Vamos a la playa ô ô ô ô ô…

Voltei. E voltei bronzeadinha hihihi… Minha semana na praia teve altos e baixos, ainda não consegui defini-la totalmente.
Chegamos na segunda, eu, mamis e sis, e ficamos numa pousada que, pelo site, parecia ser uma gracinha. Já achei estranho porque ficamos horas esperando alguém abrir o portão pro carro entrar e a pousada não tinha recepção. Quem atendeu a gente foi a faxineira que nem sabia em qual quarto a gente ia ficar. Depois de alguns roamings gastos ligando para o cara que tinha fechado para a gente, nos aninhamos num chalézinho com micro-cozinha e banheiro. Parecia ótimo, até a gente perceber que o lugar era uma imundice. Eu e minha mãe tivemos que ir ao mercadinho comprar desinfetante e pano de chão pra dar um ar de habitável à espelunca. Como se não bastasse, eu tinha esquecido meu travesseiro e lembrei daquele “Você sabia” que eu coloquei aqui ao pegar o travesseiro do lugar. Ele e o colchão fediam. Depois de limpar bem ficou ok, mas o colchão e o travesseiro não deu pra resolver muito. Sorte que minha mãe tinha levado uma fronha extra.
À noite minha mãe foi tomar um banho e a torneira saiu na mão dela, voando água pra tudo quanto era lado. E quem disse que tinha alguém pra resolver! O “caseiro” – que era o único contato nosso com a pousada – estava no bar. Tivemos que tirá-lo dos braços da marvada e fazer o cidadão consertar aquela birosca.
Fora isso, tudo era muito velho. O fogão, a louça. Ah, sem esquecer a nojeira que estavam as louças quando a minha mãe foi ver. Colocamos de molho na água quente com desinfetante de tanta coisa incrustrada. Um nojo.
Na quarta, quando o namorado da minha sis chegou, íamos mudar para uma suíte (eu e minha mãe), com um fogão de camping e geladeira. Minha irmã ia com o namorado para uma suíte normal.
Quando eu e minha mãe entramos no nosso quarto eu quis chorar. A geladeira era mais velha que guaraná de rolha, e estava imunda. O quarto tinha uma barata morta. A pia era daquelas da época de vovô-menino, pra fora do banheiro. O banheiro era nojento, com aquelas cortininhas de plástico que grudam na gente. A pia medieval estava entupida. O quarto fedia. Gastamos mais uns roamings pro infeliz-dono-da-bagaça e fizemos um escândalo. Apareceu um surfistinha por lá – bem bonitinho por sinal – oferecendo o chalé do fundo pra gente, que era um quarto de casal, uma sala com duas camas e TV, cozinha e banheiro. Ficamos com a oferta do upgrade.
Obviamente, eu e minha mãe partimos para o pano de chão e o desinfetante de novo, afinal, a pousada tinha o mesmo bat-dono, a mesma bat-faxineira. A geladeira era uma creche de mosquito. Deviam ter desligado e ficou um pouco de água, tive que colocar inseticida dentro dela, antes de guardar a comida….
Depois de limpo, ficou ok, de novo. Só que a pia da cozinha vazava e inundava tudo. O banheiro era horrível, velho, sujo, com o vaso sanitário marrom – que não dá pra ver a sujeira – encostado naquelas portas de plástico de box imunda. Ai, não sei. Já estava num ponto onde não queria encostar em mais nada.
O colchão da minha cama cheirava a xixi então troquei com um que estava no quarto de casal. Só que ele era maior que a cama e eu tive que dormir numa espécie de concha de colchão. Com o travesseiro com ácaro – ou o ácaro com travesseiro.
Passamos mais alguns dias na espelunquinha maior até que o vazamento da pia começou a feder esgoto. Não dava mais. Eu já tomava banho de havaiana, sem encostar em lugar nenhum, tinha nojo de deixar minha toalha em qualquer lugar…
Como Deus é pai e não padastro, minha tia tem uma mega casa a 1km de onde a gente estava. Não ficamos lá porque achamos que meus primos iriam, eles poderiam levar amigos-socialites insuportáveis que iam achar gordura até na minha orelha…. Mas, como eu disse, Deus é grande e ninguém foi pra lá no feriado.
Demos um mega-upgrade e nos jogamos na casa em condomínio fechado, piscina, jacuzzi, pé na areia… Sai da piscina tá na praia. Um luxo. Cheirinho de house splash, cama de molas, travesseiro de pena de ganso, lençol Trussardi, TV à cabo, empregada, jardineiro, etc, etc, etc. Aí sim a viagem valeu a pena. A gente pulava da praia pra piscina, da piscina pra jacuzzi. Comecei a dar valor para pequenas coisas como, por exemplo, ter um tapetinho no banheiro pra pisar depois do banho. Ter um colchão que não tenha cheiro de nada. Conseguir fazer xixi sem imaginar que um bicho do além vai sair de dentro da privada e morder minha bunda…
Enfim, so sorry, pessoas. Podem me chamar de fresca, nojenta, burguesinha, o que for. Estou acostumada com coisas limpas, cheirosas e bem feitas. Não me importo nem um pouco em acampar, por exemplo, desde que o saco de dormir seja meu. Desde que o banheiro seja limpo e tenha papel higiênico. Já fiquei em alojamento de jogos universitários numa boa, galera dormindo em saco de dormir, em sala de aula de escola pública. Inclusive eu. Tomava banho com um jatinho central gelado num frio de cinco graus e jatinhos ferventes em volta. Sou fresca, mas sou humilde… Não me importo com o clichê “pobre mas limpinho”, desde que seja mesmo limpinho. Odeio sentir nojo.

Moral da estória:
1. Nunca mais me hospedo se o dono for homem e não tiver uma mulher para dar o “toque feminino”, que só a gente entende. Por eles, qualquer espelunquinha está “sussa”.
2. Sou taurina, gosto de luxo – não lixo.
3. Quem nunca teve um acesso de nojo, que atire a primeira pedra.
4. Quem nunca curtiu – ou desejou curtir – o fantástico mundo dos ricos, que atire a segunda pedra.

Under the big, bright, yellow sun…

Estou a caminho da praia, pra não fazer nada, deitar na areia até encontrar sereia, conversar com o mar ou com Iemanjá, sentir a brisa salgada lavar o fundo da minha alma…

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Vou amanhã e volto só no fim de semana. Para entrar em comunhão com o Atlântico, com Rá, com conchas e caranguejos. Vou viver à base de brisa, água de côco e peixe, pelo menos por esta semana… Vou matar a sede de água salgada da minha alma brasileira, fazer meus pés felizes ao roçarem a areia… Provavelmente será meu último encontro com a enseada do Brasil antes de eu voltar para a Inglaterra. Vou me fartar de mar, de sol e dessa brasilidade que é tão necessária para a minha sobrevivência. Vou ser feliz e já volto…

Unregretful

Bebedeira totalmente não arrependida não me faz sentir nada. Que seja assim então: porre absolutamente unregretful. Como qualquer outra dessas palavras que não têm a menor tradução… Que são mais majestosas e cheias de significado assim mesmo, sozinhas, mesmo que não a entenda. Dessas que devem ser faladas de boca cheia até chegar a cuspir: UN-RE-GRET-FUL. Como saudade…

Vergonha nacional

Sou eu, eu assumo. Sou louca por culinária, fã incondicional de Jamie Oliver, aprendiz de especiarias e afins. Se me pedir, te faço uma paella, um escondidinho de carne seca, um penne al funghi inesquecível ou um cuzcuz marroquino com cubeba, noz moscada, canela, curcuma, cardamomo, gengibre, folhas de louro, cravo, nigela, cominho, coentro, anis, funcho, tomilho e pimenta Caiena. Mas arroz branco que é bom, meus amigos, não rola.
Quer dizer, não rolava até ontem. Finalmente consegui meu primeiro arroz decente, feito na panela. Sem truques de microondas, arroz de saquinho, panela japonesa ou elétrica. Arroz em sua soberana panela de alumínio mesmo, com bastante alho.
Antigamente sempre que eu tentava fazer ficava ótimo, mas só tinha duas versões: arroz Sapucaí ou arroz Torcida. O Sapucaí era aquele que parecia soltinho mas, assim que você colocava a colher, percebia que o delinquente vinha em blocos.  O Torcida, o pior de todos, nem enganava – total “unidos venceremos”.
Mas ontem ele ficou soltinho!!!!!!! Pow, pow, poooow, pow, poooooow!!!!! Fogos de artifícios mentais para mim. A dona do arroz soltinho.
E não me venham com xurumelas.

PS: Nu, por isso aprovo seu livro “100 receitas de arroz”… 😛

Ueifol

Ontem foi o festival de waffle – uáfol, nunca tente ir à lugar nenhum e pedir um ueifol, a não ser que você tenha fetiche por uma negona gorda gritando no seu ouvido “whaaa? what the hell are you on about mate???”
Enfim, ontem foi o festival de uáfol. E eu continuo conversando com os pobrecitos quinze horas depois.
Três meses desde que tirei a vesícula, maldita adaptação. Ninguém ainda inventou bíle em cápsula?

A menina da borboleta azul

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Ela é uma das duas meninas dos olhos da mãe dela. Adora sentir o vento no rosto, mesmo sem saber que direção tomar. Gosta de andar com os pés no mar, sentindo a brisa e o cheiro da maresia que vem com o entardecer. Eu sei que ela ama borboletas amarelas e acredita que quando encontra uma é porque terá um dia feliz. Acredita nisso desde pequenininha. 
Ela é a menina que dança quando ninguém tá vendo, mesmo que todos estejam olhando. Não vive sem um abraço de cachorro, canto de bem-te-vi ou a pracinha perto da casa dela. É fã de Ben Harper, Cazuza e Stones, de acordo com o seu estado de espírito. E seu estado de espírito depende exclusivamente do tempo. Ela acredita que todas as cores  do mundo são mais coloridas em dia ensolarado e céu azul de brigadeiro. E que todos os sorrisos do mundo sorriem para ela ao mesmo tempo quando a neve cai como mosquitinhos voando sem destino.
Eu sei que ela ama fazer bolo numa tarde fria, ler um livro deitada na grama do jardim. Sei que ela conversa com as plantas e com a sua hortinha de ervas. E que diz bom dia aos animais que cruzam seu caminho. Também sei que ela é completamente louca por ele e troca tudo por um dia de conchinha embaixo do edredom. E um filme, chá com leite e biscoitos.
Ela gosta de cantar Sheryl Crow bem alto e bossa nova bem baixinho. Ela é a pessoa mais saudosista que eu conheço, mesmo tendo tido uma das maiores perdas da vida ainda na infância. Ela diz que isso não a afeta mais e nem lembra, mas eu sei que ela chora baixinho na cama de vez em quando. Sei que o coração aperta de saudade de muita gente que ela queria que estivesse perto e não está. E no dia do seu casamento ela chorou também, que eu vi.
Ela tem pavor de morcegos, mas adora cavernas e castelos. Ela tem medo de abelhas e não vive sem flores. Ela adora quando vê uma borboleta amarela mas fica extasiada quando encontra uma grande borboleta azul brilhante, como aquela que fez casulo na casa dos seus avós há muitos e muitos anos.  Uma lagarta que virou a borboleta mais bonita que já viu. E até hoje quando encontra uma grande e brilhante borboleta azul, desperta emoções que a menina nem ao menos entende. 
Ela brigou com Deus algumas vezes e ainda não entende o sentido da vida, mas acredita que seja o amor. E que tudo está  ligado por uma energia maior. Sua religião mora dentro dos milhares de livros que ela lê. E ela lê quietinha num canto, mesmo que o mundo esteja acabando lá fora. Mas ela nunca vai deixar o mundo acabar, porque vai lutar até o fim contra a matança das belugas ou a extinção do beija-flor-rabo-de-canela.
Ela acredita em um monte de coisas muito mais do que desacredita. Também gosta de um milhão de coisas além das que desgosta. Eu sei que ri sozinha e ri por qualquer coisa, e chora, mas chora só de tempo em tempo. Ela tem um monte de sonhos na mochila e, de vez em quando, põe essa mochila nas costas. Ela acredita tanto nesses sonhos que um dia foi parar lá do outro lado das ondas…. onde nem a areia chegou ainda. E foi por causa dele. Eu disse que ela é completamente louca por ele.

Funny bath song

Gringo vai tomar banho e deixa recado no skype:

You need to come sing your funny bath song for me!

Querem saber qual é a música que eu canto na banheira? Hohohohohoh… Qual é a múúúúsica Pablooo?

Tá, tá… já sei. Vocês vão me mandar comer um garfo de novo.

Noite

Não fala nada, deixa tudo assim por mim                 
Eu não me importo se nós não somos bem assim
É tudo real as minhas mentiras
E assim não faz mal… e assim não me faz mal não
Noite e dia se completam, o nosso amor e ódio eternos
Eu te imagino, eu te conserto, eu faço a cena que eu
quiser
Eu tiro a roupa pra você minha maior ficção de amor

E eu te recriei, só pro meu prazer…  Só pro meu prazer.

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