O seu porque

Porque você me faz um bem que nem imagina, porque consegue mexer lá na parte mais crua de dentro de mim, porque apareceu na hora em que eu não podia, mas na hora em que precisava, porque me enche o estômago de frio, me arrepia a nuca, me faz perder a respiração quando mais preciso dela, porque me ensinou tanta coisa esquecida, me mostrou tantas novas paixões, porque te sinto cada vez mais dentro, porque você me arranca a casca da ferida em carne viva e faz doer de um jeito que é bom, porque você ativa todos os meus chacras ao mesmo tempo, porque eu gosto, porque eu gozo, porque você não sai da minha cabeça, não sai do meu peito, não sai do mais íntimo de mim, porque eu sinto teu cheiro no travesseiro, eu sinto teu gosto na minha língua, porque é o seu rosto que eu desenho no vazio, sua mão que eu procuro no frio, porque é o seu suor que escorre na minha pele quente, porque eu te invento, eu te reinvento a cada segundo. Porque você consegue mexer lá na parte mais crua de mim: aqui está o seu porque.

Agora se preferir, me ensina a me doar menos, a ser menos intensa, a não mergulhar no que me faz bem e a esconder meus sentimentos. Me ensina a não ser eu.

Por Neruda


De pena em pena cruza suas ilhas o amor
e estabelece raízes que logo rega o pranto,
e ninguém pode, ninguém pode evadir os passos
do coração que corre calado e carniceiro.

Assim tu e eu buscamos um vazio, outro planeta
onde não tocasse o sal tua cabeleira,
onde não crescessem dores por minha culpa,
onde viva o pão sem agonia.
 
Um planeta enredado por distância e folhagens,
um páramo, uma pedra cruel e desabitada,
com nossas próprias mãos fazer um ninho duro.
 
Queríamos, sem dano nem ferida nem palavra,
e não foi assim o amor, senão uma cidade louca

onde as pessoas empalidecem nas sacadas.

Cem Sonetos de Amor, Pablo Neruda.

E se

E se eu tivesse feito tudo diferente, e se eu tivesse sido diferente. E se eu não tivesse entrado naquele avião em Dezembro de 2003.

Eu não estaria aqui com o David.
Numa casa de boneca no interior da Inglaterra, ouvindo Bob Dylan à luz de velas, bebericando um vinho, dando risada e planejando uma viagem de barco pelo Tâmisa.

Talvez eu fosse feliz. Talvez eu seja feliz.

Talvez o que eu procure da vida eu nunca vá achar mesmo, porque não está em um único lugar.
Memória fraca e saúde boa, esse é o segredo da felicidade.

Deixa a vida fluir.

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Nunca uma música me serviu tanto…

Feche os olhos e só escute.

Rapidinha

Pois então, pedi demissão, saí na quinta-feira e passei na loja na frente da ex-goiabeira, onde as meninas viraram minhas amigas. É uma loja de lingerie italiana chamada Intimissimi, onde eu afundava meu salário nas sales da vida, e eu adoro as meninas de lá. Passei pra fofocar um pouco, jogar conversa fora, contar que estava saindo do emprego “novo”.
Sexta de manhã, uma delas me liga. A gerente saiu e eles me queriam pra uma entrevista, tipo, AGORA. Fui e cá estou, com emprego novo. Pois é. Saí de um na quinta, na sexta arrumei outro! Começo lá amanhã!
O salário não é nada incrível, mas pelo menos não vou sonhar com target pessoal (não existe), não vou ter gente me enchendo o saco, e já conheço e adoro todas as meninas que trabalham lá. Acho que vai ser bem mais gostoso! Fora que vou ter desconto e ganhar freebies da loja de lingerie que eu mais compro no mundo.
Amanhã conto mais!

Jardim

E eu procurei, eu procurei tanta coisa pra me distrair. Procurei gente que falasse, conselhos dados de graça, procurei amor no que não vi, desejo, coisas que passam, ficam. Só não procurei você no meio de todo esse caminho torto e, olha, a gente fica assim nessa marola, nessa coisa de que nada-importa-tanto, nessa crença de que tudo será como sempre foi. E vira um jardim de erva daninha, sabe, porque a gente supõe que o sol e a chuva cuidarão de tudo e que esse jardim não exige muito das nossas mãos. A gente supõe que só o amor dá conta de tudo e deixa esse jardim a mercê da vida. Ah, quanta tolice…
Quanto mais o tempo passa, mais a gente relaxa e, olha, se aprendi uma coisa nessa vida, é que quanto mais velho o amor fica, mais precisa ser cuidado.

Viajando na batatinha, pra variar

(O celular do marido toca de manhã, enquanto a gente tá na cama, é o amigo dele, Smiffy).

Horas depois…

– Babe, você ligou pro Smiffy?
– Putz! Não, esqueci!
– Ah, babe, vai ver que ele queria chamar a gente pra ir pra Lilliput!!!!

(Meia hora de gargalhadas frenéticas e eu sem entender nada)

– Por que? Você queria encontrar toda aquela gente pequena e amarrar o Gulliver também???

Ah, meu, eu lá tenho culpa que o lugar chama Liphook e eu confundo com a ilha das viagens de Gulliver??