O gnomo viajante

Essa foi uma das melhores histórias dos últimos tempos. Fiquei pensando no que levou alguém a fazer isso e até me dá uma vontade de conhecer essa pessoa, porque ela realmente deve ter muita estória pra contar.
Aconteceu aqui, na Inglaterra, óbvio – lugar onde as coisas mais bizarras acontecem. Há sete meses um anão de jardim (Murphy) foi roubado do jardim de uma casa.
Até aí, normal. O bizarro foi que agora o duende foi devolvido ao mesmo local, com um “presentinho”… um álbum de fotos contendo mais de quarenta fotografias de várias partes do mundo. (hahahahahah). O cidadão que roubou o anão de jardim enfiou o serzinho na mala e por onde passou tirou foto dele. Tem foto do gnomo escalando na neve, foto com elefante no fundo, na boca de um tubarão, nadando com tartarugas na Nova Zelândia, na Austrália, na China, em SIngapura.
E veio com um recadinho “estava muito chato ficar aqui olhando os carros passarem”. Huahuahuahuaha!!!

Assistam ao video: http://uk.news.yahoo.com/itn/20080812/video/vuk-no-place-like-gnome-49bfa63.html

No place like gnome ...

Monday

Finalmente.
Começo a trabalhar segunda-feira.
No Hotel Millenium aqui de Reading, como recepcionista. Melhor que servir prato… anyway, os horários são cruéis, mas o salário é melhor que todos os outros.
Tenho que começar de alguma forma. A partir de segunda vou dizer “Good morning madam, welcome to Millenium Hotel, have a great stay”. 😛

Um dia de garçonete

É, você leu direito. Ontem fiz um “trial shift” num restaurante aqui, o Nando´s. É uma rede portuguesa de restaurantes que vende principalmente frango assado.
Cheguei lá às dez horas, aprendi onde pegar luvas, aonde fica o desengordurador pra limpar o chão, como abrir o porta-papel higiênico dos banheiros e a diferença entre frango peri peri e frango manga e limão.
Cheguei na verdade pra uma entrevista, camisa preta, calça preta, botas. O manager olhou pra mim e disse “você deve ser a Milena”. Eu respondi que sim, ele colocou uma polonesa do meu lado e deu instruções a ela “leva a Milena lá no staff, dá o uniforme e explica pra ela como as coisas funcionam”. Na hora eu pensei: uniforme????? Que porra é essa? Enfim, subi no staff room, a polaquinha me deu uma camiseta verde com um frango desenhado, um avental e um boné. Mandou eu tirar a bota (eu tinha caminhado de tênis, o tênis estava na minha bolsa). Tive que prender o cabelo debaixo do boné preto com um franguinho vermelho. Me olhei no espelho e quis parir um elefante.
Respirei fundo e fui aprender sobre o armário de produtos de limpeza, sobre o cardápio, e como pendurar o “Perfex” no avental.
O restaurante abriu e os pedidos começaram. A outra polonesa que estava concorrendo à vaga comigo ficou de montar os pratos e eu de entregar. Quando vi tava carregando quatro pratos ao mesmo tempo, queimando os braços, rezando pra eles não caírem. Servindo 56 mesas em horário de almoço, com um milhão de pedidos pendurados na minha frente. Aprendi rapidinho onde ficavam as 56 mesas e comecei a parecer um foguete brasileiro dentro do restaurante. Entregava, perguntava se queriam mais alguma coisa, dizia “enjoy your meal”. Montei pratos de saladas, frangos com batata frita, hamburgueres com peri-peri. Passaram-se quatro horas e eu não havia bebido água nem feito xixi.
Lá pelas três e pouco me liberaram pra almoçar. Provei o tal do frango que não tinha nada de mais e um garlic bread. Sentei na mesa de bonézinho e avental, a gerente olhou minhas unhas vermelhas e disse que se eu trabalhar lá não posso usar esmalte. Nem brinco. Pooooorra, de boné de franguinho, camiseta, avental, sem esmalte e sem brinco??? Querem que eu mude de sexo e fale grosso também???? Ah, tenha a santa paciência. Pra mim essa foi a gota d´água!!!
Aí a gerente chegou toda feliz, disse que tinha ótimo feedback de mim e que queria me oferecer a vaga. Eu pensei, os caras nem falaram o salário até agora e ela já vem com papelzinho pra eu assinar? Perguntei do salário. 5,52 libras por hora. Salário MÍNIMO inglês. Perguntei do turno. Das 10h às 17h ou das 17h às 0hs, quem decide é o gerente. Todo santo fim de semana. Dois dias de folga que, provavelmente, seriam na semana. A cada quatro horas de trabalho vc tem dez minutos de folga (??????). Nisso você tem que incluir almoço, xixi e sabe-se lá o que. O xixi é com hora marcada.
Tudo isso por salário mínimo???????? Sou mais ficar no caixa do Mc Donald´s apertando botão!!!
Pior é que não me pagaram pelo trial shift, me usaram por cinco horas de graça e eu fiquei cheirando a frango até só Deus sabe onde…. Cheguei em casa e tive que tomar outros dois banhos (3 no dia), consequentemente lavando o cabelo 3 vezes pra tirar o cheiro do frango que parecia nhaca dessas que pegam e grudam na pele.
Tô fora!!!! Pelo menos eu posso dizer que já trabalhei de garçonete. Nunca imaginei que com 28 anos na cara, formada, com uma experiência profissional invejável, eu ainda fosse servir quatro pratos nos braços e de boné de franguinho….

Diga NÃO!!!

Assunto sério.

Dêem uma lida nesse link, por favor.
Explica um projeto do Governo Brasileiro aprovando o desmatamento da Amazônia.
Depois, cliquem em “assinar contra” e assinem o protesto. E também espalhem o link mais que gripe!!! Tussam ele por aí!!!!
Conto com vocês!!

Link: http://www.meiamazonianao.org.br/?email=micastino@yahoo.com

ASSINEM!!!!!!!!!!!!!

Piri pi piri…

Minha Nossa Senhora Protetora dos Ouvidos de Penico. O David descobriu uma rádio do Winamp que toca música brasileira. Toca bastante bossa nova, a gente ouve um monte… hoje ele ligou e o bicho começou uma mistura de funk com forró que já me arrepiou os cotovelos e eu arregalei os olhos esperando o pior dos piores. A menina com uma voz de ui quase que me fui diz “nossa, que som legaaaaal, esse carro é seu?”. Aí começa uma putaria, um show de horror de música que eu quis me rasgar por dentro e quase me arrependi de ter nascido em terras de Cabral.
A menininha do ui começa “você não vai me conquistar com seu radinho de pilha, eu quero um som que abala carro de corrida”. Como se não bastasse, de repente, do além, o bom cidadão cantante da …. mmmm…. diríamos, música, grita um PIRI PI PIRI PIRIGUEEEETE!!!!!!! no maior estilo “Hey Hoo!!!” Nessa hora eu tive um ataque de riso que durou uma meia hora, meus olhos incharam, lacrimejaram, eu não consegui parar de rir e lembrar da voz do cara falando piri pi piri piriguete. Fui procurar no youtube, pra ver se era verdade, se realmente esse momento existiu na minha vida…. e não é que eu achei!!???? O nome do cantante é (huahuahuaha) Mc Papo. A mmm mmm música chama “radinho de pilha”. Como se a situação não fosse bastante pra fechar a noite com chave de PLATINA, eu achei outro video do Mc Sapo (ooops) com o nome do que?? do que???? Siiiiim, piriguete. E a letra da coitada da melodia é… prestem atenção porque é muita informação, se não vocês se perdem: ” Quando ela me vê ela mexe, piri pipiri piriguete, rebola devagar depois desce, piri pipiri piriguete”. Se concentra!!! Lê de  novo!!! Hahahahahahahahahahahaha meu São Crispim!!!!
Pior é ter que (tentar) explicar pro gringo o que significa piriguete e porque eu tô me acabando de rir….

Pra poupar o tempo de vocês, ai vão os vídeos… clássicos do ano!!!!

 Radinho de pilha e PIRI PI PIRI PIRIGUEEEEEETE!!!!!!!!!

 

 

Por favor, me digam que isso não faz sucesso no Brasil, não é o novo “Créu” e nem a mulher-bagaço-de-laranja, mulher-kiwi, mulher-toranja dançam isso…. please, please, diz que nãããão!!!!

Brasil na China

Acabou de entrar a nossa delegação!!!!! E uma brasileirinha aqui, perdida no meio da terra da Rainha, gritou, aplaudiu, pulou, encheu os olhos de lágrimas! Porque o seu chão faz muita falta e é muito, mas muito bom ser brasileiro!!!!!!!!!!!

Um pra trás, dois pra frente

Finalmente engoli o orgulho do meu longo currículo, da minha vasta experiência profissional, das qualificações, dos meus trabalhos em São Paulo e Paris fashion weeks, do meu foco em marketing de moda. Já entendi que vou ter que começar de baixo nesse país. Chega de ficar procurando emprego na minha área.
Fiz entrevistas incríveis, cheguei na última etapa de seleção para o marketing da Harrods, mas não me chamaram porque ainda não tenho experiência na Inglaterra.
Refiz meu currículo, passei por cima do orgulho, diminui mais da metade dele. Mudei de gerente pra assistente, de relações públicas pra hostess, de coordenadora pra vendedora.
Essa semana já tenho quatro entrevistas marcadas, entre vendedora de loja, garçonete, barista, recepcionista de hotel. Qualquer dinheiro é melhor que nada.
Um pra trás, pra dar dois pra frente.

Wish me LUCK.

Motorizada…

Finalmente comecei a me re-entender com a minha bike. Já tinha até colocado uma plaquinha de venda nela até decidir ir pra Caversham domingo passado. E foi tranquilo.
Na verdade os problemas da minha bike são dois. Um, ela é grande demais pra essa pequena fração de gente. Dois, ela é pesada demais. Quando fui comprar com o David, lá em 2005, ela estava em promoção. A anta aqui parou do lado da bike, viu se a altura batia no quadril, ok, ok, pode levar. Leva que tá half price. Mas a besta verde e amarela que vos fala não se tocou que tava de salto!!!!!! Resultado: a bike é ótima pra andar de salto alto. Óbvio que não, né! De tênis é quase um fiasco. Pensa numa bike pêndulo. Uma menina em cima e quando pára tem que voar pulando pra frente pra pôr o pé no chão se não cai. Novidade né? Pra parar de repente só se for do lado da calçada (meio-fio) pra apoiar o pé. E pra subir tem que fazer muita yoga pra jogar a perna tão por cima do selim.
Mas o que mais me atrapalham são as marchas. Ãããã? Sim, eu sei. É dois mil e oito e eu ainda não me entendo com marcha de bicicleta. É o fim da picada. Mas amigos, eu nasci, cresci e nunca saí de São Paulo. Andei de bicicleta quando o meu sonho era uma Cecizinha rosa de cestinha branca e duas rodinhas do lado. Não tinha marcha. Minha primeira bicicleta de marcha eu devo ter tido com uns 16 anos, mas aí não andava mais. Queria saber de carro. E na Vila Madalena, já imaginou né? Impossível. A não ser que você queira fazer um spinning eterno. Pra chegar na minha casa, mal meu carro sobe os morros, imagina uma bike.
Essa daqui pra subida é um fiasco. Ela tem suspensão dupla, é de aço, pesa pra caramba. Esses dias eu tenho feito tudo de bike, mas quando chega uma inclinaçãozinha eu freio, pulo logo pra frente, acho o chão, dou uma voadora pra fora da bike e empurro a bendita.
Quinta feira eu e o David tivemos que ir ao centro. Fomos pedalando e eu resolvi usar um jeans. Pensei cá com os meus botões, tem stretch, não vai ser tãããão difícil. Pura ilusão. Na volta a gente pedalou o triplo porque ele queria comprar hamburguer no fast food lá depois de casa. Pegamos o caminho na beira do rio, tranquilo, ele me ensinou que marcha que eu tenho que usar, onde a correia tem que ficar e tal, e a motoquinha foi pedalando bem. Aí ele disse, vamos virar aqui. Era uma alleyway… mmm… mmmm… como chama essa bagaça em português???? Ah, enfim, era um desses “corta-caminho” pra pedestre, no meio da calçada que vai de um lado pra outro, sabe?? De um lado tinha um arame, não era farpado, mas era pontudo. Ele foi pedalando na frente e eu segui. Juro por Deus, o caminhozinho tinha uma inclinação pra cima de uns quinze graus no máximo! Era ri-dí-cu-lo. E a minha bike não subiu. Não deu tempo de pular pra frente, não deu tempo de dar voadora pra sair da bike, nada. Eu sabia que ia cair e a bike tendia pro arame. Nessas já ativei minhas células de dor e disse “let´s get started!”. Enfim, caí de ladinho, em cima do arame. Só que comigo não aconteceu nada. A minha blusa é que enganchou no arame e não soltava de jeito nenhum. Imagina a situação: eu, ainda em cima da bike, quase apoiada no arame, enganchada, tentando dar uma voadora pra sair com a calça stretch que também travou. A perna travou entre a bike e o arame e eu não descia nem caía na moita. Fiquei literalmente presa. Eu não conseguia parar de rir, e nem deu tempo de chamar o David. Quando ele olhou, ficou parado tentando entender o que eu fazia apoiada no arame, com a perna levantada, sem sair do lugar, e dando gargalhada. Ele ficou olhando e de repente começou a gritar, sai daí, sai daí, não encosta, não encosta. Quando eu olhei pro lado, onde eu tava enganchada, percebi que em volta do arame tinha uma bela moita de urtiga. Que coça e arde se a gente encosta. Na verdade eu não tive como sair. Ele teve mesmo é que chegar em mim, desenganchar minha blusa, puxar a bike, pra eu poder descer a perna que já tava dando cãimbra.
Se ele não tivesse lá acho que eu teria que caçar meu celular e  ligar pra Emergência me tirar do arame hahahaha! Não dava pra sair de jeito nenhum!!!!