Das coisas que só acontecem comigo

Eu na loja, chega um casal de indiano que mal sabia falar inglês.

– Excuse me. Tem Curry aqui no shopping?

Gente, faz as contas. Indiano, curry, tudo igual. Eu já respondi.

– Olha, acho que aqui não tem curry em lugar nenhum.
– No Curry?
– Não, meu senhorzinho, aqui dentro eu nunca vi.
– Mas me falaram que aqui, curry…
– Olha, o curry mais próximo que você pode achar é ali na esquina.
– Lá fora, curry?
– Sim! Desce ali, vira à direita, na outra esquina tem um restaurante indiano, acho, com curry, arroz e todas essas outras coisas.

O cara ainda parecia muito confuso. Daí que fez faísca entre os meus neurônios e ele disse:

– But Curry, computer?

Poisé, tem uma loja de eletrônicos aqui chamada Curry´s.

– Putz, cara. Curry´s??? Eu achando que você queria comer um curry, um arrozinho, um tikka massala! Desculpa aê, não tem mais Curry`s aqui não, agora é PC World.

Ah, gente, eu não culpo meus neurônios, não. O nome da bagaça é Curry´S, curry pra mim, sem o “s”, é comida. E indiano está para curry, assim como caribenho está para a Mango. (hahaha, mentira, falei isso só pra enfeitar).
E outra, culpa do infeliz que deu o nome da loja de eletrônicos de Curry´s. É a mesma coisa que abrir uma loja de esporte e chamar de ARROZ. Criatividade pamonha, hein.

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WTF?

A Helly é uma amiga muito querida do trabalho, ex-cabelereira, atual vendedora de goiaba (ela que cortou meu cabelo quando a gente tava bêbada).
Hoje estávamos conversando sobre a minha semi-vontadinha de voltar a ser loira.

– Eu adoro você morena, mas acho que loira ia ficar bem legal.
– Então, o Kirokara, aquele salão lá na London Street, tá fazendo uma promoção de luzes, corte, lavagem e escova por 60 libras.
– Uau! Mas, assim, se você for lá não marca com o cara que só tem um olho!

Oi???? Pois é, o cabelereiro só tem um olho.

– Cara, mas tipo, é preciso dois olhos pra se cortar um cabelo!
– Liga lá e marca com a menina, ela tem dois olhos.

Hahahahahahaha.

Não é preconceito, juro. Como a gente concluiu depois, se o cara foi treinado com um olho só, beleza. Agora se ele foi treinado com dois olhos e no meio do caminho só sobrou um, eu fico tensa.

You better hope you´re not alone

Caminhando pelas ruas de Reading, sempre em companhia do meu Ipod, como mini trilhas sonoras de uma vida inteira. Sempre a música certa no momento certo. Jack Johnson hoje me disse grandes verdades que mudaram um pouco minha perspectiva.

Shadow walks faster than you
You don’t really know what to do
Do you think that you’re not alone?
You really think that you are immune to
It’s gonna get that the best of you
It’s gonna lift you up and let you down
It will defeat you then teach you to get back up
After it takes away all that you learn to love

Your reflection is a blur
Out of focus
But in confusion
The frames are suddenly burn
And in the end
Of a roll of illusion
A ghost waiting its turn
Now I see can right through
It’s a warning
That nobody heard

It will teach you to love
What you’re afraid of
After it takes away all that you learn to love
But you don’t always
Have to hold to your head higher than your heart

You better hope you’re not alone
You better be hoping you’re not so

Your echo comes back out of tune
Now you can probably get used to
Reverb is just a room
The problem is that there’s no truth
It fading way too soon
The shadow is on the move
And maybe
You should be moving too
Before it takes away
All that you learned to love
It will defeat you
And then teach you
To get back up
Cause you don’t always
Have to hold your head
Higher than your heart

You better hope you’re not alone
You better hope you’re not alone
You better hope you’re not alone

Feliz aniversário, filhote

Só quem cria um animal desde seu desmame entende a preciosidade do amor de bicho. Sentimento incomparável esse que cresce a cada dia que você aprende a correr sem cair, a pular conhecendo a altura, a entender o meu olhar, a minha aura.
No dia em que eu resolvi te escolher, você me escolheu antes. Subiu no meu pé como se tivesse me escolhido há muito tempo e grudou na minha blusa com garras minúsculas de amor. Eu te levei pra casa e você chorou a noite toda, e depois nunca mais chorou. Aprendeu a fazer xixi no jornal com muito custo, aprendeu que pular de cima do sofá poderia te machucar. Descobriu que seu nome era Billy e que a pessoa mais importante do mundo pra você era eu.
E desde então você foi meu companheirozinho, meu filhote, o amor mais bonito que eu já tive. Só a gente sabe o que a gente sente quando você encosta seu focinho no meu nariz e divide comigo o mesmo ar. Só você sabe que o lugar mais seguro do mundo é a minha barriga e só eu sei a paz que acontece no meu coração quando você se deita nela e dorme.
Eu sei que você entende cada palavra que eu digo e sei o quanto deve ter te doído quando fui embora. Mas dói muito mais em mim. A saudade de você me corrói o peito e peço a Deus todos os dias que te guarde e olhe por ti, para que a gente ainda possa dividir muito tempo quando eu voltar. Para que eu possa pelo menos por alguns anos ainda te afagar quando entro em casa.
Eu sei que você tá velhinho, bebê, mas aguenta as pontas aí. Segura firme e me espera.
Feliz aniversário, Billy. Obrigada por 13 anos de amor incondicional. Te amo absurdamente. Você é o amor mais lindo que eu já tive.

Ao resgate…

Desde os meus 28 anos eu tenho passado por provações e dúvidas muito difíceis de serem concluídas. E, segundo um amigo, na astrologia isso faz parte do retorno de Saturno na nossa vida. O famoso ciclo dos sete anos.
E talvez ninguém entenda todas as dúvidas que existem na minha cabeça e, pra ser bem sincera, talvez eu nem queira compartilhá-las. É como um fardo que eu tenho que colocar nas costas, tirar os pesos extras e prosseguir.
2010 pra mim é muito mais que 2010, é o ano dos meus trinta. E pode parecer que tenho exagerado num assunto que se resume apenas à uma velinha a mais no bolo, mas não. Os trinta vêm com aquela velha sala com insufilme que eu já disse pra vocês um dia. Sua consciência te coloca nela e pergunta o que tem sido até aqui e o que vai ser daqui pra frente.
E eu tenho pensado em muitas coisas pra tentar livrar meu coração e minha mente de todas essas dúvidas e medos. E cheguei à uma simples conclusão que veio em Maio do ano passado, quando estive no Brasil. A Milena que vive aqui não é a verdadeira Milena. Eu perdi o contato com a minha essência, aqui eu visto uma armadura e me torno uma mulher forte demais. E eu não sou assim e não quero ser assim.
Quando fui ao Brasil da última vez consegui resgatar a minha essência e trazê-la de volta. Ficou aqui comigo por alguns meses e depois essa vida me endureceu de novo.
E é por causa disso que tenho pensado muito em dar um tempo. E isso vai depender de muita coisa, mas agora já é muito mais um plano do que uma idéia. Dar um tempo pra mim, voltar às minhas raízes, me resgatar e aprender a resgatar-me sem precisar estar no Brasil. Preciso desse tempo como quem precisa de uma corda ao estar se afogando.
E conversei muito com o David a respeito e chegamos à conclusão de que irei para o Brasil ficar alguns meses este ano. Ainda não sei quando, mas irei. E quero ir na maior parte do tempo sozinha, porque preciso desse tempo comigo mesma, nós dois precisamos desse tempo.
Talvez vocês não entendam muito, mas quando você casa e muda de país sua vida inteira se baseia na segunda pessoa. Todos os teus planos se convertem na única pessoa com quem você pode contar na terra estranha. E aqui, pra mim, é assim. Eu não posso contar com ninguém da família alheia, minhas amizades aqui ainda são novas e sem raízes. E não que isso faça mal para o relacionamento, mas faz mal pra você.  Eu sempre fui completamente o oposto de ser uma ilha. Eu preciso de gente em volta de mim, de gente que me conhece essencialmente e me entende sem eu ter que ficar contando toda uma história. Preciso de quem me olhe nos olhos e me deixe rir ou chorar sem me cobrar explicações. E eu não posso colocar todo esse peso nos ombros de uma única pessoa.
E é por isso que essa decisão já está tomada na minha mente e no meu coração. Vou ao Brasil, não para fugir, mas para me resgatar. Para assimilar a minha vida e observá-la de fora. E entender de uma vez por todas o que eu quero pra mim. E meu relacionamento já resistiu à muitas coisas, resistirá à isso também se assim tiver que ser.
Ainda não sei quais meses passarei no Brasil. Antes disso, preciso vestir minha armadura e resolver umas questões.

PS: Ainda é uma decisão que está sendo maturada e será uma decisão a dois. Não se preocupem. Como disse o Daniel no comentário dele: “Após a batalha diária, o soldado deve retirar sua armadura e se revestir do que lhe concede energia.” E é dessa energia pós-batalha que estou precisando.