You better hope you´re not alone

Caminhando pelas ruas de Reading, sempre em companhia do meu Ipod, como mini trilhas sonoras de uma vida inteira. Sempre a música certa no momento certo. Jack Johnson hoje me disse grandes verdades que mudaram um pouco minha perspectiva.

Shadow walks faster than you
You don’t really know what to do
Do you think that you’re not alone?
You really think that you are immune to
It’s gonna get that the best of you
It’s gonna lift you up and let you down
It will defeat you then teach you to get back up
After it takes away all that you learn to love

Your reflection is a blur
Out of focus
But in confusion
The frames are suddenly burn
And in the end
Of a roll of illusion
A ghost waiting its turn
Now I see can right through
It’s a warning
That nobody heard

It will teach you to love
What you’re afraid of
After it takes away all that you learn to love
But you don’t always
Have to hold to your head higher than your heart

You better hope you’re not alone
You better be hoping you’re not so

Your echo comes back out of tune
Now you can probably get used to
Reverb is just a room
The problem is that there’s no truth
It fading way too soon
The shadow is on the move
And maybe
You should be moving too
Before it takes away
All that you learned to love
It will defeat you
And then teach you
To get back up
Cause you don’t always
Have to hold your head
Higher than your heart

You better hope you’re not alone
You better hope you’re not alone
You better hope you’re not alone

Feliz aniversário, filhote

Só quem cria um animal desde seu desmame entende a preciosidade do amor de bicho. Sentimento incomparável esse que cresce a cada dia que você aprende a correr sem cair, a pular conhecendo a altura, a entender o meu olhar, a minha aura.
No dia em que eu resolvi te escolher, você me escolheu antes. Subiu no meu pé como se tivesse me escolhido há muito tempo e grudou na minha blusa com garras minúsculas de amor. Eu te levei pra casa e você chorou a noite toda, e depois nunca mais chorou. Aprendeu a fazer xixi no jornal com muito custo, aprendeu que pular de cima do sofá poderia te machucar. Descobriu que seu nome era Billy e que a pessoa mais importante do mundo pra você era eu.
E desde então você foi meu companheirozinho, meu filhote, o amor mais bonito que eu já tive. Só a gente sabe o que a gente sente quando você encosta seu focinho no meu nariz e divide comigo o mesmo ar. Só você sabe que o lugar mais seguro do mundo é a minha barriga e só eu sei a paz que acontece no meu coração quando você se deita nela e dorme.
Eu sei que você entende cada palavra que eu digo e sei o quanto deve ter te doído quando fui embora. Mas dói muito mais em mim. A saudade de você me corrói o peito e peço a Deus todos os dias que te guarde e olhe por ti, para que a gente ainda possa dividir muito tempo quando eu voltar. Para que eu possa pelo menos por alguns anos ainda te afagar quando entro em casa.
Eu sei que você tá velhinho, bebê, mas aguenta as pontas aí. Segura firme e me espera.
Feliz aniversário, Billy. Obrigada por 13 anos de amor incondicional. Te amo absurdamente. Você é o amor mais lindo que eu já tive.

Ao resgate…

Desde os meus 28 anos eu tenho passado por provações e dúvidas muito difíceis de serem concluídas. E, segundo um amigo, na astrologia isso faz parte do retorno de Saturno na nossa vida. O famoso ciclo dos sete anos.
E talvez ninguém entenda todas as dúvidas que existem na minha cabeça e, pra ser bem sincera, talvez eu nem queira compartilhá-las. É como um fardo que eu tenho que colocar nas costas, tirar os pesos extras e prosseguir.
2010 pra mim é muito mais que 2010, é o ano dos meus trinta. E pode parecer que tenho exagerado num assunto que se resume apenas à uma velinha a mais no bolo, mas não. Os trinta vêm com aquela velha sala com insufilme que eu já disse pra vocês um dia. Sua consciência te coloca nela e pergunta o que tem sido até aqui e o que vai ser daqui pra frente.
E eu tenho pensado em muitas coisas pra tentar livrar meu coração e minha mente de todas essas dúvidas e medos. E cheguei à uma simples conclusão que veio em Maio do ano passado, quando estive no Brasil. A Milena que vive aqui não é a verdadeira Milena. Eu perdi o contato com a minha essência, aqui eu visto uma armadura e me torno uma mulher forte demais. E eu não sou assim e não quero ser assim.
Quando fui ao Brasil da última vez consegui resgatar a minha essência e trazê-la de volta. Ficou aqui comigo por alguns meses e depois essa vida me endureceu de novo.
E é por causa disso que tenho pensado muito em dar um tempo. E isso vai depender de muita coisa, mas agora já é muito mais um plano do que uma idéia. Dar um tempo pra mim, voltar às minhas raízes, me resgatar e aprender a resgatar-me sem precisar estar no Brasil. Preciso desse tempo como quem precisa de uma corda ao estar se afogando.
E conversei muito com o David a respeito e chegamos à conclusão de que irei para o Brasil ficar alguns meses este ano. Ainda não sei quando, mas irei. E quero ir na maior parte do tempo sozinha, porque preciso desse tempo comigo mesma, nós dois precisamos desse tempo.
Talvez vocês não entendam muito, mas quando você casa e muda de país sua vida inteira se baseia na segunda pessoa. Todos os teus planos se convertem na única pessoa com quem você pode contar na terra estranha. E aqui, pra mim, é assim. Eu não posso contar com ninguém da família alheia, minhas amizades aqui ainda são novas e sem raízes. E não que isso faça mal para o relacionamento, mas faz mal pra você.  Eu sempre fui completamente o oposto de ser uma ilha. Eu preciso de gente em volta de mim, de gente que me conhece essencialmente e me entende sem eu ter que ficar contando toda uma história. Preciso de quem me olhe nos olhos e me deixe rir ou chorar sem me cobrar explicações. E eu não posso colocar todo esse peso nos ombros de uma única pessoa.
E é por isso que essa decisão já está tomada na minha mente e no meu coração. Vou ao Brasil, não para fugir, mas para me resgatar. Para assimilar a minha vida e observá-la de fora. E entender de uma vez por todas o que eu quero pra mim. E meu relacionamento já resistiu à muitas coisas, resistirá à isso também se assim tiver que ser.
Ainda não sei quais meses passarei no Brasil. Antes disso, preciso vestir minha armadura e resolver umas questões.

PS: Ainda é uma decisão que está sendo maturada e será uma decisão a dois. Não se preocupem. Como disse o Daniel no comentário dele: “Após a batalha diária, o soldado deve retirar sua armadura e se revestir do que lhe concede energia.” E é dessa energia pós-batalha que estou precisando.

Capoeira de novo? Tem certeza?

Então que finalmente eu tô voltando ao pique da academia e foi bom descobrir – mesmo sabendo que é mentira – que emagreci. Óbvio, perdi massa muscular, que é bem mais pesada que gordura, então tô mais leve só que não necessariamente mais magra.
Chegando lá, primeira pergunta do meu instrutor foi se eu continuava casada. Oi?? Enfim. Peguei leve na musculação no primeiro dia e, juro por Deus, foi o suficiente pra eu não conseguir abaixar no outro dia.
Continuo andando pro trabalho, não sou 100% sedentária, mas sempre fui gym-active, o corpitcho sente falta e o pique idem.
Daí que eu peguei os horários das aulas deste mês e estampadinho lá na sexta-feira está CA-PO-EI-RA. Metade de mim se empolgou, a outra metade se escondeu. Lembrei da minha primeira aula de capoeira, lá em 2007, na época em que eu era gym-freak e fazia dois spinnings por dia. David fez questão de me lembrar que levei um chute na cara, e eu super tinha abstraído isso.
Meu caso com a capoeira começou há anos, quando eu ia pra Salvador e queria fazer tererê ouvindo Bob Marley e comendo bolinho de estudante na praia do Forte. Uma amigona da minha prima, consequentemente minha amiga, morava em SSA e a gente ia algumas vezes, passava até meses. Salvador tem muitas estórias pra contar, mas paremos no Gustavo, ex dessa amiga nossa, que tentava ensinar uns golpes pra gente.
Depois voltei pra minha vidinha paulista e minha academia era no clube. E eu tinha uma turminha no clube que se encontrava lá todo dia, e tinha aula de capoeira com o Magrão. E o Magrão, minha gente, era gato. Gato, gato. E eu e a minha irmã, solteiríssimas da silva, queríamos aprender capoeira pra treinar com o Magrão. Não coube no meu schedulle de hidro, natação, body pump, corrida, step, jump fit. Mais uma invenção de moda e eu morreria.
Fica pra próxima.
Daí a gente entrou na academia-deusa, até hoje considero a melhor academia de São Paulo, a Ecofit e, gente, eu era tão feliz lá. Ia de manhã e à noite (sim, eu sou viciada em endorfina e isso não significa que eu seja magra e sarada). Tinha capoeira na Ecofit e, pra variar, minha irmã paquerava o mestre. Vamos tentar? Vamos.
Começou com agachamento por 30 minutos, sem parar, sem um minuto de brecha. E joga pernão prum lado, joga pernão pro outro, abaixa, roda e eu já vendo estrelinhas brilhantes. Nem tinha comido nada, mas comecei a enjoar. Cara, eu tenho labirintite, me bota pra rodar que nem baiana e eu tô com problemas. Sentei no banquinho, me senti na época em que eu era reserva do vôlei e toda aquela sensação de inutilidade me fez voltar pros agachamentos. Passaram 20 minutos e eu estava devidamente agachada sobre o vaso sanitário da academia. Chamando o Hugo de Hugh.
Mestre super decepcionado com a nova pupila. Pra que? Ótima, pegou os golpes super bem, bota na roda! Ooooi??? (Eu não contei pra ele que tava no banheiro vomitando, sim, foi uma grandessíssima merda).
E o sujeito me botou na roda, na minha primeira roda de capoeira, pra dar chute no ar que nem o Último Samurai. Não durou muito e eu tomei uma voadora bem no meio da bochecha. Quase nem percebi, porque, pra ser sincera, doía tudo. Todas as fibras musculares da minha bunda, inclusive umas que eu nunca – nunca – nunca tinha precisado usar, todas as fibras das minhas coxas, o estômago revirava e eu tomei um chute na cara. Resultado perfeito pra deixar de ser besta.
Depois da aula fiquei três dias (leia: TRÊS DIAS) andando que nem um pato manco, sem conseguir pegar um papel do chão ou sentar numa cadeira sem parecer uma velha reumática.
Se eu vou tentar a capoeira estilo inglês? Ah, gente! Vocês não me conhecem? Óbvio que vou. O máximo que pode acontecer é eu entrar em coma…

Leia também minha primeira aula de POLE DANCE.

Samba de Gringo por Colcha de Retalhos

O Ricardo Lombardi é um cara que eu devo ter conhecido na vida real, mas que hoje é uma  figura que faz parte da minha timeline do Twitter. E ele tuíta com o Maluf. E ele escreve e é jornalista. E ele já tinha feito um post super fofo pro Samba e agora fez uma música, um dos hobbies dele.
E aqui vai, pra vocês conhecerem. Passem no Colcha de Retalhos e sigam o @ricslombardi.

Samba de Gringo

*
Me cansei de esperar
Por alguém para amar
Fui atrás de um amor
Que tirasse a minha dor

Isso é samba de gringo
Isso é samba, sim senhor
Isso é samba de gringo
Isso é samba, meu amor

Foi preciso ir tão longe
E viver essa paixão
Que me trouxe conforto
Para o meu coração

Isso é samba de gringo
Isso é samba, sim senhor
Isso é samba de gringo
Isso é samba, meu amor

Hoje não choro mais
E já posso cantar
Faça frio ou calor
Tenho alguém para amar

Isso é samba de gringo
Isso é samba, sim senhor
Isso é samba de gringo
Isso é samba, meu amor

*

Obrigada, querido! Adorei!! =)

PS: Não. O Rics não tá a fim de mim e eu não tô a fim dele. Que fique bem claro, povo louco.

Sampa

Do alto do prédio do Banespa eu te vejo num dia cinza qualquer. Em toda essa imensidão de concreto, essas luzes de vidro, sua tão afamada camada negra de poluição. E penso, meu Deus, como você é perfeita.
Você já foi bem cuidada, dizia meu avô que caminhou pelas tuas ruas de chapéu. Eu nasci na sua imensidão, cresci nos teus problemas e aprendi a te amar com todos os seus defeitos. Porque talvez saiba ver em você a força que sai de mim, os braços que me abraçam, as palavras que contam a minha história.
Se pudesse te cantar, te cantaria em Moema, entre Bem-te-vis e Sabiás. Se pudesse te caminhar te caminharia em Ibirapuera, te escreveria em palavras cheias de poesia, respiraria teu silêncio de dentro da Catedral da Sé. Quantas vezes achei um espaço naquele vazio somente para observar as pessoas que vem e  passam por você.
Te descobri entre Pinheiros, subindo e descendo os morros da Vila, minha região é Oeste, minha legião é urbana.
Te sentir de longe dói, dói e é escuro qualquer lugar longe de você, dói e é silencioso e pequeno demais.
Quero andar sem rumo em você e dizer, Deus, como te amo, como faz falta essa imensidão cinza, Avenida Paulista, centro velho, Largo da Batata, Ipiranga. Liberdade, Augusta, Teodoro Sampaio, atravesso a ponte pra chegar no teu Morumbi e volto, volto e corro para os Jardins das tuas avenidas. E volto. E pego a Imigrantes pra fugir de você pelo menos por um dia e digo “pô, meu” sem ninguém prestar atenção. Paulista.
E te olho de cima do prédio do Banespa e resolvo descer e caminhar até o Mercado Municipal para um sanduíche de mortadela. E minha vida se completa nas suas feiras-livres, nos teus caldos de cana, na música nordestina saindo de um alto-falante de camelô. E talvez passe pela Pinacoteca pra ver algumas das suas artes, pela Galeria pra ouvir alguns dos seus sons. Respiro. Seco, cinza, duro. Mas respiro. E me falta teu ar. E sou feliz, cara, como sou feliz com o teu ar.
Que todos que te desdenham te deixem e que sobrem apenas os que te amam e não conseguem viver um dia sem reclamar e te adorar.
Sou filha tua, minha casa de pedra. E, meu, dói pra caramba não te ter todos os dias.
Parabéns, Sampa, querida.

Veja São Paulo em 360 graus, do alto do Edifício Itália: http://migre.me/hywv

Deséame suerte

Passo as mãos pelos seus cabelos alisados, cobertos por alguma tinta barata. Corro meus dedos, como quando tocava aquela música pra você no violão, aquela que eu conhecia os acordes e você conhecia a letra, e cantávamos e tocávamos juntos a mesma música durante a madrugada toda. Você bebia e derramava o vinho tinto no carpete, eu corria para limpar e a gente ria e ria e ria até o sol nascer. Parece que éramos tão jovens, baby, e nem faz tanto tempo assim que rolávamos do sofá para o chão e fazíamos guerra de almofadas durante qualquer assunto na televisão, lembra?
Hoje eu olho pra você entretida numa novela boba e olho pra você de um jeito diferente. As sardas e a pele branca, ainda é frio e você não toma mais sol. Seus lábios secos pedem qualquer coisa como um beijo desses sem explicação. Mas eu não dou. Te olho por trás destes óculos pesados e quadrados e corro os dedos nos seus cabelos e penso de quantos orgasmos você é feita. De quantas estórias. Um mar de risos e choros e lágrimas e espamos e luxúria e álcool e drogas e versos de poemas. Como pode tanta coisa caber em apenas uma pessoa?
Tenho muita coisa guardada no peito pra te dizer. Que nunca mais vou conseguir beber Shiraz sem você e que não te ver sorrindo na porta dizendo deséame suerte vai me rasgar o coração. E é essa imagem tua, sorrindo de blusa amarela e dizendo deséame suerte, que levo comigo pro resto da minha vida. Deseja pra mim também qualquer sentimento bom, porque te quero bem acima de tudo. E chore, não se faça de boba fingindo ser forte, não se engane – pelo menos dessa vez. Não deixarei ninguém neste mundo julgar as tuas lágrimas.
Espero que me perdoe um dia, mas não fui capaz de amar nós dois sozinho. Não tenho amor suficiente pra alimentar nossos dois corações e você nunca me amou de verdade, aquele amor que vem das entranhas e estremece as pernas ainda que dez anos tenham se passado. Você gosta de estar comigo, de ler meus livros de madrugada e tirar a roupa com o som dos meus discos. Você é dura, menina, e eu preciso de um amor líquido.
Desapegue, rasgue as minhas fotos, mas não me odeie. Eu tentei. Talvez um dia eu volte pra beber Shiraz com você e tente seu amor mais uma vez e, quem sabe, mais umas outras vezes. E talvez eu nunca te amoleça. Seria bom se pudéssemos viver assim, eu bastando nosso amor por nós dois e você me desejando sorte, mas isso dói e  há somente um pouco que um coração pode aguentar.
Agora preciso ir, baby, mas me deixe correr os dedos pelos teus cabelos mais um pouco. Olha no fundo dos meus olhos, me leia, não chore, não pergunte. Apenas olhe nos meus olhos e me entenda. E deséame suerte.

Quando eu leio muito Caio acontece isso. Inspiração.

A bailarina e o soldado de chumbo

Vai dizer que nossas preces não chegaram ao céu…

A Bailarina e o Soldado de Chumbo, O Teatro Mágico,