Que seja puro

Muitas vezes me cobram um texto aqui, outro ali, me chamam para escrever em lugares diferentes e, principalmente, reclamam dos meus exílios literários. Eu sei que já tenho um “público” fiel, e não tenho a menor modéstia para fingir que não, muito pelo contrário, meu lado leonino é apaixonado por ele. Mas o que vocês, queridos, têm que entender é que se não existem textos frequentes é porque existe paz. Às vezes é só falta de inspiração mesmo, mas quase sempre é paz.
Porque não só escrevo de cabeça quente, mas de sangue quente, de coração fervilhando. Porque o que eu transformo em palavras é praticamento um fluido da minha alma, escarrado aqui. E quando há paz, há silêncio. As palavras ecoam dentro de mim, mas não fazem tanta questão de sair. Pois é, sou regida por esse turbilhão gramatical, ele manda em mim. Quando se sente suficiente, ele quer sair. Quando não quer, não sai. E permanece aqui, no meu mais bonito arquivo: a minha cabeça.
A poesia só vem da dor, ou do amor dolorido; a intensidade jorra da loucura, não da serenidade.
Tenho aprendido muito sobre mim aqui de volta. Ou melhor, tenho reaprendido, resgatado, reabsorvido. Mas não pense que tenho me encontrado, isso não. Tenho me descoberto, pois me encontrar me limitaria demais e eu não sei viver com paredes. Não quero me encontrar, preciso de horizontes. Já dizia Oscar Wilde, “only the shallow know themselves”.
Talvez o que eu tenha vindo procurar, isso sim, eu já tenha encontrado. Ou esteja encontrando neste exato momento, consciente ou inconscientemente. Acredito na correnteza da vida e sei que um dia, quando olhar para esta fase da minha vida, entenderei perfeitamente e saberei onde todas as pontas se encaixaram.
Entendam que tenho aprendido a cuidar de mim, a separar o joio do trigo, a deixar ir o que não é meu e deixar vir o que tem que vir. Tenho feito projetos, tenho planejado o presente, o futuro, tenho vivido menos de passado. Tenho recebido provas imensuráveis de amor e desamor. Tenho testado meus medos e minhas inseguranças. E tenho aceitado, principalmente, exatamente tudo do jeito que é. Deixa o rio correr seu rumo e desembocar no mar. Deixa o mar ter maré baixa e maré cheia. Deixa a vida acontecer.
Como eu disse, estou em paz.
Enquanto isso, é noite. Deito na areia da praia esperando a maré subir. Que me lave a alma. E peço a um céu cheio de estrelas que me purifique o coração. Que me decante de todos os sentimentos que não me pertencem e me purifique o coração.

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4 comentários sobre “Que seja puro

  1. Taty disse:

    Mi, querida!

    Saiba que me sensibilizei muito com seu depoimento-texto-desabafo…

    Sua trajetória é linda e me encanta sempre, pois merece todos os aplausos!

    Seja o que for que você estiver buscando ou querendo descobrir… acredite, vai dar certo!!

    Beijos e quero te ver!

  2. Rah disse:

    Quanto tempo né? Sofri muitas mudanças também, e agora estou de volta ao bloguinho… Bateu saudade.
    Muita sorte pra vc continuar construindo coisas magníficas, sempre alegre, cheia de novas possibilidades.
    Sempre que quiser pode visitar meu barraquinho reaberto.
    Beijokas, RAh

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