13 years later

E eu tô tendo uma síncope de felicidade, espasmos na bochecha de tanto sorrir, já saíram algumas lágrimas dos cantinhos dos olhos!! Muita emoção pra uma menina que cresceu viciada, perdeu anos em função disso, esperou mais treze por outro desses!!!!!!!!!

EU CONSEGUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!! Pelo Ebay, mas consegui!!!!!!!!!! EU VOU ASSISTIR O BON JOVI TOCAR EM TWICKENHAM SÁBADO QUE VEM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Quem me conhece sabe que isso significa MUITO pra mim!!! Não faço mais parte do fã clube, mas a paixão dos onze anos de idade ainda continua!!!!!!!!!!

Pés no chão

Ontem, logo depois de ter escrito o post passado, fui miar a minha dieta sem glútem e leite. Fiz café com leite, com nescafé mesmo, e pão (de forma) com margarina. Deu pra quebrar o galho… sofri com a crise de intolerância à lactose depois, mas valeu a pena… hoje vi umas vaquinhas, que saudades que eu tenho delas todos os dias, que vontade de tomar meu leite!!!!

Bom, acho que estou me adaptando de verdade. Acho que a ficha tá começando a cair. Digo isso porque finalmente resolvi fazer minha inscrição no National Insurance Number (é tipo um cpf aqui, sem ele não dá pra trabalhar) e minha inscrição no médico (aqui a gente tem que ter tipo um “médico de família”, é de graça, mas se o cara não for bom, tem que caçar com gato mesmo). Isso me abriu os olhos e me fez perceber que agora tô aceitando a vida desse lado, tomando decisões mais burocráticas e civis, me fixando definitivamente nesse país.

Quanto ao coador de pano, vou comprar do site de produtos brasileiros mesmo. Nem acredito!! Obrigada pelas ofertas meninas!!!!!

E aguardem e cruzem os dedos! Se Deus quiser, semana que vem tenho novidades – quentes – por aqui!!

PS: Cris Gregory!!! Que bom ter você aqui de novo!!! Olha que louco, hoje pensei em você!! Tive que fazer entrevista pro NI lá em High Wycombe, e passei pela fofa da Twyford!!! Como é linda, né!!!! Fui de ônibus, naquele pinga-pinga… uma hora e meia pra ir de Reading pra Wycombe… ninguém merece né!!!!!! Apareça mais!!!!!! Vou comprar uns esmaltes Risqué também!!!! Esses cintilantes daqui me dão enjôo!
Beijos

Retorno

Engraçado como a saudade mexe com a gente… Ultimamente eu tenho voltado muito para os anos oitenta, começo dos noventa…

Tipo hoje, tempinho besta aqui desse lado do mar. Vento, nuvens, dia cinza e com cara de pijama. Queria muuuuuuuito sentar na mesa da cozinha que abria quando tinha mais gente. Pegar uma xícara marrom de vidro do armário que eu mal alcançava, um pratinho e uma colher. Pegar a lata de manteiga Aviação que ficava escondida e sentir o cheiro dela ao abrir a tampa, quase enferrujada. Apertar a garrafa térmica vermelha e espirrar aquele jato quente de café de coador de pano, nenhum outro no mundo é igual. Pegar o leite integral fervido da panela, porque leite de saquinho tinha que ferver. Comer pão quentinho da padaria com a manteiga escorrendo, tomar café com leite e açúcar na xícara marrom e, obviamente, molhar o pão no café com leite… Ai como eu queria estar na casa da minha avó…

 

PS: Se alguém um dia quiser me mandar um coador de café de pano, eu juro que faço um busto de argila e ponho no meio da praça de Reading!!!

Saudade de casa

Ai, pronto… bateu outro ataque de novo. Acordei, o David já tinha saído há muito tempo…. e eu cá com os meus botõezinhos e toda essa amargura dentro do peito. Não tem como segurar as lágrimas. Eu acho que na verdade só que tá fora e quem passou por isso entende o que eu tô sentindo… Faz quatro meses que saí do Brasil, só quatro meses…. mas eu já disse, começar a vida do zero em outro país não é fácil.
Minha mãe foi viajar esse fim de semana e eu não consegui falar com ela desde sexta, e acho que isso aumentou a saudade no meu peito. Além disso, tô de TPM.
Não vou dizer que odeio a Inglaterra, odeio estar aqui, porque ao lado do meu marido tudo é melhor do que parece… mas meu Deus, como eu sinto falta da minha casa, da minha mãe, da minha irmã, dos meus amigos…. da minha família… do meu cachorro!!!!!…. até da Margarete e as baboseiras matinais dela!!! Eu dava tudo pra poder ir uma semana pro Brasil, matar toda a minha saudade e voltar. Queria muito ver todo mundo de novo, abraçar, sentir o cheiro do Brasil, ouvir português pra tudo quanto é lado e fazer aquelas coisas de brasileiro…. ouvir o caminhão de gás passando na rua, sentir o cheiro de feijão vindo da casa da vizinha, ouvir os cachorros latindo, as crianças brincando na praça…
Ai sei lá gente, eu sei que vou superar isso um dia… mas por enquanto tá doendo muito.

Ah London, London

Mais um dia de Londres. Regado a Pinot Grigio. Regado a muuuuuuuuito Pinot Grigio.

Fui fazer umas coisinhas por lá e encontrei a Keka. Fizemos umas comprinhas básicas na Oxford Street e nos enfiamos num pub às 4 da tarde. Uma garrafa de Pinot aqui, outra ali, porções de Nachos e a noite se resumiu naquela cena dantesca dessa pessoa aqui que vos fala não conseguir se equilibrar no banheiro pra fazer xixi. Bebemos, rimos, choramos, dissemos que nos amávamos, toda essa putaria de gente bêbada.
Só me lembro da terceira garrafa, se teve mais eu não sei. E eu, pobre coitada, tendo que voltar pra Reading. Peguei o metrô andando torto e juro que não sei como acabei em Paddington. Existe um estado de consciência por baixo de todo o álcool.
Entrei no trem, que acabei nem vendo se era o certo. Fui pra plataforma que sempre vou e me enfiei. Ah, sim, agora lembrei que comprei um brownie, nem me lembro do sabor do coitado!!! Me enfiei no trem e lembro que tinha um cara no chão passando mal. Lembro que os amigos dele falaram comigo e eu falei com eles, mas bem que eu podia até ter falado em português porque não tenho idéia do que disse. Lembro de hipoglicemia, ambulância e uma gorda russa muito mal educada da manutenção do trem.
Lembro que mudei de lugar várias vezes, talvez porque estava feliz por finalmente ter tantos lugares vagos no trem e poder escolher. Acho que quis escolher e dizer “aqui não”, “aqui também não”, “maybe there”… ainda não sabia se o trem ia pra Reading.
Sentei do lado de um bolotinha com cara de videogame-addicted, ouvindo uma ipod. Só lembro que dormi e ouvi alguém falando de Reading. Então matutei com as minhas minhoquinhas embebidas em pinot grigio que estávamos no caminho certo. Dormi.
Acordei de boca aberta, quase que babando e desesperada. Sacudi o bolotinha videogame e gritei “Oh my God, oh my Gooooood, have we passed Reading already?????????????” (Só depois o David me disse que eu tava com um bafo de álcool de longe, e eu tête à tête com o bolotinha!) E ele disse “no, we are just arriving… the train is slowing down…” E eu nem pra me tocar que o trem tava diminuindo a velocidade…. Imagina se eu perdesse a parada o trem ia lá pra depois de Oxford, e eram mais de nove da noite.
Enfim. Desci na estação, caminhei torto até o ponto de ônibus e só ia ter ônibus pra perto de casa em uma hora. Resolvi andar. Bêbada e enjoada, conversando com os Nachos na barriga. Liguei pro David “babinho, there is no fucking bus, gonna have to fucking walk, and i´m fucking drunk”. Na verdade isso era o que eu achava que tinha dito. Ele disse que eu balbuciei um “walk”, um “fucking” e um “drunk”. Só lembro dele dizendo “don´t go anywhere, stay where you are”.
Ai você acha que príncipe encantado ia aparecer de LandRover, me enfiar no carro, me levar pra casa e me colocar na banheira. Não, sem carro e sem banheira, príncipe encantado apareceu na esquina de bike. Tão atordoado, coitado, que quase não me viu e eu tive que gritar um heeeeey. Acomodou minhas bolsas na bike, segurou na minha mão e me levou pra casa. A pé. Mas eu cheguei em casa.
Ele disse que o cheiro de vinho saía de mim pelos poros. E eu me lembro de chegar em casa, ficar de calcinha, sutiã e meia, estirada no sofá, com a boca aberta que nem no trem. Tomei um banho inspecionado pelo marido, pra eu não cair e morrer no chuveiro, falei com a minha mãe e minha irmã pelo skype – completamente zureta – e fui dormir. Bêbada de Pinot Grigio. Muuuuuito bêbada.
Imaginem a situaçããããã de hoje. Muita água, paracetemol e umas “apagadas” do além na cama.

Ai, como eu amo London, London…

Sisterless

Ai como eu ODEIO fazer compras sem a minha irmã…. a carência me faz perguntar até pro estoquista se a calça tá bonita…

Aliás, PARABÉÉÉÉÉNS minha pequenininha!!!! Hoje é o seu dia e eu queria estar aí com vocês. Muito… fazer cartões de cartolina e pendurar faixas na sala, enrolar brigadeiro, fazer bolo e comprar velinhas, como a gente fazia quando era pequena! Te amo demais, meu coração tá aí com você. E  eu ODEIO fazer compras sem você!! Saudades….

A briga do alho

Aqui na Inglaterra tem um prato muito típico e comum. É o Sunday Dinner, ou Roast Dinner. Na verdade nada mais é do que frango assado ou carne assada, com batatas assadas e vegetais cozidos (vagem, cenoura, ervilhas e brócolis). E, claro, yorkshire pudding, que é uma massinha frita sem nutrientes nenhum e super gostosa! Ah, sim, e muito gravy (molho de carne). É comum as famílias se reunirem para um roast dinner aos domingos, em casa ou em um pub.
Com a família do David já foi assim, quando a avó dele estava viva. O pai também faz um delicioso. E aí eu resolvi fazer um pro pobre coitado do meu marido, roast-dinnerless, em casa. Ok. Na verdade fiz um bom bife ao invés de carne assada, que era o que eu tinha em casa. Me parti ao meio para cozinhar os vegetais, porque odeeeeeeeeio cozinhar as criaturinhas. Pra mim tem que ser só no vapor e olhe lá, se não perde todos os nutrientes. Pelo menos usei os bichinhos frescos, não há quem me faça cozinhar enlatado. É vagabundagem demais.
Assei as batatas com óleo de semente de uva, os yorkshire puddings comprei congelados. Só que, minha gente. Inglês come uma comidinha que dá até saudades de comer chuchu… é sem graça, sem sal, sem tempero. É tudo cozido em água ou assado em óleo, e só. E a pobre criatura do meu marido tá acostumada com isso… E a mini-criatura aqui foi criada em ninho italiano, com nonna e nonno amassando gnocchi, alhos e pimentas calabresas secando ao sol, compota de cebolinha feita em casa, sabe? Casa sem cheiro de alho, pra mim não é casa. E esse é ingrediente onipresente, como pra todos os brasileiros. Sem alho, azeite de oliva, ervas, pimenta do reino e sal eu não cozinho.
E fui lá eu, mirabolar o prato britânico. Cozinhei com muita dor os vegetais, mas cozinhei em caldo de legumes com ervas (não dá pra comer o trequinho só com água, concordam???). Assei as batatas com alho, cebola, sal, pimenta e ervas. Temperei a carne do jeitinho brasileiros. E o gravy, resolvi fazer com o molho da própria carne mesmo e não com aquele granulado pronto que eles colocam água quente e vira molho. Ficou lindo meu roast dinner. Tudo perfumadinho, saboroso, com saaaaal!!!!! Os vegetais o David gosta bem cozidos, molinhos, eu acho um horror, mas pelo menos eles estavam saborosos!
Montei o prato do marido, me senti praticamente a Ofélia e servi. Ele comeu quieto. Resolvi perguntar se tava bom… ele disse que sim, mas que sunday dinner na Inglaterra não tem alho…. e ainda disse “pra um italiano deve estar ótimo…”

Ai, meu São Crispim!!! Alguém tem que jogar um sal e um alhinho na vida desses ingleses! Por isso que Jamie Oliver foi pra Itália e não voltou mais…

A, o verão…

Ontem fez um dia lindo. Céu azul sem nuvens, sol quentinho e calor. Tipo, Brasil, mesmo.
Marido ficou dormindo, eu me empolguei e resolvi ir pra academia. Pensem, domingo, olha que orgulho!!! Fui pra academia, malhei e decidi tomar sol na grama da universidade.
Tirei minha canga do Brasil da bolsa, passei um Nivea Sun, e fiquei com a parte de cima do biquini e legging (gente, eu tô no país do sol de camiseta, não dá pra assustar o povo assim… de uma vez). Mesmo assim, assustei. Ou assustei com o reflexo do sol na minha brancura. O que é um pontinho branco na grama???? Mini-brasileira…
Mas como se o muito já não fosse bastante, tirei meu celular e coloquei uns sambinhas em viva-voz.
O cheirinho do Nivea Sun me fez lembrar litoral Paulista, fechei os olhos, imaginei que eu tava na beirinha da Enseada, e o barulho dos carros -que passavam um pouco longe, mas com uma frequência matemática – eram quase ondas do mar, indo e vindo. Pobre criatura otimista, brasileiro não desiste nunca mesmo. Mas assim, só faltava um frango assado e uma farofa pra ilustrar a situação. Feliz….

 

PS: Bruno, bem vindo de volta!!!!!!!!! 🙂