Feliz 90 anos, Guaraná Antarctica

É muito claro o quanto a minha infância foi significante na minha vida, tanto quanto a importância dos meus avós pra mim. Desde que meu pai faleceu, minha mãe teve que trabalhar em dois empregos para poder tocar a nossa vida e muitos dos meus dias foram na casa dos meus avós.
Na frente da casa deles existiam três árvores, as três plantadas pelo meu avô e carinhosamente apelidadas de três marias. Atrás das árvores, onde hoje é o centro Britânico, ficava o depósito da Antarctica.
A minha infância inteirinha foi recheada por uma fantasia mágica em torno da minha bebida preferida, o guaraná. Nunca fui uma criança viciada em Coca-Cola, minha primeira opção sempre foi guaraná e, caso não tivesse, minha escolha ficaria entre Fanta, Crush, Gini ou Seven Up (as últimas três, para os mais velhos).
O depósito da Antarctica na frente da casa dos meus avós era como a fábrica de chocolates do Willy Wonka. Na verdade, acho que era só um estacionamento de caminhões, mas para mim, devia ser o lugar mais feliz do mundo. E como deveria ser bonito trabalhar todo dia num lugar cheio de guaraná. Todos os dias eu via os motoristas subindo e descendo daqueles caminhões cheios de refrigerante. E o mais mágico de tudo isso é que eu nunca pude entrar lá dentro, só conseguia espiar pelos portões um monte de caminhões e paredes cinzas, que meus olhos tratavam de transformar em um planeta mágico e colorido.
Ainda me lembro de me chocar quando descobri que o logo da Antarctica eram dois pinguins, e não a cabeça de um dinossauro vermelho parecido com o Horácio, da turma da Mônica. Sempre vi dois olhos nos pinguins (criança pancada vira publicitária, não tem jeito).
Também não vou discorrer aqui que, apesar da Antarctica ter feito parte de um universo mágico da minha infância, meu guaraná preferido era Brahma, de garrafinha marrom de vidro. E eu transferi toda essa magia da Antarctica para o dia em que meu tio foi trabalhar na Brahma de Fortaleza. Meu tio era o cara mais foda do mundo, porque – na minha concepção de criança – ele fazia o guaraná mais foda do mundo (claro que ele não fazia guaraná).
Na verdade, tudo isso foi pra mostrar pra vocês a coisa linda que a DM9DDB fez este mês: republicar o primeiro anúncio do guaraná Antarctica, que completa 90 anos. O depósito, ou estacionamento da Antarctica, não existe lá há muito tempo e, pra ser bem sincera com vocês, eu acho que eles só transportavam cerveja. Mas a minha infância foi marcada pelo mundo que eu criei em torno de uma marca e, por isso, eu queria homenagear a Antarctica de alguma forma, agradecendo-lhe por ter sido uma dessas purpurininhas da minha vida de menina. Um simples depósito na rua Tucambira fazia meu mundo de criança um lugar muito mais interessante.
Parabéns, Guaraná Antarctica. E obrigada pela companhia nos últimos 31 anos (mesmo aqui na Inglaterra).

Anúncio de 1921 da Antarctica, refeito pela DM9DDB. Fonte: Adnews.

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Nietzche, amor, desejo e posse

Trecho tirado de “A Gaia Ciência”, de Nietzche, livro que estou lendo através desse lindo do Google Books. Link abaixo.

O nosso “amor pelo próximo” não será o desejo imperioso de uma nova propriedade? E não sucede o mesmo com o nosso amor pela ciência, pela verdade? E, mais geralmente, com todos os desejos de novidade? Cansamo-nos pouco a pouco do antigo, do que possuímos com certeza, temos ainda necessidade de estender as mãos; mesmo a mais bela paisagem, quando vivemos diante dela mais de três meses, deixa de nos poder agradar, qualquer margem distante nos atrai mais: geralmente uma posse reduz-se com o uso. O prazer que tiramos a nós próprios procura manter-se, transformando sempre qualquer nova coisa em nós próprios; é precisamente a isso que se chama possuir.

Cansar-se de uma posse é cansar-se de si próprio. (Pode-se também sofrer com o excesso; à necessidade de deitar fora, pode assim atribuir-se o nome lisonjeiro de “amor”). Quando vemos sofrer uma pessoa aproveitamos de bom grado essa ocasião que se oferece de nos apoderarmos dela; é o que faz o homem caridoso, o indivíduo complacente; chama também “amor” a este desejo de uma nova posse que despertou na sua alma e tem prazer nisso como diante do apelo de uma nova conquista. Mas é o amor de sexo para sexo que se revela mais nitidamente como um desejo de posse: aquele que ama quer ser possuidor exclusivo da pessoa que deseja, quer ter um poder absoluto tanto sobre a sua alma como sobre o seu corpo, quer ser amado unicamente, instalar-se e reinar na outra alma como o mais alto e o mais desejável.

(Friedrich Nietzsche, 1844-1900. In: A Gaia Ciência. Curitiba,PR: Hemus, 2002, p. 50. E-book aqui)

Date a girl who reads (by Rosemarie Urquico)

Recebi este texto por email uma vez, e não tem como não compartilhar. Não sei o link original, mas a autora é Rosemarie Urquico. Deixo falar por si só, para os que entendem inglês (leiam em inglês). Os que não entendem, podem ler uma versão ok traduzida aqui.
 

Date a girl who reads. Date a girl who spends her money on books instead of clothes. She has problems with closet space because she has too many books. Date a girl who has a list of books she wants to read, who has had a library card since she was twelve.

Find a girl who reads. You’ll know that she does because she will always have an unread book in her bag.She’s the one lovingly looking over the shelves in the bookstore, the one who quietly cries out when she finds the book she wants. You see the weird chick sniffing the pages of an old book in a second hand book shop? That’s the reader. They can never resist smelling the pages, especially when they are yellow.

She’s the girl reading while waiting in that coffee shop down the street. If you take a peek at her mug, the non-dairy creamer is floating on top because she’s kind of engrossed already. Lost in a world of the author’s making. Sit down. She might give you a glare, as most girls who read do not like to be interrupted. Ask her if she likes the book.

Buy her another cup of coffee.

Let her know what you really think of Murakami. See if she got through the first chapter of Fellowship. Understand that if she says she understood James Joyce’s Ulysses she’s just saying that to sound intelligent.  Ask her if she loves Alice or she would like to be Alice.

It’s easy to date a girl who reads. Give her books for her birthday, for Christmas and for anniversaries. Give her the gift of words, in poetry, in song. Give her Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Let her know that you understand that words are love. Understand that she knows the difference between books and reality but by god, she’s going to try to make her life a little like her favorite book. It will never be your fault if she does.

She has to give it a shot somehow.

Lie to her. If she understands syntax, she will understand your need to lie. Behind words are other things: motivation, value, nuance, dialogue. It will not be the end of the world.

Fail her. Because a girl who reads knows that failure always leads up to the climax. Because girls who understand that all things will come to end. That you can always write a sequel. That you can begin again and again and still be the hero. That life is meant to have a villain or two.

Why be frightened of everything that you are not? Girls who read understand that people, like characters, develop. Except in the Twilight series.

If you find a girl who reads, keep her close. When you find her up at 2 AM clutching a book to her chest and weeping, make her a cup of tea and hold her. You may lose her for a couple of hours but she will always come back to you. She’ll talk as if the characters in the book are real, because for a while, they always are.

You will propose on a hot air balloon. Or during a rock concert. Or very casually next time she’s sick. Over Skype.

You will smile so hard you will wonder why your heart hasn’t burst and bled out all over your chest yet. You will write the story of your lives, have kids with strange names and even stranger tastes. She will introduce your children to the Cat in the Hat and Aslan, maybe in the same day. You will walk the winters of your old age together and she will recite Keats under her breath while you shake the snow off your boots.

Date a girl who reads because you deserve it. You deserve a girl who can give you the most colorful life imaginable. If you can only give her monotony, and stale hours and half-baked proposals, then you’re better off alone. If you want the world and the worlds beyond it, date a girl who reads.

Or better yet, date a girl who writes.

Que seja puro

Muitas vezes me cobram um texto aqui, outro ali, me chamam para escrever em lugares diferentes e, principalmente, reclamam dos meus exílios literários. Eu sei que já tenho um “público” fiel, e não tenho a menor modéstia para fingir que não, muito pelo contrário, meu lado leonino é apaixonado por ele. Mas o que vocês, queridos, têm que entender é que se não existem textos frequentes é porque existe paz. Às vezes é só falta de inspiração mesmo, mas quase sempre é paz.
Porque não só escrevo de cabeça quente, mas de sangue quente, de coração fervilhando. Porque o que eu transformo em palavras é praticamento um fluido da minha alma, escarrado aqui. E quando há paz, há silêncio. As palavras ecoam dentro de mim, mas não fazem tanta questão de sair. Pois é, sou regida por esse turbilhão gramatical, ele manda em mim. Quando se sente suficiente, ele quer sair. Quando não quer, não sai. E permanece aqui, no meu mais bonito arquivo: a minha cabeça.
A poesia só vem da dor, ou do amor dolorido; a intensidade jorra da loucura, não da serenidade.
Tenho aprendido muito sobre mim aqui de volta. Ou melhor, tenho reaprendido, resgatado, reabsorvido. Mas não pense que tenho me encontrado, isso não. Tenho me descoberto, pois me encontrar me limitaria demais e eu não sei viver com paredes. Não quero me encontrar, preciso de horizontes. Já dizia Oscar Wilde, “only the shallow know themselves”.
Talvez o que eu tenha vindo procurar, isso sim, eu já tenha encontrado. Ou esteja encontrando neste exato momento, consciente ou inconscientemente. Acredito na correnteza da vida e sei que um dia, quando olhar para esta fase da minha vida, entenderei perfeitamente e saberei onde todas as pontas se encaixaram.
Entendam que tenho aprendido a cuidar de mim, a separar o joio do trigo, a deixar ir o que não é meu e deixar vir o que tem que vir. Tenho feito projetos, tenho planejado o presente, o futuro, tenho vivido menos de passado. Tenho recebido provas imensuráveis de amor e desamor. Tenho testado meus medos e minhas inseguranças. E tenho aceitado, principalmente, exatamente tudo do jeito que é. Deixa o rio correr seu rumo e desembocar no mar. Deixa o mar ter maré baixa e maré cheia. Deixa a vida acontecer.
Como eu disse, estou em paz.
Enquanto isso, é noite. Deito na areia da praia esperando a maré subir. Que me lave a alma. E peço a um céu cheio de estrelas que me purifique o coração. Que me decante de todos os sentimentos que não me pertencem e me purifique o coração.

Bifurcação

Então faz duas semanas que cheguei ao Brasil. Minha vida na Inglaterra se resume a um depósito de 10m2. Todas as minhas coisas estão encaixotadas, como um rodapé de página esperando o próximo capítulo.
Absorvi essa vinda ao Brasil como um retiro espiritual e emocional (muito mais emocional), um tempo necessário para me colocar no lugar, uma etapa imprescindível para me chacoalhar e deixar o que é morto cair de vez. Preciso me renovar, preciso renascer como uma borboleta que rasga seu casulo, como uma fênix que ressurge das cinzas, e esse renascimento dói. Não, não pense que estou preparada para a dor, muito pelo contrário. Estou preparada para o que for melhor para mim e, se no meio da tempestade eu acabar me arranhando, prefiro acreditar que faz parte da jornada. Prefiro entender como cicatrizes de uma vida bem vivida, nunca fui de não dar a cara para bater. E quem dá a cara pra bater, tem que estar disposto a apanhar.
Em duas semanas de Brasil, muita coisa já aconteceu. Os sinais gritam e eu não quero ouvir, as ondas batem forte no meu rosto, eu sufoco, eu afogo, eu continuo nadando contra a maré.
E foi somente hoje que percebi que sempre precisei de circunstâncias e pessoas para me focar. Deus, como estou errada. O quanto cobrei uma atitude dos outros, para que eu pudesse me posicionar! E isso não é um jogo de baseball, eu não preciso saber onde os outros irão ficar para poder escolher a minha base!
Então hoje eu percebi. Preciso parar de querer fazer de mim e dos outros uma coisa só. Preciso deixar de esperar que as pessoas ajam do modo como eu gostaria e acredito que agiria no lugar delas. A vida não é didática. Tenho que riscar meus planos, afogar minhas expectativas.
Hoje eu aprendi que preciso de um pouco mais de egoísmo, um pouco menos de altruísmo. E essa é uma decisão nem um pouco prepotente. Descobri que se existe uma coisa em que preciso focar, essa coisa sou eu. Está na hora de escolher minha base antes dos outros e saber me posicionar sem referências. Tenho que novamente cuidar do jardim para que venham as borboletas.
E enquanto tudo isso acontece, deixo meu coração aberto para o que vier, sei que, de alguma forma, o que for melhor é o que virá. E quem se importa, fica. O que é essencial e verdadeiro, fica.

Está na hora de tirar meu coração do playground.

E se

E se eu tivesse feito tudo diferente, e se eu tivesse sido diferente. E se eu não tivesse entrado naquele avião em Dezembro de 2003.

Eu não estaria aqui com o David.
Numa casa de boneca no interior da Inglaterra, ouvindo Bob Dylan à luz de velas, bebericando um vinho, dando risada e planejando uma viagem de barco pelo Tâmisa.

Talvez eu fosse feliz. Talvez eu seja feliz.

Talvez o que eu procure da vida eu nunca vá achar mesmo, porque não está em um único lugar.
Memória fraca e saúde boa, esse é o segredo da felicidade.

Deixa a vida fluir.

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PS: Em Outubro será lançado o livro do Mundo Mundano e tem dois textos quentinhos meus lá! First step! 🙂

Novidades

Pois então, eu mal tive tempo de atualizar isso aqui com notícias. Ontem foi meu último dia na goiabeira bichada!!! Desde que a Nicola pediu demissão eu chutei o balde e pedi também. Não quis mais ficar lá, cansei, me estressou demais e não sou paga o suficiente pra isso. Nesses últimos dias eu tava vivendo a base de Red Bull, porque só água não tava rolando.
A Nicola conseguiu um emprego na Beaverbrooks, que é uma joalheria fina, vende diamante, Rolex, Tag Heuer e afins. Além disso, foi votada como sendo o melhor lugar pra se trabalhar no Reino Unido. E daí? E daí que eu consegui um emprego lá tambééééém! Vamos as duas pra mesma loja!
Essa semana é quase uma mini-férias e semana que vem começamos o treinamento em Oxford! Não vejo a hora!
Além disso, finalmente, eu e a Nicola colocomos nossos projetos em campo e montamos oficialmente a Bluebell Events and Wedding Planners. Pois é, estamos entrando no mundo de assessoria de casamentos e eventos. Eventos eu tenho um milhão de experiência, né, trabalhei a vida toda com fashion week e eventos de moda. Mas casamento é quase novo pra mim, e eu tô bem empolgadinha!
Essa semana fechamos nossa primeira cobaia, que na verdade vai ser um impulso pra portfólio! É a nossa ex-gerente da goiabeira, e produziremos o casamento dela em troca do nosso website! Uma coisa meio escambo mesmo.

Então aproveito pra avisar vocês que estão aqui em UK que a Bluebell está a todo vapor! Se precisarem de eventos, se resolverem montar uma ONG, comprar uma bicicleta ou casar, chamem a gente!

E é assim, a vida caminha pra frente e a bunda está exposta na janela pra passarem a mão nela!
Sucesso pra todos nós! Sempre.