinha de PANO, muito bem guardados para não voarem, e leve de volta pra casa. Não deposite nos lixos da praia: um ventinho e já era.
Aqui na Inglaterra o uso de sacolas reutilizáveis já é extremamente incentivado. Os supermercados só dão as de plástico se você pedir bem alto, na frente de todo mundo e fizer cara de tacho. Além disso, a maioria deles têm programas de reciclagem de sacos plásticos, com latões dentro do mercado.
Eu, desde que cheguei, uso as minhas de pano LU-XO que ganhei quando fiz o desfile do Ronaldo Fraga (qualquer hora tiro fotos e coloco). Uma das minhas preferidas aqui é essa aí embaixo, da Anya Hindmarch. Mas gente, dá até pra fazer se você tiver um pouco dos dotes de corte e costura da sua mãe. Pede pra avó fazer uma de retalho, ela vai amar e vai ficar chiquérrima!! Porque comprar uma é muito OUT. O esquema é reutilizar!

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Quer outras dicas para reutilizar?
* Use a água da máquina de lavar pra lavar o quintal ou a calçada. JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA, use mangueira. A não ser que você queira receber um sermão de meia hora de algum ecopentelho como eu que estiver passando pela rua!! Convenhamos, é o fim da picada né! Vai sujar depois de cinco minutos, anyway!
* Reutilize cascas de comida. Use casca de batata e cenoura para fazer tortas, cascas de frutas para sucos ou bolos. Olha uma receita de bolo de banana com casca aqui ó.
* Reutilize os tupperwears que a vida te dá. Lembra da vovó guardando arroz no pote de margarina Claybon? Certíssima, a vovó! Guarde cereais, grãos e macarrão em vidros grandes de palmito. Faça uma decoupagem neles, pinte com todo o amor e carinho e decore a casa fazendo terapia!

3. REPENSE. Repensar os seus valores pode parecer fácil, mas não é. Tente descobrir o que tem feito de errado e onde pode acertar. Pense em tudo o que poderia fazer para diminuir seu carbon footprint na Terra e fazer deste planeta um lugar melhor. Usa o carro até pra ir à padaria da esquina? Vá de bike! Tire o pó daquela bike da tua garagem e ande mais de bicicleta! É tão bom… Vá a pé, de ônibus, de trem, metrô. Utilize transporte público se ele for te levar ao lugar de destino. Vá de trem, aqui na Europa eu só viajo de trem – é mais barato, óóóótimo pra quem tem medo de avião, é rápido e economiza milhões de emissões de carbono. Ande mais, pedale mais. O mundo e a sua bunda agradecem.
Quer diminuir o desmatamento da Amazônia? Diminua o consumo de CARNE! Sim, sim! A Amzônia tem um tamanho de pastagem que é do tamanho do Reino Unido. Sério! Joga no Google! Diminua o seu consumo de carne e as pastagens terão que ser repensadas. Se todo mundo fizer isso, é como um boicote! Não tô falando pra virar vegetariano, mas tente restringir o consumo para uma vez por semana. Eu como uma vez a cada dois meses e olhe lá…
Repense o tipo de produto que você compra. É importado? Fora de estação? Então coloque de volta na estante. Tudo o que vem de fora envolve um esquema de logística monstruoso e uma imensa emissão de carbono. Ou você acha que o teu vinho francês chega aí nadando? Se você mora no Brasil, compre mais produtos Brasileiros. Se mora em outro lugar, compre mais produtos deste outro lugar (já viram onde eu me meti morando na terra da batata, abóbora e repolho, né!) Mas é assim, eu vejo um mamãozinho no mercado com uma etiquetinha “from Brazil” e digo não, obrigada. É claro que uma hora ou outra não tem problema, mas foque sua atenção no que é nacional e nas frutas e legumes da estação. Porque deu pra sacar que se elas não são da estação é porque vieram de outro lugar, né!

Bom, ficam aí algumas dicas. Seja GREEN. Repense suas atitudes. Eu poderia passar o dia dando dicas pra todo mundo, mas o post já está longo demais… e eu achei que seria curto! Mas é isso, gente! Quem tiver dúvidas, pode me perguntar!

Primeira aula

A primeira aula geralmente é assim, você chega sozinho, acuado e se pergunta mil vezes que diabos está fazendo naquele lugar, naquela hora. Eu digo “geralmente” porque vira e mexe aparece um desses que nasceram pra ser bispo de igreja ou comentarista de futebol: falam pelos cotovelos e não dão a mínima pro ditado “a primeira impressão é a que fica”. E toda primeira aula tem um desses.
Há quem sempre ache a primeira aula estranha, como eu. Sempre desconfortável, mas com um gostinho de quero mais. Afinal, ninguém aqui é mais criança pra ir à aula que não goste. E o melhor (ou pior) de tudo: você sempre volta pra casa com algum resquício.
Na faculdade já te tacam um trote e você volta com menos cabelo. Na aula de inglês, um livro pra ler logo de cara. Aula de piano e todas aquelas notas que você nunca viu na vida.
Minhas primeiras aulas sempre foram assim. Na minha primeira aula de armênio colocaram um livro na minha frente com uns desenhinhos que juraram ser o alfabeto. No vôlei me fizeram correr vinte minutos sem parar e nem era hora do recreio. A aula de capoeira me deu ânsia de vômito e me fez andar que nem pato por quatro dias.
Hoje foi mais uma delas. Aula de pole dance. Tipo Alzira, manja? Imagina eu e todos os meus quilinhos rodando no pole. Eu disse pro marido que ia aprender pole dancing e mais uns extras, vocês precisavam ver a cara dele de choque.
A professora era uma mulher-macho de moicano, micro shorts, pernas roxas e a virilha peluda. Eu entrei na sala e tinham quatro poles. Foram entrando umas menininhas-celebridades, cada uma mais magra-alta-loira que a outra. E eu lá, me perguntando onde amarrei meu burro.
Disse pra professora que nunca tinha feito isso na vida, que era menina de família e tal. Ela disse pra eu não me preocupar e perguntou se eu ficava roxa fácil. Por um segundo achei que tinha errado de aula e tinha entrado na de boxe… ficar roxa, minha filha? Não fico assim tão fácil, não, mas por que a pergunta?
Alonga daqui, alonga de lá, vira ombrinho pra um lado, pro outro e junte a aluna nova à professora de shortinho. Ok, primeiro passo: pare do lado do pole e solte seu peso pra um lado. Ok, feito. Agora anda daqui, anda de lá, levanta o pézinho esquerdo, joga a perna direita, senta no ar, vira, põe a mão esquerda embaixo da direita e mantém a postura. Ok, feito. Agora faz tudo isso e joga um joelho no pole, o outro, cruza e pula. Como é que é? Ela fazia as coisas e meu cérebro não absorvia, era muita informação.
Depois de alguns minutos treinando, e eu já mais tonta que barata com Detefon, consegui pegar o esquema. Brilliant, disse ela. Foi uma longa hora assim. Enquanto as menininhas já se penduravam de cabeça pra baixo eu mal conseguia levantar meu joelho e sustentar meu peso com as duas mãos na vertical, quem dirá ainda dar uma de “sexy”. Fazer carão com a mão ardendo não dava. Quem disse que a mão roda? Roda nada. Ela fica lá lutando contra a fricção e torcendo pra você ser a mulher-borracha. Dói que só. Fora que você segura o pole com a mão direita, por exemplo, na hora de pular tem que por a esquerda embaixo… e minhas unhas esquerdas picotavam meu braço direito. Tô toda arranhada.
Depois de cinco minutos de aula entendi o por quê dos roxos. Minhas mãos ardiam, meus braços e ombros queimavam e a gente dá joelhada no mastro. As menininhas são todas roxas, todo mundo vermelho na perna e no braço por causa do atrito.
Enfim, a tortura durou 1 hora. Foi divertido, mas nem tanto. Quem pensa que Alzira era leve como pluma está muito enganado. Deve ter sofrido pra aprender isso, é muito puxado.
Agora pense, eu cheguei em casa toda-gata: arranhada, com a perna roxa, os braços e mãos ardendo (querendo fazer calo) e os músculos tão doloridos que mal consigo levantar um copo. Qual a graça de se enfiar numa aula teoricamente sexy (mas que ninguém vê), e depois sair na rua e mostrar apenas os hematomas e calos pra galera? Vá pelo menos ganhar dinheiro com isso, amiga, porque dói pra cacete.
Se eu tivesse uns 10 quilos a menos, talvez fosse mais fácil. É bacana, mas acho que essa vai ser uma das que não passam da primeira aula. Já disse pro marido, esquece o pole dancing e a gente fica só com os extras. Hahaha.

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Dia de homenzinho

Domingo foi assim. Fui para a academia, fiquei lá 2 horas. Voltei, fiz almoço e me sentei no sofá com o marido para assistir Fórmula 1 inteirinha e babar na pista de Sevilla.
Depois da vitória do Rubinho fomos consertar as bicicletas. O negócio é o seguinte, eu tinha uma bike novinha, linda, suspensão dupla, 18 marchas, vermelhinha. Apesar de ser um pouco maior que eu (porque a anta aqui tava de salto quando foi comprar), dava pra andar numa boa e parar na pontinha dos dedos (hahaha). Um dia resolvi trancar a amada no jardim, ao invés de deixá-la quietinha no hall do flat.
Alguns dias depois fui visitá-la e descobri só a carcaça. Tentaram roubá-la e quebraram o cadeado, ninguém entrava ou saía dele. Como não conseguiram tirar a bonita toda de lá, levaram a roda de trás com pneu e tudo. Deixaram ela lá, a Deus dará. Ainda roubaram a lanterna, a buzina e o banco de gel (que com certeza teria que ser cortado, porque eu dei nó de dar inveja a marinheiro). A do David já tinham roubado inteira antes da minha.
Fiquei tão triste. Afinal, o nosso carrinho velho tá sempre dando problema e eu não me importo de pedalar. Sou feliz pedalando, pedalo sorrindo (menos na subida).
Então descobri essas bikes por 10 libras cada uma, na internet.  Compramos essas duas que estavam um bagaço, um lixo. Os freios não funcionavam e quando virei a minha de ponta-cabeça, a ferrugem tava comendo tudo por baixo da tinta. Resolvemos experimentar a carcaça da minha com a roda da outra, que era do meu tamanho (a bike é pra criança de 14 anos! hahaha). E além disso aproveitamos partes da minha ferro-velho pra bike do marido.
Nessa de desmontar e reconstruir, estou com todo o meu tamanho aqui sentada no chão, de perna aberta, com pilhas de chaves de fenda, alicates, parafusos, porcas e muita – mas muita graxa nas mãos. De dar muito orgulho ao vovô, afinal, neta de Seu Pinno não tem medo de graxa!
Foram 2 horas e meia de estica e puxa, de arranca daqui, arranca de lá, solta o cabo, tira o freio. E eu toda empolgada querendo tirar tudo que era parte do lugar. A portuguesa vizinha veio até me elogiar (agradeci coçando o saco hahaha)!
Pior era falar pro David “babe, give me the… the… the… alicate!”; “whaaat?”, “babe, chave de fenda”…  Eu vou lá saber o nome dessas coisas em inglês! “Babe, do you want me to save this porca?” Essa ele virou e disse “Yeah save me yourself, porquinha!!” Hahahaha. Enfim, depois de duas horas e meia os transplantes tinham sido concluídos. Minha bike vermelhinha havia ressuscitado. Como estava lá no relento há muito tempo, o pneu estava murcho. Fomos até o posto encher. E eu com um tiquinho de dúvida de que estava furado, mas tava tão feliz de ter minha bike de volta que nem queria pensar. E óbvio que estava, não encheu nada. Eu fiquei arrasada.
Pra completar o dia de homenzinho, compramos Brahma (salve Ambev!!) e voltamos pra casa. Quando me dei conta estava no sofá de novo, à noite, bebendo cerveja da garrafa e assistindo a “Police Patrol”, um programa de polícia-pega-ladrão. Fui direto pro banheiro passar um rímel! Hahaha!

 

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SUNday

Domingão, nove e meia da manhã e eu já tô acordada há 1 hora. Time for working out, baby! O dia aqui tá tão lindo e eu ainda não decidi se vou na academia antes porque tenho MUUUUITO o que pedalar hoje. Aliás, compramos umas bikes usadas (roubaram as nossas novinhas, lindas, do jardim). A gente pagou 20 libras as duas, então dá pra entender que elas não estão lá no melhor estado! O marido ficou de ajustar os freios e ver se a carcaça da minha que sobrou no jardim serve pra essa nova. E eu tô MUITO FELIZ de poder pedalar de novo, eu adoro – minhas coxas e bunda também adoram, as celulites detestam e eu adoro mais ainda! E aqui, com o carro na oficina, a gente acaba andando muito a pé ou de bike mesmo.
Ontem fomos fazer compras de mercado no centro da cidade e há semanas que temos andado todo o caminho de ida e volta, carregados de sacolas nos ombros (de pano, hein, galera!! REUTILIZE). E ontem, amarrá-las à bike foi divino (apesar de eu ter perdido o equilíbrio por causa do peso vááááárias vezes). Mas pedalei feliz, sentindo meu carbon footprint (que já não é muito) reduzidérrimo.

Tem algumas coisas me revoltando essa semana:
1 – Não ter ido (de novo) ao V-Festival (tava louca pra ir, teve Fatboy Slim, Paolo Nutini e mais um monte de gente bacana).
2 – A “compassionate leave” escocesa pelo cara que explodiu o avião da Pan Am nos anos 80.
3 – O fogo descontrolado na Grécia.

Bom, número 1 nem precisa de muita explicação, então vamos ao número 2. Essa semana tá o maior bafafá aqui porque a Escócia decidiu soltar o prisioneiro terrorista que explodiu um avião da Pan Am (na própria Escócia), na década de 80, matando 270 pessoas. Na verdade o cara tá com câncer terminal. Até aí tudo bem, eu fui super a favor da “compassionate leave” do Ronald Biggs, que estava morrendo num hospital-prisão. Agora ele está em casa, com a família… Mas Biggs só roubou um trem! Esse terrorista não teve compaixão com a vida e as famílias de 270 pessoas, acho o FIM DA PICADA ter compaixão com um cara desses. A Escócia inteira está revoltada, a Inglaterra, os Estados Unidos… menos o governo escocês, que diz que compassionate leave faz parte do sistema penal. Peralá, né, camarada! Tem que ter critério!!!
Número 3. Não me conformo com arsenistas (nem sei se essa palavra existe em português, sorry!). São  os caras que colocam fogo deliberadamente em mata seca. Pra mim isso é o esgoto da raça humana. Gente completamente sem instrução, educação, alma e qualquer bondade. Qual é a graça de destruir dezenas e dezenas de hectares de ECOSSISTEMA? O que leva uma criatura a colocar cidades inteiras em risco, obrigar pessoas a deixarem suas próprias casas à mercê do fogo, matar fauna e flora? Meu Deus, isso me revolta tanto!! O fogo encanta? Vai fazer uma fogueirinha, estrupício, queima tuas roupas!! Ai que ódio, que ardam todos no mármore do inferno!

Uf, uf, uf. Vou fazer uma prática de Ashtanga e curtir o dia de sol porque aqui é assim. Faz sol, pára tudoooo! É só 1 dia! Só Deus sabe quando ele volta! Bora produzir vitamina D??
Fica aqui o convite e a motivação pra quem acordar cedo neste domingo!!! Vá caminhar no parque, curtir uma aula de spinning, andar de bicicleta, dar uma volta com o cachorro no quarteirão!! I see you baby, shaking that ass!!!!

EXERCISE

A crise dos 29

É impressionante o quanto a vida de uma menina muda quando ela chega perto dos 30 anos. Eu ainda acho que as mulheres entram mais em crise quando completam 29 anos do que 30. Porque é aí que começa toda a preparação, o pânico, o medo e a ficha que cai dos longos – e nem por isso tão bem vividos – 30 anos.
Quando eu fiz 29, em Maio deste ano, foi um choque. Eu juro que me olhei no espelho e vi meu corpo diferente, umas marquinhas de expressão que não existiam no dia anterior, um peitinho mais murcho e um único fantasma: o pé nos 30.
Minha mãe sempre dizia que a gente completava os anos, então, quando se faz 15 na verdade completou-se 15 anos e já se entrou na casa dos 16. E é aí que mora o perigo dos 29. O pézinho lá na “mulher de 30 anos” de Balzac.
A maioria das meninas (ou mulheres?) que eu conheço têm a mesma idade que eu: 29. Então vejo tudo mudando pra todo mundo. É um tal de fazer listas, planos, “coisas que não quero quando chegar aos 30”, “a pessoa que não quero mais ser”, “30 coisas pra fazer antes dos 30”. Uma infinidade de planos e projetos. É como se alguém apertasse o botão de emergência da vida, parasse o trem, colocasse um espelho na tua frente e dissesse “e agora, colega, como é que vai ser daqui pra frente?”
Eu tenho um milhão de planos para serem concluídos antes de Maio do ano que vem, e do jeito que está, não sei não se vão ser tão bem sucedidos. Afinal, o tempo corre como a água da torneira. E desde meus 19 parece que alguém abriu a torneira por demais!
Outro dia saí pra andar no parque com minha amiga de 19 anos. E me vi dando instruções sobre a vida, aquela ladainha que a gente escutava quando não tinha maturidade suficiente pra absorver. Aproveita muito essa fase, essa é a melhor fase da sua vida, você vai pra Universidade, será inesquecível, larga o namorado, é melhor solteira… tudo o que eu escutava daquele bando de gente “velha” que achava que a vida era melhor aos 19. Realmente, eu não tenho o que falar dos meus 19, 20, 21, 22, 23, 24…, foram literalmente os melhores anos da minha vida! Mas a minha vida não parou ali! Aqueles não foram solitariamente os melhores anos da minha vida! Olha pra gente agora! Tanta coisa aconteceu desde os vinte e poucos, tanta maturidade, tanta disposição pra vida! E eu digo a mim mesma, aproveita essa fase, amiga. Porque essa também pode ser a melhor da sua vida.
Hoje eu tenho 29. Me formei em Publicidade e Propaganda, trabalhei de graça em agência, caí no mundo da moda, virei coordenadora de Marketing de Moda, Assessoria de Imprensa, Coordenadora de Projetos, trabalhei em Paris, casei há dois anos com um gringo, arrumei uma trouxinha e me mudei pro outro lado do mundo. Acho que até fiz bastante coisa pra ter quase 30, mas nunca parecem suficientes. Já mergulhei, já pulei de skycoaster, já experimentei um monte de coisa, já beijei um monte de bocas, já aprendi milhares de diferentes tópicos, já construi, destrui e reconstrui amizades,  já amei sem ser correspondida, já conheci gente imprescindível, já passei carnaval em Salvador, já estive em muitos lugares, já encontrei o amor da minha vida. E ainda falta um monte de coisa. Falta correr uma maratona, voar de balão, meditar na Tailândia, emagrecer, morar na praia, fazer um filho. E aposto que você também já fez muita coisa e ainda tem um monte esperando num pedaço de papel guardado numa gaveta qualquer.
Mas pra que colocar planos tão importantes em uma lista com dia e hora pra acabar? Eu acho que é super saudável planejar e tentar alcançar os nossos sonhos, a tão varrida liberdade, o amor pra toda vida. Mas acho que sonhos são artigos de uma vida toda. Não quero realizar tudo aos 30. Quero guardar um pouco para os 40, os 50, os 80. Quero fazer a Route 66 numa Harley Davidson quando tiver 79 anos.
Nunca me esqueço de uma amiga muito querida que venceu um câncer linfático aos 28 anos. Eu tinha cerca de 21 quando a conheci e ela tinha acabado de ganhar a batalha. Ainda ostentava o cabelo curto com muito orgulho e ainda é, hoje, uma das pessoas mais alegres que conheci na minha vida. E um dia ela me disse algo que nunca mais deixou de martelar minha cabeça “Eu não faço mais planos para nada… eu tinha tantos planos… e de uma hora para outra eles  viraram fumaça, pois havia apenas 50% de chance de eu ter um amanhã”. Ela tinha entendido o essencial da vida de uma forma muito dura. Viver o presente, o hoje, o agora. Planejar sim, mas depender a sua vida do planejamento, não. Há de existir sempre um plano B, uma alternativa, uma saída. Pra tudo nessa vida.
Por isso, amigas quase Balzaquianas, experimentemos viver os 29 como apenas 29. Façam planos, listas, mas não se esqueçam de viver os 29. Os 39, os 49. Esqueçamos os 30 e as dezenas inteiras por um tempo. Os 29 são agora, faça o que quiser fazer hoje porque o amanhã simplesmente não existe, é tudo um recomeço. Mas a torneirinha continua jorrando….

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“Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça…”
Mário Quintana