Nó seco

Eu choro porque te amo tanto, e tenho medo das coisas que tenho pensado ultimamente. Choro porque meu coração fica machucado com alfinetadas pequenas, a dor escorre por minúsculos e inúmeros furos. Porque não posso mudar em você o que nem sabia que fazia parte de ti. Porque não consigo controlar tudo isso, não sei se tenho mais forças pra nadar contra essa correnteza que teima em me jogar às pedras.
Eu choro porque tenho medo do futuro, ainda quero aquele que a gente sonhou um dia. Tenho medo de  todos os nossos planos se desmancharem em castelos de areia. E eu lutei tanto por isso. Você também. Mas eu lutei tanto por isso. E sei que fiz tudo o que pude. Tento me convencer, ser otimista, pensar que estamos juntos nessa, mas não sei quanto mais de mim eu posso dar.
Dói demais pensar em hipóteses, em planos Bs, mas você continua igual. E eu, que aconselhava outras, dizendo que as pessoas não mudam, espero – de todo o coração – que eu tenha sido errada a vida toda e que você mude… não conhecia esse seu lado. Um lado tão besta, tão banal, bobo de uma tal maneira que possa ser a gota d´água.
Eu choro porque te amo tanto, e não aguento mais chorar. Quando foi que tudo começou a mudar?
Fico só com este nó seco na garganta, que desce amargo e grosso, mas que conhece seu caminho. O mesmo nó de tempo atrás. E é essa repetição que me sufoca.  Não, amor não falta. Eu disse que te amo tanto. Mas nem o maior amor do mundo basta. Agora é a tua vez de tentar.

PS: Não se enlouqueçam, não me perguntem, por favor. Lembrem-se de que sou intensa demais e isso é só o instante do agora.  Existem horas, dias pela frente.Vai passar. Juro que vai.

After-eight é chocolate, né?

Pra que que existe previsão do tempo nessa I-LHA?? Uma que eles NUNCA acertam. Outra, que, como eles nunca acertam, tacam um monte de nuvenzinha de chuva todos os dias, no esquema loteria… Porque é ilha, né, a probabilidade de acertar com a nuvenzinha é de 82,8%…. (mentira! hahaha).

Tô tão boba hoje. Dormi bebinha, três caipirinhas de Sagatiba com raspberry, delicinha. Happy hour com as meninas do trabalho num bar – hohoho – let me tell ya about that. Fica pra outro post. Esse bar é o paraíso dos estrogênios. Conto mais tarde.
Por enquanto fico com a frase do Caio que eu li ontem à noite e foi motivo pra várias estórinhas muito doidas na minha cabeça.

“Sentira vontade de escrever um conto que começasse assim, aos vinte e oito anos ela enlouqueceu completamente.”

Caio Fernando Abreu


Diz aí se eu não escrevi vááááários contos mentais???

Pro dia nascer feliz

Cazuza de manhã é quase efedrina….

O video não tá muito bom, mas tem que ser na voz dele. Eu amo Cazuza. Eu amo essa música.

Eu quero a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia

E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria

A ponte de pedra

Quantas vezes caminho na beira do rio Tâmisa, com meu Ipod tocando alguma coisa entre Paolo Nutini e Roberta Sá. Tanta trilha sonora para um caminho que não chega a dez minutos, na beira do rio. Mas é lá, naquele curto espaço de tempo e de asfalto que eu me pergunto, todos os dias, o que estou fazendo aqui. Ou afirmo, meu Deus, estou aqui.
Cada dia é uma emoção diferente, quando olho a ponte de pedra e toda sua carga Britânica. Ponte de pedra, quantas pessoas já passaram por ali. Quantos passos fazem este país. É como ir a Londres e pensar em Jack, o Estripador. Ou ir a Strattford e pensar que Shakespeare um dia andou pelas mesmas ruas. Ou ir a Arundel e descobrir uma vila com cara de Robin Hood no meio de um país civilizado.
A sensação de estar aqui é velha. É de antiguidade, de passado, de história. A ponte de pedra sobre o Tâmisa em Reading me lembra muito as pontes de Cambridge, onde morei por um mês e pouquinho quando tinha apenas 16 anos. Cambridge ainda me fascina e ainda é um dos meus lugares preferidos daqui, porque ainda conserva todo esse passado.
Mas aprendi a amar Reading. Aprendi a aceitar o contraste entre a arquitetura secular e os prédios de vidro. Aprendi a aceitar a mistura de indianos, paquistaneses, ingleses e estudantes universitários do mundo todo. Aprendi a parar tudo pra ver um pato voando. Um cisne voando.
Reading esconde ainda coisas como raposas no jardim. E o barulho que elas fazem quando estão no cio se integra ao som das sirenes de carros de polícia e ambulância. O novo, o velho, o natural, o artificial. Tudo em harmonia, embora só hoje eu reconheça isso.
Ainda sou apaixonada por tantos outros lugares daqui, mas talvez sinta falta de Reading se resolver sair um dia. E um dia me lembrarei da ponte de pedra…  Ela talvez seja o único elemento que me faça lembrar todos os dias que estou deste lado do mundo. Ela tira meu piloto automático.
Um dia me lembrarei da ponte de pedra. Do Tâmisa correndo forte ao meu lado, dos filhotes de cisne nadando, dos patos, das folhas amarelas de outono. Talvez um dia eu me lembre de todas essas sensações confusas que um dia eu tive olhando a ponte de pedra, ora feliz e realizada, ora querendo tudo menos ela.
A vida é um eterno jogo de sinuca. A gente até pode saber qual é a próxima bola, mas se vai encaçapar ou não… depende da gente e de um pouco de sorte.

Eu acho tão lindo…

… Quando entro num blog do além, que nunca apareceu aqui, e tem meu link!!!!! Ou quando dou uma fuçada em quem assina e vejo nomes que nunca comentaram antes! É muito bacaninha. E eu ando com uma mania besta de diminutivos….

O cenário

O cenário da menina ruiva.

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Se olhar bem a foto, tem umas pessoas subindo uma rampinha e dá pra ver a ponte atrás da árvore…. 😉

Sensorial

“Sexo é sensorial”, disse uma amiga minha.
Eu sou extremamente e completamente sensorial em todos os momentos, não só no sexo. Tenho todos os sentidos aflorados, porque me preocupo em valorizá-los e deixá-los em alerta sempre. Preciso de toque, de gosto, de cheiro, de som, de imagem.
Se vejo algo bonito, paro e olho. Se sinto um cheiro que me agrade, eu fecho os olhos. Eu me permito o momento. Gosto de abraço de olhos fechados. Sabor eu testo com a boca cheia, todas as papilas gustativas têm de estar envolvidas. E tato, pra mim,  é fundamental. É pele, é energia, é calor, é a interseção entre duas pessoas. Existe muita metafísica no toque.
Não consigo conter minhas expressões faciais, meus toques, minhas caras e bocas. E gosto quando as pessoas são assim, sensoriais.
Eu ando na rua e sorrio para os outros, preciso interagir, preciso de seres humanos. Outro dia sorri para uma menina, ela me mandou um beijo. Aqui as pessoas não entendem o sorriso incondicional, mal sabem interagir com quem conhecem.
Aliás, quando volto minha atenção ao meu sensorialismo, percebo o quanto é difícil ser assim e morar em país não-latino.

Era domingo

E começou caindo o mundo. Acordei no meio do noite com o barulho de quase uma “águas de Março” Brasileira.
Saí de casa às 10:30, totalmente do contra, pra ir trabalhar. Pensar em me jogar na chuva e no vento, caminhar vinte minutos e ficar seis horas de um domingo chuvoso em pé estavam me desanimando e muito.
Logo que saí senti que o que eu via pela janela era muito pior na vida real!! O vento era o tal do mini furacão que ninguém assume!! Vinha de todos os lados. E vento e chuva na Inglaterra não combinam, você tem a nítida sensação de que chove de baixo. Pode sair com um guarda-sol e chegará no destino ensopado. Pior que isso é ficar usando o guarda-chuva de escudo, né… a água aqui é tão sem noção que você faz golpes de artes marciais com ele! Na frente, e não em cima da tua cabeça, é uma posição muito comum.
Eu coloquei meu casaco e botas a prova d´água, que são de inverno e me cozinharam viva, mas o resto exposto continuou molhado. O vento era tão sem noção que fez um penteado moderno no meu cabelo, que estava todo preso!!! Meu guarda-chuva se concentrou em movimentos de plié e relevé, abria e fechava, enquanto eu rezava pra ele não morrer no meio do caminho. A burra aqui ainda foi de bolsa de tweed, que chegou pingando na loja.
Como se não bastasse a caminhada debaixo de tudo isso, lembre-se que aqui é Outono!! Ahaaaaa! O manto de folhas secas no chão vira o que??? Sa-bão. Folhas molhadas e pisadas, amigo, é que nem black ice. Piscou, dá um “who´s bad” no meio da avenida.
Então a cena era a seguinte. Encapotada, morrendo de calor,  cabelo preso com penteado a la Cindy Lauper (crédito total do mini-furacão), guarda-chuva fazendo ballet com o vento, e sem piscar pra não levar um chão bonito.
Como estória pouca é bobagem, cheguei na loja e ela estava virada do avesso. Olhei e achei que tínhamos sido roubados, todas as jóias misturadas, derrubadas, como se alguém tivesse virado a mesa num momento-ebolição. Eu só sabia que tínhamos tido manutenção à noite, mas não dava pra acreditar que alguém da própria rede faria algo do gênero. Além disso, não dava pra saber se tava faltando alguma coisa, afinal, tudo estava emaranhado. E vocês não sabem o trabalho que dá arrumar e esticar colarzinho de um cabinete só, imaginem de oito!!!!! Passamos horas, eu e a Katie, fazendo trabalho de uma semana toda.
E não acabou!!! Os energúmenos que foram lá de noite deram pau na eletricidade. Nada funcionava, computador, PDQ, luz, telefone. Ficamos 2 horas sem eletricidade, sem poder vender. Depois de toda a loucura pra chegar na bagaça e encontrar aquilo daquele jeito, só uma noite gostosinha mesmo.

PS: É muito louco assistir à previsão do tempo na TV aqui… É nítido e óbvio que tem um furacão em cima da Escócia e eles só falam em “mild winds”. Dá pra ver o furacãozinho rodando no radar… dá pra sentir na pele e no cabelo… povinho mais esquisito!