Use filtro solar

Eu não sei se ainda existe alguém nesse mundo que nunca tenha assistido a esse video. Mas se tiver, tem que assistir. É uma dessas coisas que a gente tem que ver pelo menos uma vez na vida, ele mexe com os seus mais profundos sentimentos, muita gente chega a cair em prantos durante o processo. Eu sempre choro quando assisto. Se existe algum “manual” para a vida, deveria ser este. Se existem bons conselhos, aqui estão. Sempre falei dele nos meus outros blogs, mas hoje assisti de novo…

Pra quem não conhece, apresento “Sunscreen”. Eu fui apresentada a ele em 1999, numa aula da faculdade. E desde então, sempre que me lembro gosto de assistir… são sete minutos que podem mudar todo o seu ponto de vista em relação a vida que você está vivendo agora.

A verdade sobre o filme é que o texto foi escrito em 1997 por uma jornalista americana chamada Mary Schmich, e tinha o nome de  “Advice, like youth, probably just wasted on the young”. Foi publicado na na sua coluna, no Chicago Tribune. Logo a coluna virou uma “lenda” e o texto se espalhou pelos Estados Unidos. Decidiram agregar uma música ao texto, e Mary escolheu “Everybody is Free”. De uma hora pra outra todas as cerimônias de formatura nos Estados Unidos tinham um orador lendo o texto de Mary e “Everybody is free” de fundo musical.

Depois disso, um diretor de filmes australiano, Baz Luhrmann, resolveu mixar o texto narrado com música e o chamou de “Wear Sunscreen – class of 99”. Não existia ainda um video.
Em 1999, a agência de publicidade Brasileira DM9DDB de Nizan Guanaes reuniu imagens através de dois criativos,  Erh Ray e José Henrique Borghi. Surgiu então, “Sunscreen”, uma mixagem de texto, música e imagens que pode despertar emoções que você nunca sentiu na vida.

Agora, assista, coloque em fullscreen, desligue a TV, e se entregue…

Pra quem quiser o link do youtube é http://www.youtube.com/watch?v=ol2fN0bZCso

Toda vez tem uma frase que me toca mais… e a que tem mais martelado a minha cabeça é essa:

“Understand that friends come and go, but with a precious few you should hold on. Work hard to bridge the gaps in geography and lifestyle, because the older you get, the more you need the people who knew you when you were young.”

(Entenda que amigos vêm e vão, mas você deve segurar alguns poucos e preciosos. Trabalhe duro para preencher as lacunas na geografia e no estilo de vida, porque quanto mais você envelhecer, mais vai precisar daqueles que te conheceram quando você era jovem)

Festa pra terrorista

Tá, eu vou contar uma história pra vocês. Era Julho de 2005, uma quinta-feira e eu me lembro muito bem. Eu estava em Reading, tinha programado meu último dia antes de ir pro Brasil em Londres. Por algum motivo desistimos, eu e a minha amiga. O marido dela, no entanto, foi de trem, saiu daqui às 8 da manhã em direção a Cambridge, no dia 7.
Eu acordei pensando que tudo bem, em um mês voltaria pra cá de novo e iria a Londres mais vezes. Eram pouco mais de 9hs, iguei a TV da sala, a vovó doidinha estava sentada na poltrona falando sozinha. Quando me dei conta da notícia. Ataque terrorista em Londres. Três linhas de metrô, um ônibus. Emergência, ambulâncias, gente chorando na rua, linhas congestionadas. Parecia que estava voltando a um 11 de Setembro.
E justo naquele dia que eu queria tanto ter ido pra Londres. Dia 08 eu estaria no aeroporto. Fiquei chocada, apavorada. Mais de cinquenta mortos. Homens-bomba. Coisas que para nós, Brasileiros, deveriam ser muito distantes estavam ali, do meu lado, quase na minha rotina, quase na estação de trem que eu poderia estar. Nas linhas de metrô que eu passo toda hora.
Enfim, essa história vocês já sabem. Essa semana descobriram que a família de um dos homens bomba de 07 de Julho mora aqui na Inglaterra. E todo dia 07 de Julho eles se reúnem para fazer uma festa. Sim. Uma festa em homenagem ao “mártir” que explodiu e levou com ele mais um monte de gente. Tá chocado? Eu também.
O que seria adequado numa situação dessas? A família paquistanesa mora aqui, ganha benefícios do governo, deve ter casa de graça e mais um monte de coisas que se pode ter por aqui. Os ingleses querem que eles sejam extraditados e proibidos de entrar no país. É o que eu acho. Acho o cúmulo da petulância. Os caras vivem num país onde o talzinho cometeu um ataque terrorista e matou sabe-se lá quantas pessoas, deixando inúmeras paraplégicas e vivas, afetando uma infinidade de gente. E a família do cara faz uma festa todo dia 07 de Julho, enquanto os ingleses levam flores aos locais dos atentados e velam por seus mortos. O que os Estados Unidos fariam? Garanto que se pegassem um parente do Bin Laden fazendo baladinha pra mártir no dia 11 de Setembro ele estaria muito bem frito.
Eu acho um absurdo. E depois vem perguntar porque que esse país está tendo tanto índice de racismo…. Virou a casa da mãe Joana. Os caras chegam aqui, fazem o que querem, pedem o que querem do governo, tentam introduzir uma cultura completamente oposta num país que tem mais de mil anos de idade, trocam placas de rua para árabe, não falam inglês. Parece racismo? Sim, ele está estampado em cada esquina deste país. E a briga não é nova, mas parece que está numa panela de pressão, pronta para explodir a qualquer momento.
Eu acho que racismo é uma bosta, sim. Não generalizo, não julgo todos os paquistaneses e indianos, mesmo porque conheço muitos deles que estão aqui numa boa. Mas acho que existe uma linha tênue na “adaptação”. Se você sai do seu país é você quem tem que se adaptar, não o resto do mundo.

Uma hora de um dia ensolarado

Hoje acordei e fui tomar sol no jardim. Fiz isso ontem, de biquini mesmo, e acabei conhecendo uma menina do flat da frente, Lily, ela é chinesa. Pareceu boazinha.
Hoje ela não desceu. Eu me estiquei na toalha, apreensiva, já que nunca ninguém se atreveu a colocar um biquini no jardim. Vi que o vizinho estranho tinha saído e me joguei ao sol, em boa companhia de Mario de Andrade e seus contos novos, que de novos já não tem mais nada.
O sol até que estava quente para essa ilha tão ao Norte. Ouvi barulhos de tudo quanto era tipo. Passarinhos, uma minhoca passeando na minha frente, mosquitos de todas as espécies. As Megpies (territoriais), só de olho em mim pra ver se me encaravam e me botavam pra correr. Finalmente revi meus esquilos, fazia séculos que eles não apareciam. Na verdade, antes dava pra ver bem porque as árvores estavam secas do inverno. Agora, eles podem passar o dia todo lá que eu não vejo. A não ser que eu esteja bem embaixo delas, o que foi o caso. Um deles deu um pulo mortífero e caiu no chão, na minha frente. Ficou meio encabulado, o esquilo, e saiu correndo pra cima do muro.
Enquanto lia um pouco Mario de Andrade ou apreciava o lento percurso da minhoca, pensei na minha vida. E de repente, como se a ficha caísse mesmo, me dei conta. Estava lá, esticada no jardim do meu flat no interior da Inglaterra. Que diabos estou eu fazendo aqui, no jardim do flat do interior da Inglaterra??? Que sol é esse que não bronzeia?? Que passarinhos são esses que não gorjeiam como lá?? Senti-me mais Brasileira do que nunca. Uma ânsia por sol e mar veio de dentro de mim, não sei explicar. Talvez fosse o cheiro do Nivea Sun, que é o mesmo que eu uso no Brasil. Mas pude jurar por alguns minutos que aquela grama era areia. Senti-me exilada. “Foi uma escolha que você fez”, diria a minha mãe. Exilada por mim mesma. E com saudades de novela….

Compilagem

Tô pensando em compilar… tô pensando em ir atrás de um sonho antiiiiiiigo. Tanta gente diz pra fazer, a cartomante tinha dito 30 anos, faltam dois. Me perco no tema, mas preciso compilar alguma coisa. Vou ter que dividir ou refazer, ou reviver. Não, reviver não dá. Bom pra alguns momentos, péssimos para outros. Se alguém entender a minha dúvida, palpite. Palavras engraçada essas, compilagem e palpite.

Virando gringa

Meu National Insurance Number chegou. Aquele negocinho que é tipo CPF, que falei pra vocês há um tempo atrás. Na verdade, chegou um papel com o número. Demoraram 3 semanas pra me mandar um papel com um número.
O cartão?? Com o meu nominho impresso e o número também??? Tenho que esperar. Mais. De seis a oito semanas!!!
Depois a gente é que é terceiro mundo. Nunca vi um país tão lento pra resolver as coisas.

Fiz finalmente a inscrição no sistema de saúde. Funciona assim: tem várias “clínicas” médicas por perto. Você escolhe uma na sua região, vai até lá, preenche um formulário e pronto. O médico da clínica será seu novo GP, General Practician, ou “Clínico Geral”. Tudo o que você tiver a partir de agora terá que passar pelo cara. Desde unha encravada até crise de candidíase. Eeeee, se ele achaaaaar que você precisa de um especialista (tipo, ginecologista), ele te encaminha. E esse é o único modo de conhecer um ginecologista, dermatologista e afins desse lado do mundo.
Eu achei que fosse passar por uma primeira consulta, pro médico me conhecer, me fazer perguntas do meu notável histórico e tal. Pra que? Niente. Eu é que tive que pedir uma consulta porque meu anticoncepcional está acabando e eu ainda não tenho planos para nenhuma mini-Mi ou nenhum mini-David. Marcada para terça feira. Uma consulta…. com a enfermeira.

Aracnocagaço

Neste presente momento estou passando por crises de calor, suadouro, vertigem e enjôo.
Acabei de avistar uma aranha no teto da minha sala. O corpo dela é do tamanho de uma formiga. Mas as peeeeernas, meu Deus!! Praticamente uma Barbie-aranha, de tão longas!! Com as pernas ela fica do tamanho de uma laranja.

Pior é que eu estava no sofá assistindo Gilmore Girls e olhei pra cima, vi um bichinho com uma névoa em volta se mexendo (tava sem óculos… coff, coff…) Não liguei tanto. Até que comecei a viajar no fantástico mundo de Bob e resolvi pegar o óculos. Quando coloquei as lentes da verdade, todos os sintomas da primeira frase começaram…

Pior é que tô a caminho de London, London e o gringo só chega às 17h. Ok, eu não tenho medo de aranha. Só não gosto de dividir o mesmo teto – no sentido mais literal da palavra. Por isso, neste momento, estou com o laptop raptado pro quarto. E a dona aranha tá lá, soberana, reinando a minha sala e cantando “tá dominado, tá tudo dominado”… talvez em inglês.

Pra casar

Hoje tô me sentindo em 1930. Passei a manhã fazendo as unhas, cuidando do cabelo e afins, passei roupa… Sim, fiz as unhas!!!!! So-zi-nha!!!!! E pintei de Carmim!!!!! Acreditam? Ai que orgulho de mim mesmaaaa!!!!

Depois, pra completar, fiz uma sopa de legumes com frango deliciosa, até o David repetiu… tô muito prendada mesmo… vou desligar o computador e tentar uns pontos-cruz… 😛

Palhaçada

Ontem eu passei o dia em casa, um dia lindo, esperando uma amiga que veio do Brasil e tá em Londres me ligar pra vir pra Reading. Achei que ela viesse depois do almoço, então fiz faxina de manhã, me arrumei e esperei. Esperei, esperei, esperei… até o David chegar em casa.
Às quatro e pouco recebi um email dizendo “estou indo pra Reading, te encontro na estação às 5:15”. Saí de casa, fui à pé pra estação (meia hora de caminhada), cheguei lá às 5h. Em pé, fiquei na frente das catracas do povo que sai dos trens para entrar na cidade. Tava um vento frio, e eu já com a garganta meio esquisita, comecei a me sentir meio mal, tipo comecinho de gripe.
Esperei. 5:15 e nada. 5:30 e nada. 5:45 e nada. Deu seis horas liguei pro David e pedi pra ele ver se tinha email pra mim. Nada. Pensei, ela deve ter pego o trem que demora 1 hora ao invés do trem rápido de 25 minutos. Esperei mais. Quando deu seis e meia, minha outra amiga brasileira me ligou e disse “Mi, não espera mais que ela não vem mais… acabou de me ligar!”. Caraaaaa eu fiquei PUTA, de um jeito que eu não ficava há muito tempo. Uma hora e meia em pé, que nem uma idiota!!! E me sentindo mal!!!!
Essa outra amiga disse que a menina tinha tentado me ligar várias vezes. Mmmm… estranho, porque essa conseguiu me ligar duas e o David uma, porque a outra não conseguiu??? Fiquei irada.
No fim fui encontrar essa pra me acalmar… um café e um cookie na Starbucks. E café com creme, porque eu tô com raiva e vou descontar no creme, sim!!
Eu sou muito boazinha mesmo, preciso parar com essa mania… Bonzinho só se fode.