Olhar para o passado só é bom quando se é livre dele.

Olhar para o passado só é bom quando se é livre dele. Ainda não cultivei a arte do desapego, não sei soltar a mão sabendo que o que volta é o que fica, tenho medo. Tenho tanto medo que errei muito com você e acabei de te perdendo. Acabamos nos perdendo no exato instante  em que nos encontramos por dentro.
Amar é simples, relacionamentos é que são complexos. Eu quis tanto ser o teu lado fácil, a mão que te acolhe, aquele amor eterno. Quis tanto ser o beijo de madrugada, teu eterno não-compromisso, o nosso amor livre. Eu quis tanto ser um pedaço de nós dois sem ser de ninguém, mas sou apenas humana. Qualquer tentativa de desapego exige de mim níveis de evolução que ainda não alcancei. E eu tentei, mas – me perdoa – não consegui. Minha mania de controle me ensinou que é impossível controlar emoções quando meus pensamentos já não deitam sobre meu travesseiro.
Teu cheiro ainda vaza das minhas mãos, o calor dos teus lábios ainda percorrem o meu corpo e meu corpo, meu corpo sangra em saudade doída. Queria mais uma vez poder te olhar os olhos pretos e dizer-te nada, absolutamente nada, contrário a tudo o que eu fui um dia. Queria te sorrir de longe, alheia às nossas vidas, e entender a linha tênue entre nossos olhares e sorrisos de canto delimitando a eternidade de um amor que um dia viveu; e que apenas adormece. Queria essa certeza de que as coisas não morrem, que existem sentimentos que apenas se aquietam embaixo das cicatrizes, queria perceber uma entrelinha em você que acalentasse meu coração tão cheio de buracos. Meu nó no peito, minha falta de orgulho. Por que devo calar sentimentos? Por que devo fingir que você passou em mim quando a verdade ecoa por dentro todos os dias? Para te proteger, para te proteger do meu amor.
Fui eu quem decidiu ir embora quando você não pediu pra ficar.
Fui eu quem soltou a mão esperando que voltasse.
Fui eu quem perdeu o controle de uma paixão desmedida.
Fui eu quem atravessou a rua para escolher tudo que não fosse você.
Mas saiba que não morreu em mim. Saiba que um pedaço do meu peito ainda mora no nosso último abraço. Entenda que nem sempre a paixão é escolha. Me perdoa por ter te deixado entrar de maneira tão brutal na minha vida. E volta um dia, quando estiver preparado, quando o amor descansar solene debaixo dos nós na garganta.

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3 comentários sobre “Olhar para o passado só é bom quando se é livre dele.

  1. Brunno Lopez (@brunnolopez) disse:

    Amor bom não morre. E acho que amor ruim também não.
    Se te fez sorrir, você guarda. Se te fez mal, você esconde. Mas lembra.

    E lembrar é sempre revisitar o passado, independente do tempo que se foi.

    Mas tu continua honesta às suas verdades absolutas.
    Então nada que viveu poderá ser colocado num lugar inatingível.

    A luta não foi suficiente pra ganhar a guerra mas a paz acabou chegando, não?

    Então é melhor segurar essa bandeira branca do que um coração incompleto.

  2. Heleny disse:

    Muito lindo o que voce escreveu, realmente é o que se sente quando se vai. O amor é as vezes dolorido demais mas, é um sofrimento que fica para sempre, traz saudade, tristeza, esperança e lembranças boas nunca serão apagadas. Serão eternas .

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