Brancos e coloridos

Há muita neve lá fora. Um branco imenso faz contraste apenas com os galhos secos das árvores e o contorno das casas vermelhas. Poucos, muito poucos pássaros cantam um canto gélido, quase engasgado.
O termômetro marca três graus negativos e eu olho no fundo dos teus olhos cinzas que encaram qualquer filme antigo na televisão. Há paz no perfil do teu rosto, uma paz que me eleva e me enche de certezas. Você me olha indagando  em silêncio, porque me olha desse jeito? Sorri de canto uma névoa colorida. Você é tão colorido perto da neve lá de fora.
Folheio umas páginas do meu livro, iluminadas por escassos raios de sol. É Caio Fernando Abreu e isso me faz viajar para outro lugar.
Sem nenhuma palavra, sem expectativa, mas com a maior sabedoria do mundo, você encontra a minha perna. Os olhos ainda fixos na televisão. E tua mão estaciona na minha perna como se me puxasse de volta, como se afirmasse que estamos aqui. Em Reading. E a certeza de que pertencemos. Sim, estamos aqui. Há tanto tempo, eu, você, Oscar Wilde. Brancos e coloridos.
Sorrimos juntos névoas coloridas, sem sequer entender o tamanho de tudo isso.

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