O dia em que ele disse sim

Fazia tempo que ela falava em códigos e ele fingia não entender. Talvez não quisesse ou apenas não estivesse preparado, mas ainda assim gostava tanto dela que tudo aquilo até parecia fazer algum sentido.
Ela dizia que se davam tão bem, quase nunca brigavam por coisas banais, ela trabalhava, ele também. Por que não?
Ela morava com os pais, ele dividia um apartamento com três amigos. Considerava a vida de pizza fria, video game e cerveja no café da manhã uma prova de virilidade. Mas ele bem que gostava o suficiente dela e talvez até quisesse mudar.
Seus amigos foram contra, disseram que ele perderia a liberdade e que a vida sexual seria focada em datas comemorativas. As amigas dela acharam incrível, tinham um tiquinho de inveja e engoliam a dor de mudar a rotina de fofocas.
Um dia ele resolveu que sim, que se não estivesse preparado saberia logo no começo. Aceitou. Então alugaram um apartamento de um quarto juntos. E a primeira manhã acordando ao lado dela sem ter hora para acabar foi ensolarada.
De repente a escova de dentes rosa se juntou à azul no banheiro. O creme de barbear dividiu espaço fraternal com o creme anti-celulite. O armário abrigava gravatas discretas e sutiãs coloridos, na mais perfeita harmonia.
Ele não se importou em ter suas roupas cheirando a amaciante e suas meias enroladas em bolinhas. Ela não se importou em ter um cinzeiro na sala e poder assistir a novela enquanto ele cozinhava o melhor macarrão do mundo. Eles adoravam ir à loja de construção, escolheram juntos o papel de parede, pintaram de amarelo a parede da cozinha numa manhã de domingo.
Ele já entendia coisas como panela anti-aderente e o choro pré-menstrual. Ela já sabia o que era impedimento e  conhecia Kovalainen. Sex and The City disputava espaço com o Campeonato Brasileiro, a caixa de granola ficava ao lado do Sucrilhos. Ela fazia misto quente pra ele de manhã e ele preparava caipirinha para ela à noite.
O sexo foi como vinho. Talvez não tão constante quanto quando se encontravam no motel, mas havia melhorado em qualidade. Era intenso, e muito melhor que antes. E também imprevisível e previsível. Nas noites de sexta e sábado ou enquanto o jantar cozinhava.
Ele conhecia o cheiro de acetona e sabia qual lingerie ela usava até mesmo quando iam ao mercado. Sabia que ela ficava linda com aquele vestido vermelho, mas que ficava ainda mais bonita quando acordava. Ela conhecia todos os olhares e sorrisos secretos dele, sabia que ele odiava samba-canção e usava hidratante no rosto.
Ele roubava o travesseiro dela à noite e ela falava até ele adormecer. Eles conversavam por horas, faziam guerra de cócegas, riam do arroz queimado e confessavam segredos. Eram melhores amigos.
Algumas coisas continuavam imutáveis, porém. Banho juntos, tudo bem, mas outras coisas dignas de banheiro pediam  porta fechada. Gases também eram educadamente despejados quando o outro não estava por perto, e o aromatizador de ambiente era amigo dos dois. Hálito de cabo de guarda chuva de manhã era perdoável, mas pular banho, não. Existem coisas que a intimidade destrói mesmo. Intimidade é uma merda. Você sabe que o ilusionista não levita, mas não precisa aprender o truque, porque perde a graça. E a magia e o encantamento têm sempre que continuar. Afinal de contas o que todo mundo quer mesmo é era uma vez e foram felizes para sempre.

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Passion

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“- Amor, vamos morar lá, vai?
Esquece que tem francês, finge que nem é na França!
Faz de conta que é torre de celular!!”

* foto tirada por mim, de cima do Centre Pompidou. Saudades de Paris e do meu francês decadente…

O meu consumo é consciente, e o seu?

Tinha escrito um post enorme e perdi tudo. Melhor pra vocês, porque meus braços e mãos ainda ardem da aula de pole dance, então esse vai ser mais curtinho. Tô participando da blogagem coletiva dessa semana sobre Consumo Consciente. Quem quiser entrar é só acessar este link: http://cybelemeyer.com.br/falandosobre/?p=637.

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Eu sou ecopentelha desde criancinha, por isso não poderia ficar de fora de um assunto que é tão importante pra mim. Aos oito anos eu fundei um clubinho de reciclagem entre os meus amiguinhos e fazia papel reciclado em casa no liquidificador da minha mãe (que tinha contrações uterinas quando descobria). Eu tinha até um kit, com tela e tudo!
Aos doze acreditei que a Rio 92 fosse mudar o mundo e entrei para o Greenpeace. No mesmo ano fui presidente do grêmio da escola, da chapa CEDE, criada por mim. Chapa Em Defesa Da Ecologia (dããã). Fiz um projeto monstro de reciclagem na escola, arrecadei quilos e quilos e mostrei não só para os alunos, mas para as coordenadoras e diretora, que era fácil mudar um hábito. Instalamos latas de lixo reciclável e eu era responsável por levá-las ao lixão com o tiozinho que dirigia a perua escolar.
Minha vida toda foi assim, quantas vezes já abri o vidro do carro e briguei com gente jogando lixo na rua. E até hoje, óbvio, eu faço muito pra diminuir meu carbon footprint na Terra. E isso é, de verdade, tão importante pra mim quanto estar saudável e feliz. E não há nada mais in hoje do que ser green. Então vamos às dicas.

1. RECICLE. Parece bobo e ultrapassado, né? Mas apenas 2% do lixo Brasileiro é reciclado!!!! Comece separando plástico, metal, vidro e papel. Lembre-se de lavar os recipientes, coisa suja não é reciclável! Veja o que é ou não reciclável no site Ajuda Brasil (clique no nome). Procure uma instituição ou o responsável por reciclagem na sua cidade, contate subprefeitura, secretaria do meio ambiente, lixão e veja como participar. Em São Paulo também há muitos Postos de Entrega Voluntária (aqueles latões coloridos no meio da rua). Junte tudo e leve você. Eu fazia isso não só em casa, como no trabalho também. Passava de departamento em departamento pegando papel reciclável *sem informações confidenciais, óbvio* e levava tudo para o posto de coleta no meu próprio carro. Uma andorinha pode fazer verão, sim. Só é preciso uma pessoa com boa vontade de disposição.
Be green with style:

lixeiras_seletivas_tokstok1Estas duas opções são da Tok & Stok. A segunda, conhecida por “Recicletes”, custa R$ 126 no site.

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Pra quem mora aqui, a primeira é da Argos, eu tenho em casa. Custa £45. A segunda opção é da IKEA e é só £9,99!!

Não se esqueça de ter uma opção para lixo orgânico, separado dos recicláveis, hein!!

2. REUTILIZE. O problema não é você pegar sacolinha plástica no supermercado e levar pra casa. O problema é o que acontece depois disso, quando você as utiliza para lixo e elas vão parar nos aterros. Sacolas plásticas de mercado são muito leves. Elas voam com facilidade e acabam fugindo do controle. Vai dizer que você nunca viu uma no mar? Embalagens plásticas no mar arruinam a vida marinha, matam milhares de animais todos os anos. E assim que o animal morto apodrece, lá está a sacolinha livre, leve e solta à caça de outra vítima.
A estimativa é de que a cada ano o mundo use e descarte 1 trilhão de sacolas plásticas. Vamos mudar isso com classe, né? Nunca, nunca leve embalagens plásticas à praia, nem salgadinho, por favor!!!!! Ou guarde tudo na sua sacolinha de PANO, muito bem guardados para não voarem, e leve de volta pra casa. Não deposite nos lixos da praia: um ventinho e já era.
Aqui na Inglaterra o uso de sacolas reutilizáveis já é extremamente incentivado. Os supermercados só dão as de plástico se você pedir bem alto, na frente de todo mundo e fizer cara de tacho. Além disso, a maioria deles têm programas de reciclagem de sacos plásticos, com latões dentro do mercado.
Eu, desde que cheguei, uso as minhas de pano LU-XO que ganhei quando fiz o desfile do Ronaldo Fraga (qualquer hora tiro fotos e coloco). Uma das minhas preferidas aqui é essa aí embaixo, da Anya Hindmarch. Mas gente, dá até pra fazer se você tiver um pouco dos dotes de corte e costura da sua mãe. Pede pra avó fazer uma de retalho, ela vai amar e vai ficar chiquérrima!! Porque comprar uma é muito OUT. O esquema é reutilizar!

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Quer outras dicas para reutilizar?
* Use a água da máquina de lavar pra lavar o quintal ou a calçada. JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA, use mangueira. A não ser que você queira receber um sermão de meia hora de algum ecopentelho como eu que estiver passando pela rua!! Convenhamos, é o fim da picada né! Vai sujar depois de cinco minutos, anyway!
* Reutilize cascas de comida. Use casca de batata e cenoura para fazer tortas, cascas de frutas para sucos ou bolos. Olha uma receita de bolo de banana com casca aqui ó.
* Reutilize os tupperwears que a vida te dá. Lembra da vovó guardando arroz no pote de margarina Claybon? Certíssima, a vovó! Guarde cereais, grãos e macarrão em vidros grandes de palmito. Faça uma decoupagem neles, pinte com todo o amor e carinho e decore a casa fazendo terapia!

3. REPENSE. Repensar os seus valores pode parecer fácil, mas não é. Tente descobrir o que tem feito de errado e onde pode acertar. Pense em tudo o que poderia fazer para diminuir seu carbon footprint na Terra e fazer deste planeta um lugar melhor. Usa o carro até pra ir à padaria da esquina? Vá de bike! Tire o pó daquela bike da tua garagem e ande mais de bicicleta! É tão bom… Vá a pé, de ônibus, de trem, metrô. Utilize transporte público se ele for te levar ao lugar de destino. Vá de trem, aqui na Europa eu só viajo de trem – é mais barato, óóóótimo pra quem tem medo de avião, é rápido e economiza milhões de emissões de carbono. Ande mais, pedale mais. O mundo e a sua bunda agradecem.
Quer diminuir o desmatamento da Amazônia? Diminua o consumo de CARNE! Sim, sim! A Amzônia tem um tamanho de pastagem que é do tamanho do Reino Unido. Sério! Joga no Google! Diminua o seu consumo de carne e as pastagens terão que ser repensadas. Se todo mundo fizer isso, é como um boicote! Não tô falando pra virar vegetariano, mas tente restringir o consumo para uma vez por semana. Eu como uma vez a cada dois meses e olhe lá…
Repense o tipo de produto que você compra. É importado? Fora de estação? Então coloque de volta na estante. Tudo o que vem de fora envolve um esquema de logística monstruoso e uma imensa emissão de carbono. Ou você acha que o teu vinho francês chega aí nadando? Se você mora no Brasil, compre mais produtos Brasileiros. Se mora em outro lugar, compre mais produtos deste outro lugar (já viram onde eu me meti morando na terra da batata, abóbora e repolho, né!) Mas é assim, eu vejo um mamãozinho no mercado com uma etiquetinha “from Brazil” e digo não, obrigada. É claro que uma hora ou outra não tem problema, mas foque sua atenção no que é nacional e nas frutas e legumes da estação. Porque deu pra sacar que se elas não são da estação é porque vieram de outro lugar, né!

Bom, ficam aí algumas dicas. Seja GREEN. Repense suas atitudes. Eu poderia passar o dia dando dicas pra todo mundo, mas o post já está longo demais… e eu achei que seria curto! Mas é isso, gente! Quem tiver dúvidas, pode me perguntar!

Primeira aula

A primeira aula geralmente é assim, você chega sozinho, acuado e se pergunta mil vezes que diabos está fazendo naquele lugar, naquela hora. Eu digo “geralmente” porque vira e mexe aparece um desses que nasceram pra ser bispo de igreja ou comentarista de futebol: falam pelos cotovelos e não dão a mínima pro ditado “a primeira impressão é a que fica”. E toda primeira aula tem um desses.
Há quem sempre ache a primeira aula estranha, como eu. Sempre desconfortável, mas com um gostinho de quero mais. Afinal, ninguém aqui é mais criança pra ir à aula que não goste. E o melhor (ou pior) de tudo: você sempre volta pra casa com algum resquício.
Na faculdade já te tacam um trote e você volta com menos cabelo. Na aula de inglês, um livro pra ler logo de cara. Aula de piano e todas aquelas notas que você nunca viu na vida.
Minhas primeiras aulas sempre foram assim. Na minha primeira aula de armênio colocaram um livro na minha frente com uns desenhinhos que juraram ser o alfabeto. No vôlei me fizeram correr vinte minutos sem parar e nem era hora do recreio. A aula de capoeira me deu ânsia de vômito e me fez andar que nem pato por quatro dias.
Hoje foi mais uma delas. Aula de pole dance. Tipo Alzira, manja? Imagina eu e todos os meus quilinhos rodando no pole. Eu disse pro marido que ia aprender pole dancing e mais uns extras, vocês precisavam ver a cara dele de choque.
A professora era uma mulher-macho de moicano, micro shorts, pernas roxas e a virilha peluda. Eu entrei na sala e tinham quatro poles. Foram entrando umas menininhas-celebridades, cada uma mais magra-alta-loira que a outra. E eu lá, me perguntando onde amarrei meu burro.
Disse pra professora que nunca tinha feito isso na vida, que era menina de família e tal. Ela disse pra eu não me preocupar e perguntou se eu ficava roxa fácil. Por um segundo achei que tinha errado de aula e tinha entrado na de boxe… ficar roxa, minha filha? Não fico assim tão fácil, não, mas por que a pergunta?
Alonga daqui, alonga de lá, vira ombrinho pra um lado, pro outro e junte a aluna nova à professora de shortinho. Ok, primeiro passo: pare do lado do pole e solte seu peso pra um lado. Ok, feito. Agora anda daqui, anda de lá, levanta o pézinho esquerdo, joga a perna direita, senta no ar, vira, põe a mão esquerda embaixo da direita e mantém a postura. Ok, feito. Agora faz tudo isso e joga um joelho no pole, o outro, cruza e pula. Como é que é? Ela fazia as coisas e meu cérebro não absorvia, era muita informação.
Depois de alguns minutos treinando, e eu já mais tonta que barata com Detefon, consegui pegar o esquema. Brilliant, disse ela. Foi uma longa hora assim. Enquanto as menininhas já se penduravam de cabeça pra baixo eu mal conseguia levantar meu joelho e sustentar meu peso com as duas mãos na vertical, quem dirá ainda dar uma de “sexy”. Fazer carão com a mão ardendo não dava. Quem disse que a mão roda? Roda nada. Ela fica lá lutando contra a fricção e torcendo pra você ser a mulher-borracha. Dói que só. Fora que você segura o pole com a mão direita, por exemplo, na hora de pular tem que por a esquerda embaixo… e minhas unhas esquerdas picotavam meu braço direito. Tô toda arranhada.
Depois de cinco minutos de aula entendi o por quê dos roxos. Minhas mãos ardiam, meus braços e ombros queimavam e a gente dá joelhada no mastro. As menininhas são todas roxas, todo mundo vermelho na perna e no braço por causa do atrito.
Enfim, a tortura durou 1 hora. Foi divertido, mas nem tanto. Quem pensa que Alzira era leve como pluma está muito enganado. Deve ter sofrido pra aprender isso, é muito puxado.
Agora pense, eu cheguei em casa toda-gata: arranhada, com a perna roxa, os braços e mãos ardendo (querendo fazer calo) e os músculos tão doloridos que mal consigo levantar um copo. Qual a graça de se enfiar numa aula teoricamente sexy (mas que ninguém vê), e depois sair na rua e mostrar apenas os hematomas e calos pra galera? Vá pelo menos ganhar dinheiro com isso, amiga, porque dói pra cacete.
Se eu tivesse uns 10 quilos a menos, talvez fosse mais fácil. É bacana, mas acho que essa vai ser uma das que não passam da primeira aula. Já disse pro marido, esquece o pole dancing e a gente fica só com os extras. Hahaha.

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Dica sobre nude lips

Complementando o post “10 coisas que toda mulher descolada tem que ter“.
Depois do comentário da Vivi percebi que deve ser difícil achar batons em tons bege no Brasil. Além disso, o batom nude tem que ser muito bom pra não ficar com cara de massa corrida e deixar as ruguinhas dos lábios mega visíveis.
Então tem um truque não-tem-cão-caça-com-gato: base. A mesma base que você passa no rosto. A dica é hidrate muito bem os lábios antes de passar a base. Vale até passar o hidratante do rosto pra tirar aquele visual boca-seca. Depois espalhe a base no rosto e puxe para os lábios, sem espastá-los.
O truque pra não te deixar com cara de quem mergulhou num balde de corretivo é usar um desses gloss com pigmento logo em seguida, ou o batom mais clarinho que você encontrar. Pode ser puxado para um rosa ou pêssego.
A Contém 1g tem o Nude Cremoso (1) e a Natura tem o Doce de Leite (2). Se puder desembolsar um MAC, vá de honeylove.

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Outra coisa. Lábios nude são bonitos quando o olho é bem marcado e tem que ter blush! Vá de rosa queimado ou sunkissed, ou rosa claro se você for muito branca (mas nada de exagero!!). O look totalmente pelado da segunda foto é muito arriscado, pode te deixar com cara de doente. Eu amo o último!

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Mesmo quem tem a pela mais morena pode usar e abusar desse tipo de look. Vide diva-Beyoncé, linda como sempre! Se os batons ficarem muito claros na sua boca, vá com o truque da base e o gloss por cima!

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E sempre, sempre, sempre pele perfeita hein! FLAWLESS! Se não estraga o look.

Dia de homenzinho

Domingo foi assim. Fui para a academia, fiquei lá 2 horas. Voltei, fiz almoço e me sentei no sofá com o marido para assistir Fórmula 1 inteirinha e babar na pista de Sevilla.
Depois da vitória do Rubinho fomos consertar as bicicletas. O negócio é o seguinte, eu tinha uma bike novinha, linda, suspensão dupla, 18 marchas, vermelhinha. Apesar de ser um pouco maior que eu (porque a anta aqui tava de salto quando foi comprar), dava pra andar numa boa e parar na pontinha dos dedos (hahaha). Um dia resolvi trancar a amada no jardim, ao invés de deixá-la quietinha no hall do flat.
Alguns dias depois fui visitá-la e descobri só a carcaça. Tentaram roubá-la e quebraram o cadeado, ninguém entrava ou saía dele. Como não conseguiram tirar a bonita toda de lá, levaram a roda de trás com pneu e tudo. Deixaram ela lá, a Deus dará. Ainda roubaram a lanterna, a buzina e o banco de gel (que com certeza teria que ser cortado, porque eu dei nó de dar inveja a marinheiro). A do David já tinham roubado inteira antes da minha.
Fiquei tão triste. Afinal, o nosso carrinho velho tá sempre dando problema e eu não me importo de pedalar. Sou feliz pedalando, pedalo sorrindo (menos na subida).
Então descobri essas bikes por 10 libras cada uma, na internet.  Compramos essas duas que estavam um bagaço, um lixo. Os freios não funcionavam e quando virei a minha de ponta-cabeça, a ferrugem tava comendo tudo por baixo da tinta. Resolvemos experimentar a carcaça da minha com a roda da outra, que era do meu tamanho (a bike é pra criança de 14 anos! hahaha). E além disso aproveitamos partes da minha ferro-velho pra bike do marido.
Nessa de desmontar e reconstruir, estou com todo o meu tamanho aqui sentada no chão, de perna aberta, com pilhas de chaves de fenda, alicates, parafusos, porcas e muita – mas muita graxa nas mãos. De dar muito orgulho ao vovô, afinal, neta de Seu Pinno não tem medo de graxa!
Foram 2 horas e meia de estica e puxa, de arranca daqui, arranca de lá, solta o cabo, tira o freio. E eu toda empolgada querendo tirar tudo que era parte do lugar. A portuguesa vizinha veio até me elogiar (agradeci coçando o saco hahaha)!
Pior era falar pro David “babe, give me the… the… the… alicate!”; “whaaat?”, “babe, chave de fenda”…  Eu vou lá saber o nome dessas coisas em inglês! “Babe, do you want me to save this porca?” Essa ele virou e disse “Yeah save me yourself, porquinha!!” Hahahaha. Enfim, depois de duas horas e meia os transplantes tinham sido concluídos. Minha bike vermelhinha havia ressuscitado. Como estava lá no relento há muito tempo, o pneu estava murcho. Fomos até o posto encher. E eu com um tiquinho de dúvida de que estava furado, mas tava tão feliz de ter minha bike de volta que nem queria pensar. E óbvio que estava, não encheu nada. Eu fiquei arrasada.
Pra completar o dia de homenzinho, compramos Brahma (salve Ambev!!) e voltamos pra casa. Quando me dei conta estava no sofá de novo, à noite, bebendo cerveja da garrafa e assistindo a “Police Patrol”, um programa de polícia-pega-ladrão. Fui direto pro banheiro passar um rímel! Hahaha!

 

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10 coisas que toda mulher descolada tem que ter

1 – Eyeliner preto, versátil e PO-DE-RO-SO!
Para passar no olho tem que ser de boa marca. Se não couber no bolso, procure um hipoalergênico e oftalmologicamente testado, pra não terminar o dia com os olhos vermelhos e lacrimejando. Eu sou super a favor de um KOHL, porque dá pra usar toda hora. Dá pra fazer um traço delineado bem fininho pro trabalho e abusar do efeito à noite. É ótimo como lápis de olho, delineador, sombra e fica show esfumaçado!
Eye Kohl foto: MAC

mac-eye-care-1-45g-0-05oz-eye-kohl-blooz-women2 – Um sapato “statement” e confortável!
Um sapato statement seria aquele que sozinho já mandaria no seu look todo. Aquele que dá toda a personalidade e fala que você não é uma mulher comum, é uma mulher ousada, descolada, bacana, in.
Não precisa ser nenhum Christian Louboutin (a não ser que seu bolso concorde, claaaaro… aí, se joga amiga), mas tem que falar alto. Dá pra dar uma boa garimpada e achar coisas bacanas e acessíveis. Só cuidado pra não comprar um estilo drag queen e usá-lo no jantar de família na casa da sua avó!
Dicas: procure sempre essa plataforminha embaixo da planta do pé, como o da foto. Dá alguns centímetros a mais e menos dor! E se for gastar muita grana, compre um que não será sazonal, um pouco mais discreto. Mas aproveite a moda, que vem toda colorida nos pézinhos!
Sapato foto: Christian Louboutin.

christian-louboutin-shoe-eugenie-satin-pumps3 – Maquiagem perfeita e invisível.
Aposte na pele. Não há nada pior do que olhos e boca maquiados e a pele a desejar. Invista numa boa base e um bom corretivo! E abuse das opções minerais que cobrem tudo sem tirar o glow. Duas dicas ótimas e acessíveis:

Corretivo L´Oreal Infalible e base Pure Liquid Mineral Foundation. Fazem o serviço direitinho!

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4 – Uma bolsa ou carteira de mão (clutch) decentes!
Tudo bem que você não precisa gastar seu aluguel numa Balenciaga, mas invista numa peça de boa qualidade e que vá durar uns bons anos sem sair de moda. No Brasil eu fico com a Iódice, na Inglaterra eu vou de Next, Topshop, Miss Selfridges ou até mesmo H&M, se o bolso apertar. Mas garimpe, não vá comprar uma com cara de plástico de tão falso que é o couro! Outra dica, se quiser uma de designer mais em conta opte pelas segundas marcas (Miu Miu ao invés de Prada, Marc by Marc ao invés de Marc Jacobs…), ou aposte no Ebay! Tem um monte! Eu AMO essa da Iódice, da coleção nova! E essa clutch, da Chanel, é puro fetiche…
Bolsa foto: Iódice
Carteira foto: Chanel

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5 – Um perfume inesquecível
Nada de guardar aquele perfume que a sua tia trouxe de Miami há treze anos. Perfume estraga e fica com um cheiro de velhinha com Alzheimer! Pra não ficar com ar de quem parou no tempo, aposte nas fragrâncias mais recentes. Eu AMO o Chance (e sua nova versão Chance Eau Fraiche) e o Mademoiselle da Channel. Tente optar por uma fragrância que não seja usada por todo mundo no seu ambiente social, pra marcar mesmo. E nada de parfum de dia. Vá de eau de toilette. Se for inevitável usar o parfum de dia, é literalmente um sopro no ar e se joga embaixo! Tem gente que é alérgica a perfume e, convenhamos, não há nada mais deselegante do que empestiar o ambiente!

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6 – Lingerie combinando!
É amiga, só Deus sabe o que pode acontecer… e ninguém quer sair por aí dando uma de Bridget Jones, né! Então, dê área naquele sutiã velhinho  “nunca-fui-branco”, que chega a estar cinza de tão usado. Fica com aquela cara de encardido e não há Vanish que resolva! Se gostar de um modelo específico, compre em cores neutras. E compre calcinhas que combinem com os detalhes… Porque nem sempre dá pra comprar conjuntinho, e muito menos usá-los combinando todo santo dia. E que atire a primeira pedra quem usa o sutiã um dia só e põe pra lavar! Por exemplo, eu tenho esse sutiã ma-ra-vi-lho-so da Intimissimi… Ao invés de comprar só a calcinha que combina, eu comprei um monte de outras em tons que estão no sutiã… roxo, verde, nude, etc. Desse jeito eu posso usar o sutiã umas três vezes e ainda estar combinandinho!!
Lingerie foto: Intimissimi

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7 – Um batom cor de boca, um escuro e um gloss!
Nada mais elegante do que uma pele perfeita, um olho marcado e uma boca nude. E nada mais chique e ousado do que pele perfeita, rímel, delineador e batom vermelho. Sou fã dos batons bege da MAC. Se você não gostar de um vermelho intenso, opte por um framboesa, geralmente cai melhor em todo mundo do que um vermelhão. E gloss, tente aqueles com um leve pigmento e fuja dos totalmente transparentes. São um pouco vulgar e parece que passaram verniz na sua boca! Eu adoro o Marshmallow, Juicy Tubes, da Lancôme, aí embaixo – não sai da bolsa!
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Gloss foto: Juicy Tubes, Lancôme

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8 – Um salva-madeixas!
Invista em um ressuscitador de look. Aquele que dá pra deixar na bolsa e não há “bad hair day” que resista. Eu mega recomendo o Secret Agent, da Frizz Ease, da John Frieda. O bom dele é que é para passar no cabelo seco, naquele momento de desespero mesmo quando não há mais o que fazer! Ele camufla imperfeições instantaneamente: diminui o frizz e deixa o cabelo macio, brilhante e impecável, com a cara mais saudável do mundo! Se quiser uma arma secreta, aposte nele.

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9 – Óculos de sol oversized
Para dar aquele glamour tem que ser grande. Nada exagerado como Nicole Ritchie ou Lady Gaga, algo que se adeque ao seu rosto e esconda as olheiras, a cara de noite mal dormida, os olhos vermelhos, o zero de maquiagem. Se puder gastar invista em uma marca boa, fashion, que seja um statement por si só. Eu tenho um Cavalli oversized que eu amo de paixão! De qualquer forma tá cheio de óculos bacana e com bom preço. Tente a Chilli Beans ou lojinhas de acessórios. Eu comprei um uma vez numa loja dessas que todo mundo comentava, branco por dentro, preto por fora, divino! E custou só R$ 40! Não se esqueça de conferir se tem proteção ultravioleta e de quanto é: quanto maior o grau de proteção, mais adequado para um bom dia de sol!
Óculos de sol foto: Burberry

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10 – Uma jaqueta “biker” de couro
E de couro mesmo, tá! Se tem uma peça nessa lista que você já deveria ter comprado é esta. A jaqueta de couro no estilo “biker” nunca sai de moda. Ela tá aí desde que seu pai andava de lambretta! E vai ficar pra sempre! Nada de ficar trocando de jaqueta, comprando outra a cada estação… ache uma modelo biker mesmo, garupa de Harley Davidson, com bom caimento e corte. Couro 100%. Quando os anos passarem e ela for ficando mais usadinha, melhor ainda! Pode ser preta, bege, marrom ou colorida. Um jeans bem cortado, uma camiseta e uma jaqueta de couro com todos os outros acessórios nesta lista e você tá feita, amiga! Let it shine! Olha a da Kate Moss, que perfeita!

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Well done!

Ele sempre colocava culpa nos carros… e não é que ele tinha razão???

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Valeu Rubinho!!! Foi demais!