Divagações de Outono: folhas secas, assopra-me.

Não sei o que o Outono do hemisfério norte traz que me balança tanto. Me assopra. Eu mudo. Eu, muda. Nova. Feito planta madura que tem de se desfazer de pedaços que precisam de atenção demais, secos, quase mortos. Preciso deixar o que não é vivo ir embora. Preciso concentrar a energia no que recicla, cicla, dá frutos.
Outono é hora de balançar a si mesmo e deixar as folhas secas caírem. E esperar que um dia essas mesmas folhas secas me adubem e me alimentem mais uma vez, pois elas já são minha parte, vida, amor e dor, sorriso e lágrima que já não vingam. Esperança de.
E ah, a natureza. Nada mais sábio nessa vida do que essa força invisível que a gente vê todos os dias. O Outono traz consigo os ventos fortes, como se soubesse que sozinhas, as árvores não têm força para desgarrar. Limpa, eu ajudo. Venta, assopra forte todas as minhas folhas. Secas, caem, não deixa cair , por favor, não deixa, mas está por um fio, morto, eu assopro, vai, pronto, não doeu.
A vida tem me dado muitas oportunidades de ser feliz. Eu só preciso me desgarrar de um passado/presente/futuro que nem sei se existe. Existe? Só vejo folhas secas. E não posso mais sustentá-las sem me perder, sem me doer no ardido dessa secura. Corre seiva daqui de dentro, alimenta o que é verde e brota, e brota. Ainda que do adubo, um dia, quem sabe.
Vem, vento, me chacoalha, assopra minhas folhas secas, me ajuda, pois só já não sei mais soltar e tenho medo de me perder no seu escuro.

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