Você sabia?

… que nascemos com 350 ossos e quando nos tornamos adultos temos apenas 206? Isso porque alguns ossos se fundem durante o nosso processo de crescimento.

… que o nosso esqueleto se renova a cada 10 anos? Portanto, mesmo que tenhamos 70 anos, nosso esqueleto só terá 10…

… que os animais pressentem terremotos e outros cataclismas devido a uma quantidade grande de cristais de magnetita em seus cérebros? A magnetita é um mineral magnético formado por óxidos de ferro. Os humanos possuem os cristais em pouca quantidade, enquanto em outros animais eles são encontrados atrás dos olhos e servem para orientação. A magnetita também é encontrada na areia e em meteoritos. 

Vamos a la playa ô ô ô ô ô…

Voltei. E voltei bronzeadinha hihihi… Minha semana na praia teve altos e baixos, ainda não consegui defini-la totalmente.
Chegamos na segunda, eu, mamis e sis, e ficamos numa pousada que, pelo site, parecia ser uma gracinha. Já achei estranho porque ficamos horas esperando alguém abrir o portão pro carro entrar e a pousada não tinha recepção. Quem atendeu a gente foi a faxineira que nem sabia em qual quarto a gente ia ficar. Depois de alguns roamings gastos ligando para o cara que tinha fechado para a gente, nos aninhamos num chalézinho com micro-cozinha e banheiro. Parecia ótimo, até a gente perceber que o lugar era uma imundice. Eu e minha mãe tivemos que ir ao mercadinho comprar desinfetante e pano de chão pra dar um ar de habitável à espelunca. Como se não bastasse, eu tinha esquecido meu travesseiro e lembrei daquele “Você sabia” que eu coloquei aqui ao pegar o travesseiro do lugar. Ele e o colchão fediam. Depois de limpar bem ficou ok, mas o colchão e o travesseiro não deu pra resolver muito. Sorte que minha mãe tinha levado uma fronha extra.
À noite minha mãe foi tomar um banho e a torneira saiu na mão dela, voando água pra tudo quanto era lado. E quem disse que tinha alguém pra resolver! O “caseiro” – que era o único contato nosso com a pousada – estava no bar. Tivemos que tirá-lo dos braços da marvada e fazer o cidadão consertar aquela birosca.
Fora isso, tudo era muito velho. O fogão, a louça. Ah, sem esquecer a nojeira que estavam as louças quando a minha mãe foi ver. Colocamos de molho na água quente com desinfetante de tanta coisa incrustrada. Um nojo.
Na quarta, quando o namorado da minha sis chegou, íamos mudar para uma suíte (eu e minha mãe), com um fogão de camping e geladeira. Minha irmã ia com o namorado para uma suíte normal.
Quando eu e minha mãe entramos no nosso quarto eu quis chorar. A geladeira era mais velha que guaraná de rolha, e estava imunda. O quarto tinha uma barata morta. A pia era daquelas da época de vovô-menino, pra fora do banheiro. O banheiro era nojento, com aquelas cortininhas de plástico que grudam na gente. A pia medieval estava entupida. O quarto fedia. Gastamos mais uns roamings pro infeliz-dono-da-bagaça e fizemos um escândalo. Apareceu um surfistinha por lá – bem bonitinho por sinal – oferecendo o chalé do fundo pra gente, que era um quarto de casal, uma sala com duas camas e TV, cozinha e banheiro. Ficamos com a oferta do upgrade.
Obviamente, eu e minha mãe partimos para o pano de chão e o desinfetante de novo, afinal, a pousada tinha o mesmo bat-dono, a mesma bat-faxineira. A geladeira era uma creche de mosquito. Deviam ter desligado e ficou um pouco de água, tive que colocar inseticida dentro dela, antes de guardar a comida….
Depois de limpo, ficou ok, de novo. Só que a pia da cozinha vazava e inundava tudo. O banheiro era horrível, velho, sujo, com o vaso sanitário marrom – que não dá pra ver a sujeira – encostado naquelas portas de plástico de box imunda. Ai, não sei. Já estava num ponto onde não queria encostar em mais nada.
O colchão da minha cama cheirava a xixi então troquei com um que estava no quarto de casal. Só que ele era maior que a cama e eu tive que dormir numa espécie de concha de colchão. Com o travesseiro com ácaro – ou o ácaro com travesseiro.
Passamos mais alguns dias na espelunquinha maior até que o vazamento da pia começou a feder esgoto. Não dava mais. Eu já tomava banho de havaiana, sem encostar em lugar nenhum, tinha nojo de deixar minha toalha em qualquer lugar…
Como Deus é pai e não padastro, minha tia tem uma mega casa a 1km de onde a gente estava. Não ficamos lá porque achamos que meus primos iriam, eles poderiam levar amigos-socialites insuportáveis que iam achar gordura até na minha orelha…. Mas, como eu disse, Deus é grande e ninguém foi pra lá no feriado.
Demos um mega-upgrade e nos jogamos na casa em condomínio fechado, piscina, jacuzzi, pé na areia… Sai da piscina tá na praia. Um luxo. Cheirinho de house splash, cama de molas, travesseiro de pena de ganso, lençol Trussardi, TV à cabo, empregada, jardineiro, etc, etc, etc. Aí sim a viagem valeu a pena. A gente pulava da praia pra piscina, da piscina pra jacuzzi. Comecei a dar valor para pequenas coisas como, por exemplo, ter um tapetinho no banheiro pra pisar depois do banho. Ter um colchão que não tenha cheiro de nada. Conseguir fazer xixi sem imaginar que um bicho do além vai sair de dentro da privada e morder minha bunda…
Enfim, so sorry, pessoas. Podem me chamar de fresca, nojenta, burguesinha, o que for. Estou acostumada com coisas limpas, cheirosas e bem feitas. Não me importo nem um pouco em acampar, por exemplo, desde que o saco de dormir seja meu. Desde que o banheiro seja limpo e tenha papel higiênico. Já fiquei em alojamento de jogos universitários numa boa, galera dormindo em saco de dormir, em sala de aula de escola pública. Inclusive eu. Tomava banho com um jatinho central gelado num frio de cinco graus e jatinhos ferventes em volta. Sou fresca, mas sou humilde… Não me importo com o clichê “pobre mas limpinho”, desde que seja mesmo limpinho. Odeio sentir nojo.

Moral da estória:
1. Nunca mais me hospedo se o dono for homem e não tiver uma mulher para dar o “toque feminino”, que só a gente entende. Por eles, qualquer espelunquinha está “sussa”.
2. Sou taurina, gosto de luxo – não lixo.
3. Quem nunca teve um acesso de nojo, que atire a primeira pedra.
4. Quem nunca curtiu – ou desejou curtir – o fantástico mundo dos ricos, que atire a segunda pedra.

Under the big, bright, yellow sun…

Estou a caminho da praia, pra não fazer nada, deitar na areia até encontrar sereia, conversar com o mar ou com Iemanjá, sentir a brisa salgada lavar o fundo da minha alma…

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Vou amanhã e volto só no fim de semana. Para entrar em comunhão com o Atlântico, com Rá, com conchas e caranguejos. Vou viver à base de brisa, água de côco e peixe, pelo menos por esta semana… Vou matar a sede de água salgada da minha alma brasileira, fazer meus pés felizes ao roçarem a areia… Provavelmente será meu último encontro com a enseada do Brasil antes de eu voltar para a Inglaterra. Vou me fartar de mar, de sol e dessa brasilidade que é tão necessária para a minha sobrevivência. Vou ser feliz e já volto…

Palavras

Eu nunca falei aqui sobre o meu amor por palavras, especificamente por palavras da língua portuguesa. Não tenho nada a ver com letras, meu relacionamento com português nunca passou do colegial. Mas como uma boa observadora tenho que admitir que existem palavras no nosso vocabulário que são simplesmente orgásmicas. Palavras que, graças a qualquer força maior, ainda existem e não morreram.
E adoro assim, essas palavras cuspidas e escarradas que enchem a boca. Como um bom palavrão… “Crepúsculo”. Essa é uma das minhas palavras preferidas. Crepúsculo me faz sentir a boca cheia de pipocas… Adoro falar essa palavra, por mais velha que possa parecer. E parece que as palavras mais velhas são as mais gostosas… “obsoleto”. Já soa feminino, um tanto fina e elegante como uma Meryl Streep em “O diabo veste Prada”. Obsoleto… Tem um quê de sexy no jeito de dizer isso, como que querendo esconder o que se pensa.
Há ainda “cautela”, que me lembra cheiro de bolo de laranja. E não teria outra palavra para definir o “orgasmo”. Sozinha,  ela se fecha e abre num “gas” que pode variar de mulher para mulher. Orgaaaaasmo. E “britadeira” é tão musicalmente sonora que passa longe do significado.
“Panturrilha”. Palavrinha que me lembra alguém muito chato, alto e de óculos declarando um poema. Dessas palavras sérias que descem suaves como framboesas. Se bem que ainda me orgulho de expressões antigas. Prefiro “batata da perna” e acho fantástico sermos os únicos humanos no mundo que têm batatas em suas pernas. Que língua incrível, quanta simbologia, sonoridade, quanto requebrado.
“Vai se foder” ou “Vai tomar no cu”, com o perdão da ofensa – e a liberdade exclusiva da Língua Portuguesa. Palavrões que enchem os pulmões e a boca, mais uma vez. Não é à toa que aquele videozinho do You Tube é um sucesso sem mais palavras. A não ser quando aparece o “bem no meio”, que se iguala à sensação de colocar a estrela no topo da árvore de Natal mais alta, depois de montá-la por horas. “Bem no meio do seu cu” vem com o gostinho de dever cumprido.
Palavrões saem escarrados de lá do fundo da alma, com um milhão de problemas e picuinhas… Ah… “picuinha”. Palavra ardida e picante. Como “Xurumela”, que nem sei se existe ao certo, mas começa chata como chuchu e termina feliz como goiabada. Felizes os que falam as línguas que emanam o som do “xu”, “xo”, “xa”.
Frangalhos, bugalhos, ladainha, primogênito, próstata, vesícula, pâncreas. Os livros de anatomia estão cheios de música! Fígado, cerebelo, neurônio, mitocôndria, tireóide, esôfago. Centríolos, leucócitos, plaquetas, tubas uterinas.
E já percebeu como é difícil para um estrangeiro falar “coração” com a magnitude de um brasileiro? E “saudade”, que nem tem tradução? O inglês, por exemplo, tem muitas palavras para denominar a mesma coisa. Escada, ladder, steps, stairs… Molho, sauce, gravy, topping… E não tem uma única palavra que defina o sentimento de “missing”…. “Saudade”… que soa como um pensamento no interior de Minas Gerais, viajando no vento.
São tantas as palavras nobres dessa Língua. Tanta música, tanto batuque e ginga… Tanta coisa que enche a boca e o orgulho por muita riqueza. Algo de muito bom que os portugueses deixaram, os índios esculpiram, os africanos balançaram, os italianos emolduraram … Palavras que têm um pouquinho de muitas pessoas, de tantas épocas e inúmeros países. Que passam por nós todos os dias, tão desmerecidamente ignoradas quanto uma nuvem branca sem sardas (genial)…

Unregretful

Bebedeira totalmente não arrependida não me faz sentir nada. Que seja assim então: porre absolutamente unregretful. Como qualquer outra dessas palavras que não têm a menor tradução… Que são mais majestosas e cheias de significado assim mesmo, sozinhas, mesmo que não a entenda. Dessas que devem ser faladas de boca cheia até chegar a cuspir: UN-RE-GRET-FUL. Como saudade

Hoje eu vou tomar um porre, não me socorre que eu tô feliz!!!!!!

Esse foi meu lema de ontem.

Festa da academia com a bateria da Vai-Vai, emendando com baladinha na Vila.
Resultado: 5 da manhã, eu na minha cama dando altas gargalhadas, e minha irmã gritando do outro quarto pra eu calar a boca…

Maria das unhas Carmim

Maria abre as janelas todas as manhãs, mesmo que não haja sol. Convida a luz e o vento para entrarem e se fartarem.
Arruma a casa com frescura, coloca a mesa do desjejum só para ela: bolo de milho que fez na noite passada, café fresquinho, leite de vaca tipo A comprado em saco plástico – porque tem mais gosto. Coloca sempre três pratos e três xícaras. Tira da geladeira uma lata de manteiga, um vidro de geléia que ela mesma fez com as pitangas da praça da igreja. Pão, ela só come fresco e quente que é para derreter a manteiga, mas hoje não é bem um desses dias que Maria quer sair para comprar pão. Então coloca um pedaço do bolo de milho na torradeira.
Maria já está vestida de vestido vermelho com flores amarelas e cor de vinho. Usa um colar com um medalhão de Nossa Senhora Aparecida e as unhas dos pés e das mãos estão impecavelmente pintadas por ela mesma de Carmim. São somente nove horas da manhã e ela começa a varrer a sala, bate os tapetes, faz a cama. Tira a mesa do café que degustou sozinha, apesar das outras duas xícaras.
Lava o arroz, separa o feijão e prepara o almoço como se muita gente hoje fosse almoçar por lá. Mas não, Maria vive sozinha e quase ninguém passa por lá para visitá-la. Sendo assim, não havia necessidade de colocar mais dois pratos, mas Maria os coloca. E coloca mais dois copos também para o refresco de maracujá que preparou.
Maria abre todas as janelas antes de almoçar. Depois, recolhe a louça, lava, enxuga, guarda. Limpa o fogão e deixa a cozinha brilhando e com cheiro de pinho. Senta-se na frente do sofá e assiste a um desses programas de tarde de tv aberta. Não que ela goste, mas o dinheiro não dá para a TV à cabo.
Dezesseis horas é hora de tomar remédio. Maria sempre deixa o remédio perto do copo de água na mesinha ao lado do sofá. Tenta ler um livro, mas a vista pesa. Pensa em comprar um gato.
Às dezessete ela passa um pouco de blush e um batom vermelho. Coloca brincos delicados nas orelhas e um perfume de alfazema. Sai com o vestido de flores, as unhas pintadas e sandália rasteirinha. Desce as ruas de paralelepípedos de Paraty e vai até a igreja. Senta no banco e conversa com Deus, a única pessoa com quem Maria conversa todos os dias. Mas não fica para a missa porque tem que estar em casa em tempo de pegar a novela das seis.
Então ela pára na praça, colhe mais algumas pitangas e volta para casa, subindo as ruas de paralelepípedos. Liga a televisão, prepara uma banana com aveia e mel e assiste à novela. Emenda com o telejornal e balbucia algumas exclamações sozinha. A noite chega. Maria vai à cozinha e requenta o arroz, o feijão e o resto do almoço. Põe a mesa imaculadamente com os três pratos e três copos. Termina o jantar com um pedaço do bolo de milho do outro dia. Talvez faça outro amanhã. Então ela tira a mesa, lava, enxuga e guarda a louça. Limpa um pouco mais a cozinha com a mistura de pinho.
Tenta assistir à novela das oito, mas não gosta, diz que tem muita maldade. Passa o resto da noite naquele livro que não conseguiu terminar, desviando sua atenção entre as linhas e o gato que queria comprar.
Maria então desliga a TV, tira o vestido florido, os brincos, a sandália. Entra debaixo do chuveiro e toma um banho morno e longo com sabonete Phebo. Veste uma camisola azul, fecha as janelas e vai dormir esperando ansiosamente pelo dia seguinte.
Maria tem 82 anos e dois velhos amigos: a luz e o vento que entram todas as manhãs para se fartarem. Às vezes eles trazem o sol ou a chuva, e então ela coloca mais alguns pratos na mesa.

Vergonha nacional

Sou eu, eu assumo. Sou louca por culinária, fã incondicional de Jamie Oliver, aprendiz de especiarias e afins. Se me pedir, te faço uma paella, um escondidinho de carne seca, um penne al funghi inesquecível ou um cuzcuz marroquino com cubeba, noz moscada, canela, curcuma, cardamomo, gengibre, folhas de louro, cravo, nigela, cominho, coentro, anis, funcho, tomilho e pimenta Caiena. Mas arroz branco que é bom, meus amigos, não rola.
Quer dizer, não rolava até ontem. Finalmente consegui meu primeiro arroz decente, feito na panela. Sem truques de microondas, arroz de saquinho, panela japonesa ou elétrica. Arroz em sua soberana panela de alumínio mesmo, com bastante alho.
Antigamente sempre que eu tentava fazer ficava ótimo, mas só tinha duas versões: arroz Sapucaí ou arroz Torcida. O Sapucaí era aquele que parecia soltinho mas, assim que você colocava a colher, percebia que o delinquente vinha em blocos.  O Torcida, o pior de todos, nem enganava – total “unidos venceremos”.
Mas ontem ele ficou soltinho!!!!!!! Pow, pow, poooow, pow, poooooow!!!!! Fogos de artifícios mentais para mim. A dona do arroz soltinho.
E não me venham com xurumelas.

PS: Nu, por isso aprovo seu livro “100 receitas de arroz”… 😛