Um pra trás, dois pra frente

Finalmente engoli o orgulho do meu longo currículo, da minha vasta experiência profissional, das qualificações, dos meus trabalhos em São Paulo e Paris fashion weeks, do meu foco em marketing de moda. Já entendi que vou ter que começar de baixo nesse país. Chega de ficar procurando emprego na minha área.
Fiz entrevistas incríveis, cheguei na última etapa de seleção para o marketing da Harrods, mas não me chamaram porque ainda não tenho experiência na Inglaterra.
Refiz meu currículo, passei por cima do orgulho, diminui mais da metade dele. Mudei de gerente pra assistente, de relações públicas pra hostess, de coordenadora pra vendedora.
Essa semana já tenho quatro entrevistas marcadas, entre vendedora de loja, garçonete, barista, recepcionista de hotel. Qualquer dinheiro é melhor que nada.
Um pra trás, pra dar dois pra frente.

Wish me LUCK.

Motorizada…

Finalmente comecei a me re-entender com a minha bike. Já tinha até colocado uma plaquinha de venda nela até decidir ir pra Caversham domingo passado. E foi tranquilo.
Na verdade os problemas da minha bike são dois. Um, ela é grande demais pra essa pequena fração de gente. Dois, ela é pesada demais. Quando fui comprar com o David, lá em 2005, ela estava em promoção. A anta aqui parou do lado da bike, viu se a altura batia no quadril, ok, ok, pode levar. Leva que tá half price. Mas a besta verde e amarela que vos fala não se tocou que tava de salto!!!!!! Resultado: a bike é ótima pra andar de salto alto. Óbvio que não, né! De tênis é quase um fiasco. Pensa numa bike pêndulo. Uma menina em cima e quando pára tem que voar pulando pra frente pra pôr o pé no chão se não cai. Novidade né? Pra parar de repente só se for do lado da calçada (meio-fio) pra apoiar o pé. E pra subir tem que fazer muita yoga pra jogar a perna tão por cima do selim.
Mas o que mais me atrapalham são as marchas. Ãããã? Sim, eu sei. É dois mil e oito e eu ainda não me entendo com marcha de bicicleta. É o fim da picada. Mas amigos, eu nasci, cresci e nunca saí de São Paulo. Andei de bicicleta quando o meu sonho era uma Cecizinha rosa de cestinha branca e duas rodinhas do lado. Não tinha marcha. Minha primeira bicicleta de marcha eu devo ter tido com uns 16 anos, mas aí não andava mais. Queria saber de carro. E na Vila Madalena, já imaginou né? Impossível. A não ser que você queira fazer um spinning eterno. Pra chegar na minha casa, mal meu carro sobe os morros, imagina uma bike.
Essa daqui pra subida é um fiasco. Ela tem suspensão dupla, é de aço, pesa pra caramba. Esses dias eu tenho feito tudo de bike, mas quando chega uma inclinaçãozinha eu freio, pulo logo pra frente, acho o chão, dou uma voadora pra fora da bike e empurro a bendita.
Quinta feira eu e o David tivemos que ir ao centro. Fomos pedalando e eu resolvi usar um jeans. Pensei cá com os meus botões, tem stretch, não vai ser tãããão difícil. Pura ilusão. Na volta a gente pedalou o triplo porque ele queria comprar hamburguer no fast food lá depois de casa. Pegamos o caminho na beira do rio, tranquilo, ele me ensinou que marcha que eu tenho que usar, onde a correia tem que ficar e tal, e a motoquinha foi pedalando bem. Aí ele disse, vamos virar aqui. Era uma alleyway… mmm… mmmm… como chama essa bagaça em português???? Ah, enfim, era um desses “corta-caminho” pra pedestre, no meio da calçada que vai de um lado pra outro, sabe?? De um lado tinha um arame, não era farpado, mas era pontudo. Ele foi pedalando na frente e eu segui. Juro por Deus, o caminhozinho tinha uma inclinação pra cima de uns quinze graus no máximo! Era ri-dí-cu-lo. E a minha bike não subiu. Não deu tempo de pular pra frente, não deu tempo de dar voadora pra sair da bike, nada. Eu sabia que ia cair e a bike tendia pro arame. Nessas já ativei minhas células de dor e disse “let´s get started!”. Enfim, caí de ladinho, em cima do arame. Só que comigo não aconteceu nada. A minha blusa é que enganchou no arame e não soltava de jeito nenhum. Imagina a situação: eu, ainda em cima da bike, quase apoiada no arame, enganchada, tentando dar uma voadora pra sair com a calça stretch que também travou. A perna travou entre a bike e o arame e eu não descia nem caía na moita. Fiquei literalmente presa. Eu não conseguia parar de rir, e nem deu tempo de chamar o David. Quando ele olhou, ficou parado tentando entender o que eu fazia apoiada no arame, com a perna levantada, sem sair do lugar, e dando gargalhada. Ele ficou olhando e de repente começou a gritar, sai daí, sai daí, não encosta, não encosta. Quando eu olhei pro lado, onde eu tava enganchada, percebi que em volta do arame tinha uma bela moita de urtiga. Que coça e arde se a gente encosta. Na verdade eu não tive como sair. Ele teve mesmo é que chegar em mim, desenganchar minha blusa, puxar a bike, pra eu poder descer a perna que já tava dando cãimbra.
Se ele não tivesse lá acho que eu teria que caçar meu celular e  ligar pra Emergência me tirar do arame hahahaha! Não dava pra sair de jeito nenhum!!!!

Bookless

Saudades do Brasil, das horas do almoço em casa, quando a minha mãe chegava da biblioteca com um livro novo… e eu devorava Gabriel, Vinícius, Clarice, Machado… só eu gostava do trabalho dela.

Azul

Me diz se tem algo mais delicado e delicioso do que blueberry??????

Fim de semana quase perfeito…

Domingo foi perfeito. Um dia lindo de verão, trinta graus celsius. Fomos de bike até Caversham, eu e o David, trinta minutos pedalando na beira do rio, tocando a buzina pros gansos, cisnes e patos saírem da frente. Encontramos uma árvore isolada e receptiva no meio do nada, esticamos a nossa canga, fizemos picnic e tomamos sol. Foi incrível.
Na volta, mais pedalada e ônibus até o mercado. Fomos na casa do pai do David buscar o Daniel, nosso sobrinho de nove anos. A irmã do David foi pra praia, na casa dos sogros, com o marido e os outros dois filhos. O Daniel quis porque quis ficar na casa dos tios (leia-se nós): Ok, ótimo, adoro ele, é um fofo tagarela.
Pegamos o menino e a irmã do David ficou de buscá-lo hoje de manhã cedo. Fizemos festa do pijama na sala com direito a hamburguer e coca-cola. É aniversário do David hoje, ele saiu de manhã.
Meus planos eram ir ao centro, comprar um monte de surpresas pro meu marido, ir à aula de Yoga e jantar fora à noite. Adivinhem só a que horas a viada da minha cunhada chegou? Às cinco e meia da tarde. Junto com o David… eu e o pestinha que não parava de falar um segundo, durante longas oito horas contínuas. Nada pra fazer. Fomos ao jardim tomar sol mas nem a bola de futebol a energúmena mandou com ele…. imaginem uma criança trancada em casa de adulto sem nada pra fazer por oito horas… tadinho… no fim ele acabou com a bateria do meu celular jogando joguinhos… foi o único jeito.
Eu morri de dó, porque gosto dele e não me importo de cuidar. Mas pra poooota que parioooooo. Vai ser folgada assim lá na casa do caracaramba cara caraô. No fim, não puder ir ao centro, o David chegou e eu é que tive que sair pra pelo menos comprar um cartão, perdi a aula de yoga (ódio múltiplo, várias estaminas rodando meu corpo), e não deu tempo de ir jantar fora. Próxima vez só pego os meninos quando tiver certeza de que ela está em casa e eu posso devolvê-los a qualquer hora.

Hard work

Ter que dar passos e passos pra trás na sua carreira não é nada fácil. Mas se é dinheiro que a gente precisa, é dinheiro que tem que ser feito…. tem que se engolir o orgulho e botar a mão na massa.

 

PS: O dia de ontem foi perfeito.

Gringaiada

Hoje peguei um ônibus, imagina a situação.
Reading tá infestada de estrangeiros, é verão, tá cheio de estudantes em curso de férias. Não que a cidade não seja infestada de estrangeiros em dias normais, mas agora tá ao cubo. Entro eu no ônibus, me sento do lado de uma senhora. Na minha frente um casal de indianos falando em whatever is that language. Atrás de mim um casal de italianos falando alto e pelos cotovelos. Do lado, dois chineses ou coreanos falando “né” e “pastel” (hohohoho) ou qualquer coisa do gênero.  Mais pra frente uma língua indecifrável que eu imaginei ser polonês, porque eles tinham a cara rechonchuda, bochechas vermelhas e narizes de batata.
Enfim, a mulherzinha do meu lado, pobre cidadã britânica perdida no ônibus da Pangéia, olha pra mim e diz “my God, what the hell is going on in this country? Too many languages, too many foreigners, don´t you think?”. E eu que já me enchi o saco de batatinha de colaborar com os ingleses com a minha cara de anglo-saxã fiz QUESTÃO de responder “sorry, madam, I´m a foreigner too”. Ela bem que tentou puxar papo, disse que ama o Brasil e tra la lá. Ah, vá catar coquinho!! Mmmm não tem coquinho? Vá catar avelã então. Leave me alone.
Por que eu não nasci com a cara da Shakira??? Pára de achar que eu sou daqui!! Eu não sou daqui marinheiro, eu venho lá do outro lado da terra!! Posso não ter melanina e bunda grande, mas bota um sambinha que eu desço até o chão!!!!!!

Retificando…

Posso: Tudo.

“Whatever the mind of man can conceive and believe, it can achieve”.
(W. Clement Stone)

Acabei de ver “The secret”…. mais uma vez. Bom, bom. Good feelings, good thoughts, good life.