SUNday

Domingão, nove e meia da manhã e eu já tô acordada há 1 hora. Time for working out, baby! O dia aqui tá tão lindo e eu ainda não decidi se vou na academia antes porque tenho MUUUUITO o que pedalar hoje. Aliás, compramos umas bikes usadas (roubaram as nossas novinhas, lindas, do jardim). A gente pagou 20 libras as duas, então dá pra entender que elas não estão lá no melhor estado! O marido ficou de ajustar os freios e ver se a carcaça da minha que sobrou no jardim serve pra essa nova. E eu tô MUITO FELIZ de poder pedalar de novo, eu adoro – minhas coxas e bunda também adoram, as celulites detestam e eu adoro mais ainda! E aqui, com o carro na oficina, a gente acaba andando muito a pé ou de bike mesmo.
Ontem fomos fazer compras de mercado no centro da cidade e há semanas que temos andado todo o caminho de ida e volta, carregados de sacolas nos ombros (de pano, hein, galera!! REUTILIZE). E ontem, amarrá-las à bike foi divino (apesar de eu ter perdido o equilíbrio por causa do peso vááááárias vezes). Mas pedalei feliz, sentindo meu carbon footprint (que já não é muito) reduzidérrimo.

Tem algumas coisas me revoltando essa semana:
1 – Não ter ido (de novo) ao V-Festival (tava louca pra ir, teve Fatboy Slim, Paolo Nutini e mais um monte de gente bacana).
2 – A “compassionate leave” escocesa pelo cara que explodiu o avião da Pan Am nos anos 80.
3 – O fogo descontrolado na Grécia.

Bom, número 1 nem precisa de muita explicação, então vamos ao número 2. Essa semana tá o maior bafafá aqui porque a Escócia decidiu soltar o prisioneiro terrorista que explodiu um avião da Pan Am (na própria Escócia), na década de 80, matando 270 pessoas. Na verdade o cara tá com câncer terminal. Até aí tudo bem, eu fui super a favor da “compassionate leave” do Ronald Biggs, que estava morrendo num hospital-prisão. Agora ele está em casa, com a família… Mas Biggs só roubou um trem! Esse terrorista não teve compaixão com a vida e as famílias de 270 pessoas, acho o FIM DA PICADA ter compaixão com um cara desses. A Escócia inteira está revoltada, a Inglaterra, os Estados Unidos… menos o governo escocês, que diz que compassionate leave faz parte do sistema penal. Peralá, né, camarada! Tem que ter critério!!!
Número 3. Não me conformo com arsenistas (nem sei se essa palavra existe em português, sorry!). São  os caras que colocam fogo deliberadamente em mata seca. Pra mim isso é o esgoto da raça humana. Gente completamente sem instrução, educação, alma e qualquer bondade. Qual é a graça de destruir dezenas e dezenas de hectares de ECOSSISTEMA? O que leva uma criatura a colocar cidades inteiras em risco, obrigar pessoas a deixarem suas próprias casas à mercê do fogo, matar fauna e flora? Meu Deus, isso me revolta tanto!! O fogo encanta? Vai fazer uma fogueirinha, estrupício, queima tuas roupas!! Ai que ódio, que ardam todos no mármore do inferno!

Uf, uf, uf. Vou fazer uma prática de Ashtanga e curtir o dia de sol porque aqui é assim. Faz sol, pára tudoooo! É só 1 dia! Só Deus sabe quando ele volta! Bora produzir vitamina D??
Fica aqui o convite e a motivação pra quem acordar cedo neste domingo!!! Vá caminhar no parque, curtir uma aula de spinning, andar de bicicleta, dar uma volta com o cachorro no quarteirão!! I see you baby, shaking that ass!!!!

EXERCISE

Bom e barato

Outra super dica para o corpo é o Body Tonic, da Garnier. Não tenho certeza se existe no Brasil, aqui é baratinho, custa menos de £6.
Ele tem cafeína e promete hidratar e firmar a pele em 7 dias, e funciona de verdade! Além disso, a textura é tipo gel creme, bem levinha, e o cheiro é DI-VI-NO! Uma mistura de limão, grapefruit e kiwi, energia pura – ótimo para o verão! Vale a pena: 2 em 1 e baratinho!

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A crise dos 29

É impressionante o quanto a vida de uma menina muda quando ela chega perto dos 30 anos. Eu ainda acho que as mulheres entram mais em crise quando completam 29 anos do que 30. Porque é aí que começa toda a preparação, o pânico, o medo e a ficha que cai dos longos – e nem por isso tão bem vividos – 30 anos.
Quando eu fiz 29, em Maio deste ano, foi um choque. Eu juro que me olhei no espelho e vi meu corpo diferente, umas marquinhas de expressão que não existiam no dia anterior, um peitinho mais murcho e um único fantasma: o pé nos 30.
Minha mãe sempre dizia que a gente completava os anos, então, quando se faz 15 na verdade completou-se 15 anos e já se entrou na casa dos 16. E é aí que mora o perigo dos 29. O pézinho lá na “mulher de 30 anos” de Balzac.
A maioria das meninas (ou mulheres?) que eu conheço têm a mesma idade que eu: 29. Então vejo tudo mudando pra todo mundo. É um tal de fazer listas, planos, “coisas que não quero quando chegar aos 30”, “a pessoa que não quero mais ser”, “30 coisas pra fazer antes dos 30”. Uma infinidade de planos e projetos. É como se alguém apertasse o botão de emergência da vida, parasse o trem, colocasse um espelho na tua frente e dissesse “e agora, colega, como é que vai ser daqui pra frente?”
Eu tenho um milhão de planos para serem concluídos antes de Maio do ano que vem, e do jeito que está, não sei não se vão ser tão bem sucedidos. Afinal, o tempo corre como a água da torneira. E desde meus 19 parece que alguém abriu a torneira por demais!
Outro dia saí pra andar no parque com minha amiga de 19 anos. E me vi dando instruções sobre a vida, aquela ladainha que a gente escutava quando não tinha maturidade suficiente pra absorver. Aproveita muito essa fase, essa é a melhor fase da sua vida, você vai pra Universidade, será inesquecível, larga o namorado, é melhor solteira… tudo o que eu escutava daquele bando de gente “velha” que achava que a vida era melhor aos 19. Realmente, eu não tenho o que falar dos meus 19, 20, 21, 22, 23, 24…, foram literalmente os melhores anos da minha vida! Mas a minha vida não parou ali! Aqueles não foram solitariamente os melhores anos da minha vida! Olha pra gente agora! Tanta coisa aconteceu desde os vinte e poucos, tanta maturidade, tanta disposição pra vida! E eu digo a mim mesma, aproveita essa fase, amiga. Porque essa também pode ser a melhor da sua vida.
Hoje eu tenho 29. Me formei em Publicidade e Propaganda, trabalhei de graça em agência, caí no mundo da moda, virei coordenadora de Marketing de Moda, Assessoria de Imprensa, Coordenadora de Projetos, trabalhei em Paris, casei há dois anos com um gringo, arrumei uma trouxinha e me mudei pro outro lado do mundo. Acho que até fiz bastante coisa pra ter quase 30, mas nunca parecem suficientes. Já mergulhei, já pulei de skycoaster, já experimentei um monte de coisa, já beijei um monte de bocas, já aprendi milhares de diferentes tópicos, já construi, destrui e reconstrui amizades,  já amei sem ser correspondida, já conheci gente imprescindível, já passei carnaval em Salvador, já estive em muitos lugares, já encontrei o amor da minha vida. E ainda falta um monte de coisa. Falta correr uma maratona, voar de balão, meditar na Tailândia, emagrecer, morar na praia, fazer um filho. E aposto que você também já fez muita coisa e ainda tem um monte esperando num pedaço de papel guardado numa gaveta qualquer.
Mas pra que colocar planos tão importantes em uma lista com dia e hora pra acabar? Eu acho que é super saudável planejar e tentar alcançar os nossos sonhos, a tão varrida liberdade, o amor pra toda vida. Mas acho que sonhos são artigos de uma vida toda. Não quero realizar tudo aos 30. Quero guardar um pouco para os 40, os 50, os 80. Quero fazer a Route 66 numa Harley Davidson quando tiver 79 anos.
Nunca me esqueço de uma amiga muito querida que venceu um câncer linfático aos 28 anos. Eu tinha cerca de 21 quando a conheci e ela tinha acabado de ganhar a batalha. Ainda ostentava o cabelo curto com muito orgulho e ainda é, hoje, uma das pessoas mais alegres que conheci na minha vida. E um dia ela me disse algo que nunca mais deixou de martelar minha cabeça “Eu não faço mais planos para nada… eu tinha tantos planos… e de uma hora para outra eles  viraram fumaça, pois havia apenas 50% de chance de eu ter um amanhã”. Ela tinha entendido o essencial da vida de uma forma muito dura. Viver o presente, o hoje, o agora. Planejar sim, mas depender a sua vida do planejamento, não. Há de existir sempre um plano B, uma alternativa, uma saída. Pra tudo nessa vida.
Por isso, amigas quase Balzaquianas, experimentemos viver os 29 como apenas 29. Façam planos, listas, mas não se esqueçam de viver os 29. Os 39, os 49. Esqueçamos os 30 e as dezenas inteiras por um tempo. Os 29 são agora, faça o que quiser fazer hoje porque o amanhã simplesmente não existe, é tudo um recomeço. Mas a torneirinha continua jorrando….

to-do-list

“Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça…”
Mário Quintana

Branca de Neve em 2009

Era uma vez uma menina chamada Branca de Neve. Ela morava com o pai no Brooklyn, em Nova Iorque, e havia perdido a mãe há algum tempo.
Depois de um tempo seu pai casou-se com uma coroa malvada, que tinha lá seus quase sessenta anos e ainda jurava que era linda. Gastara fortunas com botox, prótese de silicone, abdominoplastia. Tinha personal trainer, um lábio inchado de colágeno e usava roupa de lycra. A madrasta queria ser a mais bela de todo o bairro.
Um dia a madrasta perguntou para o personal trainer quem em todo o bairro era mais bela que ela. E no fundo ela sabia que a resposta seria Branca, porque sempre teve inveja de sua pele perfeitamente alva, seus cabelos negros e olhos azuis da cor do Pacífico. Pois dito e feito, o personal respondeu “Branca de Neve” e foi demitido.
A madrasta malvada resolveu se livrar da menina contratando um matador de aluguel jamaicano. Negro, alto, forte, bonito. Quando viu Branca de Neve se encantou pela moça e não teve coragem de matá-la. Tomaram um drink no Soho e ele pediu pra Branca fugir de Manhatan.
Branca de Neve foi morar no Bronx, dividindo um apartamento com sete baixinhos mexicanos, todos imigrantes ilegais.
Um dia os baixinhos mexicanos receberam uma encomenda. Uma caixa de doughnuts com geléia endereçada à Branca de Neve. Depois de um longo dia de trabalho na recepção de hotel três estrelas, Branca chegou em casa e agradeceu aos céus por ter doughnuts, afinal, estava de TPM. Devorou um por um e adormeceu num sono profundo.
Os mexicanos chegaram do turno do Mc Donald´s tarde da noite e encontraram Branca deitada no chão.
Que pasa, Blanca?
Me parto el culo trabajando y ella se emborracha solo…
Blanca, acuerda! Blanca! Que pasa, Manolo?
Mierda de puta madre!!!! No tiene pulso!
Um dos mexicanos chamou o vizinho, Prince, um porto riquenho lindo de morrer. Alto, moreno, forte, olhos verdes, cheiroso. Manolo disse:
Besa a la chica, Prince! Besa a la chica!
Aunque se estuviese MUER-TA, Manolo! No me gusta la fruta, caramba!
Branca de Neve foi levada para a emergência e não resistiu…

PS: Já peço desculpas se tirei todo o encanto de um conto de fadas… foi só um surto momentâneo!!

Sonho proibido

Estava tendo um sonho proibido. Tão proibido que a vizinha de baixo começou a gritar “Polícia” três vezes em espanhol. O grito fez parte do sonho por alguns segundos, depois cumpriu seu papel e me acordou. Policiando os sonhos proibidos.

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A vida, por Emília

Eu tinha talvez uns nove anos de idade quando minha tia chegou com uma caixa de papelão enorme e disse:
– Toma. Eu sei que você é a única que gosta de ler…
E quando eu abri, a caixa tinha a coleção completa do Monteiro Lobato, em capa dura. “Reinações de Narizinho”, “Memórias de Emília e Peter Pan”, “A chave do tamanho” e mais um monte. Foram boa companhia por muito tempo.
E morro de remorso quando penso que não tenho mais coisas como essas, que fizeram parte da minha infância. Queria ter guardado meus bonecos do Cascatinha e do Fofão. Seriam ícones hoje. Queria ter guardado essa coleção e a minha caixa de gibis de capa dura da Mônica. A minha bebezinho, que teve história pra contar... O que me conforma é que sei que todos os meus livros sempre foram doados pela minha mãe para instituições de caridade. E não há nada de mais perfeito nesse mundo do que passar magia de mão em mão.
Deixo aqui um trecho de “Memórias de Emília”, que achei no blog da Rah.

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“– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais […] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre. – E depois que morre?, perguntou o Visconde. – Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”

Cidade maravilhosa

Vocês sabem que se me der um louco eu faço dois, né. Pois então. Ontem à noite saí da academia (ainda estava claro), depois de uma aula de pilates e outra de spinning. Andava com a minha amiga na avenida da faculdade quando nos aproximamos desse casal perdido no meio da rua. Uma mulher de uns cinquenta e poucos anos e um senhorzinho muito fofo. Vira a mulher pra gente e diz alguma coisa sobre tennis. A gente achou que eles queriam jogar tênis, mas aí eles começaram a falar os dois ao mesmo tempo e eu ouvi um “pelota” no meio. Soltei meu portunhol e perguntei se eles falavam espanhol. A mulher se empolgou toda e perguntou se eu era espanhola, eu disse que não, que era Brasileira. Descobri que eles queriam era jogar squash, que é na academia. Dei as instruções enquanto o senhorzinho tentava persistentemente falar comigo em espanhol. Quando dei brecha ele me perguntou de onde eu era e eu disse São Paulo. Aí ele desembestou a falar que já tinha ido pro Rio, pra São Paulo, pra Curitiba e pra Foz do Iguaçu, que amava o Brasil e tralalá.
E quando eu me dei conta estavamos eu e ele cantando “Cidade maravilhosa” bem alto, com os braços abertos e espalhafatosos no meio da avenida. Só percebi o mico quando a mulher começou a puxar o pai e dizer  “gracias, gracias, gracias”. E ele foi embora de costas, cantando com os braços abertos e eu também, nos separando minuto a minuto. Cena de filme. Minha amiga polonesa tava sentada no ponto de ônibus se matando de rir.

Ô dificuldade…

Como é difícil expressar uma opinião num blog sem receber trocentos neguinhos mal educados falando a respeito.
O povo joga “Sandy” nos motores de busca e cai aqui matando. Gente, vai escrever pro fã clube, me deixa aqui com o meu barraco. Blog é uma expressão pessoal, não é casa da mãe Joana. É público até onde eu quiser que seja. A casa é minha, quem manda aqui sou eu. Caramba… será que é tão difícil criticar com educação nos dias de hoje?