Borboleta amarela

Minha irmã me mandou uma foto de uma borboleta amarela essa manhã. É como um código secreto nosso de infância desejando boa sorte. Era sinal de dia feliz. Uma gritava “corre, vem ver uma borboleta amarela!” e sussurrávamos juntas com os olhinhos bem abertos e fixos na borboleta amarela: “sorte pra hoje e pra amanhã”.
Me lembrei agora, então, de um trecho de “Borboleta Amarela” do Rubem Braga, que diz: “Vinde. Vamos tocar janeiro, vamos por fevereiro e março e abril e maio, e tudo que vier; durante o ano a gente o esquece, e se esquece; é menos mal. E às vezes, ao dobrar uma semana ou quinzena, às vezes dá uma aragem. Dá, sim; dá, e com sombra e água fresca. E quem vo-lo diz é quem já pegou muito no sol nos desertos e muito mormaço nas charnecas da existência. Coragem, a Terra está rodando; vosso mal terá cura. E se não tiver, refleti que no fim todos passam e tudo passa; o fim é um grande sossego e um imenso perdão.”
Ah, se eu não acreditasse na sincronicidade da vida talvez deixaria passar despercebido tanto significado. Se eu estivesse um pouco mais distraída, talvez perdesse completamente a minha inocência.
Obrigada, irmã. Obrigada, vida. Que a sorte seja sempre para hoje e para amanhã.
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