É que essa raiva que eu sinto do mundo bem que podia servir para alguma coisa que me fizesse te apagar para sempre. Mas não consigo te odiar. Ainda que tenha me rasgado em pedaços com seus traços de desamor, ainda que tenha usado o meu sentimento como um pequeno troféu de ego. Não consigo te odiar. Volta e meia me pego submerso em lembranças nossas – deus, faz tanto tempo. Teu cheiro, teu gosto, já mal lembro as curvas do teu corpo; mas teu sorriso, teu olhar, aquelas poucas horas de felicidade impossível. Alguns detalhes minuciosos de qualquer instante que dividimos. Você me olhando quando eu não percebia. O beijo roubado na esquina do teu ombro. O mundo parado no calor do teu rosto sobre o meu peito. Hendrix na televisão e você dizendo que sempre se lembraria de mim quando ouvisse Hendrix.
Hendrix continua tocando e talvez eu não exista mais em você.

Maravilhosas, sensíveis. Simples assim são suas cronicas, sua prosa ou poesia, não sei classificar.
Muito, muito obrigada, Nelsoni! 🙂 Bjs