Ilusão é um veneno saboreado aos poucos

Ilusão é um veneno saboreado aos poucos. Insípido, amarga a boca apenas quando engolido aos grandes goles. Mas quem se ilude, geralmente se ilude em gotas.
O iludido é um colecionador – de frases soltas, de clichês baratos, de memórias e cenários inventados. Não perde um caco de provável sentimento alheio derramado ao chão e, a cada caco, concebe um valor que ele mesmo criou. A cada caco, uma gota do próprio veneno. 
Ilusões são enganosas, profundas e doem toda a dor do mundo. E até mesmo a ilusão mais antiga, quando volta, coça feito cicatriz velha. As gotas de ilusão não doem enquanto não existir clareza, mas quando se abre os olhos, elas cegam. É o grande gole amargo. 
Quiçá um dia o iludido aprenda que ilusão nada mais é do que expectativa e que todo sentimento não correspondido é uma facada no meio das costelas. E que consiga sempre viver de olhos abertos, longe das gotas que amortecem a língua e o cérebro. Que proteja sempre seu coração dos sorrisos mal intencionados mas que nunca o feche demais para os que lhe querem bem.

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