Sobre casamento, amor e paixão

Eu já aviso que é só um ponto de vista – antes que venham as pedras.

Ultimamente tenho escutado muito a palavra “monogamia” no meu círculo de amigas casadas. Não sei se anda rolando uma energia diferente nesse mundo, um turbilhão de feromônios revoltados ou simplesmente um ponto de vista. Acredito muito na última opção, mesmo porque nem sempre o que se acredita é o que se faz.
Há um determinado momento na vida em que escolhemos alguém para seguir a jornada ao nosso lado. E é óbvio que esperamos que esta pessoa esteja conosco de mãos dadas até ficarmos velhinhos, ninguém se casa pensando diferente. Mas a verdade é que tudo isso não passa de uma escolha, um risco, uma decisão. E nem sempre é a decisão mais precisa.
O certo é que há muitas coisas que definem a pessoa que escolhemos. Nada é baseado só em amor, só em sexo, só em situação financeira, só em afinidades. Mesmo porque se fosse baseado em uma única coisa não daria certo. Já dizia minha avó, brilhantemente, “ninguém vive de amor e de cabana”.
A paixão quando vem é sempre avassaladora. Te estremece as pernas, tira teu sono, tua fome, faz teu coração bater de um jeito completamente inesperado. Você pára de respirar e continua vivendo. Ela vicia tanto quanto cocaína e heroína, pois descarrega exatamente a mesma substância no cérebro: a dopamina. E a dopamina causa dependência física.
Também dizem que existe um “prazo de validade” para a paixão: 3 anos. A dopamina então é substituída por ocitonina, um hormônio liberado durante o orgasmo (para os homens essa substância é a vasopresina). Eles transformam o turbilhão do êxtase do começo num mar calmo de satisfação. É a ocitocina quem muda uma paixão para o amor.
Talvez seja por isso que muita gente não consiga manter um relacionamento por muito tempo. Existem seres humanos viciados em dopamina. Mas também há gente viciada em ocitocina, o que explica como alguns casais podem ficar juntos por tanto tempo.
O começo de um relacionamento é sempre perfeito. Isso acontece por causa da intoxicação por substâncias químicas de prazer, envolvendo até endorfina e stamina. Essa reação química não dura para sempre e é quase impossível mantê-la com o mesmo parceiro. Talvez seja esta a razão da monogamia ser algo tão repensado depois de muito tempo com alguém.
Talvez o teu coração não bata mais do mesmo jeito com aquela pessoa que você ama, talvez não exista mais aquela magia, aquele encantamento. Mas casamento não é feito de paixão, lembra? Não é possível reproduzir as reações químicas do começo, mas é possível reinventá-las. Conversar sobre o relacionamento como uma terceira pessoa, além de vocês dois, ajuda. Fazer coisas juntos como exercícios físicos ou atividades alegres, liberam endorfina em vocês dois. Aprender a flertar de novo com o teu parceiro pode fazer milagres… uma simples encarada dentro de uma loja, um beijo mais quente num bar. Ficar um tempinho sem se ver, um fim de semana, uma noite fora com as amigas. Tudo isso ajuda e muito.

Recebi este texto de um amigo:

(…) casamento tem muito pouco a ver com paixão arrebatadora e sexo alucinante. Casamento tem a ver com parceria, amizade, companheirismo, e não com experiências de êxtase. Casamento tem a ver com um lugar para voltar ao final do dia, uma mesa posta para a comunhão, um ombro na tribulação, uma força no dia da adversidade, um encorajamento no caminho das dificuldades, um colo para descansar, um alguém com celebrar a vida, a alegria e as vitórias do dia-a-dia. Casamento tem a ver com a certeza da presença no dia do fracasso e a mão estendida na noite de fraqueza e necessidade. Casamento tem a ver com ânimo, esperança, estímulo, valorização, dedicação desinteressada, solidariedade, soma de forças para construir um futuro satisfatório. Casamento tem a ver com a certeza de que existe alguém com quem podemos contar apesar de tudo e todos. A certeza de que, na pior das hipóteses e quaisquer que sejam as peças que a vida possa nos pregar, sempre teremos alguém ao lado. (Ed René Kivitz)

Não espere um casamento com paixão eterna. Não espere que as tuas pernas estremeçam depois de dez anos de casados. Epere o amor, que é tão diferente da paixão.
Achei essa citação numa revista, e é tão fofa:

“O fato é que está cheio de garotas insanamente maravilhosas por aí. Mas elas não viram nossas cuecas secando no varal, não cuidam de nós quando estamos doentes e não estão em casa te esperando com um abraço depois de um dia ruim. E porque você faz tudo isso, bem, isso te deixa a pessoa mais bonita no mundo”. (Dan Lloyd, para Glamour)

É verdade que um dia até possa aparecer alguém no meio do caminho que te traga toda a dopamina de volta. Alguém que, de repente, até tenha muito mais afinidade com você do que teu parceiro. Que te confunda, te faça repensar o teu relacionamento. Mas caberá a você julgar o quanto vale a pena trocar a ocitocina por dopamina. Um dia tudo também mudará com esse outro alguém, ele também te verá de lingerie que não combina, também acordará do teu lado no teu bad hair day e também descobrirá que você precisa enfiar a calça do pijama dentro da meia porque morre de frio. E será que ele vai ser tão paciente com as tuas crises de TPM, tuas briguinhas bobas, será que ele vai te lembrar que você não bebeu água suficiente?

Não estou dizendo para optar por um ou outro. Conheço mulheres que optaram pela dopamina e conheço as que optaram pela ocitocina. E, aparentemente, nenhuma delas está arrependida.
Muito mais do que controle, a gente precisa é se conhecer e repensar o que quer pra si mesmo.
Como eu disse, desde o começo é tudo uma questão de escolha. Vale a pena trocar o certo pelo incerto? Só você pode responder. Cabe a você escolher o que te faz feliz, fazer o que tiver vontade e arcar com as consequências…. só não vale culpar a química! 😉

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P.S.: Depois eu dou minha opinião como  mulher casada!
P.S.2: A Thata resumiu este texto todo com uma única frase, eu não tive como não publicar aqui: “Todos nós queremos amor, mas a paixão nos atrai e muito…”

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8 comentários sobre “Sobre casamento, amor e paixão

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