Não volte, por favor.

não, não volta assim, cheio dessas coisas que só você sabe me dar, não volta. você me conhece tão bem e sabe como esculpir cada pedaço quebrado do meu coração, você sabe como me fazer acreditar em todas as suas mentiras de novo, em todas essas coisas que você falava pra me ter ali. eu sei, você sabe,  eu já me feri, te deixei ferir e chorei, chorei todas as águas salgadas de dentro de mim e, sabe, meu coração secou por um bocado de tempo, e eu me afundei cada vez mais na areia movediça do teu amor, do teu mal-amor, de tudo isso que você me deu, eu me afundei e cheguei lá no fundo, lá onde já não dói mais, sabe? como quando a gente morre e não sente mais nada. pois é, eu já morri de amor e cá estou. e não foi a tua mão que me levantou de lá, não, não foi a mão de ninguém, a não ser a minha asa quebrada que curou e me pôs a voar de novo, e eu saí, cara, eu saí do buraco escuro, vazio, sujo de lama, de merda, de toda essa merda que você me deu, mas eu saí. saí mais limpa do que nunca, tudo dentro de mim é vidro novo, mas ainda é vidro, ainda quebra, e você! não me venha você com esses teus dedos tortos, com toda essa vida desengonçada pra me devolver aos frangalhos de novo, porque a gente sabe, querido, a gente sempre sabe o quanto um amor é verdade. lá no fundo, no mais remoto pedaço da gente, a gente sabe. a gente sente. é químico. e o nosso não era, sabe, o nosso não é. o nosso é qualquer coisa assim de dependência, alguma droga pesada dessas que prende a gente num vale de grama verde, tão verde e florida e deixa a gente lá até inundar de água e quase matar, e daí a gente precisa daquela grama florida de novo, sei lá, você sabe bem como é. você precisa do meu desejo, eu preciso do teu. mas agora eu curei minhas asas, cara, agora meu coração é de vidro e eu tô pronta pra acreditar de novo em toda essa merda que chamam de amor, que não passa de dança de pavão, só que agora eu acredito, acredito que tenha alguém aí que talvez nunca vá, sabe. que nunca precise voltar. e que se voltar um dia, eu não tenha que dizer por favor, não volte, e não me enrole nos próprios espinhos de novo, e não morra de desejo e medo de cair no poço mais uma vez. quando é que a gente aprende a não dar as mãos pra gente como você? quando é que a gente aprende a  parar de olhar nos teus olhos e acreditar?

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