Quando eu era mais nova morava no décimo andar de um prédio que não tinha nada na frente. Eu via uma boa fatia de São Paulo e era bom demais… Mas teve um único dia em que meu coração quase parou. Eu estava no meu quarto e começou a meio que escurecer. Eu olhei pra janela e a primeira coisa que pensei foi vou ser abduzida. Agora, assim, já era. Fui. Esperei ansiosamente para ver alguns olhos gigantes dentro daquele treco parado na frente da minha janela, não estava tão perto, mas era gigante e tinha um formato igualzinho ao de um disco voador. Foram milésimos de segundos e eu pensei em tanta coisa, em me esconder, em ligar pra Nasa, em sair correndo… Foi aí que o disco voador deu meia voltinha e eu percebi uma bundinha mais comprida. Era um Zepellin. Cara, juro que naquele dia eu esqueci onde era meu pulmão.
Categoria: Crônicas, Contos & Ladainhas
A maior parte das minhas crônicas é fictícia. Quando for verdade, eu aviso!
O trem
“Malas, hotéis. E os amigos, cadê? Você foi lindo comigo. E distante. Me deu apoio, não o ombro. Queria tanto ter chorado a dor enorme de POA e a velhice de meus pais no Menino Deus no ombro de um amigo. Não temos tempo: somos maduros. Onde será que isso começa?” (Caio Fernando)
Onde será que isso começa? Provavelmente no mesmo ponto onde deixamos parte de nós mesmos. Possivelmente na mesma estação onde esquecemos a mala com partes da nossa essência. Crescer endurece. Amarga, escurece, desbota um pouco as cores…. ou simplesmente não temos mais tempo para prestar atenção nelas.
A verdade é que eu troquei de trem em alguma parte do percurso, e este tirou muito de mim. Tirou a casa dos meus avós, a pintangueira do jardim, o almoço de domingo. Tirou as cores dos meus lápis, a minha fé em algo que vem e traz, sem esperar nada em troca, algum pedido meu. Em algum lugar tudo isso ficou. Numa maleta velha, esquecida na estação.
E a dor é que dificilmente irei encontrá-la de novo. E mesmo que eu volte ao guichê de achados e perdidos, já se passou muito tempo. Talvez eu abra a maleta. Talvez não. E se abrir, muito daquilo não me dirá mais nada. A mágica se perdeu. As cores se apagaram, seu lugar é passado.
Da maleta sobraram apenas lembranças. Saudades de um pedaço de mim que anda esquecido em algum lugar. Tantos amigos, meu Deus, tantos amigos passaram por estes trens. Em forma de cartas, telefonemas eternos, em forma de bolo de laranja à tarde e viagens para o litoral. Todos eles passaram, cada qual deixou uma marca, um pedaço de si.
“Não temos tempo: somos maduros”. Este novo trem me trouxe algo de muito importante: discernimento. Me trouxe um bocado de melhores amigos em quem posso contar de olhos fechados. São três. Sei que há mais e que – por amadurecimento – não têm tempo de regar o jardim, o colocaram numa bolha de vidro para que preserve-se sozinho… e torcem muito por isso! Dão apoio.
Mas são três os que estão ao lado, os que dão o ombro. São três que não medem esforços para se fazerem presentes, para diminuir a distância. São três para quem eu posso simplesmente ligar às quatro da manhã e dizer, olha, não estou bem. Que me mandam emails me dando bronca ou recados de saudades constantes, como nudges de que existem. Que dizem “queria tanto que você estivesse aqui” em qualquer dia, em qualquer hora. Ou que lêem algum desses meus desabafos e me ligam logo em seguida só para me lembrarem de que estão aqui. Sempre. No trem, comigo.

Amo vocês, Ligia, Verônica e Cris.
E chove em mim todos os dias
Nem tudo pelo que me apaixono eu conheço por inteiro. Me dá uma ânsia taurina de devorar o que me prende logo no começo. Não consigo comer pelas beiradas, não sei esperar esfriar. Gosto de coisas assim, quentes, que deixam em mim um rastro físico de lucidez ou devaneio, alguma coisa que me chacoalhe, que queime a língua pra lembrar-me depois. Lembrar-me o quanto foi bom. É como o triplo do molho de pimenta que você acha que pode aguentar, such a sweet pain. Arde por dentro, dá vontade de desistir, de cuspir fora, mas é tão bom. Tão bom. E quando passa, a única coisa que fica é a vontade de querer mais.
Ultimamente eu tenho me apaixonado por tudo. Das joaninhas que ficam na minha janela a Caio Fernando Abreu. De Paolo Nutini aos contos de Mario de Andrade. Nem que eu tenha já usado de cabo a rabo, de trás pra frente, me apaixono tudo de novo.
“(…) but I’m starting to think that’s a common problem with writers, that they have a dangerous excess of love that they give away (…)”
ZACH VANDEZANDE
Gosto que seja assim, que sobre um pouco de magia, de estória pra contar. Que seria de mim sem estórias pra contar? Preciso de uma porta fechada, uma caixa empoeirada, um sótão, um porão perdido, um túnel descoberto que leve a algum lugar. Uma vez quis comprar uma casa só porque havia um túnel recentemente descoberto por baixo da lareira, que era por onde o padre que morou no lugar se dirigia à igreja da vila. Quero túneis, escadas íngremes, vultos. Não, não me deixe só com o que é tangível, a rotina me mata. Quero o que não vejo, o que não toco, o que ainda está pra ser descoberto. Por isso tento ao máximo não devorar tudo de uma vez. Tento guardar uns filmes de Almodóvar para ver depois, uns livros de Quintana.
Tenho devorado Caio Fernando. É tão difícil me conter quando me apaixono desse jeito. Devoro, não consigo parar. Culpo a dopamina, será que ela também é produzida assim? Eu culpo sem dó, anda tão difícil de desgarrar quanto os outros vícios. Não consigo comer Caio Fernando pelas beiradas.
Espero por um livro. Qualquer um do Caio. Não gosto muito de ler virtualmente, gosto do cheiro do livro, da tinta de impressão, das folhas que amarelam com o tempo. Gosto de levá-lo comigo, como quem leva um segredo. Preciso do livro tangível, mas só o livro, porque o que há por dentro dele é o baú empoeirado.
“Tenho um amor fresco e com gosto de chuva e raios e urgências. Tenho um amor que me veio pronto, assim, água que caiu de repente, nuvem que não passa. Me escorrem desejos pelo rosto, pelo corpo.
Um amor susto. Um amor raio trovão fazendo barulho. Me bagunça. E chove em mim todos os dias.”
CAIO FERNANDO ABREU
Quem quiser devorar um pouco de Caio, Fernando, Oscar, Drummond, Clarice, aconselho este link aqui. Mas não se esqueça de que impresso é muito melhor…
Puramente hormonais
Achei esse texto que escrevi em Maio de 2004, em algum dos extintos blogs. Como postei no adormecido Fotolog, com uma foto muito doida minha e da Cris, resolvi postar hoje em homenagem à TPM dela.
TPM
Hoje acordei assim, de tpm,
de diz que diz, de não me toques
Hoje quis chorar pendurada na varanda,
Andar na corda bamba, em cima da avenida
Porque ele não ligou, não escutou
Sumiu sem rastro, sem consideração
Não me quis, faltou tesão,
nem me olhou
Mas mandou um buquê de rosas dizendo que vai se atrasar
Porcaria de rosas, as rosas não falam, as rosas apenas exalam
um perfume que não é o seu, mas que deveria estar aqui
Será que você não percebe
Que é hora de dar o fora, de pular do barco, que agora é a hora?
Ontem ele disse que me amava, com versos de Neruda e Drummond
Hoje me deixou sozinha, uma taça de vinho, prato congelado e edredom
Quero gritar na janela, descobrir quem é ela que tira seus sonos
que foto anda na sua carteira, que diabos ela faz na cama
Não, não me diz que leva outra para tua cama,
Escuto tudo, mas tua cama ainda é minha
Não me diz que não adiantou borrifar meu perfume no teu travesseiro
Porque outros agora se misturam ao meu cheiro
Só me pega nos teus braços daqui a pouco,
Me liga, me chama, me diz que me ama, é tão fácil
Eu acredito, eu me entrego, desato os laços
Me entrego, te venero, te conto meus segredos,
Divido meu vinho, o prato congelado, meu brinquedo
Só vem, fica só um pouquinho
E me deixa chorar baixinho, escutando sua respiração
Sentindo o calor da sua mão
subindo pela minha perna
Ainda bem que você não lê meus pensamentos
Meus devaneios, minha paranóia
Se não ia adorar essas outras que eu invento, essas fantasias,
Essas mulheres que são um tormento
Ia roubar meus pensamentos pra tua cama, pra te saciar
Pra te alimentar, pra te fazer feliz demais
Mas a tua cama é só minha, de mais ninguém
e meus devaneios são puramente hormonais
Completamente normais…
O quartinho
Ultimamente eu ando apaixonada por qualquer entrelinha que me faça flutuar sobre o desconhecido, acordar de um medo, acreditar que o ser humano tem muito mais na parte de dentro. Como me fazia sentir Fernando Pessoa quando eu era criança.
Pessoa nasceu em mim por volta dos meus onze anos quando achei páginas soltas e amareladas no quartinho de guardar tralhas da vovó. Lembro também das páginas comidas por traças de Olavo Bilac e Oscar Wilde, mas não havia nada que me prendesse mais como Pessoa. Não sei de quem eram os livros, aquele quartinho guardava memórias de sete vidas e outras que eu não havia nem ao menos conhecido. Guardava memórias da minha infância mais perdida, um arranjo de bolo dentro do armário devorado por cupins. Misturava caixas de livros empoeirados, quadros pintados pela minha mãe, a máquina de costura que não funcionava mais e meus brinquedos, minha bicicleta. Era como um baú de tesouros, o quartinho.
Foi lá que descobri pedaços da vida do meu pai, os livros da São Francisco, alguns poemas perdidos. Era de lá que vinham os sonhos da vovó de me fazer advogada, como ele. Mas por mais que os livros me prendessem, vó, minha mente tem asas demais para advogar. Prefiro flutuar. Não se prende quem tem asas.
O quartinho era de tamanho razoável. Tinha paredes que pediam por tinta nova e um cheiro de mofo que me lembro até hoje. Vovô sempre tentou acabar com o mofo, mas ele teimava em permanecer lá, como se quisesse dar a alguém uma lembrança olfativa – aquela que dura para sempre. Havia um armário de madeira maciça escuro e robusto, devia ser da década de 30. Eu sempre achei aquele armário lindo, mas morria de medo dele e do mofo escondido na parede de trás. Quase nunca abria suas portas, a não ser que alguém estivesse junto.
Em outra parede ficava outro armário de madeira mais clara, com traços dos anos 50. Este não escondia o mofo então quase sempre eu remexia o que suas gavetas e prateleiras escondiam.
Pelo chão haviam caixas de papelão. Daquelas que quando se abrem exalam uma nuvem de pó como mecanismo de defesa. Ou como lembrança de criança, que é sempre mais dramática. Lembro também da máquina de costura, era uma caixa enorme de madeira, uma obra da engenharia na minha concepção. Parecia uma caixa, mas a tampa rodava de cima pra baixo e então ela surgia do nada! Havia uma portinha na frente que, quando aberta, revelava um mundo de pedais. Para mim, ela fazia o mesmo barulho que deveria fazer a máquina que furou o dedo da Bela Adormecida.
Mas antes que eu me perca em mim, eram as caixas que me interessavam. E foi Pessoa o único resquício daquele quartinho que ficou comigo. O poema era Mar Português, de onde saiu uma das frases mais famosas do escritor. Porém não foi ela que me chamou a atenção, felizmente eu ainda não tinha maus hábitos. Lembro- me de pegar as folhas soltas e sentar-me embaixo da pitangueira do quintal. Meus olhos degustavam palavra por palavra. Minha alma deglutia pela primeira vez na vida as palavras de um adulto. “Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu”. E talvez eu tenha entendido toda uma vida naquele momento. Que nem sempre o que se vê é a realidade. Tudo tem dualidade. Tudo depende de um ponto de vista, seja você adulto ou criança. O lado da moeda, abismo ou céu, é só uma questão de estado de espírito.
Sobre casamento, amor e paixão
Eu já aviso que é só um ponto de vista – antes que venham as pedras.
Ultimamente tenho escutado muito a palavra “monogamia” no meu círculo de amigas casadas. Não sei se anda rolando uma energia diferente nesse mundo, um turbilhão de feromônios revoltados ou simplesmente um ponto de vista. Acredito muito na última opção, mesmo porque nem sempre o que se acredita é o que se faz.
Há um determinado momento na vida em que escolhemos alguém para seguir a jornada ao nosso lado. E é óbvio que esperamos que esta pessoa esteja conosco de mãos dadas até ficarmos velhinhos, ninguém se casa pensando diferente. Mas a verdade é que tudo isso não passa de uma escolha, um risco, uma decisão. E nem sempre é a decisão mais precisa.
O certo é que há muitas coisas que definem a pessoa que escolhemos. Nada é baseado só em amor, só em sexo, só em situação financeira, só em afinidades. Mesmo porque se fosse baseado em uma única coisa não daria certo. Já dizia minha avó, brilhantemente, “ninguém vive de amor e de cabana”.
A paixão quando vem é sempre avassaladora. Te estremece as pernas, tira teu sono, tua fome, faz teu coração bater de um jeito completamente inesperado. Você pára de respirar e continua vivendo. Ela vicia tanto quanto cocaína e heroína, pois descarrega exatamente a mesma substância no cérebro: a dopamina. E a dopamina causa dependência física.
Também dizem que existe um “prazo de validade” para a paixão: 3 anos. A dopamina então é substituída por ocitonina, um hormônio liberado durante o orgasmo (para os homens essa substância é a vasopresina). Eles transformam o turbilhão do êxtase do começo num mar calmo de satisfação. É a ocitocina quem muda uma paixão para o amor.
Talvez seja por isso que muita gente não consiga manter um relacionamento por muito tempo. Existem seres humanos viciados em dopamina. Mas também há gente viciada em ocitocina, o que explica como alguns casais podem ficar juntos por tanto tempo.
O começo de um relacionamento é sempre perfeito. Isso acontece por causa da intoxicação por substâncias químicas de prazer, envolvendo até endorfina e stamina. Essa reação química não dura para sempre e é quase impossível mantê-la com o mesmo parceiro. Talvez seja esta a razão da monogamia ser algo tão repensado depois de muito tempo com alguém.
Talvez o teu coração não bata mais do mesmo jeito com aquela pessoa que você ama, talvez não exista mais aquela magia, aquele encantamento. Mas casamento não é feito de paixão, lembra? Não é possível reproduzir as reações químicas do começo, mas é possível reinventá-las. Conversar sobre o relacionamento como uma terceira pessoa, além de vocês dois, ajuda. Fazer coisas juntos como exercícios físicos ou atividades alegres, liberam endorfina em vocês dois. Aprender a flertar de novo com o teu parceiro pode fazer milagres… uma simples encarada dentro de uma loja, um beijo mais quente num bar. Ficar um tempinho sem se ver, um fim de semana, uma noite fora com as amigas. Tudo isso ajuda e muito.
Recebi este texto de um amigo:
(…) casamento tem muito pouco a ver com paixão arrebatadora e sexo alucinante. Casamento tem a ver com parceria, amizade, companheirismo, e não com experiências de êxtase. Casamento tem a ver com um lugar para voltar ao final do dia, uma mesa posta para a comunhão, um ombro na tribulação, uma força no dia da adversidade, um encorajamento no caminho das dificuldades, um colo para descansar, um alguém com celebrar a vida, a alegria e as vitórias do dia-a-dia. Casamento tem a ver com a certeza da presença no dia do fracasso e a mão estendida na noite de fraqueza e necessidade. Casamento tem a ver com ânimo, esperança, estímulo, valorização, dedicação desinteressada, solidariedade, soma de forças para construir um futuro satisfatório. Casamento tem a ver com a certeza de que existe alguém com quem podemos contar apesar de tudo e todos. A certeza de que, na pior das hipóteses e quaisquer que sejam as peças que a vida possa nos pregar, sempre teremos alguém ao lado. (Ed René Kivitz)
Não espere um casamento com paixão eterna. Não espere que as tuas pernas estremeçam depois de dez anos de casados. Epere o amor, que é tão diferente da paixão.
Achei essa citação numa revista, e é tão fofa:
“O fato é que está cheio de garotas insanamente maravilhosas por aí. Mas elas não viram nossas cuecas secando no varal, não cuidam de nós quando estamos doentes e não estão em casa te esperando com um abraço depois de um dia ruim. E porque você faz tudo isso, bem, isso te deixa a pessoa mais bonita no mundo”. (Dan Lloyd, para Glamour)
É verdade que um dia até possa aparecer alguém no meio do caminho que te traga toda a dopamina de volta. Alguém que, de repente, até tenha muito mais afinidade com você do que teu parceiro. Que te confunda, te faça repensar o teu relacionamento. Mas caberá a você julgar o quanto vale a pena trocar a ocitocina por dopamina. Um dia tudo também mudará com esse outro alguém, ele também te verá de lingerie que não combina, também acordará do teu lado no teu bad hair day e também descobrirá que você precisa enfiar a calça do pijama dentro da meia porque morre de frio. E será que ele vai ser tão paciente com as tuas crises de TPM, tuas briguinhas bobas, será que ele vai te lembrar que você não bebeu água suficiente?
Não estou dizendo para optar por um ou outro. Conheço mulheres que optaram pela dopamina e conheço as que optaram pela ocitocina. E, aparentemente, nenhuma delas está arrependida.
Muito mais do que controle, a gente precisa é se conhecer e repensar o que quer pra si mesmo.
Como eu disse, desde o começo é tudo uma questão de escolha. Vale a pena trocar o certo pelo incerto? Só você pode responder. Cabe a você escolher o que te faz feliz, fazer o que tiver vontade e arcar com as consequências…. só não vale culpar a química! 😉

P.S.: Depois eu dou minha opinião como mulher casada!
P.S.2: A Thata resumiu este texto todo com uma única frase, eu não tive como não publicar aqui: “Todos nós queremos amor, mas a paixão nos atrai e muito…”
A anta da lavanderia
Aqui no “prédio” que a gente mora tem uma spooky laundry (leia: lavanderia assustadora) no porão. Tem duas máquinas de lavar e uma de secar pra quase 15 flats. Só de ser no porão já assusta.
Imagine a cena de agora há poucos minutos. Eu e o David segurando duas cestas de roupa suja na lavanderia, esperando as máquinas pararem com os bens de outros. Chega um ser humano, olha pra gente com uma cara de bunda e pergunta:
– Vocês vão usar as máquinas?
(Pensem, voltem lá em cima e leiam de novo. Estávamos SEGURANDO DUAS CESTAS DE ROUPA SUJA).
Eu não me aguentei né… vocês me conhecem. Olhei pro cidadão e disse:
– Ah, nããããão. É que não tem TV em casa, aí a gente vem assistir máquina de lavar rodando…
Mas vai ser anta assim onde, gente???!! O David não conseguiu nem conter a gargalhada. E eu também não. O mais engraçado é que o David ainda falou:
– E que canal que a gente põe, hein?
Os dois se matando de rir, e o cara de bunda com a mesma cara de bunda – provavelmente se perguntando que chá que a gente tomou….
E os meus ídolos estão morrendo…
Chega uma hora na vida da gente em que as nossas amigas começam a namorar sério. Até aí, tudo bem, a gente não queria namorar sério mesmo…
Passa um tempo e a fulana fica noiva, parabéns! que máximo! não é meio cedo? Passa outro tempo e a ciclana fica noiva. Quando a gente se dá conta, nossas amigas estão casando. Que lindo, dá-lhe presentes (impressionante como todo mundo casa ao mesmo tempo). Mas ah, ainda dá tempo da gente casar, vai… que eu conheça o homem da minha vida aos 23, namore por um ano e meio, 24 e meio, fique noiva por um ano, 25 e meio. 26 eu tô casando, beleza!
Aí suas amigas começam a ter filhos. O bicho pega. Uma daqui, outra de lá, aquela lá tá grávida, o menino da outra já tem quatro anos, já se passaram dois anos e eu ainda não conheci o homem da minha vida. E agora?
E agora, amiga, é o choque da realidade. Vão se reunir em casalzinho, programa de casados, festinhas de filhos e por aí vai. Nessa você já tem uns 28, solteira, saindo na balada com as amigas da sua irmã mais nova e algumas pingadas que ainda não casaram… mas “há a vida, que é pra ser intensamente vivida”! Então você se joga e quebra tudo! (Dou o maior apoio…)
Aí você começa a reparar que os “galãs” da tua adolescência envelhecerem… Tom Cruise virou um doido que come placenta, John Travolta virou um bolo fofo, George Clooney tá mais pra tua mãe, Harrison Ford não tem mais o fôlego do Indiana. Richard Gere é um senhorzinho muito gato.
Aí chega o dia em que morre Michael Jackson. Surreal. Tão surreal que nunca passou pela tua cabeça a possibilidade de Michael ser mortal. No outro dia morre Patrick Swayze. Como assim, você ainda não dançou “Time of my life” com ele! Ainda não comprou aquele vestido rodado pra pular no colo dele! Mas a coreografia você já sabe…
E tudo o que eu consigo lembrar nesse instante é da minha mãe comentando no passado “meu Deus, como ele tá velho…”, vendo algum “galã” dela na TV. E eu que achava engraçado ela dizer isso, porque nunca que imaginaria meus ídolos velhos na ingênua sabedoria dos meus dez anos. Pra mim, esse povo não envelheceria nunca e eu nunca assistiria uma notícia dessas na Tv…
Na minha vida tudo começou com River Phoenix, em 93. O jovem Indiana Jones. Nunca gostei do Kurt Cobain, mas também foi estranho ver a nptícia na MTV. Depois o grande choque do Super Homem. O Super Homem morreu!!! Christopher Reeve morreu!
Brad Pitt, Jon Bon Jovi, Bono Vox, por favor não morram. Didi, por favor não morra. Eu jurava que meu mundo mudaria no dia em que o Didi morresse…
O único com quem eu não preciso me preocupar é o Roberto Carlos, porque sempre vai ter especial na Globo no final do ano. Especial 10 anos da morte de Roberto Carlos. O especial não pode morrer nunca.
É… la vecchiaia è bruta, né vô? (Vovô também já morreu…)
* Eu tenho só 29 anos, tá!! Alguns fiozinhos extra-loiros nos cabelos, mas só 29! E as minhas crônicas costumam ser exacerbadas meeeeeeesmo!!!!


