Não adianta, baby

Eu sei que você vai conhecer mais uma meia dúzia de garotas interessantes. E vai transar com mais outra meia dúzia, mas talvez com essas não tenha química. Com algumas, porém, você sentirá um pouco de tudo, um pouco de paixão, um desejo que vai te queimar por dentro, uma vontade de estar perto, de ouvir suas vozes, de sentir seus gostos, de dormir abraçado com elas até o mês que vem. 

Talvez elas tenham até mais qualidades do que eu e seus defeitos sejam menos problemáticos. É difícil amar quem já tem os erros escancarados, eu sei.

Talvez elas também tenham um coração gigante, amem cachorros, sejam incríveis na cama, conversem sobre Baudelaire e cervejas trappistas. Talvez sejam inteligentes, tenham alguma habilidade artística e uns sorrisos que te enlouqueçam. 

Quem sabe essas garotas façam com que você me esqueça por alguns meses, anos, talvez. Quem sabe você me veja bem pequena perto delas, enquanto suas qualidades expõem todos os meus defeitos. Quem sabe, por algum tempo,  você perceba que nunca me amou de verdade. 

Mas você sabe, eu sei, que daqui uns seis meses, um ano, talvez, você vai se lembrar do modo como enrolo os cabelos entre os dedos enquanto conversa comigo. Ou de como era gostoso me fazer gargalhar das suas besteiras na mesa do mar. E o som do meu riso vai te atormentar todas as noites. 

Você sabe que um dia sentirá meu cheiro, enxergará meu sorriso em outras bocas e aquele brilho dos meus olhos por trás dos olhos delas. E então sentirá saudades das nossas conversas, dos nossos discos, das nossas músicas, das noites jogadas fora entre cigarros whisky sexo filosofia. Se lembrará de todas as vezes em que eu segurei tua mão e disse vem, eu to aqui contigo. Quem sabe daqui um tempo a falta será um buraco apertado aí dentro, uma ausência dolorida das minhas cores e dos meus sabores. E todos os beijos e orgasmos alheios serão completamente meus.

Quem sabe um dia você perceba que não adianta, baby, não adianta tentar fugir do que nunca deixou de existir. Não tem razão pra matar o que não se deixa ir. Talvez você entenda que esse amor existiu pra ficar sempre na prateleira, esperando acontecer enquanto, na verdade, sempre acontecia. Que a gente sempre existiu. E quanto mais você tenta escapar, mais você descubra o quanto sempre fui eu, durante todo esse tempo, teu relacionamento mais longo e mais verdadeiro. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s