Chá com leite

E depois do inverno mais doloroso da minha vida, de 1 mês com temperaturas negativas inimagináveis, de uma semana com 40 centímetros de neve sem derreter, eu entro em casa e ligo a chaleira elétrica. Coloco um saquinho de chá preto em uma caneca, completo com a água fervendo e é aí que mora o x da questão, minha gente: ponho leite.
Foi nesse ato impensável, nesses minutos medíocres de um dia qualquer depois do trabalho, que eu cheguei a uma conclusão. Estou definitivamente adaptada.
Não, esta não foi minha primeira xícara de chá com leite, não. Mas foi a primeira xícara de chá com leite que não sofreu nenhum processo cognitivo, nenhum tipo de bloqueio psicológico, nada que não fosse puramente natural e rotineiro. Sim. O chá com leite foi a minha bandeirinha fincada na terra. Cá estou, amigos, em uma cidade do interior da Inglaterra chamada Reading. Um lugar cheio de história, com uma Igreja de 837 A.C. e uma prisão que acomodou Oscar Wilde. Cá estou, num país que ainda não chamo de meu. Mas que já chamo de casa.

Leia: Confidências, escrito em Dezembro de 2008.

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