Anti-biótico

A falta de arte me sangra. Fugir do sóbrio de todo dia é uma necessidade que urge. Quanto mais o mundo afunda, mais eu careço de arte, mágica e coisinhas bonitas. Pequenos goles de coisinhas bonitas. Como um antibiótico, sem pular nenhuma dose. Anti-biótico nunca fez tanto sentido.

A realidade não desencanta mais, somente; ela crava suas garras afiadas e doloridas na minha pele já tão surrada. Eu jorro cinza. 

O inverno entra pelos meus poros sugando as poucas horas de luz. O sol tenta rasgar o dia, mas as nuvens são enormes soldados de chumbo que não permitem passagem. Falta-me um espectro inteiro de cores, elas não são mais vivas, as cores morrem. 

Os gansos e as andorinhas já cruzaram o oceano, permanecem aqui apenas os corvos, as gaivotas e os pombos, os robins. Invento dragões que cospem fogo. Magos que habitam castelos de areia. Cavalos encantados que correm pela neblina. Os coelhos falam. A vida que eu crio é apenas uma fábula. Uma flor que brota em pedra, um riacho que conversa, os poemas recitados pela coruja na madrugada. As pinceladas na tela crua, os versos soltos na página branca. A maneira que o bigode branco do meu gato rasga de um nariz rodado. Coisinhas bonitas. Preciso de coisinhas bonitas. 

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