Devaneios aleatórios das 16:28h: a eterna busca incoerente do laço.

Sabe, algumas coisas eu tenho aprendido durante essa caminhada. Que não é possível se apegar a nada ou ninguém e ser feliz ao mesmo tempo. As pessoas vêm e vão com a efemeridade que deveriam ter, como se houvesse um contrato pré registrado do tempo em que são necessárias para qualquer transformação em você.
Se existe uma energia maior que rege tudo em harmonia, ela não apenas atrai, ela afasta. O tempo, ah, o tempo, esse sim talvez seja o maior adversário da vida e o maior aliado. À medida em que te apressa, te ensina – seja qual for o melhor caminho. E é ele quem decide o que fica, por quanto tempo e o que substitui. É ele quem tira e dá.
Tudo que morre aduba o novo que insiste em querer nascer. Tudo o que vai, leva consigo um espaço de tempo que não voltará nunca mais. Descobri que as pessoas se apegam muito mais ao tempo do que à qualquer outra coisa. Aquele minuto presente, aquela tarde no sofá, aquele vinho chileno. Me traga de volta o momento, a pessoa é apenas cenário. Quero aquilo que me fez sentir, e não o objeto deturpado.
As pessoas são ruins e boas e, ainda quando querem ser boas, são ruins. E só o são porque existe o apego ao momento e à história. Existe o apego àquele beijo na mão embaixo do edredom, às risadas trocadas na madrugada quente caminhando pela praia. Existe uma eterna busca de vínculo com a realidade e com a fantasia. Qual a linha entre a ilusão e a verdade? Qual o exato segundo de tempo em que decidimos precisar de alguém ou algo?
O ser humano vive uma constante busca por laços, por referências que lhe delimitem um período de espaço. Por gente que possa chamar de sua, por mãos com as quais possa contar quando mais precisa. O ser humano busca o apego, pois sem ele é quase impossível escrever uma história. E essa é a grande essência da vida. Ter linhas e páginas viradas, sem passado. Ter laços fortes, sem apego. Como é mágico o aprendizado.
O tempo me deu muitas rasteiras, e hoje  percebo que foram sempre ao me apegar à algo ou alguém. Eu caio, eu respiro, eu me levanto. Descobri que o desespero destrói o amor e o bom senso, então finalmente aprendi a não deixá-lo controlar.
A vida me chacoalha e questiona o comodismo mais uma vez. Como se eu fosse destinada a ser nômade e dinâmica, como se as emoções fossem imprescindíveis na vida de uma contadora de histórias. Não se apegue. Não se apegue à mão ao lado, nem ao chão que pisa. Não se apegue à este exato segundo do tempo, porque se existe uma verdade absoluta, ela é chamada de inconstância.
A mudança é a única certeza da vida. A natureza recicla e nunca se apega ao momento, pois um dia ele volta – em outras circunstâncias, é verdade.
Aprendi que o amor é o oposto perfeito da necessidade. E o tempo – este é apenas o grande maestro. É em função dele que a harmonia acontece. E basta observar uma árvore no jardim para entender que se sou feita dos mesmos átomos, minha vida deveria ser regida da mesma forma. As folhas crescem, morrem e adubam. As pessoas e as situações também. Para toda folha seca que cai, existe a esperança do novo que nasce. A primavera sempre volta – em mim e em você. 

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2 comentários sobre “Devaneios aleatórios das 16:28h: a eterna busca incoerente do laço.

  1. Camila disse:

    Conheci teu blog através do programa Diario de Oliver. Adorei e me identifiquei muito com seu blog.
    Parabéns, tu tens o dom nas palavras! Abs.

  2. MarcosK disse:

    “Também conheci o blog através do programa Diário de Olivier”, (nem um pouco original). Gostei dos seus contos (ou textos). Gostei da forma que você escreve: muita emoção exposta em palavras.
    Já andei lendo outros textos aqui: “rádio cidade”, “borboleta azul”, a garotinha no parque, o sr. no ônibus, todos muito bons.
    Têm algumas reflexões que deixa a gente “com a pulga atrás da orelha”, como este aqui, ou como a partida sem despedida…. Dá uma curiosidade para saber mais (rsrs),..
    Você poderia escrever um livro juntando tudo e batendo no liquidificador, já tem bastante material aqui!
    Continue escrevendo e nos divertindo com os seus textos! ou deixando a gente mais reflexivo, e olha que você não fez letras, hein.
    Muito bom! Parabéns!
    MarcosK

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