Por hoje

Um sonho começa a ser realidade quando sonhamos juntos, olhamos para além das limitações e ousamos caminhar caminhos novos, às vezes pedregosos, às vezes escorregadios, mas sempre desafiantes. Não obstante, nenhuma dificuldade, nenhum obstáculo é mais angustiante do que se caminhar solitário… sem mãos que se tocam, sem ombros que se apoiam, sem olhos que se olham.”

Abraham Lincoln

(via @dricota – fofa – por email)

Que seja doce.

“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Caio Fernando Abreu



And I want to thank you…

E enquanto Dido toca no rádio do carro, você dirige. Estamos dirigindo há horas sem rumo e é uma estrada reta, dessas sem nenhum sinal de curva. Apenas indo e sendo com o caminho.
E eu te olho de lado e seu perfil me diz tanta coisa que meu coração chora. Você não faz idéia de tudo o que se passa aqui dentro, de tudo o que passou, do quanto eu sou frágil mesmo parecendo forte. Do quanto eu me agarro às raízes do passado e me agarrar a elas é como rever um filme mental todos os dias contando a nossa história. Você me olha e sorri o sorriso mais genuíno do mundo.
Eu acho que no fundo você sabe de tudo, de todas as angústias que vieram com essa escolha. E em nenhum momento hesitou sair do meu lado. Sempre soube que eu viria com as dúvidas, com os medos e os choros. E ainda assim você segura a minha mão, mesmo quando não cai uma lágrima, e diz tá tudo bem. Eu sei. Você sabe. Que difícil é ter um coração só pra caber tanta gente. E no seu, eu sei, só cabe eu.
Dido canta and I want to thank you for giving me the best day of my life. Você olha a estrada em frente, eu quero deixar muita coisa pra trás. Você com a certeza, eu com uma certeza nova. De que estamos juntos. Sempre.

And I want to thank you for being the best love of my life.


PS: Essa pipocada de post é pra quem reclamava que eu não estava mais postando com frequência! 😛

Carta para um amor que não foi

“Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo.”

Caio Fernando Abreu


Hoje eu te escrevo sem nem ao menos saber porque. Talvez por essa mania estúpida de querer dar um desfecho em tudo, um adeus formalizado, uma mão no ombro. Talvez por fazer disso o processo de um funeral, pois só quando acompanhamos o caixão é que temos certeza de que está morto. Talvez porque tenho a esperança de que esta carta tire de mim o peso do mundo, o peso que não posso carregar mais a partir de agora.
Você não passou por mim. Você foi muito além e eu já te disse isso em inúmeras outras cartas que nunca mandei. Sabe que a tua vinda foi um furacão. Sim, um furacão avassalador, que chegou destruindo todos os alicerces, se acalmou dentro do olho e foi embora com a mesma força que veio.
Eu te deixo ir do mesmo jeito que me deixou ir. Já não sobram mais mágoas dentro de um coração que está em paz. Já não sobram mais quereres e desquereres, e qualquer outra dessas coisas que senti quando você estava aqui.
Não, não sou frio, muito menos egoísta. Apenas te aceito livre como já está, e te liberto dos meus sentimentos.  Preciso cuidar de mim, cara, preciso tocar a minha vida.
O que levo de você são as coisas mais bonitas: os livros do Caio, as risadas no fim da tarde, as músicas que a gente ouviu. O que tenho de você em mim são apenas momentos bons, sentimentos que eu não tive coragem de destruir antes que começassem, porque me faziam bem. Mas a verdade é que nada começou, não é mesmo? Somos apenas frutos das nossas imaginações e do que idealizamos como desejo.
Talvez eu seja exagerado mesmo, talvez isso que vivemos não tenha sido nada, embora não acredite. E talvez você não leia esta carta, mas eu precisava deste desfecho. Precisava colocar um ponto final, virar a página e continuar. Continuar o meu caminho longe do teu, como sempre foi.
Te desejo muito bem, babe, de verdade. Te desejo toda a sorte do mundo e não há nada que diminua o quanto te quero bem. E é, quero te ver feliz. Toda aquela bobagem de ciúmes já não faz mais sentido pra nenhum de nós. Que você seja feliz com quem quiser.
Aqui te digo, quem sabe, minhas últimas palavras. Não quero mais que você seja uma dor em mim, quero que seja uma lembrança boa. E afinal de contas, não queremos mais sofrer pelo que não foi, não é mesmo? O meu carinho por você não mudou em nada, apenas aprendo hoje a deixar-te livre. Arranco-te do meu coração e te coloco ali, num canto. Quem sabe um dia isso aconteça, quem sabe um dia isso se apague.
Agora te deixo em paz. Apenas te quero bem. “Fica bem.”


Porque você é publicitário.

Mais um artigo na Casa do galo. Dêem uma passadinha lá, vai!

Eu não sei você, mas eu quero me virar do avesso toda vez que aparece um anúncio da L’Oreal dizendo “porque você vale muito”.  Faz quanto tempo isso? Uns duzentos anos? Não sei, mas não me lembro de nenhum outro slogan que já tenha passado pela marca. E depois dela, vejam bem, os porquês viraram algodão doce de parque de diversões. (…)

Continue lendo na Casa do galo

Fênix

“O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco”.
Fernando Pessoa

Todo mundo tem um pouco de fênix. Um ímpeto, uma força que não se sabe de onde vem, que pra você talvez até seja coisa de Deus, mas é uma coisa física, uma faísca no emaranhado das tuas entranhas que acende naquele momento em que mais nada bastaria.
E caído, depois de tantos tombos, com pedaços seus espalhados por todo o chão, você sangra, você dói, ah, você dói por inteiro, você chora. Mas daí vem essa coisa lá do fundo do estômago e faz as lágrimas secarem, porque até para as lágrimas existe um enough. E se as lágrimas secam, quem dirá o coração.
Você recolhe teus pedaços, tenta não pensar na dor dia após dia, e continua catando pedaços seus espalhados pelo mundo, e tenta colá-los de volta. E eles colam, mas deixam emendas visíveis de que você foi quebrado um dia e a fragilidade vai aumentando com cada queda, e um dia quebra, quebra de vez. Ou endurece de vez. Um dia o coração endurece tanto que você não quebra mais nada. Seco de lágrimas, duro de coração. Uma fênix de aço.

Mi Castino