Venha logo, menino

(Continuação do post “Venha de novo, menina“, abaixo. Desce a tela!)

 

Se ao menos eu entendesse o que se passa dentro de você, se pudesse colocar os dedos aí dentro e embaralhar tudo de novo. Te escrevi cartas que nunca vou mandar, decorei versos que nunca irei dizer, digitei seu número de telefone tantas vezes e não liguei. Li teu autor preferido, ouvi tuas músicas bobas, passei a tarde com aquele teu álbum de foto amarelado da década de oitenta. Te fiz brigadeiro de panela e te mostrei a profundidade física e a superficialidade emocional.
Sei de tudo sobre a sua vida e nada sobre você. Também tenho medo, cara. Mas não quero que tudo isso se perca. Gosto de você pra caralho. Quando olhar a lua cheia estarei olhando também e pensarei em você. De onde você veio? Pra onde você foi?
Leva um pouco de mim contigo, menino. Você mexeu em mim onde poucos haviam chegado. Pronto, falei. E você nem está ouvindo.
Se eu me machucar, prometo catar meus cacos pelo chão antes de sair. Não vou deixar me apaixonar, mas tenho medo de emoções. Vem de novo, só preciso que você venha. Estique um pedacinho de você e eu faço o nada virar o tudo mais lindo que você já teve. Venha logo, menino, mas venha sem medo de déjà vu. Nenhum de nós vai machucar mais que a própria vida.

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