A livraria

Trecho de um post escrito em 02 de Outubro de 2007. Esse é velho hehehe.

 

Então ela vivia assim, pecando e se punindo por nem ao menos ter pecado. Imaginando, todos os dias, o dia em que o cara da livraria fosse chamá-la para tomar um café, subir numa sala vazia, ou simplesmente pegá-la pelos braços no meio da conversa e beijá-la. Mas ela nunca daria o primeiro passo, a não ser tirar a aliança ao saber que iria encontrá-lo.
Tinha sonhos eróticos com ele, vivia com ele em pensamento e se martirizava todas as vezes em que seu marido dizia que a amava. Como poderia amar mulher tão inescrupulosa? E como ela poderia amar dois homens ao mesmo tempo? Parece que agora sabia definitivamente a diferença entre paixão e amor.
E à noite, na cama, seus pensamentos flutuavam sobre a realidade do marido e o mundinho a duas ruas da sua. Sobre o corpo conhecido e o inexplorado. Às vezes a única coisa que queria era que a livraria falisse e sumisse daquele bairro. Ou que comprassem um apartamento na zona norte e se mudassem de lá para sempre.
E então dormia de conchinha com seu marido. Adormecia todas as noites pensando que dormir de conchinha com o homem que iria dividir a vida com ela era simplesmente a melhor coisa do dia. E todos os seus tormentos desapareciam naquela hora e não faziam mais o menor sentido… Até que acordasse novamente no meio da noite.

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