Mantras de número dois

Hoje eu fui no banheiro do hotel, eu uso o do lobby mesmo, o feminino tem quatro toilettes. Enfim, fui fazer um xixi básico e uma das portas de um dos toilettes estava fechada. Quando me dei conta, comecei a ouvir um mantra bem baixinho vindo do banheiro fechado e fiquei encafifada. Parei na frente da porta e a mulher continuava a entonar algo que eu não consegui entender, mas era a mesma palavra, bem baixo, com uma frequência quase satânica.
Pensei tanta coisa. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi que talvez tivesse uma criança com ela e e ela estivesse “chamando” o número um, dois, sei lá. Mas não ouvi um “a” de criança. Comecei a achar que a mulher tava num momento macumba e achei melhor fazer o meu xixi rapidinho antes que a luz começasse a piscar ou ela soltasse uma gargalhada de bruxa.
Enfim, entrei e saí do banheiro com o mesmo mantra da mulher vindo da porta fechada… sei lá, vai entender. Cada um com as suas loucuras pra fazer o número dois descer mais rápido…

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Faça alguma coisa diferente hoje!

Eu adooooooro essas dicas! Já coloquei algumas em prática algumas vezes!!!!

Pra acabar com a mediocridade de uma terça feira…

1) No seu horário de almoço, sente-se no seu carro estacionado, coloque seus óculo escuros e aponte um secador de cabelos para os carros que passam. Veja se eles diminuem a velocidade.

2) Insista que o seu e-mail é Xena.Princesa.Guerreira@nomedaempresa.com.br ou Elvis.O.Rei@nomedaempresa.com.br

3) Sempre que alguém lhe pedir para fazer alguma coisa, pergunte se quer que batatas fritas acompanham a solicitação.

4) Encoraje seus colegas de sala para fazer uma dança de cadeiras sincronizada com você.

5) Coloque a sua lata de lixo sobre a mesa e escreva “Entrada” nela.

6) Desenvolva um estranho medo de grampeadores.

7) Coloque café descafeinado na máquina de café por três semanas. Quando todos tiverem superado o vício a cafeína, mude para expresso.

8) No canhoto de todos os seus cheques escreva “Ref. favores sexuais”.

9) Sempre que alguém lhe falar alguma coisa, responda com “isso é o que você pensa”.

10) Termine todas as suas frases com “… isso de acordo com a profecia”.

11) Ajuste a brilho do seu monitor para o nível máximo para que ele ilumine toda a área de trabalho. Insista com os outros que você gosta desse jeito.

12) Não use pontuações.

13) Sempre que possível, pule ao invés de andar.

14) Pergunte para as pessoas de que sexo elas são. Ria histericamente depois que elas responderem.

15) Quando estiver em um drive-thru, especifique que o pedido é para viagem.

16) Cante junto na ópera.

17) Vá a um recital de poemas e pergunte por que os poemas não rimam.

18) Descubra onde o seu chefe faz compras e compre exatamente as mesmas roupas. Use-as um dia depois que o seu chefe usá-las. Isso é especialmente efetivo se o seu chefe for do sexo oposto.

19) Mande e-mails para o resto da empresa para dizer o que você está fazendo. Por exemplo: “Se alguém precisar de mim, estarei no banheiro, na terceira porta, e pode entrar sem bater”.

20) Coloque uma tela de mosquitos ao redor do seu cubículo. Toque um CD com sons da floresta durante o dia inteiro.

21) Com cinco dias de antecedência, avise seus amigos que você não pode ir na festa deles porque não está no clima.

22) Ligue para o CVV e não fale nada.

Falta de Margarete

Eu acordei tarde, era dia de folga.
Fui até a cozinha, meu café da manhã ainda estava esperando por mim. Tomei café fresquinho com leite, pão francês com manteiga e um pedaço de papaia.
Me arrumei, sem me preocupar com nada, a roupa cheirava a amaciante. Peguei minha bolsa, desci de elevador até a garagem, entrei no meu carro. Dirigi até a academia, fiquei por lá umas duas horas.
Voltei pra casa, o feijão estava na mesa me esperando. Almocei e saí da cozinha com a mesma mão vazia com que entrei. Minha cama estava arrumada, a casa inteira limpinha e organizada. Cheiro de desinfetante no banheiro.
Tive todo o tempo do mundo pra fazer o que me desse na telha, assistir tv, ler um livro, passear com o meu cachorro.
Resolvi fazer um bolo, mas não me preocupei em lavar a louça ou limpar a pia depois.

Isso tudo foi há pouco mais de um ano atrás. A cena de hoje é bem diferente.
Eu acordei tarde, é dia de folga.
A cama continua desarrumada, eu coloquei um pão na torradeira e tomei um toddynho de leite de soja pra não sujar mais louça.
A pia tá quase que uma obra de arte, de tanta coisa se pendurando.
Eu me arrumo pra ir pra academia, à pé, num calor de dois graus celsius. A sala tá virada do avesso, a roupa que eu lavei no fim de semana ainda está esperando ser passada, e o feijão? Tá de molho na panela, esperando meu comando. Mas acabou o alho, e eu vou ter que sair a pé pra comprar.

Pois é. As coisas no Brasil que a gente take for granted. Não dá tanta atenção quando tem. No Brasil tudo se autoresolvia…. ou melhor, quase tudo era resolvido para mim, por um outro alguém. Vou criar um fã clube das empregadas domésticas! Quanta falta faz a Margarete na minha vida!!!

Senhorinhas no ponto de ônibus

Às vezes eu me sinto a própria mosca ouvindo conversa alheia. Hoje estava no ponto de ônibus esperando o dito cujo pra ir pro trabalho.
Havia duas senhorinhas por lá, cada qual com seus cento e vinte anos, esperando o ônibus também. Uma parecia meio louca, usava um chapéu, saia, e estava de mochila. A outra, sentadinha, de boina vermelha e bengala.
Vira a do chapéu pra da boina vermelha e pergunta que horas são. A senhorinha diz “espera só um minuto que eu tenho um relógio que fala”. Eu pensei, nossa, que povo evoluído….
Aí a senhorinha da boina vermelha aperta um botão e o relógio diz com um sotaque irlandês “eleven, o-eight (11:08)”. As duas se abaixam e inclinam os respectivos ouvidos sobre o relógio da uma (essa cena foi impagável). As duas com os ouvidos grudados no relógio, que estava no braço da de boina vermelha.
A de chapéu diz “ah, eleven o´clock”. A outra diz “não, eleven fourteen”. “Vamos ouvir de novo”. Apertam o botão, grudam o ouvido no relógio, que diz “eleven o-nine”, que nada mais é que 11:09. “Ah, eleven two nine”. “Acho que disse eleven to nine”. Tive que intervir: “minha senhora, são onze e nove”. “Aaaaaaaah” disseram as duas.
Deviam inventar um relógio que desenhe….

Complementando:

Pra formar a patota, chega uma outra velhinha de duzentos e trinta anos, de casaco roxo e bengala combinando – roxa de bolinha rosa. Juro. Começa uma conversa de que o ônibus número nove não vai pro centro, vai pra Caversham. Eu, defensora dos oprimidos, intervenho de novo. “Não, senhorinhas loucas. Pra Caversham é no caminho de volta. Daqui, vai pro centro da cidade”. Vira a do chapéu e diz “que cidade???”. Eu tive vontade de responder Veneza, mas fiquei quieta. Como que esse povo anda na rua sozinho?????

Um dia…

… frio, um bom lugar pra ler um livro…

Um dia triste, toda fragilidade incide….

Devaneio

Sinto o sabor do mamão no meu café da manhã, suco de maracujá. Posso morder um caju fresco e não há nada nesse mundo que possa comparar.  
Meus pés anseiam pela areia branca e fina, meus lábios pedem o salgado da água do mar. O sal que fica no corpo, a brisa que só é de lá. Abro a minha canga, já é hora de ficar e não pensar em nada. É hora de sentir o sol na pele.
Peço a Deus um barulhinho de panela de pressão no vizinho, cozinhando o feijão do dia. Páro um minuto querendo sentir o cheiro do alho e da cebola fritando. Um caldo de cana, uma água de côco.
Ouço os passarinhos, os bem-te-vis, que saudades dos bem-te-vis. Abro a janela e tem uma cidade inteira me esperando, de dia e de noite. 
Quase que escuto os peões na obra ouvindo um pagodinho, quase que escuto as crianças brincando e os cachorros latindo. E de longe, há sempre um rádio tocando um samba. Se der sorte, passará um trio na minha rua agora. E eu escuto o samba chegando.
Eu me entrego, canto, grito, danço. Saio atrás dele. E no meio do caminho, me rendo a um chopp gelado ou um café de verdade. O samba daqui não é o samba de lá.
O vento morno do verão, o ar entrando pelo meu vestido. A pele queimada de sol, os pés pedindo havaianas. As unhas feitas, o cabelo solto. Inspiro e expiro brasilidade.
Me pego dirigindo meu carro, do lado direito da rua. Escuto Ivete no rádio, assisto Faustão aos domingos. Tem  feijoada no quilo de quarta-feira. Mas hoje é dia de ir a feira e pedir pastel e guaraná. E hoje será de palmito.
E chego em casa pra assistir a novela, pra falar besteira em português, pra não pensar se terei mamão no café da manhã do dia seguinte.
É saudade, é apego, é conforto. É um pedaço de mim que ainda grita.

“Filho de sol poente que quando teima em passear, desce de sal nos olhos, da falta que sente do mar”.
(Maria Rita, “A despedida”)

Confidências

Adaptação é uma palavra simples, mas que de simplicidade não traz absolutamente nada. Com ela vem um medo gigantesco do novo, a angústia do desapego, a frustração de não chegar assim tão rápido no resultado. Já dizia Nando Reis, não vou me adaptar. É como uma barreira psicológica, basta pensar em se adaptar para ir contra.
Pode ser o medo da mudança, o medo de começar do zero, o medo de  refazer uma vida inteira pela frente. Vinte e oito anos parece-me não tão cedo mais para tudo isso. Já não tenho a gana dos meus dezoito, já não sei se ainda é tempo de usar aquele velho jargão “se não der certo, a gente recomeça”.
Dez meses se passaram desde o momento em que minha vida toda mudou. O momento em que eu fechei um livro para abrir outro, uma página nova, um recomeço, tudo novo. E bem que me perguntaram ainda em terras de Cabral, “você vai começar a vida do zero?” Foi aí que caiu a ficha.
E eu, que nunca tive medo do novo, sempre preferi arriscar, tanto fui a favor do incerto pelo certo, porque o incerto poderia ser melhor, amarelei.
E naquele aeroporto de Guarulhos eu achei que ficaria todo o meu passado, toda a página virada.
Mas a vida não é bem assim. A gente não “deleta” o que passou. A gente tem memória, e eu tenho memória de elefante. A gente é saudosista, e eu sou a pessoa mais saudosista que já conheci na vida. E é óbvio que toda aquela carga, toda a energia, a pressão, vieram todas nas minhas malas.
E quando eu cheguei aqui, sozinha, com somente um grande amor na mochila, as coisas não foram tão fáceis quanto pareciam nos meus sonhos.
Pra falar a verdade, não foram nada fáceis. Talvez eu nunca tenha contado pra vocês das nossas dificuldades financeiras, do perrengue que é construir crédito num país novo, da aventura de se colocar no mapa como uma pessoa que existe de verdade. Pensa que é só chegar no país e querer um cartão de crédito? Seu nome nunca existiu por aqui, leva-se anos para construir crédito financeiro e pensar em começar alguma coisa. Empréstimo de banco, cartão de débito, conta corrente, documentação, aluguel, emprego, nada é fácil para um cidadão do mundo que começou a existir agora.
Os três primeiros meses deste lado foram os mais difíceis da minha vida. Entre chorar todos os dias e aproveitar o recém casamento, sempre há a primeira opção. Sempre existem as dificuldades e o fantasma da solidão. Todos os dias inteiros, sozinha. Sem ninguém pra conversar.
Mas dizem que o tempo cura tudo e, realmente, o tempo traz a adaptação. A gente é forçado a se adaptar porque já passou tempo suficiente pra isso. E é hora de crescer e encarar as coisas de verdade. É hora de virar adulto.
E pela primeira vez aqui, eu me sinto quase que me adaptando. Tento mais me desgarrar do passado, do Brasil, das coisas que ficaram e planejar mais o futuro. Dói, e isso não quer dizer que o passado signifique menos pra mim hoje. Só diz que é hora de mudar, mais uma vez. Pensar pra frente. Levantar, sacodir a poeira e dar a volta por cima. Entender de vez que essa foi a opção e não dá pra ter tudo ao mesmo tempo.
Se eu tenho quase trinta anos pra recomeçar, sim, eu tenho. Se dá medo começar do zero e não ser mais tão jovem, sim dá, e muito. Mas entre Nando Reis e Lenny Kravitz, hoje eu fico com o segundo. “I´m old enough to see behind me, but young enough to feel my soul*”…

 

road 

* “Eu sou velho o suficiente para olhar pra trás, mas jovem o bastante  para sentir minha alma”

Prêmio

Fala se eu não mereço um!!! Um frio do cão e eu caminhando vinte minutos sob uma temperatura de três graus, só pra chegar aonde: na academia!!! Achei que fosse congelar no meio do caminho e ficar por lá!
E o meu prêmio de agora vai ser… nada de chocolate! Uma bela e quentinha sopa de legumes! E não me desanimem, preciso eliminar as bordas recheadas!!!!!!