Ah, se eu te contasse

Ah, se eu te contasse que consigo ver todos esses seus sonhos de madrugada, se eu te dissesse que o cheiro dele ainda está na sua roupa, que as palavras dele ainda sussurram no seu ouvido, você acreditaria em mim? E se eu te contasse que ele pensa em você antes de dormir, e que já o vi fechar os olhos durante um beijo e relembrar teus lábios? Eu sei de tudo isso, mas eu não posso responder a esse monte de pergunta que você tenta acorrentar todas as manhãs dentro do travesseiro. Por que tão tarde, por que tão cedo, por que a pessoa certa na hora errada, por que a pessoa errada na hora errada? Não existem respostas, não há o que entender. Você é quem espera demais dos outros e inventa enredos nessa cabeça torta, cheia de vazios. Deixa as coisas do jeito que estão. Existem amores que foram feitos pra não acontecer, pra serem colocados em uma caixinha e trancados junto com todas essas palavras ferozes que teu peito cospe.
Te acalma, corações partidos sempre dóem. E entende, de uma vez por todas, que nem sempre é falta de amor, nem sempre existe culpado. Agora vá, levante. Engole esse choro, enxuga essas lágrimas e caminha pra frente. Sempre existirão outras esquinas, outros corações. E se isso for pra ser só história, que você aprenda a não ter medo de ponto final.

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Um comentário sobre “Ah, se eu te contasse

  1. Brunno Lopez disse:

    Quando ela fala de sonhos, de impossibilidades, de situações onde colocamos a responsabilidade ao fardo do destino, o que ela pensa na verdade?
    Ela está apontando a realidade para alguém que não lembra de como é a vida com os olhos abertos? Ela está escondendo seus desejos num personagem, contando histórias que procurem desviar os olhos dos leitores do real fato?

    Talvez. Mas nem todos conseguem mais olhar por cima dos ombros e encarar a sensibilidade. É mais fácil lamentar o fracasso de um amor em formação do que lutar pela formatura dele. É mais fácil afogar do que ensinar a nadar. Não é?

    Não, não deveria ser.

    Se esse travesseiro está cheio de anseios, é hora de acordar.
    Se a caixa dos amores incompletos está quase cheia, talvez seja interessante abrir e olhar melhor para os sentimentos que abandonamos por uma simples impossibilidade.

    Ninguém no mundo merece o suficiente de alguém. Ninguém no mundo merece o bastante.
    Se somos apaixonados por nós mesmos, devemos aceitar apenas o exagerado. Nada que não transborde, que não supere o esperado, que não ultrapasse os limites do inesquecível, do ofegante, da transpiração, não merece a nossa atenção.

    Deveríamos ser rigorosos com o que nos afeta e nos cativa.

    O ponto final pode ser um ponto de exclamação. Tudo termina, mas não do mesmo jeito.

    A pausa na euforia vale todas as noites de incertezas e angústias.

    Amor deveria ser isso. Amor deveria usar as roupas da paixão e ter mais créditos na vida.

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