Dente-de-leão

A realidade está distorcida, meus olhos clamam por verdades. Traga-me apenas o que for verdadeiro, genuíno, único. Que a bagagem seja pesada, dane-se, não faço questão de gente leve, elas geralmente têm pouco a acrescentar.

Assopro relacionamentos tóxicos como assopraria dentes-de-leão, os de mão única, os que não criam vínculos, os que não sabem lidar com as minhas raízes. Que voem para bem longe de mim. Assopro levemente, um por um, pois não tenho mais pressa, não tenho lágrima, quero apenas que se dissolvam no vento. Que encontrem pessoas menos ingênuas que eu. Que encontrem gente calejada de coração duro que não doa. Que não se doa. Que não se aproveitem de amores gratuitos e não machuquem mais corações idiotas, e que eu aprenda. A não ter essa necessidade imbecil de ser importante. Que eu aprenda a não me encantar pelas almas perdidas, prontas a derrubarem tudo o que eu construí em mim. Que eu perceba, de uma vez por todas, que eu não preciso consertar o mundo, muito menos as pessoas. Não é a minha sina. E que, ainda assim, continue doando, me permitindo, percebendo os corações de pedra por trás das máscaras, entendendo que nem sempre o que a gente dá é o que a gente recebe e que tudo bem, desde que eu saiba partir.

Que eu continue sempre em pé, inteira, para nunca mais me alimentar de metades.

 

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