A verdade era só uma

A verdade era só uma: queria ser parte presente e significante em sua vida. E ela metia os pés pelas mãos em tentativas frustradas e doloridas de continuar. Apenas continuar o que nunca foi. Ou o que foi, talvez apenas para ela. Ou o que foi para os dois, deixa dessa imaturidade adolescente e aprende a enxergar que nem tudo é como você quer. Coração mimado. Quer, quer, quer. Se não tem, chora. Coração de merda.
Expectativa demais dá nisso, pensava ela. Não tinha nada além de um amor impossível e lindo, ah que amor bonito esse inatingível, inalcançável, que amor bonito esse escondido debaixo de cobertas requentadas. Porcaria de amor que dói, esse que não se pode ter. Mas era amor, não era? Foi amor um dia? Ou foi carinho disfarçado pra te levar pra cama, sua besta. Sexo não, não podia ser só sexo, embora o sexo fosse incrível.
Tentava desesperadamente manter com gozo as lágrimas de um amor não correspondido. Todas as noites, apenas quando ele queria. Era o preço do amor errado. Burra, burra, caiu que nem um patinho nessa lábia mais antiga da humanidade. Justo ela, sempre tão espertinha.
Ah, que te amava tanto, sabia? De dar nó no coração antes de dormir, quando te desejava boa noite quietinha dentro da cabeça. Boa noite, meu menino. Dorme bem. Fica bem. Seja feliz. Mas seja feliz comigo, não me venha com essa putaria de ser feliz com outra pessoa. Mentira, não pensa assim, menina má. Seja feliz com quem quiser, com quem tenha esse poder lindo de te fazer bem. Talvez eu não mais o tenha. E sonha comigo, um dia, qualquer, randômico, como aqueles antigos. Presença de Anita.
Te amava muito, ou talvez nem soubesse o que era amor. Ou apego. Ou insegurança. Ou ego. Ou dor. Ou calor. Que porcaria de sentimento é esse, sentimento lindo de unhas afiadas? Me deita no seu ombro esquerdo. Acaricia a minha mão sem dizer nada e me sorri um silêncio macio. Um beijo daqueles na mão era só o que precisava agora. E aqueles nos joelhos e na parte de trás das coxas.
Vem aqui, vai. Ou me deixa te esquecer pra sempre, sem que se esqueça de me amar.

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