Sem cidadania

Hoje o Ashley disse que eu tenho sotaque de Trinidade e Tobago… cara, eu não sei nem que tipo de pessoa mora lá!! Mas pelo menos a língua oficial é inglês (wikipedia, baby), então meu inglês tá podendo… com um sotaquezinho indefinido, mas tá podendo.

Aqui meu sotaque virou loteria. Quando alguém diz alguma coisa tipo “your accent” eu já aposto comigo mesma que país vai ser. O mais engraçado é que eu confundo as pessoas. Porque meu inglês é fluente, mas meu sotaque é britânico, só que obviamente não é perfeito. Fica complicado pro povo, porque a pequena criatura aqui fala inglês com sotaque britânico indefinido. Já chutaram África do Sul, Nova Zelândia (e eu não falo good daaaai!!!!), Jamaica (acho que tô ouvindo muito Bob), agora Trinidade e Tobago… Tudo colônia Britânica… E aí, quando eu falo francês a professora diz que eu falo francês com sotaque britânico. Tô me achando muito globalizada.

E com vocês: O arroz!!!

Bom, vocês sabem que eu e o arroz branco nunca nos entendemos. Minha comida é – modéstia à parte – muuuuito boa, mas quando tem um arroz pra acompanhar… ele também fica muito bom, mas como já disse, vem no esquema “unidos venceremos”.
Aqui eu tentei achar o arroz parabolizado, mas não encontrei de jeito nenhum. E justo hoje marido resolveu pedir estrogonofe de frango para o jantar. Eu só tenho arroz integral em casa, e ele não come nem amarrado… Então fui na “venda” (tipo interioooorrrr dos anos 60) e comprei um arroz que dizia “easy cook”. Aleluia, aleluiaaaaa!!!! O arroz tem uma bagaça que não deixa ele grudar!!!! Tá, não parece muito natural isso, mas na verdade, o que está escrito no pacote é que ele recebe um jato de vapor ainda cru, e isso fixa o amido. Bom, sei lá, só sei que não grudou de jeito nenhum!!! O sabor dele ainda não é igual ao que a gente faz no Brasil, mas tá muuuuuuuito mais perto do que meu “bloco de carnaval”!!!!! Por enquanto vai esse mesmo com o estrogonofe!!! 🙂

Medo

Tô arrepiada…

Leia: Mulher ressuscita 17 horas depois de ataque cardíaco

Tico e Teco

Tô falando pro David que de duas uma… ou um dia eu vou entrar na cozinha e um deles vai estar lá dentro, ou um dia eu vou ouvir um knock-knock na janela e eles vão dizer “gimme some nuuuuuts”.
O problema é que o Chip – o que tá olhando pra gente – sabe que a fonte de alimentos do jardim vem daqui. Ele procura no jardim lá embaixo e olha pra nossa cara como se dissesse “não tô achando”… Já falei que vou treinar ele pra obedecer comandos do tipo “to the left”, “to the right”.
Então, como o senhorzinho aí (ou senhorinha, porque não dá pra saber) tem certeza de que aqui é o estoque de hazelnuts, um dia ele vai bater na janela.
O Dale ainda não se tocou, olha só a pose do bacana… gordo de avelã. O Chip é uma figura… quem vê a reação dele quando a gente joga hazelnut ou semente de abóbora daqui de cima, não acredita no que os olhos vêem. Ele parece um macaquinho, pulando de um lado pro outro e olhando pra cima, como se agradecesse aos céus a chuva de comida!!
Tá, vocês devem estar se perguntando “como que essa mini-criatura sabe qual é um, qual é o outro????”. Simples. O Dale é gordo e maior (o que me leva a crer que o Chip é A Chip), ele tem a beira do rabo mais branca e a cara vermelha. O Chip não. O Chip é hiperativo, parece que tomou efedrina, é mais cinza e não tem a cara tão vermelha quanto o Dale. E eles tem rotas diferentes para o nosso telhado. O Chip vem por essa árvore aí, perto do quarto… O Dale sobe a calha do outro lado do telhado (à direita), perto da cozinha. Simples.

Detalhe: essa foto É da minha janela. O telhadinho é o telhadinho DEBAIXO da janela. Tô falando…

Gimme a little bit more…

– E aí, tudo bem?

– Tudo… tirando o que tá ruim, tá bom.

Ç~^´`!!!!!!!

Pausa para euforia pós-teclado-arrumado.

Português, bem vindo à mama, meu filhote!!!!!!!!!!!!!!

Travessia

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
F.Pessoa

Caiu do ceu

E os anjos me ouviram hoje, com toda certeza do mundo.

Estamos sem carro (ainda). Mas resolvemos ir ate o Argos (uma Lojas Americanas evoluida) a pe e comprar algumas coisas que estavamos precisando. Da ultima vez que tivemos essa ideia de girico eu vim xingando todas as geracoes de Henri Ford  que deixou a gente mal acostumado… Tinhamos comprado duas mesas e as bagacas pesavam uma tonelada… Aconchegamos as madames em cima da bike do marido e viemos empurrando, assim, bem esquema de pobre mesmo. Nossa casa nao chegava nunca, o negocio pesava, a bike nao respondia as direcoes… foi um filme.

Hoje respiramos fundo e fomos. Compramos um telefone, uma tabua de passar (nao tava mais dando pra viver sem) e uma kettle (* objeto imprescindivel na casa de um ingles: chaleira eletrica – a nossa quebrou, o David quase teve uma sincope sem cha)… Quando peguei a tabua, juro que era a tabua de passar mais leve que ja vi na vida. Fiquei com medo de abrir e a pobre coitada entrar em colapso e morrer. Eh uma tabua anorexica. Me fiz super macho e disse pro marido “vamos comprar a escrivaninha?? a tabua eh leve, eu carrego ela e os outros, voce carrega a escrivaninha”. Marido se empolgou e la se foi de volta pra fila. Enquanto isso eu me entendia com os pacotes e a tabua, que era leve mas tinha minha altura de comprimento. Fiquei imaginando a gente voltando, ele com a escrivaninha, eu com um fantasma em forma de tabua de passar e uma sacola gigante com kettle e telefone. Me arrependi de ter mandado ele pra fila. Nao deu mais tempo.
Quando caminho na direcao dele, vejo ele conversando com um cara. O David nao eh disso, de puxar papo em fila. Alias, ingles nao faz isso e ponto. De repente quase que gritei um “Aleluia, salve, salve!!!!!!” no meio da loja! Era o irmao dele. E de CARRO.
A bendita da escrivaninha pesava 20 kilos. Obrigada Nossa Senhora Protetora das Esposas Linguarudas!!!!!