Caminhos

Em todas as vezes em que você veio, eu te estendi a minha mão. Mesmo quando você não olhou para trás. E você voltou com sede, porque alguma coisa em mim te faz falta, você sabe que sempre volta. E eu estendi novamente a mão, o corpo, o coração, até que te entregasse aquela parte exposta, cheia de feridas, medos e inseguranças. 
Mais uma vez você se vai sem olhar pra trás, sem se dar conta de todas as palavras jogadas ao vento, sem se dar conta de todos os sentimentos estilhaçados pelo chão. Dessa vez você soltou minha mão e se foi. E eu parei por alguns instantes para te ver caminhar em passos largos na direção oposta, sem sequer voltar os olhos ao que deixou. Que eu fui para você talvez um nada, é o que mais gritou enquanto você partia. Um eco vazio. Engoli seco esse tudo, tão cheio de nada, um coração inteiro atravessando a garganta. Pois que agora eu comecei a caminhar, e não quero olhar pra trás. Ainda te dá tempo, não sei ao certo quanto, de me alcançar na outra direção. Só não espere que te estenda a mão depois que encontrar o meu caminho de volta. Volta. Enquanto ainda estamos na mesma estrada.

Anúncios

2 comentários sobre “Caminhos

  1. darciomartins disse:

    Excelente. Por isso que é sempre difícil vir aqui e ler, é sempre um aperto na alma. Mas como sempre, você sabe trazer aos leitores um pouco (ou muito) da vida.

    Ps: depois desse texto vou ter de fazer mais uma semana de imersão comtemplativa do meu eu.

    Amplexos, querida.

    Darcio Martins

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s