Descabimento perfeito

Depois de uma briguinha descabida e um monte de palavras puramente hormonais, nada melhor do que terminar a noite dormindo de conchinha.
E ainda acordar com  uma mensagem no celular “i´m so lucky to have you in my life, i love you so much”. É um descabimento tão descabido que chega a ser perfeito.

E pra quem tem cobertor de orelha, experimente um pouco de Paolo Nutini. É viciante.

“Para sempre é muito tempo”

A maioria de vocês conhece minha paixão por Vinicius, Pessoa, Drummond, Machado e Clarice. Hoje coloco outro nome neste círculo: Mário Quintana.
Deixo algumas frases sensacionais deste velho poeta brasileiro, gaúcho, cheio de simplicidade, ironia e genialidade.

“A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe.”

“A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.”

“Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta.”

“Sonhar é acordar-se para dentro.”

“Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente … e não a gente a ele!”

“A maior dor do vento é não ser colorido.”

“Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça…”

“Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer.”

É incrível como um instante único, uma pequena leitura e alguma junção de palavras podem mudar completamente um dia. Uma visão nova, um mundo novo. Palavras velhas para um novo dia. Poetas velhos para uma nova vida.

Em tempos de crise…

Todo mundo sabe que a Inglaterra está passando por uma crise brava desde o ano passado. Muita coisa mudou por aqui. O índice de desemprego atualmente é monstruoso, a inflação continua e tudo parece ainda não ter voltado ao normal.
Em uma fase como essa, Brasileiro sempre tem que dar o seu “jeitinho”. Afinal, quem melhor do que a gente para ensinar esse bando de “desenvolvido” como enfrentar uma crise?
Desde que eu saí do Hotel a situação em casa não tem sido lá muito fácil. E eu percebi que aos poucos estou me tornando uma vegetariana quase que por determinação financeira. Carne aqui é cara, como em qualquer outro lugar do mundo. Algumas coisas podem ser baratas, mas considere um país onde a beringela, umazinha só, custa uma libra. Não dá pra sair gastando as douradinhas assim do nada.
Então eu tenho encontrado alternativas entre proteína vegetal e a famosa combinação de aminoácidos: arroz e feijão. Ou arroz e ervilha, ou arroz e lentilha. Sementes e oleaginosas também. Minha despensa agora tem broto de alfafa, quinua, grãos, cereais, soja e sementes. E no freezer apenas uns fishcakes para o marido, um filé ou outro de peixe, e o que a gente encontrar de razoavelmente barato. Filé de peru por exemplo. Mais barato que frango.
Ultimamente minhas visitas ao supermercado se concentram na sessão “reduced”. E não, não me sinto pobre por isso não. Afinal de contas, o que está em liquidação é o que teoricamente irá vencer no dia ou no dia seguinte. Se eu puder cozinhá-lo até o dia seguinte, ótimo. Ou congelo e pago mais do que 70% a menos.
Aqui na Inglaterra tem uma coisa muito engraçada que é a data de validade em frutas e legumes. Ora, desde que me conheço por gente uma fruta só estraga quando estraga. Não tem data pra expirar. E ainda se ficar ruinzinha de um lado, a gente corta fora e come o outro lado. Nunca na minha vida vi data de validade em maçã, banana, uva. Por isso tenho economizado muito com frutas essas semanas. Compro as da sessão “reduced”, que aparentemente estão perfeitas, e consumo até elas me contarem quando não prestam mais. Por exemplo, outro dia comprei uma caixa de uvas reduzida de duas libras pra cinquenta centavos. Porque a data dizia que venceria naquele dia. Os cachos duraram mais de uma semana na minha geladeira, por cinquenta centavos! E nessa onda tenho consumido muito mais frutas!
E também tenho dado mais atenção aos produtos de estação, o que diminui o meu “carbon footprint”, ou seja, a minha participação na poluição do mundo, já que o que não é da estação é importado e vem pra cá através de avião ou navio.
Todos os supermercados tem uma linha mais barata pra tudo, inclusive carnes, peixes e frango. Mas eu sou ecochata demais. Se tiver que comprar ovos de frangos que vivem engaiolados, eu prefiro não comprar. Se for pra comprar carne desses frangos, cheios de hormônio e sem espaço nem pra abrirem as asinhas, não compro. Dou preferência ao que é orgânico ou ecologicamente correto. Por isso prefiro usar as alternativas vegetais no momento.
Eu não conseguiria ser vegetariana pra sempre, porque amo um peixe e -principalmente – um bom churrasco. Mas carnes não são as únicas fontes de proteína.
Outra coisa que a gente fez foi cortar o telefone de casa e pegar um celular em pós pago, só um deles. A gente usa os meus minutos inclusos para ligar pra quem quer que seja no Reino Unido e não paga mais a assinatura e o monte de abobrinha que vem com uma conta da BT (que quis me cobrar 500 libras da última vez). O David continua com o pré pago e não gasta quase nada, já que usa o meu pra telefonar e eu ligo do meu pra ele sempre, porque é de graça. Internet agora só com o dongle, que é no esquema TopUp (se bem que ainda acho que vale a pena o pacote básico da Sky – se não usar o telefone!)
Também comprei um chip (sim card) na 99p Shop por – óbvio, 99 centavos – da TalkTalk. Acho que chama TalkTalk World, é um plano que dá ligações mais baratas internacionais, eu não tenho gastado quase nada com ligações pro Brasil! Faz um mês que eu tenho e ainda tô no crédito de 10 pounds, ligando pra minha mãe todos os dias!! É absurdamente barato.
Bom, ficam aí as dicas pra quem está morando na Europa e enfrentando essa crise, que dizem melhorar no ano que vem. Aí a gente comemora com um filé mignon!

Muita gente me fala “ah, eu tirei o passaporte italiano, tô pensando em ir pra Europa passar um tempo”. Gente, se não tiver que vir, não venha. Pelo menos por enquanto. A situação aqui não tá nem um pouco mais fácil do que no Brasil, conheço gente em vários países europeus que não encontram emprego há meses. Se não falar a língua fluentemente então, fique onde está. Não há vagas. Os poloneses pegaram todas as vagas em que não é preciso o uso do idioma, então, don´t bother. Tirem da cabeça essa idéia de vir pra Europa fazer dinheiro porque as coisas não são bem por aí. O custo de vida aqui é alto, e você provavelmente não vai conseguir juntar muita grana se vier para um sub-emprego. Sabe aquela estória do “melhor um passarinho na mão do que dois voando”? Fiquem no Brasil, pelo menos por enquanto. Conselho de amiga.

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Amiga, joga fora o blush rosa!

Antes que eu receba uma chuva de comentários mal educados, que fique bem claro que eu não tenho nada contra a Sandy. Muito pelo contrário, já cheguei a comprar um cd quando eu era mais nova e adorava o programa Sandy & Junior, que lançou Paulinho Vilhena, Fernanda Paes Leme, Juliana Knust, Grazi Schmitt e mais um monte de gente.
Mas, cara, será que ela se olha no espelho e não se cansa???  Porque eu me canso. Toda vez que vejo uma foto da mocinha na internet ela tá sempre com a mesma cara, o mesmo blush!!!! E por aí vai, o mesmo corte de cabelo, a cor que só muda o tom, a mesma maquiagem, as mesmas roupas. Às vezes eu tenho vontade de puxá-la do computador, dar uma chacoalhada e dizer “vem cá, amiga, vamos fazer uma makeover”.
A Sandy é a perfeita menininha sem atitude. Cresceu e continuou sem graça, sem sal. Não que ela seja vazia, afinal não a conheço, mas ela é do tipo de mulher que cansa. Cansa a beleza. Linda, e sem graça.
Cantou Maria-Chiquinha, cresceu sob os holofotes e o monstro da virgindade, se separou do irmão em busca de uma suposta carreira solo, agora casou. Vira mulher, Sandy, por favor – chega dessa menininha de bochechas rosadas!!! Não precisa ser uma Pink, mas um pouquinho mais de atitude não faz mal à ninguém.
Dá vontade de comprar um gift card no Toni & Guy, um babyliss, umas roupinhas mais descoladas e – principalmente – um blush marrom.
Esta é a foto mais recente dela, diz se não é igualzinha àquela de dez anos atrás?

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Queridos, seguinte. Primeiro, se for pra ser mal educado nem perca seu tempo em escrever um comentário porque ele terá que ser aprovado por mim antes de ser publicado. E se eu julgar ofensivo ou mal educado eu é que não vou perder meu tempo aceitando, ou seja, ninguém vai ler o que você comentou. De qualquer forma se a sua opinião for diferente da minha, mas o comentário for razoável, será aprovado como aprovei outros. Mas não venha através de motores de busca, jogando “Sandy” no google e caindo aqui de paraquedas com um monte de pedra na mão porque esse blog não é sobre a Sandy. E eu me dou o total direito de expressar todas as minhas opiniões aqui, afinal de conta esse barraco é meu. Se quiser babar o ovo de seja lá quem for, monte um blog pra você: é facinho, facinho. E pense antes de comentar, tá! Beijinhos!

Fala sério se eu não mereço um prêmio!

Acordei e tomei um Activia Low Fat de morango, tentando ignorar as coisas obcenas que o leite e o achocolatado me diziam…
Há umas duas horas comi um bowl de melão, blueberries e damascos frescos, sem me sucumbir à torradeira que gritava escandalosamente por uma fatia de pão.
E agora faço meu devido almoço, com broto de alfafa. Broto de que??? Alfafa, tipo comida de cavalo, saca? Super rico em proteína!
Quero ver quantas horas isso tudo vai durar, de TPM e com um pote de clotted cream e uma barra gigante de chocolate suíço na geladeira… Eles anseiam para a minha famosa sobremesa, que dizem ter gosto de (cof-cof) nutella.. Ai. Ai.

Estória de meninos e meninas

Lembra do tempo em que você era menina e menino era chato, bobo e sem graça? Lembra do teu irmão, ou aquele primo mais velho, ou o vizinho mala que puxava teu cabelo, te imitava falando, conseguia tudo o que queria sem o menor charme?
Meninas eram meninas e brincavam com coisas cor de rosa de menina. Tudo bem que às vezes aparecia um menino meio esquisitinho no meio pra brincar de Barbie, mas para mim eles eram assexuados. Como anjos pink que não querem brincar de carrinho.
Menina brincava de boneca, de escolinha, de ursinho de pelúcia. Menino brincava de bola, de figurinha de monstro japonês e tinha uma coleção de carrinhos bestas e playmobils que eram todos iguais. Bonecas eram diferentes, cada uma tinha um rostinho, um olhinho que abria e fechava, uma boca pra colocar chupetae um milhão de roupinhas.  Brinquedos de menina eram mais divertidos. Fantasias de meninas tinham varinha de condão, coroa e tule rosa. Tinha príncipe encantado e cavalo branco. Tinha castelo, princesa, bruxa. Menino só tinha motor.
(Engraçado como agora me parece que homens continuam só tendo motores e mulheres continuam vivendo num universo paralelo ainda inatingível).
Mas aí vem o dia em que a menina vira adolescente, ganha umas curvas e desperta uns olhares afoitos. Experimenta o poder de seduzir. E menino desenvolve uns pelos esquisitos, uma voz meio estranha e um monte de espinha. Ganha o poder sobre a hora do banho. E sem querer querendo aquele bobalhão espinhudo enche teu estômago de borboleta, de uma hora pra outra. Mesmo que ele prefira jogar futebol e ainda te considere uma pentelha, ele simplesmente fica quase lindo. E quase interessante.
Um dia você se apaixona por um monte de menino. Aquele que é doze anos mais velho que você é o mais meninão de todos. Um dia você resolve morar com um menino! Morar com menino?? Quem inventou essa idéia?
O menino que mora na tua casa joga videogame a semana toda, morre de rir assistindo “Os Simpsons”, coleciona algumas toalhas molhadas na cama e te pede uma cerveja gelada. E a menina pink em você quer mandar ele catar coquinho, chamar ele de bobo, feio, mosquito amarelo!! Mas não. Se ele te pega daquele jeito, dá aquele beijo de tirar o fôlego e diz coisas que só você entende no seu ouvido, volta toda o universo paralelo do príncipe encantado.
E um dia a gente cresce e percebe que o universo paralelo é paralelo até demais de tão inatingível, e príncipe encantado é objeto único e exclusivo de contos de fada. E que o cara que mora com você não passa de um menino de carne e osso, com todos os defeitos daquele seu vizinho mala. Mas é um menino lindo. E tem uma pegada como ninguém, um beijo de outro mundo e diz coisas no seu ouvido que você adora… Dane-se o príncipe encantado. De cavalo branco, lindo e forte daquele jeito, com beijo encantado e bem-vestido, certeza que era gay.

Eu tive uma fase de cartomante

Cartomante, cigana que lê mão, benzedeira que desce o santo, tarot, búzios, borra de café e testes da Capricho. Devia ter lá meus quase vinte anos, uma Universidade e um futuro incerto, casos mal resolvidos, paixões platônicas e nenhum relacionamento sério. Ninguém queria nada comigo que durasse um pouco mais que um feriado.
E eu era legal, bonita, inteligente, divertida. Cursava Publicidade numa das faculdades mais bacanas de São Paulo, tinha amigos interessantíssimos e professores deslumbrantes. Eu amava micareta, cerveja, teatro, cinema nacional, propaganda velha, tardes de sol, aulas de fotografia, jogos universitários, os puffs do Centro Acadêmico e mais um monte de carinhas de engenharia, administração e cinema. Mas era aí que morava o perigo.
O meu radar não falhava nunca e ele era especificamente programado para se apaixonar platonicamente por todos os seres masculinos mais bonitos. Os mais gatos. Os mais cobiçados. Os olhos azuis. Os que viviam ao redor de mulheres espalhafatosas e perfeitamente desenhadas.
E era aí que eu perdia. Porque não confiava tanto assim no meu taco. Não tinha malícia, apesar de muito hormônio. Não tinha muito sal, apesar de ter vários outros temperos. E os que se interessavam por mim geralmente eram baixinhos, esquisitinhos, cult demais ou japoneses. E eu peguei um pavor de japonês que se atraía pelo oposto dos meus cachos loiros.
Um dia resolvi pagar alguém pra me dizer o que ia acontecer comigo. E digo que alguns deram certo, outros passaram bem longe. A cigana da mão foi em Águas de Lindóia, onde eu tinha o caso mal resolvido que não passava do feriado. Olhou pra mim, adolescente, e disse que eu procurava um grande amor, que gostava de um cara que não gostava de mim, mas que ainda apareceria um príncipe encantado. Ah vá. Qual adolescente não passa por isso? Adolescente que namora não vai ler a mão, só as encalhadas mesmo! Easy peasy.
Algumas outras cartomantes foram meio a meio. Teve uma que disse que eu casaria com o meu terapeuta, o que me gerou uma crise existencial muito grande porque minha terapeuta era mulher. Uma outra disse que eu casaria com um estrangeiro, seis anos mais velho, bem alto, cabelos castanhos, olhos verdes… pense no meu marido??? Mas na época eu não conhecia meu marido e conhecia sim um italiano muito gato, com todos esses quesitos, que hoje em dia se casou com uma cantora baiana. E eu tinha certeza de que era ele. Muita confusão quando se tem outro com as mesmas características já presentes. Mas não posso tirar os créditos dessa última, que não posso dar o endereço porque passou dessa para melhor.
A melhor de todas, no sentido mais sarcástico, foi uma indicação de uma amiga. Lá na conchinchina de São Paulo, nem sei mais chegar lá. Cobrou me cinquenta reais a charlatã. Subi no seu apartamento, me levou pra uma salinha com incenso, abriu umas cartas na mesa e começou:
– Você está em busca de um grande amor…
– Mmmm… (aprendi a falar muito menos porque essas pilantras tem ginga psicológica)
– Hoje em dia você gosta de um menino que você acha que não te dá muita bola, mas ele gosta de você. As cartas me dizem.
– Mmmm…
– Eu vejo que você tem um irmão.
– Não.
– Uma irmã?
– Mmmm…
– Mais velha.
– Não.
– Mais nova?
Ah colega, assim até o teste da Capricho acertava! Resolvi parar com essa palhaçada e começar a terapia. Aprendi a falar com os caras, a deixar bilhete no parabrisa, a tomar não, a tomar sim e continuei tomando cerveja e deixando a vida me levar do jeito que devia ser. Ninguém sabe do futuro. E, pra falar verdade, é muito mais interessante assim.

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Ai que saudade!

Como eu tô num dia de saudade extrema do meu filhote, vou postar umas fotinhos pra vocês verem como ele é o poodle mais lindo do mundo!!!! Tá bom, um deles (o maaaaais, abaaafa)!!!!
Meu velhotinho tá com 12 anos e meio, e sim, ainda tem cara de filhote! Te amo tanto meu bebê, meus olhinhos de jabuticaba! Que saudades desse calorzinho de criatura deitado na minha barriga!!
Vocês precisam ver como ele corre pro computador quando eu chamo minha mãe no skype!!

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