La vie est ailleurs

Abri todas as cortinas, escancarei as janelas e deixei meu rosto se afogar na brisa úmida da manhã. Liguei a cafeteira, estendi as roupas no varal, troquei os lençóis, perfumando-lhes cuidadosamente com água de lavanda, coloquei meu vestido azul de poá e Couer de Pirate para tocar. La vie est ailleurs, dans un âge lyrique*.

Convidei o que me sobrou de alegria para rodopiar o vestido pela sala, escorregando entre os acordes de piano e o francês rouco, quase infantil da Beatrice. Cheiro de café me inebria desde criança.

Os pardais pousam roliços na minha janela, corvos passam gritando no céu azul, tão azul que meu vestido desbota aos poucos. Et tes peines s´enfuient, tes tristesses se dissipent**.

Enxuga as lágrimas que escorrem por dentro e rodopia. Esboça um sorriso colorido, não se pode ser triste na primavera. Enfeita tuas manhãs com poemas, doces e vestidos. Reinventa teus sonhos, costura tuas pequenas alegrias. A dor já passou e você já pode dançar.

 

 *A vida está em outro lugar, dentro de uma época lírica.
**Teus problemas fogem, tuas tristezas se dissipam.

 

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