Ao resgate…

Desde os meus 28 anos eu tenho passado por provações e dúvidas muito difíceis de serem concluídas. E, segundo um amigo, na astrologia isso faz parte do retorno de Saturno na nossa vida. O famoso ciclo dos sete anos.
E talvez ninguém entenda todas as dúvidas que existem na minha cabeça e, pra ser bem sincera, talvez eu nem queira compartilhá-las. É como um fardo que eu tenho que colocar nas costas, tirar os pesos extras e prosseguir.
2010 pra mim é muito mais que 2010, é o ano dos meus trinta. E pode parecer que tenho exagerado num assunto que se resume apenas à uma velinha a mais no bolo, mas não. Os trinta vêm com aquela velha sala com insufilme que eu já disse pra vocês um dia. Sua consciência te coloca nela e pergunta o que tem sido até aqui e o que vai ser daqui pra frente.
E eu tenho pensado em muitas coisas pra tentar livrar meu coração e minha mente de todas essas dúvidas e medos. E cheguei à uma simples conclusão que veio em Maio do ano passado, quando estive no Brasil. A Milena que vive aqui não é a verdadeira Milena. Eu perdi o contato com a minha essência, aqui eu visto uma armadura e me torno uma mulher forte demais. E eu não sou assim e não quero ser assim.
Quando fui ao Brasil da última vez consegui resgatar a minha essência e trazê-la de volta. Ficou aqui comigo por alguns meses e depois essa vida me endureceu de novo.
E é por causa disso que tenho pensado muito em dar um tempo. E isso vai depender de muita coisa, mas agora já é muito mais um plano do que uma idéia. Dar um tempo pra mim, voltar às minhas raízes, me resgatar e aprender a resgatar-me sem precisar estar no Brasil. Preciso desse tempo como quem precisa de uma corda ao estar se afogando.
E conversei muito com o David a respeito e chegamos à conclusão de que irei para o Brasil ficar alguns meses este ano. Ainda não sei quando, mas irei. E quero ir na maior parte do tempo sozinha, porque preciso desse tempo comigo mesma, nós dois precisamos desse tempo.
Talvez vocês não entendam muito, mas quando você casa e muda de país sua vida inteira se baseia na segunda pessoa. Todos os teus planos se convertem na única pessoa com quem você pode contar na terra estranha. E aqui, pra mim, é assim. Eu não posso contar com ninguém da família alheia, minhas amizades aqui ainda são novas e sem raízes. E não que isso faça mal para o relacionamento, mas faz mal pra você.  Eu sempre fui completamente o oposto de ser uma ilha. Eu preciso de gente em volta de mim, de gente que me conhece essencialmente e me entende sem eu ter que ficar contando toda uma história. Preciso de quem me olhe nos olhos e me deixe rir ou chorar sem me cobrar explicações. E eu não posso colocar todo esse peso nos ombros de uma única pessoa.
E é por isso que essa decisão já está tomada na minha mente e no meu coração. Vou ao Brasil, não para fugir, mas para me resgatar. Para assimilar a minha vida e observá-la de fora. E entender de uma vez por todas o que eu quero pra mim. E meu relacionamento já resistiu à muitas coisas, resistirá à isso também se assim tiver que ser.
Ainda não sei quais meses passarei no Brasil. Antes disso, preciso vestir minha armadura e resolver umas questões.

PS: Ainda é uma decisão que está sendo maturada e será uma decisão a dois. Não se preocupem. Como disse o Daniel no comentário dele: “Após a batalha diária, o soldado deve retirar sua armadura e se revestir do que lhe concede energia.” E é dessa energia pós-batalha que estou precisando.

Anúncios

18 comentários sobre “Ao resgate…

  1. Luciana disse:

    Eu entendo vc perfeitamente, pois na verdade estou passando por um momento complicado e a vontade de passar um tempo maior no Brasil também ronda meu pensamento. Vontade de dar um tempo de tudo!! Eu só não passo um tempo no Brasil agora porque quero engravidar (estou fazendo um tratamento) e lá vai ficar dificil engravidar…rsrsrsrs…
    Para mim, o mais complicado é decidir minha vida profissional. Preciso terminar de estudar sueco e eu estou cansada de estudar (estudei 21 anos no Brasil – duas universidades e uma pós).
    Esses dias estou pensando seriamente eu dar um tempo com o sueco.
    Boa sorte para vc!!!
    Beijos carinhosos

  2. Fernanda disse:

    Mi, amiga … vc sabe que muitas vezes o que vc escreve parece ser um figmento exato daquilo que se passa na minha cabeça.
    Nós não nos conhecemos tanto quanto gostaria, muito menos convivemos uma com a outra tempo suficiente, mas acho que temos TANTO em comum, que as vezes parecemos estar enfiadas na vida uma da outra.
    Eu acho que vc está certa em voltar para o Brasil pelo tempo que lhe for necessário; está certa em procurar a Milena de verdade no lugar onde vc sabe que ela existe.
    Eu tentei fazer isso aqui. Eu não pude voltar (ou ficar) no Brasil por causa da Rafa e vc sabe os problemas que isso causou. Sabe do rompimento que isso causou.
    E, por muito tempo, eu acreditei que esse rompimento era definitivo e não tinha volta.
    Hoje estou bem, hoje meu relacionamento está bem e eu acredito que hoje (depois de quase três anos de procura) eu me encontrei novamente. Não completamente, mas uma porção de mim voltou a ser a Fernanda ao invés de ser a esposa ou a mãe de alguém.
    No entanto, as cicatrizes que esse processo deixou vão doer para sempre. E vão sempre estar meio que na superfície para me lembrar dos meus piores erros, cometidos no desespero dessa busca.
    Então amiga, se vc pode ir se salvar, vá e o faça. Pq vc *precisa* estar completa.
    Eu te garanto, por experiência própria, que o seu relacionamento sofreria muito mais se vc ficasse.
    Beijão
    (em maio eu vou aí, se vc estiver aí, nos encontramos nem que eu tenha que ir em Reading te ver no stand!!)

  3. Sarah-DF disse:

    Milena li esse texto hj, desconheço a autoria, mas é muito fofo… por isso te digo: PEDALE!!!
    ___________________________________
    Eu via Deus como um observador, um juiz que não perdia de vista as coisas erradas que fazia. Mas quando me aproximei mais d’Ele e passei a conhecê-Lo melhor, pareceu que a vida era como um passeio de bicicleta para duas pessoas e percebi que Deus estava no banco de trás, me ajudando a pedalar.
    Não me lembro quando Ele sugeriu-me que trocássemos de lugar e a vida não foi mais a mesma… Com o Seu poder, a vida tinha se tornado muito mais excitante!!!
    Quando era eu no controle era tudo previsível. Mas quando Deus assumiu a liderança (Ele conhecia atalhos maravilhosos), passei a subir montanhas e atravessar terrenos pedregosos em velocidade vertiginosa!
    Embora tudo aquilo parecesse loucura, Ele ficava dizendo: “Pedale, pedale!!!” Eu ficava preocupado, ansioso e perguntava: “Para onde o Senhor está me levando?”
    E Deus apenas ria e não me dava resposta. Eu me vi confiando n’Ele.
    Quando dizia que estava assustado, Ele se virava para trás e tocava minha mão.
    Deus levou-me até pessoas com dons de que eu precisava como os da aceitação e da alegria. Essas pessoas me ajudaram a prosseguir na minha jornada.
    Ele me disse então: “Desfaça-se da bagagem extra, pesa demais!” Então, eu comecei a fazer doações e descobri que, quanto mais eu dava, mais eu recebia!
    O meu fardo ficava mais leve! Confesso que, a princípio, eu não confiei muito em Deus. Mas, o Senhor conhecia os segredos da bicicleta, sabia como incliná-la para fazer curvas fechadas, pular para evitar buracos, aumentar a velocidade para encurtar os caminhos difíceis.
    Também estou aprendendo a me calar e pedalar nos lugares complicados. E quando estou certo de que não posso mais seguir em frente, Ele apenas sorri e diz: “Pedale!”.

    Abçs de quem deseja que vc RESGATE a MILENA que ainda mora dentro de vc!!!

  4. Vanessa disse:

    Olha, eu vou palpitar… Eu acho que quanto mais vc vier ao Brasil, mais difícil será se achar aí ou em qualquer outro lugar. De verdade, para se adaptar acho que você tem que cortar as amarras mesmo, parar de pensar na sua vida no Brasil (q certamente fica parecendo melhor com a distancia e o tempo, é assim msm) e começar a pensar em como se encontrar aí, fazer um novo grupo de amigos, programas q vc gosta. A vida muda msm depois de casada, nao se engane achando q é só pq está longe. E a gente tem q se encontrar e se reiventar em cada fase, não ficar em busca de uma fase anterior que jamais vai voltar… Ou isso ou então vc desiste, vê q a vida aí não vale a pena e volta de vez. Não sei exatamente o que vc quer.
    O que não dá é p/ querer duas coisas incompatíveis.

  5. Daniel disse:

    Faz parte da nossa evolução tirar nossas máscaras por um tempo, retirar as máscaras que impomos a nós mesmo e que a cultura local nos impõe.
    Após a batalha diária, o soldado deve retirar sua armadura e se revestir do que lhe concede energia.

    Boa jornada companheira!

  6. Jônatas R. Silva disse:

    Certo ou errado. Quem sou eu para dizer!? Só sei que decidi algo semelhante pra mim. Depois de 9 anos de relacionamento estou dando um tempo para resgatar o meu eu, ganhar energia e quem sabe reestruturar. Só o tempo dirá.
    Boa sorte.

  7. leticia disse:

    olha, sou casada a 10 anos e acabei de passar janeiro inteiro praticamente longe do meu marido. teve gente que é loucura “deixar o marido sozinho assim” e eu acho que essas pessoas devem ir tomar banho na soda caustica! eu também precisava me resgatar, achar meu eixo de novo… como podemos ser “nós” se o meu “eu” tá perdido?
    boa sorte no projeto, tenho certeza que vai ter fazer bem.

  8. Patricia disse:

    Um coração aquecido no inverno de Reading… não tenho a menor dúvida, mas é necessário se encontrar para enfrentar algumas pendências. Fazer trinta anos nos exige isso. De fato, quando se chega aos 30, tem-se a sensação de que nada mudou, mas a percepção do essencial se altera um pouco. Acho que esta nova etapa exige mais aceitação do que somos, do que não conseguimos mudar até então e, também, do que nos tornamos – tenho certeza que só o tempo nos deixa melhor. Resgatar-se é muito importante! Para mim, “generosidade” é o que tem de ser cultivado para aceitar que dúvidas e pendências ainda persistirão e, assim, tornar a jornada mais leve, seja no Brasil ou nas terras de Dona Beth. Bj

  9. Hilda disse:

    Nossa, Mi. No final de 2009 eu estava exatamente assim. Era o marido e eu… mesmo com alguns amigos, como vc disse, sao pessoas de quem gosto, mas sem raizes, nao sao pessoas com quem posso contar nem para chorar se precisar. Qtas vezes meu marido era a unica pessoa com quem eu conversava o dia inteiro??? As vezes eu achava que iria enlouquecer… e isso desgasta muito o relacionamento, a pressao que meu marido tinha/tem de suprir todas as minhas necessidades.
    Felizmente me sinto um pouco melhor e notei que a Hilda “antiga” esta voltando aos poucos e, espero, que ela volte logo e nunca mais va embora.
    Boa sorte, Mi. De coracao… que vc (s) tome (m) a melhor decisao do que for melhor. E como vc disse: o relacionamento de vcs ja resistiu a tantas outras coisas… entao, soh posso te desejar muita sorte nesse resgate da verdadeira Milena.
    Bjs

  10. Vivi disse:

    Miloca, eu muitas vezes me sinto assim como vc( e olha que tÔ no Brasa e pertinho de mamy, papy e maninhos). Tem dias que eu queria poder sair, ficar um tempo só eu comigo mesma, mas nem sempre isso é possível, então eu vou levando fazendo essas”fugas” dentro de mim.
    Amiga faça o que for melhor pra vcs 2, pelo bem da sua saúde mental e seu casamento tbm, pq esse tipo de coisa abala muito nosso casamento, sei bem isso.
    Bjokas

  11. Débora disse:

    Desculpa, não te conheço, mas gostei muito do seu texto e da sua honestidade. Então resolvi dar a minha opinião (apesar de não ser casada e morar no Brasil mesmo). Acho que nada na vida é definitivo. Uma coisa que é boa agora, pode não ser daqui um tempo. E acho que tudo que você puder fazer para sentir se isso é o melhor ou não pra você, você deve fazer. O que conta é a experiência e não o resultado.

  12. Rah disse:

    Entendo o que está passando.. da parte de querer reencontrar sua essência, de não querer ter que ficar explicando toda sua historia pra que as pessoas te entendam… Acho que chega um momento que a gente busca, quer ficar perto só do que é essencial pra gente. Os bons amigos, os lugares mais queridos.. Tenho ouvido muito Lenine, “o que me interessa”, por causa disso.
    Então.. se afinal seu amigo está certo sobre saturno, eu, taurina que sou, estou no mesmo barco que vc… Espero que o caminho e as respostas que a gente procura apareçam logo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s